segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Fidelidade ou lealdade? Por Ivan Martins

Que lindo esse texto! Disse tudo que eu queria dizer.

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Nos últimos dias, ando apaixonado pela palavra “lealdade”. Deve ser por causa de um livro que estou terminando, um romance sobre antigos amigos e amantes que voltam a se encontrar e precisavam acertar suas diferenças. Eles já não se gostam, mas confiam um no outro. Eles deixaram de se amar, mas ainda se protegem mutuamente. Isso é lealdade, em uma de suas formas mais bonitas. Lealdade ao que fomos e sentimos.
Ao ler o romance, me ocorreu que amar é fácil. Tão fácil que pode ser inevitável. A gente ama quem não merece, ama quem não quer nosso amor, ama a despeito de nós mesmos. Tem a ver com hormônios, aparência e sensações que não somos capazes de controlar. A lealdade não. Ela não é espontânea e nem barata. Resulta de uma decisão consciente e pode custar caro. Ela é uma forma de nobreza e tem a ver com sacrifício. Não é uma obrigação, é uma escolha que mistura, necessariamente, ideias e sentimentos. Na lealdade talvez se manifeste o melhor de nós.
Antes que se crie a confusão, diferenciemos: lealdade não é o mesmo que fidelidade, embora às vezes elas se confundam. Ser fiel significa, basicamente não enganar sexual ou emocionalmente o seu parceiro. É um preceito, uma regra que se cumpre ou não se cumpre, uma espécie de obrigação. O custo da fidelidade é relativamente baixo: você perde oportunidades românticas e sexuais. Não tem a ver, necessariamente, com sentimentos. Você pode desprezar uma pessoa e ser fiel a ela por medo, coerência, falta de jeito ou de oportunidade. Assim como pode amar alguém perdidamente e ser infiel. Acontece todos os dias.
Lealdade é outra coisa. Ela vai mais fundo que a mera fidelidade. Supõe compromisso, conexão, cuidado. Implica entender o outro e respeitá-lo no que é essencial para ele - e pode não ser o sexo. Às vezes o outro precisa de cumplicidade intelectual, apoio prático, simples carinho. Outras vezes, a lealdade requer sacrifícios maiores.
A primeira vez que deparei com a lealdade no cinema foi num filme popular de 1974, Terremoto. No final do drama-catástrofe, o personagem principal – um cinquentão rico, heroico e boa pinta – tem de escolher entre tentar salvar a mulher com quem vivia desde a juventude, com risco da sua própria vida, ou safar-se do desastre com a jovem amante. Ele escolhe salvar a velha companheira e morre com ela. Parece apenas um dramalhão exagerado, mas desde Shakespeare o drama ocidental está repleto de escolhas desse tipo. É assim que nos metem conceitos elevados na cabeça. Vi esse filme com 16 e 17 anos e nunca mais deixei de pensar na lealdade em termos drásticos.
        
A lealdade está amparada em valores, não apenas em sentimentos. É fácil cuidar de alguém quando se está apaixonado. Mais fácil que respirar, na verdade. Mas o que se faz quando os sentimentos desaparecem – somem com eles todas as responsabilidades em relação ao outro? Sim, ao menos que as pessoas sejam movidas por algo mais que a mera atração. Se não partilham nada além do desejo, nada resta depois do romance. Mas, se houver cumplicidades maiores, então se manifesta a lealdade. Ela dura mais do que os sentimentos eróticos porque se estende além deles.
O romantismo, embora a gente não o veja sempre assim, é uma forma exacerbada de egoísmo. Meu amor, minha paixão, minha vida. Minha família, inclusive. Tem a ver com desejo, posse e exclusividade, que tornam a infidelidade insuportável, a perda intolerável. As pessoas matam por isso todos os dias. Porque amam. É um sentimento que não exige elevação moral e pode colocar à mostra o pior de nós mesmos, embora pareça apenas lindo.
Minha impressão é que o mundo anda precisado de lealdade. Estamos obcecados pela ideia da fidelidade porque a infidelidade nos machuca. Sofremos exacerbadamente porque o mundo, o nosso mundo, não contém nada além de nós mesmos, com nossos sentimentos e necessidades. Quando algo falha em nossa intimidade, desabamos.
Talvez devêssemos pensar de forma mais generosa. Talvez precisemos nos apaixonar por ideias, nos ligar por compromissos, cultivar sonhos e aspirações que estejam além dos nossos interesses pessoais. Correr riscos maiores que o de ser traído ou demitido. O idealismo, que tem sido uma força de mudança na conduta humana, precisa ser resgatado. Não apenas para salvar o planeta e a sociedade, mas para nos dar, pessoalmente, alguma forma de esperança. A fidelidade nos leva até a esquina. A lealdade talvez nos conduza mais longe, bem mais longe.

sábado, 8 de setembro de 2018

Volver

Ontem comecei a dar um rolê por este blog, que começou em novembro de 2006. Sentimentos divididos, entre a pena de mim por certas ilusões e falsos afetos e ternura justamente pelos mesmos motivos. Fiquei feliz que amadureci. Foi quase como visitar outra encarnação, outra vida. Não me afetou ter lido coisas antigas, mas fiquei com sentimentos de "Na boa, pra que manter isso?!", até que eu vi uma postagem sobre o vestibular e eu já não lembrava mais nada sobre essa parte da vida.
Já que ninguém lê mesmo, mal não faz.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Ciclo da violência - ou o jogo de gato e rato


Toda demonstração de poder suscita resistência, correto? Pelo menos assim falava Foucault.
Às vezes a gente só vê e julga o resultado final, sem enxergar o processo, elemento de fundamental importância em toda história.
Confesso que ainda estou com a resposta de "Por que uma mulher bem colocada profissionalmente aguenta um marido violento?" na garganta. Mas a minha resposta não seria só sobre homens e mulheres ou sobre o "amor"; seria sobre relações humanas em geral.
A violência visível é apenas o último estágio de algo invisível, por vezes intangível, que a antecede. Sacou? Vou exemplificar.
Um marido que bate precede um marido que passou um longo período depreciando, ferindo psicologicamente aquela mulher, que fica porque, no fundo, acredita nele, acha que não vai conseguir nada melhor, mas, como o ser humano não gosta de ficar por baixo, nas brechas, tenta devolver a violência. Em um relacionamento abusivo, embora a maior vantagem seja do homem inegavelmente, quer pela força física, quer pela permissão social para esses abusos todos, há uma dança doentia com a mulher ferida, que não raramente também manipula ou, na "melhor" das hipóteses, fica inerte, o que é uma forma de manipulação, de vitimização. Muitas vezes quem foi agredido nem se reconhece ao sair dessas relações, mas é inegável que houve interação, que houve co-participação. Há gozo no sofrimento, infelizmente; há uma mística entre agressor e agredido.
A situação só não progride quando você tem autoestima e pulso suficientes para cortar ao primeiro sinal, quando, aliás, se é capaz de se reconhecer num ambiente violento. Mas quem nos ensina essa capacidade? Quando há piedade, só Deus e o tempo.

Em defesa de Anitta

A política tá pegando fogo, mas a notícia que conquistou mi corazón esta semana foi a baixaria, promovida pela Semeadora da Discórdia Jojo Todynho, entre Anitta e Pablo Vittar feat Gominho feat Preta Gil. Tô rindo disso há quatro dias.
Olha, o que tem de gente com inveja de Anitta, não cabe no Maracanã. Sim, pra começar, ninguém chuta cachorro morto. Anitta deve ser metida, marrenta, mas o povo nunca vai confessar, nem ao médium depois de morto, que tá se roendo de inveja porque nem Ivete Sangalo, nem Sandy, nenhuma delas chegou na extensão da funkeira. Apenas.
Produtora
O trunfo de Anitta não é exatamente artístico; é que ela tem uma incomum habilidade entre os artistas nacionais: tem uma mente genial como produtora.
Os artistas brasileiros não têm a pegada de business que os americanos, por exemplo. Quer dizer, têm o pensamento business rasteiro, de ganhar dinheiro fácil, não de marcar época no entretenimento. Quando não é caça níquel, é todo mundo artístico demais, conceitual demais, autoral demais, querendo ser o que em 99% das vezes, na boa, não nasceu pra ser. Grandes nomes do pop não agem sozinhos criativamente, não ficam achando que voz e talento resolvem tudo. Beyonce tem Jay-Z; Michael Jackson, Quincy Jones; Eddie Kramer com três das maiores bandas de rock de todos os tempos; Luis Miguel tem a dobradinha com Kiko Cibriani. Os caras entendem que o sucesso é uma questão de time e não de ser escolhido por Deus.
A garota é boa pra sacar o que bomba nas pistas de dança. Compare com Ivete. Faz duetos com Deus e o mundo sem fazer a diferença na carreira de quase ninguém, mas pense em quanta gente Anitta já alavancou, a começar pela Pablo. Se ela quiser parar e só produzir artistas, garanto que continuará a se dar bem no negócio da música.
Mas artista de entretenimento no Brasil é preguiçoso, não estuda as coisas, se acha obra divina, então que curta a dor de cotovelo quando a coleguinha avança e vai mais longe que todo mundo... "Bem na sua cara".

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

I love HONY!

Uma das melhores páginas da internet trazendo frequentemente lições de vida, alguns verdadeiros tapas na cara. Amei o que disse essa mulher e sou fã desse tipo de gente lúcida e generosa.
Basicamente, rolou o seguinte: na mensagem de baixo, um homem conta que veio de um lar sem afeto, sem contato e que, aos 12 anos, encontrou isso em um homem mais velho, que não lhe ofereceu nada, não lhe perguntava nada, nem sequer lhe ofereceu uma experiência boa ou ruim, apenas algo que ele, naquela época, precisava emergencialmente, que era alguma conexão (neste caso, física). Choveram comentários críticos, politicamente corretos, alguns lamentando por ele, tratando-o como um pobre coitado. Daí entrou Ana, dona da porra toda (na mensagem de cima), dando um vrá nas certezas sobre a vida dessa galera burguesa, que provavelmente nunca passou por um grande aperto na vida e fala com pretensão sobre aquilo que não conhece. Ana lembrou que cada um faz o melhor que pode com a própria vida e que não há um modelo de vida a ser seguido por todos; alguns podem fazer o melhor que conseguem em circunstâncias que, para outros, seriam inaceitáveis, e está tudo certo. Mais do que pena, que é desnecessária, ajudaria ter respeito pela jornada do próximo. Pschiiiii!... 👊💓



quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Se saia!

Olha que texto bufado!
Gente, amor faz a gente se sentir bem e amado. Isso aí maltrata, rebaixa, tira a qualidade de vida. Quem expressa "amor" assim, precisa de compaixão e tratamento, não de complacência. A vida já é dura demais pra gente ficar aceitando receber o lixo emocional dos outros. Leiam essa pérola do que NÃO é amor (é cilada, cilada, cilada!...).
O cara de pau ainda diz, no final, que você não deve conviver com alguém assim, mas passa 90% do texto exaltando a doença emocional. Me poupe!...

Texto de Luciano Cazz“Acho que é bobagem a mania de fingir, negando a intenção.” Lulu SantosNesse artigo, 10 situações onde você jura que uma pessoa não liga para você, mas está enganado. Já passou por alguma delas?Tem gente que te ama muito mais do que você imagina.Muita gente desconhece que demostrar amor é o melhor elogio que alguém pode dar. Não confunda orgulho, baixa autoestima ou falta de personalidade com falta de amor. Às vezes, alguém pode ter amor por você, sim, apenas não aprendeu a gostar. Mas isso não quer dizer que você deva conviver com pessoas que se comportam dessa forma:1- Não reconhecem seus feitosQuando você realiza algo grandioso, fere ego da pessoa, mas não quer dizer que não gosta de você, apenas é incapaz de ficar feliz por questões internas dela mesma e não pelo que você é.2- Menosprezam sua pessoaAlgumas pessoas são muito orgulhosas para admitir amor. Então, elas são duras, em vez de dar carinho, pelo simples fato de que existe uma necessidade de se sentir superior devido sua fraca personalidade.3- Agem com indiferençaExistem pessoas que se sentem ridículas demostrando amor. São inseguras, preocupam-se muito com a opinião dos outros e por isso têm vergonha demonstrar sentimentos bons.4- Fazem maldades com vocêPessoas narcisistas ou perversas têm dificuldades de estar fora do centro das atenções e tendem a punir quando seus parceiros não os glorificam. Isso tem menos a ver com o amor que sentem por você e mais pela insegurança que têm sobre si mesmos.5- Nunca lhe procuramSão pessoas inseguras e sensíveis. Tem medo da rejeição e acreditam que não valem a pena para ninguém. E se você demorar a responder uma mensagem, vai enfatizar a desimportância que eles acreditam que têm e por isso nem arriscam.6- Não se preocupam com seus problemasNão quer dizer que não amam se não lhe apoiam como gostaria. Apenas acreditam que você é forte o suficiente para suportar qualquer situação ou muito inteligente para encontrar soluções sozinho.7- Colocam os outros contra vocêEssa é a maneira que uma pessoa fraca que lhe ama encontra para ter você só para ela. Fazendo intriga, ela tenta afastá-lo dos que lhe importam e ter a exclusividade da sua atenção e coração.8- Mentem muitoAs pessoas mentem para se proteger, inclusive, quanto mais amam, mais são capazes de esconder e manipular situações para que você as admire e mantenha-se apaixonado, mesmo sendo uma mentira de alguém com caráter falho.9- Não flertam com vocêVocê troca olhares com um homem, chama aquela mulher para sair, mas nunca acontece. O sentimento pode ser recíproco, mas suas qualidades assustam e fazem com que os outros pensem que você é muito para eles.10- Fogem quando lhe veemVocê tem absoluta certeza que aquela pessoa lhe detesta, mas, na verdade, ela corre de nervosa porque está tão apaixonada que suas pernas tremem quando vocês se encontram e ela tem muito medo de agir inadequadamente.Essas são algumas das insólitas contradições do ser humano que ama. Antes de uma pessoa gostar de você, ela precisa amar a si mesma. Muitos são incapazes de dizer “Eu te amo” por pura vaidade, vergonha ou receio da rejeição. Mas, então, que os seres evoluam e se sintam seguros para amar mais o outro sem medo.Que o amor jamais seja censurado e possa vir, então, em toda sua intensidade, de dentro para fora, de um para o outro, pois como diz a música… Quando um certo alguém desperta o sentimento, é melhor não resistir e se entregar…

Uma opinião impopular sobre um tema que me é caro

Sempre fui questionadora do machismo, das regras sociais para mulheres desde muito novinha. A primeira vez que me lembro de ter batido o pé pra defender meu direito de ser tratada como qualquer um foi com 4 anos. Peitei minha mãe que, por eu ser menina e ainda a caçula, sempre adorou fazer caridade às minhas custas, e eu nunca achei que deveria ceder para os outros só por ser mulher. Me desculpa, eu sou até generosa, mas antes disso, sou um indivíduo e, enquanto eu puder lutar, ninguém vai apagar isso. Aliás, se eu pudesse resumir o objetivo da minha vida em uma frase, seria assim: Luto para ser respeitada enquanto ser humano. Parece pouco, mas é muito. É uma labuta diária, esgotante, por vezes frustrante, mas é o sentido da minha vida. Acho que é por isso que me identifico tanto com a fala de Kirk Douglas em "Spartacus", "Eu não sou um animal" - se Deus quiser, até um dia os pobres animais serão respeitados.
Acho massa nessa nova onda feminista by redes sociais que se dê nome às coisas. Discursos ofensivos não são brincadeiras ou coisa de casal, são violência psicológica; agarrar não é brincadeira, é assédio. Isso é muito legal. Porém, apesar de conhecer bem o potencial que um homem nocivo tem de detonar a vida de uma mulher, meu lado "mulher viralata", que nunca coube muito bem dentro dos ideais de feminilidade, é bem pragmático e por isso contra uma ilusão das meninas de hoje: não é gritando "Xô, homens" que as coisas vão melhorar. Não mesmo. Nem contem com isso. Na vida real não é assim que a banda toca.
Daí então ontem, assistindo uma entrevista de Martha Medeiros, sempre sensata, ouvi ela dizendo o que eu penso: as coisas só vão mudar quando a autoestima da mulher for o foco, for trabalhada. O tapa na cara não vem no primeiro dia de relacionamento. Ele vem depois de muita humilhação psicológica, então é preciso focar naquilo que faz uma mulher ficar mesmo sendo abusada, ou seja, na baixa autoestima e na obrigação social de ter um relacionamento amoroso.
Se eu disser isso nas redes sociais, vou ser massacrada, mas sempre digo aos meus amigos: o homem só vai mudar quando a mulher mudar. E não vai ser fácil. Ser feminista, na prática, é a coisa mais difícil e dolorida que existe. Pense um ser que é criado pra agradar, pra ser gregário, pra ficar no backstage, de repente se impondo e perdendo pessoas por causa disso. Não é qualquer um que aguenta. Tem que, primeiro, gostar muito da própria companhia e nós não somos criadas para esse tipo de independência. A gente é criada para suportar o insuportável pelos outros, mas não por nós mesmas. E nesse ponto a sociedade é cruel: quanto mais você se esforça pra ser corajosa, mais as pessoas gostam de te humilhar, tentando mostrar o "seu lugar". Daí você escolhe se quer se colocar nele ou não. Durante a vida, eu simplesmente escolhi não me colocar em certos lugares. Fiquei sozinha, fui criticada, injustiçada, mas fiquei do meu lado. No fundo, é sobre como você se enxerga. Só um olhar justo e amoroso sobre si pode de fato mudar as coisas. Gostaria que todas soubessem disso. Gostaria que aquele menino de 9 anos que se suicidou por causa do bullying que sofreu por ser gay (outro desdobramento do machismo) soubesse disso. Pais deveriam criar suas crianças sem tanta dependência da aceitação social. Aliás, se pudesse iniciar uma cruzada, seria contra a dependência emocional, o verdadeiro câncer das relações humanas.

domingo, 19 de agosto de 2018

Santo Fuerte

Acho que já falei aqui que, nos últimos dois anos, pessoas que me eram caras saíram da minha vida. Mesmo as que ficaram, ficaram de uma forma menos romântica, mais realista, menos calorosa. Um dia eu me queixava disso, em uma conversa, que coisas estavam saindo sem que nada entrasse no lugar. A pessoa com quem eu conversava deu uma definição ótima. Disse que isso nada tinha a ver com solidão, mas que era um processo de reintegração de posse de mim mesma. Perfeito. Porque o afeto, a dependência emocional que eu tinha de certas coisas e pessoas, me fazia menos dona da minha própria felicidade que, afinal e ao final, só interessa a mim mesma e a mais ninguém. Perder essas pessoas e a expectativa de que trouxessem alegria à minha vida me fez mais feliz na minha própria companhia.
Chego à conclusão de que, realmente, as coisas são como têm que ser nessa vida.

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Todo relacionamento é abusivo?


Aconteceu um episódio bizarro num relacionamento importante meu. Mas a coisa anda tão recorrente que eu nem consegui ficar consternada, como eu fico quando a pessoa ainda me importa, quando eu ainda tenho esperança, vontade de estar com; rendeu apenas frustração. Mais uma frustração.
Daí vem um monte de filho do capeta dizendo, ao discutir relacionamentos, que as pessoas hoje em dia não têm paciência. Mais uma meia verdade, e, como toda meia verdade, é pior que uma mentira.
Há gente que não aguenta nada e, ao mínimo sinal de desagrado ao ego, pula fora mesmo. Mas há situações que são degradantes, que vão minando o amor pelo outro e o amor próprio. Pra que ficar? Pra sair no tapa? Pra morrer de ressaca moral? Sempre me arrependi de ter ficado mais do que deveria, nunca do contrário. Só vale a pena dar chance a quem 1) reconhece que tá pisando na bola e 2) faz a tentativa de mudar. A essa altura, tenho zero paciência com a síndrome de Gabriela dos outros.
Daí, tava rodando por aí com os amigos e um deles falou que todo relacionamento é abusivo. Será? Acho que é outra meia verdade.
Acho que é impossível se relacionar, ser próximo, sem que o outro não mexa com as suas emoções, provocando, a partir disso, reações. Especialmente quando não se sabe onde se está pisando ou se é muito inseguro. Mas se não dá pra ser perfeito, dá pra ser equilibrado na maior parte do tempo. Concordo com um trecho de uma crônica de Ivan Martins: "Se você enxerga o outro como ele é, e continua apaixonado, gostando, então está bem. O limite é aquilo com que você pode conviver sem deixar de amar - e sem deixar de respeitar a si mesmo". Dá pra viver bem, apesar das humanidades de cada um. A pergunta é: está havendo esforço mútuo pra isso? O que eu mais vejo é um tentando heroicamente enquanto o outro só olha e bota defeito.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

A diferença entre inveja e cobiça

Percebo que as pessoas, de um modo geral, gostam muito de se pensarem invejadas e dão muita importância ao olho gordo dos outros. Bobagem. Se você cuida das suas coisas, não vai ser o mau olhado dos outros que vai te prejudicar. Porquinho que constrói casa sólida o lobo mau não consegue destruir. A inveja é, no máximo, triste, um desgosto, especialmente quando vem de gente que deveria torcer por você. Quando me percebi invejada, apenas senti isso: tristeza e uma certa pena da pessoa por se achar tão incapaz. Please, o que faz diferença na vida nem é capacidade, é confiança, trabalho e perseverança. É vontade. Quando um talento a mais se junta a uma vontade grande, algo poderoso acontece, claro, mas só talento não leva ninguém a lugar algum.
Por isso que eu não sou muito dada à inveja e quando me pego invejando, procuro reconhecer o mérito da pessoa. E procuro pensar que se alguém próximo a mim conseguiu, eu também posso ou poderia. Geralmente, quando me irrito com uma conquista de alguém, é porque julgo que houve maracutaia ou injustiça divina, assim como me irrito ao ver gente que merece padecendo, sofrendo para conquistar as coisas. Mas cada vez mais ando deixando essa questão da justiça para o Universo mesmo, afinal tudo tende ao equilíbrio, como tenho tido a oportunidade de testemunhar.
Do que adianta você "lograr o êxito" de ver alguém se lenhando? Isso vai melhorar sua vida? Ver aquela pessoa obtendo sucesso retira seu direito de ter boas coisas também? É isso, no final das contas, como os outros estão ou deixam de estar não interfere em nada.
Claro, eu também olho a vida dos outros e me inspiro nelas. Isso é muito diferente de inveja, que é acima de tudo não querer que os outros tenham boas coisas; querer ter também é cobiça e isso eu faço muito, desde pequena. Na verdade, eu acho que é algo recomendável: observe, pince as boas práticas e as adapte à sua vida. Dá pra aprender um monte olhando os outros. A cobiça, na verdade, é a base da lei do progresso. Se você nunca tivesse desejado pra você o que o outro tem, nunca teria progredido.

EDIT: Ouvi uma definição que também achei muito boa: cobiça é querer o que o outro tem; inveja é querer ser o que o outro é.

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Depois do amor

Uma amiga minha tem o ex-namorado mais sem noção da face da Terra (não preciso dizer que é o meu ex favorito dela, e olha que ela tem vários, hehe). É o famoso maluco de bom coração.
Eles terminaram muito antes de eu conhecê-la - e isso faz quase uma década -, e na ocasião ela criava uma cadela que eles pegaram durante o namoro. Dividiam a guarda e, por isso, ainda se falavam. A cachorra morreu faz pouco tempo. Acha que ela se livrou dele? Que nada, a avó materna dela faleceu e lá estava ele, com filha a tira colo, herança do último relacionamento, dando toda a assistência à família.
Isso me lembra um amigo meu. Nosso contato começou com uma paquera, que não evoluiu, mas mesmo assim, até hoje, quando algo importante acontece a ele, de repente eu recebo um whatsapp. É engraçado porque às vezes eu até questiono o que aquela notícia tem a ver comigo, mas talvez ele só queira que eu saiba. Lembro que, na época, mesmo eu claramente vendo que o flerte inicial nunca ia evoluir, contando as histórias à minha terapeuta, ela comentava que o engraçado era que, apesar da gente não ter nada, ele me tratava como namorada.
Eu acho que algumas coisas extrapolam o desejo de ser um casal. Algumas pessoas continuam despertando o sentimento de serem uma base pra gente mesmo depois de tudo. Por isso, continuamos na insistência de mantê-las em nossas vidas. É uma grande homenagem.

Feminicídio

Na mesma semana em que a lei Maria da Penha completou 12 anos, 4 feminicídios aconteceram em pontos diferentes do país.
Um amigo meu, homem de bom coração, criticou uma das vítimas, que era independente financeiramente mas ficou tolerando os abusos do marido.
Cada caso é um caso, portanto vou falar de modo geral, da minha impressão a partir dos casos que já vi, li e da minha própria educação como mulher. A questão é que o buraco é bem mais embaixo.
Dinheiro é um fator importantíssimo para que as mulheres possam sair desse tipo de abuso que pode culminar em feminicídio, mas, pra mim, o fator crucial nesta equação é a (des)educação de meninas. E de meninos, mas como somos nós que morremos, a urgência na mudança é nossa, para que a gente saiba reconhecer e abandonar essas circunstâncias.
Mulheres não são coitadas, mas equivocadas em suas relações. Esse equívoco por vezes custa as suas vidas. São dois a meu ver os erros de compreensão: achar que seu autovalor está atrelado ao fato de ter (e manter a qualquer custo) parcerias, o que produz dependência emocional; que precisam sempre perdoar, aceitar as pessoas "como elas são", o que atrapalha que deem nomes às coisas e detona o amor próprio. Mas e se elas são cretinas e abusivas? O perdão nunca deveria vir na frente da nossa dignidade. Olhe os homens: ninguém dá mais ou menos valor a eles por conta de serem casados, bons amigos ou pais presentes; nem são estimulados a tolerar, muito pelo contrário.
Demorei décadas para retirar, sem culpa, quem não me trata bem da minha vida. Eu, que não sou das mais melosas, que não sou das mais frágeis, mas tinha guardadas em mim essas duas premissas que tanto me foderam a vida. Perdi muito tempo com quem não devia, em todos os âmbitos das relações afetivas. Hoje procuro ser melhor nos meus relacionamentos e busco pessoas melhores, que não precisam ser perfeitas, apenas me respeitarem. Regra de ouro na vida: quem é incapaz de reconhecer minha humanidade é impróprio para estar na minha vida íntima. Mas ensinam às mulheres que é virtude ser capacho.
Precisamos educar melhor as meninas. Abuso é o contrário do amor, não tem nada a ver "com o jeito dele". Amor não é luta, não deve ser um calvário; o que é bom pra gente apenas flui. Quem faz uma vez, se não fizer um trabalho interno, faz de novo. Coisas assim, que apelam à racionalidade, precisam ser ensinadas às meninas.

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Reflexoes desimportantes I

Maria, Lucia e Julia trazem mais classe, mas Mariana, Luciana e Juliana são mais vivazes. Quando se chamam as primeiras, imaginam-se senhoras; sobre as últimas, jovens.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

intuição

Intuição é coisa séria.
Um exemplo bobo: precisava, dia desses, comprar tinta de cabelo. Passei numa farmácia, a loja mais próxima de minha casa, e cada tubo custava 25 reais. Fiquei muito tentada a comprar e resolver logo essa demanda, mas me bateu um pensamento de que era melhor ir nas Americanas do shopping. Deixei as tintas na farmácia - que saudade da rede Santana! -, fui no shopping depois e encontrei a mesma tinta por quase a metade do preço.
Poderia dar inúmeros exemplos de quando a intuição me avisou.
Dizem que as mulheres têm uma capacidade maior de intuir. Eu acho que é uma meia verdade. Não acho que essa capacidade seja diferente para homens e mulheres, mas acho que damos mais crédito ao que não podemos provar, mas sentimos. E nos permitimos mais conexões emocionais. Quando você se envolve, está conectado com alguém, as intuições sobre a pessoa aparecem. É por isso que mães acertam tanto.

sábado, 28 de julho de 2018

Fallaste corazón!



Quando você é independente, aquele tipo que, apesar da dor, dá um jeito de seguir em frente, importunando o mínimo possível os outros, há um efeito colateral nisso, que é as pessoas te tratarem como se você não fosse humana e não tivesse sentimentos. Mas se há pessoas que, apesar da intimidade, preferem te tratar como se fosse de ferro e não de carne e osso, é melhor se retirar. É impossível relacionar-se sem ser vista como gente que é.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Cada um por si

Dois amigos meus se separaram. Vou chamar o que tomou a iniciativa de Pessoa A e a outra figura de Pessoa B.
A saiu do relacionamento alegando mil razões e culpando B por um monte de coisas. B não entendia como A podia se sentir tão infeliz, se tudo que fazia era por amor, para agradar. Ficou um tempo em desespero, ficava importunando A com perguntas e súplicas, mas, por fim, seguiu a vida e, cá entre nós, está indo bem, para meu orgulho. A também cuidou da vida, mas, aparentemente, com menos sucesso, já que, ao ver B vivendo bem sem sua pessoa - a dor mais clássica ao final de paixões -, não aguentou e ofereceu amizade (visando a colorida, claro). B, ainda com sentimentos fortes, cedeu, apesar da razão lhe avisar que não seria uma boa ideia. Pelo silêncio de B ultimamente, deu merda.
No meu estilo papo reto, eu falei a B que se a A gostasse, não teria ido embora, não teria batido a porta de forma tão veemente. Sentir carinho não é amar, embora amar implique em sentir carinho. A está simplesmente cozinhando em banho maria B, pra assegurar que se algo der errado nesse sonho de liberdade, vai ter pra onde voltar (a ilusão é achar que as coisas não mudaram desde então).
Amo A, mas o seu egoísmo nessa situação me deu certeza de uma coisa que já suspeitava: no "amor" (porque esse estágio é para poucos, a maioria vive de paixão), cada um quer saber de si, mesmo que isso custe ao outro. Tá anotado, pode deixar. Só não sei que nível de entrega é possível fazer quando se vê essa parte dura da realidade.
Tem uma coisa que não falei a B, que não é fácil de perceber nesse tipo de situação. A pode estar se vingando. A palavra certa não é exatamente vingança. É mais um desleixo, uma falta de cuidado com o outro que advém de uma mágoa. É como se o fato de alguém ter me maltratado me liberasse de ser decente e ter consideração por essa pessoa. B errou, mas achando que tava fazendo o bem. A tá jogando pra cima. Quando os humilhados resolvem se exaltar, saia de baixo!

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Medo do conflito

Enquanto trabalho no computador, fico ouvindo palestras do YouTube. Um dos canais usuais é o da Cidade da Luz. Semana passada, Medrado pegou um tema legal de abordar: medo do conflito. Não há relacionamento humano próximo sem isso. Mas certas pessoas detestam ter uma conversa sobre coisas desagradáveis na relação. Não entendem que, sem isso, não é possível ser melhor, embora num primeiro momento seja desagradável. Mas vai ver não querem investir, é algo que pra elas não têm valor...
E esse sempre foi meu dilema. Se eu falo, sou gente ruim; se não falo, também sou gente ruim. Sobre isso aí, um parentese antes de continuar, de uma coisa que acho intrigante, pra não dizer sem noção: até entendo quem se aborrece com a DR quando a iniciativa parte da gente, mas nunca entendi quem provoca a zorra e acha ruim quando você responde. Quem desce pro play tem que estar preparado ou então melhor nem querer saber. E é bom, a depender, estar atento. Mesmo palavras desagradáveis podem te fornecer informação importante, pistas para você melhorar. Sempre lembro de Julia Roberts que, ao ser recusada para um teste, pedia feedback a quem a avaliou. Diante do constrangimento de alguns, ela argumentava: "me diz, eu preciso saber o que foi pra poder melhorar". Não sei se ela é humilde, mas que ela é esperta, é. Eu tenho essa filosofia, pra dentro e pra fora. Se alguém me diz algo, vou refletir a respeito, nem que seja horas depois, sozinha com os meus botões, com a cabeça mais fria. Se for uma pessoa cuja avaliação respeito, vou refletir com mais atenção ainda. E também dou minhas opiniões com seriedade, sobre amigos ou desafetos. Não vou fazer a cega por gostar muito de alguém nem vou dizer coisas que sei que são mentiras sobre alguém de quem não gosto só pra magoar. Eu vejo a crítica como informação, não gosto de quem inventa coisas só pra rebaixar o outro.
Mas voltando à vaca fria, as pessoas simplesmente querem que você engula os sapos e siga como se nada tivesse acontecido, achando tudo maravilhoso (nível Jardim de Infância). Sem sangue nas veias, sem senso crítico, sem expectativas. Assim tá fácil, né? Quem não quer? Por toda minha vida foi assim, acho que por muita necessidade de pertencer a certos espaços e a certos grupos que visivelmente não tinham a ver comigo. Perdi tempo que poderia ter gasto buscando algo mais adequado. Enfim, growing pains...
Um amigo meu aquarianamente não entendia essa minha angústia. Para ele, se está me fazendo sofrer falar ou não, é porque, de algum modo, já estou sozinha na situação. Então pra que se preocupar se o outro vai se aborrecer e vai embora se ele não está preocupado comigo? Ele tinha/tem razão. Aliás, Medrado falou a mesma coisa. Meninos e meninas, essa dica é importante; tomem nota.

terça-feira, 17 de julho de 2018

No me puedes dejar así

Que boca!

 Que sorriso!
 Qué guapo!!!!

Que charme!

E ninguém canta em espanhol melhor que ele! <3

Eu adoro Luís Miguel! Lindo desde sempre e até hoje, canta melhor que (quase) todo mundo, é canastrão, super carismático (só é meio Ivete Sangalo, confia na fidelidade dos fãs e há séculos não grava nada que preste). Minha versão preferida dele é a dos anos 90. O homem tava no auge da beleza e com toda a energia em cima do palco. Um deus, ave maria!... Até hoje, quando vejo, tenho microinfartos!...
Pois bem, um belo dia tô eu lá na Netflix, de bobeira, e vejo que naquele dia vai estrear a série sobre a vida dele. Temos que ver, né? Saudade de Micky, mi amor, hehe... Lá fui eu acompanhar essa série (e se tornou meu vício nos últimos três meses, meu e da América Latina inteira, o que ressuscitou a carreira dele by the way).
"Luis Miguel - La Serie" foi autorizada pelo cantor e conta com informações extraídas de entrevistas feitas com ele. Quem o conhece, diz que a Netflix contou a verdade, mas, claro, é dramaturgia, algumas coisas são floreadas. E é, ainda, o que ele resolveu contar, a versão dele dos fatos. Por exemplo, o pai dele foi transformado em um vilão da Disney, mas quem o conheceu disse que, apesar dele ter sido muito pior do que a série quis mostrar, era um tipo muito carismático, inteligente, a alma da festa quando queria. Vendo fotos, ele tem a maior cara de boa praça, não tem a expressão de Seu Madruga quando o Chaves apronta do Lusito Rey da ficção. Algumas coisas negativas sobre Luís Miguel foram até citadas, mas muito por cima. Exemplos: que o pai dava algo parecido com cocaína para ele ter pique para trabalhar sem parar quando era pré-adolescente; que o pai obrigava a esposa a fazer coisas que ela não queria e a empurrou para um cara importante no México para alavancar a carreira do menino; que Luís Miguel era mulherengo e consumia cocaína na adolescência, dando a entender que quando ele mudou de empresário, parou com certas condutas por influência de Hugo Lopez, um tipo de homem oposto ao pai-psico dele. Foi curiosa a eleição dele dos fatos de destaque na série porque foi uma seleção bem afetiva. A carreira foi um pano de fundo para mostrar quem foi emocionalmente importante para ele nos primeiros dez anos da carreira, tempo em que, realmente, muita, muita coisa aconteceu.
Outra coisa que é queimação de filme e só apareceu no finalzinho, prometendo ser destaque na próxima temporada, é o abandono parental. Luis Miguel foi péssimo com a filha mais velha e, ainda hoje, há rumores de que faz o mesmo com os dois filhos menores. A relação com a mais velha foi a típica: ele engravidou uma amiga colorida, não assumiu a menina (ficou dando como desculpa o fato de que poderia ser do namorado dela), a moça, que vinha de uma família rica e famosa, ficou quieta e só quando uma namorada gente boa o pressionou, ele foi conhecer a guria, que deixou de ver assim que esse namoro terminou, só retornando o contato com a filha 11 anos mais tarde, quando a mãe dos outros dois filhos insistiu.
Na escolha dos pares amorosos, ele continuou tendo esse critério afetivo (tem que filtrar mesmo, porque se for mostrar todo mundo, vai render por baixo umas cinco temporadas, hehe). Falou da primeira relação importante dele com uma pessoa que foi de fundamental apoio durante o turbilhão do rompimento com o pai e também da mulher que ele classificou, em entrevista aos roteiristas, como o "amor da sua vida", a pessoa que "só de olhar, já se entendiam", uma moça que ele conhecia desde a infância, que foi seu primeiro amor e a relação mais longa dele, que chegou a pedi-la em casamento; foi a figura que esteve ao lado dele em momentos decisivos e dramáticos. Parece que ela não queria visibilidade para o relacionamento (não precisava, pois vinha de uma família muito poderosa) e que ela não aguentou mais o assédio das mulheres em cima dele e resolveu terminar. Ela já está casada com um sujeito há 13 anos (o que virou piada no México, do tipo "A pessoa desiste de Luis Miguel pra casar com alguém que não chega na unha"). Elegantemente, ela agradeceu o carinho dele ao se lembrar dela assim, mas ficou desconfortável com o assunto. Eu ficaria também pelo meu marido. Tadinho de Sérgio Mayer, hehe...
Olha, Luis Miguel jovem é um dos cinco homens famosos de quem eu gostaria de ser até a toalha, só pra dar uma roçadinha. Portanto, acho louca qualquer uma que tenha resolvido, nos anos 90, romper o relacionamento com ele. Se Érika/Issabela Camil é sensível às energias, deve ter sentido a indignação de toda a América Latina nos últimos seis domingos. Até eu, que sei separar personagem da vida real, tive vontade de gritar com ela: "es Luis Miguel, coño!". Hehe... Mas, resumidamente, o que me pareceu é que Erika, desde o começo, ficou se sabotando, botando dificuldade em coisas que não precisavam ser tão difíceis, querendo antecipar o medo dela de não dar certo, com medo de ser engolida pela magnitude da fama dele. Se era pra ser, queimou-se o cartucho. O medo de amar dela foi forte. Esqueça que se tratava de um cantor famoso. Quantas vezes, diante de algo potencialmente muito especial, a gente se sabota?
Não seja Érika na vida... Ou melhor, não seja Luis Miguel, porque se ela fez assim provavelmente ele a deixou insegura desde o começo. Sou fã, mas sinto que ali deve ser galinha até a raiz do cabelo e homem assim não tem mulher que mude, pois simplesmente ninguém muda por causa dos outros.

domingo, 8 de julho de 2018

Genial

Deus tem o melhor contrato de marketing da Terra: quando tudo dá certo, o mérito é dele; quando dá errado, é culpa do ser humano mesmo. Também quero um assim.

domingo, 1 de julho de 2018

Não entro em clube que me aceita

Tenho um amigo que se separou e que me assustou muito, a princípio, pela resistência em aceitar. Não faz tanto tempo assim que ele se separou, mas tá tentando ter autoestima, tocar a vida. Tá difícil - naturalíssimo -, mas ele persiste em superar.
Infelizmente, nem todo mundo tem essa visão e há quem passe anos insistindo em algo que até as formigas sabem que vai dar em nada. Tem nome pra isso, aliás, dois nomes que geralmente andam bem juntinhos: baixa autoestima e carência.
Tem gente que passa a vida inteira nessa: negligencia quem lhe corresponde e vive focando em quem não tá nem aí. Eu já fui dessas, muito recentemente tomei tenência (em processo ainda). Isso é falta de amor próprio, gente. E por mais que o outro colabore (e às vezes até tire proveito) com essa falta de amor próprio, é a gente que se coloca nessa situação. E, vamos admitir, não tem condições de dar valor a quem não se dá valor. Dói ver isso, mas o amor vem de dentro.