terça-feira, 26 de maio de 2020

A Estrangeira


O título desse texto poderia ser "desencontro". Concordo com Vinicius de Moraes quando falava que a vida é a arte dos encontros embora haja tantos desencontros. Nas minhas relações pessoais, meu sobrenome é desencontro. Por onde eu vou, por mais que eu tenha carinho pelas pessoas, a coisa não se encaixa, eu me sinto estrangeira. Já chego sabendo que daqui a pouco vou embora.
Mas tudo bem. Big girls don´t cry porque entendem que a vida é esse eterno pegar e deixar passageiros de estação em estação, que as pessoas têm data de validade na vida da gente, que elas têm inclusive o direito de irem embora e que isso pode ser total problema delas e não uma responsabilidade da gente. Quem já não fez de tudo para alguém ficar e a pessoa nem tchum? Pois é. Acho até que essa foi a minha parte nesses desencontros: não saber oferecer o que as pessoas queriam de mim, no caso em que elas queriam algo de mim. Oferecia o meu melhor e levava rasteira no final (sim, algumas pessoas foram ingratas, coração duro, mas isso é problema delas). Ofereci errado, baseado no que eu queria receber, e não rolou conexão. Sabe aquele marido que cuida de você pagando as contas, dando as coisas e achando que está fazendo a melhor das ofertas, mas que não te dá o que você mais precisa, que é um abraço, um carinho? A vida da gente é cheia desses desencontros, é disso que eu tô falando. É preciso saber viver, como canta Robertão. É preciso saber ler as pessoas. É preciso ter sobretudo autoestima para se retirar e se bastar depois disso.
É nisso que eu ando investindo ultimamente. Autoconhecimento, autoestima, autorrealização. Ando me perguntando muito onde eu me autorrealizo. Nem acho que sei muito sobre isso, mas vamos em busca até encontrar. 
Teclado e tela branca do blog, me ajuda a pensar. Vamos lá: acho que meu eixo é o conhecimento, é aprender. Eu acho que gosto tanto de ler, de curso e de viagem por causa disso, por causa do acesso ao diferente, ao diverso e ao humano. Eu quero uma vida de baixa pressão, conforto e aprendizado. É o que eu quero da vida. Eu ando direcionando a terapia para esse lado profissional, que é de onde virá as condições materiais para eu ter essa vida. Eu quero envelhecer com tranquilidade, pelo menos a material. Quero ser uma dessas velhas do Barra que ficam batendo papo com as colegas sem se importar com a conta do restaurante. Acho que meu caminho no médio prazo vai ser o concurso público e no longo prazo a terapia. Ou talvez o Direito. Sinceramente, não quero saber do caminho, só quero ficar bem, leve (mas não no nível Reginazista Duarte, pelo amor de Deus!).

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