sábado, 2 de maio de 2020

As caixinhas e o que é opinião e o que é posicionamento

Há semanas na vida da gente que parecem episódio de seriado, apresentam a discussão de um tema. Tenho a ligeira impressão de que já comentei isso aqui, mas, enfim, nada vai ser inédito mesmo a essa altura da vida e do blog.
Na terça, um amigo me confessou que estava muito chateado com uma amiga que já não estava tão amiga com ele, e argumentou que continuava o mesmo, não sabia o que havia ocorrido entre eles. Nesses casos, na minha opinião, existem dois cenários: ou a pessoa mudou e aquele laço não faz sentido mais; ou é da geração "fada sensata". Explico: as pessoas hoje só toleram quem pensa exatamente dentro da sua cartilha. Conheço vários grupos de amigos em que um é a cópia do outro. Assim tá fácil, né? Você está elogiando você mesmo, se relacionando com você mesmo. Na verdade, nem com você mesmo, mas com a projeção do que gostaria de ser. Amar é achar graça até nos defeitos. Tinha, mas acabou. Não é mais a onda dos relacionamentos de hoje.
Eu, pessoalmente, já me encolhi muito para caber nas caixinhas idealizadas pelos outros, achando que correria o risco de perder aquele afeto (grande afeto!...). Hoje em dia, tô mais aqui pra isso, não. Prefiro meus estudos, meus filmes, meus cada vez mais raros amigos.
Posicionamento
Mas eis que o diabo atenta e hoje a discussão, com outras amigas, foi sobre o filho do cão, o chefe da familícia. Uma amiga que quer passar o pano pra outra amiga que votou em Bolsonaro fica naquele discurso de "não quero julgar". Velho, ela poderia ser diferente de mim em vários quesitos e isso não me importunaria, mas ser a favor da única candidatura que, explicitamente e descaradamente, feriu os direitos humanos não é questão de opinião. Ainda mais que ele não tinha projeto. Qual era o motivo senão identificação? Opinião é gostar de sorvete de coco ou de chocolate. Apertar 17 é posicionamento ideológico, banalização do mal, e, enfim, só o fato de não se chocar com o Inominável diz algo sobre a pessoa. Assim como os influenciadores que você segue, as pessoas de quem é amigo/a, e etc, suas escolhas entregam seus valores. É direito seu escolher, mas é minha prerrogativa ter uma opinião, porque as minhas escolhas, as escolhas dos outros, falam por nós, não são neutras.
Votar na Familícia não é opinião, não é erro, foi opção gerada por identificação. Fato.

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