quarta-feira, 25 de julho de 2018

Medo do conflito

Enquanto trabalho no computador, fico ouvindo palestras do YouTube. Um dos canais usuais é o da Cidade da Luz. Semana passada, Medrado pegou um tema legal de abordar: medo do conflito. Não há relacionamento humano próximo sem isso. Mas certas pessoas detestam ter uma conversa sobre coisas desagradáveis na relação. Não entendem que, sem isso, não é possível ser melhor, embora num primeiro momento seja desagradável. Mas vai ver não querem investir, é algo que pra elas não têm valor...
E esse sempre foi meu dilema. Se eu falo, sou gente ruim; se não falo, também sou gente ruim. Sobre isso aí, um parentese antes de continuar, de uma coisa que acho intrigante, pra não dizer sem noção: até entendo quem se aborrece com a DR quando a iniciativa parte da gente, mas nunca entendi quem provoca a zorra e acha ruim quando você responde. Quem desce pro play tem que estar preparado ou então melhor nem querer saber. E é bom, a depender, estar atento. Mesmo palavras desagradáveis podem te fornecer informação importante, pistas para você melhorar. Sempre lembro de Julia Roberts que, ao ser recusada para um teste, pedia feedback a quem a avaliou. Diante do constrangimento de alguns, ela argumentava: "me diz, eu preciso saber o que foi pra poder melhorar". Não sei se ela é humilde, mas que ela é esperta, é. Eu tenho essa filosofia, pra dentro e pra fora. Se alguém me diz algo, vou refletir a respeito, nem que seja horas depois, sozinha com os meus botões, com a cabeça mais fria. Se for uma pessoa cuja avaliação respeito, vou refletir com mais atenção ainda. E também dou minhas opiniões com seriedade, sobre amigos ou desafetos. Não vou fazer a cega por gostar muito de alguém nem vou dizer coisas que sei que são mentiras sobre alguém de quem não gosto só pra magoar. Eu vejo a crítica como informação, não gosto de quem inventa coisas só pra rebaixar o outro.
Mas voltando à vaca fria, as pessoas simplesmente querem que você engula os sapos e siga como se nada tivesse acontecido, achando tudo maravilhoso (nível Jardim de Infância). Sem sangue nas veias, sem senso crítico, sem expectativas. Assim tá fácil, né? Quem não quer? Por toda minha vida foi assim, acho que por muita necessidade de pertencer a certos espaços e a certos grupos que visivelmente não tinham a ver comigo. Perdi tempo que poderia ter gasto buscando algo mais adequado. Enfim, growing pains...
Um amigo meu aquarianamente não entendia essa minha angústia. Para ele, se está me fazendo sofrer falar ou não, é porque, de algum modo, já estou sozinha na situação. Então pra que se preocupar se o outro vai se aborrecer e vai embora se ele não está preocupado comigo? Ele tinha/tem razão. Aliás, Medrado falou a mesma coisa. Meninos e meninas, essa dica é importante; tomem nota.

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