sexta-feira, 27 de julho de 2018

Cada um por si

Dois amigos meus se separaram. Vou chamar o que tomou a iniciativa de Pessoa A e a outra figura de Pessoa B.
A saiu do relacionamento alegando mil razões e culpando B por um monte de coisas. B não entendia como A podia se sentir tão infeliz, se tudo que fazia era por amor, para agradar. Ficou um tempo em desespero, ficava importunando A com perguntas e súplicas, mas, por fim, seguiu a vida e, cá entre nós, está indo bem, para meu orgulho. A também cuidou da vida, mas, aparentemente, com menos sucesso, já que, ao ver B vivendo bem sem sua pessoa - a dor mais clássica ao final de paixões -, não aguentou e ofereceu amizade (visando a colorida, claro). B, ainda com sentimentos fortes, cedeu, apesar da razão lhe avisar que não seria uma boa ideia. Pelo silêncio de B ultimamente, deu merda.
No meu estilo papo reto, eu falei a B que se a A gostasse, não teria ido embora, não teria batido a porta de forma tão veemente. Sentir carinho não é amar, embora amar implique em sentir carinho. A está simplesmente cozinhando em banho maria B, pra assegurar que se algo der errado nesse sonho de liberdade, vai ter pra onde voltar (a ilusão é achar que as coisas não mudaram desde então).
Amo A, mas o seu egoísmo nessa situação me deu certeza de uma coisa que já suspeitava: no "amor" (porque esse estágio é para poucos, a maioria vive de paixão), cada um quer saber de si, mesmo que isso custe ao outro. Tá anotado, pode deixar. Só não sei que nível de entrega é possível fazer quando se vê essa parte dura da realidade.
Tem uma coisa que não falei a B, que não é fácil de perceber nesse tipo de situação. A pode estar se vingando. A palavra certa não é exatamente vingança. É mais um desleixo, uma falta de cuidado com o outro que advém de uma mágoa. É como se o fato de alguém ter me maltratado me liberasse de ser decente e ter consideração por essa pessoa. B errou, mas achando que tava fazendo o bem. A tá jogando pra cima. Quando os humilhados resolvem se exaltar, saia de baixo!

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