domingo, 24 de maio de 2020

Amor à flor da pele


Depois de muito tempo, assisti "Amor à flor da pele". Muito tempo mesmo, 20 anos depois que entrou em cartaz. Filme bom, lírico. O final (lá vem spoiler) é que dá pano pra manga.
Os dois não terminam juntos e ficam farejando um ao outro no ar, mas sem tomar a atitude. Engraçado que dias antes, uns dois mais ou menos, uma ouvinte ligou para um programa de rádio que eu escuto falando que estava de caso com um ex com quem ela não pôde se envolver na juventude por causa do pai (o ex também estava casado). O apresentador foi na jugular: ela estava revivendo isso por frustração do que não pôde ser, não por amor (ela não fez nenhuma menção do tipo na fala dela, ela destacou, no lugar, a frustração do passado), até porque, anos depois, esse homem já é outra pessoa, acrescentou ele.
É isso aí.
Eu não duvido do amor de ninguém, embora algumas situações, como essa aí, são pura teimosia em resgatar o irresgatável. Mas cada vez mais, tendo a achar que (fora em contextos de catástrofes sociais) você não faz o que não quer. Ou até queria, mas não tanto assim. Às vezes o medo é maior. Em outras ocasiões a acomodação é maior. Enfim, tem de tudo. Deixe os mortos enterrarem os seus mortos, o passado morto ficar com as suas histórias mortas.
Vou dar um exemplo do que estou dizendo: "As pontes de Madison". Francesca não amava Robert mais do que amava ficar com a própria família ou, talvez, mais do que temia a culpa de abandonar eles. Não interessa, o fato é que Robert não era a prioridade. E como toda escolha, algo se perdeu. Ela teria perdido também se tivesse ido. Em suma, acho que a gente faz o que precisava e conseguia fazer. Deixem o passado no passado. Se for pra resgatar antigos contatos, que seja no agora e não continuando algo que já foi. É ilusão e das improdutivas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário