segunda-feira, 18 de maio de 2020

A criança como elo de ligação

Neste final de semana de novo apareceu o caso de uma mulher relacionando o ato de ter um filho a um objetivo de relacionamento/ligação. Ao contrário do caso anterior, em que a colega usou a gravidez para sair de uma relação abusiva, para se religar a própria vida, neste caso a pessoa preferiu não ter filho porque via que o relacionamento era abusivo, mas ficou magoada quando o ex se casou de novo e engravidou outra mulher, e ela sentiu como se não ter concretizado a paternidade com ela fosse uma recusa pessoal.
Isso não é raro. Há muitas mulheres que para ressuscitar uma relação falida, estreitar uma que não vai pra canto nenhum ou mesmo se religar à própria vida o fazem por meio de um filho, de uma gravidez. Foi o que imediatamente eu pensei quando li sobre a segunda gravidez de Ticiana Villas Boas com o dono da JBS. Ela havia descoberto pela mídia que o marido a enganava e a traía, se separou, mas, quando o ex marido saiu da cadeia, ela resolveu reatar o casamento. O que ela fez logo em seguida, imediatamente? Engravidou. É uma forma de justificar ficar com esse homem depois de tudo. "Não é qualquer homem, é o pai de meus dois filhos. Temos uma família." Eu mesma vim ao mundo assim, para que meus pais justificassem continuar o casamento, já que um bebê precisa de pais juntos; uma criança de quatro e outra de oito anos (minhas irmãs mais velhas) nem tanto assim.
E isso muitas vezes nem acontece deliberadamente, não. Só 4% das nossas decisões, do que sabemos é a nível consciente e somos basicamente comandados pelo inconsciente.
Eu não sou muito simpática a isso, não. O motivo é que geralmente você joga na criança a culpa pelo fracasso: "Ah, eu só fiquei nesse casamento por você", "Ah, eu aguentei esse emprego por você". Se for uma aposta parceira na religação com a vida, do tipo "Você me dá um novo início, uma alavanca pra eu voltar a gostar de viver e eu, com respeito a quem você é, vou te ajudar na sua caminhada", ok. Mas dificilmente alguém que pensa num filho como meio de ligação vai ter essa maturidade, essa sanidade psicoespiritual. Geralmente essa mulher vai estar ligada na energia do medo e não na do amor.
Minha oração para que as crianças que chegaram ao mundo assim consigam ajuda e discernimento.

Ah, sim, por meio da constelação a colega viu que essa ideia de ter filho com o ex não tinha nada a ver. Se limpou desse fantasma e agora vai poder ser feliz de um modo genuíno, sem usar o futuro filho como muleta para o que não cabe a ele consertar ou sequer sustentar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário