Textos semi-verídicos sobre temas quase desinteressantes [e raramente revisados - sorry!].
sexta-feira, 28 de junho de 2013
Simpatia virtual
Brincando de piolho nas redes sociais, acabei estabelecendo algumas simpatias. É tão estranho gostar de quem a gente não conhece, né?
terça-feira, 25 de junho de 2013
Gordura para queimar
Minhas amigas mais próximas dizem que eu sou boa de perdão. "Nem tanto, mestre".
Eu não sou amiga de minha melhor amiga na época da escola. Nem inimiga. Ela me desapontou, eu sofri, superei, digo, hoje, que gosto dela, tenho boas lembranças, mas não vejo motivos para continuar a amizade. O namorado dela, que também era meu amigo, nesse processo de rompimento, pediu mil vezes para eu me reaproximar. Não sentia vontade. É que, olhando para trás - e quando a gente se magoa revisar e fazer flashbacks é inevitável -, nunca senti que ela fosse realmente minha amiga. Como eu era amiga dela, empurrei com a barriga. E a porra estourou. E eu fui forçada a encarar os fatos. Não foi maldade dela, mas sofri e não teve jeito de voltar a me iludir sobre isso.
Love will keep us together - O sofrimento deixa marca. Conheço gente que, quando se decepciona, corta a relação de vez. No mercy. Mas, como diz a canção, é o amor que nos junta. Pelo menos no meu caso. Só assim para superar o medo de cair do cavalo novamente. Soa piegas, mas que posso dizer? Porque quando a decepção bate na porta - e todo relacionamento próximo descamba, em algum momento, nesse esgoto chamado desapontamento -, é a afeição que faz o coração esquecer, ou pelo menos acreditar que ainda vale a pena. Pensar que a pessoa gosta mesmo de você é determinante. Se essa certeza desaparece, quase impossível retomar.
E essas coisas não nascem de uma hora para outra. Tem que ter havido uma construção. Eu me dou melhor com uma das minhas irmãs do que com a outra. Na idade adulta as duas se equivalem, mas, no tempo em que todo mundo vivia na mesma casa, uma me sacaneava e a outra tinha alguns momentos em que era generosa. E torcia/torce por mim. Não preciso dizer quem é mais fácil de desculpar quando pisa na bola. Enfim, meus caros, toda relação, no fundo, funciona na base do "me abraça que eu te abraço". Na vida como no coração, não existem almoços grátis. ;)
sábado, 22 de junho de 2013
Material Love
Deve ser pecado mesmo, mas, de vez em quando, me pego totally in love com algumas aquisições materiais.
Há alguns meses, foi com o dual chip. Agora é uma mochila da Kipling. É bizarro ficar assim, boba, por coisas, mais do que acontece com pessoas. Mas é compreensível: botam na cabeça da gente esse lance de perfeição, e é mais fácil mesmo encontrar isso em objetos que em pessoas.
Há alguns meses, foi com o dual chip. Agora é uma mochila da Kipling. É bizarro ficar assim, boba, por coisas, mais do que acontece com pessoas. Mas é compreensível: botam na cabeça da gente esse lance de perfeição, e é mais fácil mesmo encontrar isso em objetos que em pessoas.
Os outros são os outros e só
Cada vez mais me convenço de que a opinião dos outros é só coisa dos outros e não me diz respeito.
O modelo imposto - porque é mesmo - não me contempla. Foi-se o tempo em que eu achava que tinha que dar conta de mil coisas. Não é a minha. Na verdade, não preciso disso. Era todo um esforço para ficar em paz com o olhar do outro. Mas não vale a pena, na moral. Como diz Nilton Bonder, chega de fazer sacrifícios ao nada. Melhor deixar a alma ser imoral mesmo.
O modelo imposto - porque é mesmo - não me contempla. Foi-se o tempo em que eu achava que tinha que dar conta de mil coisas. Não é a minha. Na verdade, não preciso disso. Era todo um esforço para ficar em paz com o olhar do outro. Mas não vale a pena, na moral. Como diz Nilton Bonder, chega de fazer sacrifícios ao nada. Melhor deixar a alma ser imoral mesmo.
domingo, 16 de junho de 2013
Signos de Ar
Eu detesto gente de signo de ar. Não é um critério de muita credibilidade para não gostar de alguém, mas eu me permito. Jorge Vercilo fez uma música sobre essa turma aérea - ambos se merecem. Não é a pessoa em si, claro, mas o tipo de personalidade que me desagrada. São muito teóricos para o meu gosto, ainda que apresentem uma teoria mais linda que a outra.
Sabe, eles abrem a boca e eu sei que o que dizem é o que pensam, mas muitas vezes não o que sentem. Eles não sabem o que sentem, essa é a questão. Autistas em relação ao próprio coração. Veja: acreditar não é sentir. No entanto eles acham que uma coisa é também a outra. Tente questioná-los sobre essa diferença e não vão saber o que fazer. Vão teorizar. Não tenho paciência. Gosto de gente sincera, conectada com os sentimentos, de pé no chão. Por isso, apesar das queixas generalizadas, tenho toda a paciência do mundo com escorpianos.
Gêmeos - Superficiais e escorregadios.
Libra - Falsos, gostam de tirar uma vantagem.
Aquário - O inferno são os outros. Adoram dar conselhos que eles mesmos não são capazes de seguir.
Sabe, eles abrem a boca e eu sei que o que dizem é o que pensam, mas muitas vezes não o que sentem. Eles não sabem o que sentem, essa é a questão. Autistas em relação ao próprio coração. Veja: acreditar não é sentir. No entanto eles acham que uma coisa é também a outra. Tente questioná-los sobre essa diferença e não vão saber o que fazer. Vão teorizar. Não tenho paciência. Gosto de gente sincera, conectada com os sentimentos, de pé no chão. Por isso, apesar das queixas generalizadas, tenho toda a paciência do mundo com escorpianos.
Gêmeos - Superficiais e escorregadios.
Libra - Falsos, gostam de tirar uma vantagem.
Aquário - O inferno são os outros. Adoram dar conselhos que eles mesmos não são capazes de seguir.
domingo, 7 de abril de 2013
Autoatendimento
Cada vez mais tenho orado, mas, paradoxalmente, cada vez menos acredito no poder da oração para nos conduzir a um estado externo. Ou talvez eu tenha entendido mal. Explico: dizem que a gente pode conseguir graças por causa da oração. Mas acho que orar só faz isso porque muda o nosso estado interno.
Eu acho que Deus fez o nosso mundo como quem programa um computador: há uma inteligência em torno disso, mas não há um envolvimento. Ação e reação, tudo acontece de forma automática, sem que aquela inteligência nem tome nota da sua existência. Mas que botões apertar (e como?) para fazer o programa funcionar como a gente deseja?
Eu acho que Deus fez o nosso mundo como quem programa um computador: há uma inteligência em torno disso, mas não há um envolvimento. Ação e reação, tudo acontece de forma automática, sem que aquela inteligência nem tome nota da sua existência. Mas que botões apertar (e como?) para fazer o programa funcionar como a gente deseja?
quinta-feira, 28 de março de 2013
Sorteados no amor
A gente cresce achando que todo mundo vai se casar. Mas o casamento nasceu um negócio, por isso abrangia quase todo mundo. Por amor acho mais difícil. É mais fácil eu nunca me casar do que casar com qualquer um. Ou eu acabaria com o pobre ou comigo mesma, o que me levaria a tomar aversão dele de qualquer jeito. Sou mesmo uma rebelde-passiva.
Mas é tão difícil acontecer um encontro de verdade, uma parceria para a vida. Acho 90% dos casais ao meu redor sem graça. Tão frios um com o outro que a impressão dada é que só foram adiante por medo de morrerem sozinhos na madrugada. Um corpo frio ao lado, na cama, para dar socorro no meio da noite. Uma masturbação terceirizada uma vez por semana. Se não houvesse o escuro e o silêncio (e a vergonha social) nunca se juntariam.
Sorte para quem o amor veio. E ainda tem gente que joga o "bilhete premiado" na lixeira.
Mas é tão difícil acontecer um encontro de verdade, uma parceria para a vida. Acho 90% dos casais ao meu redor sem graça. Tão frios um com o outro que a impressão dada é que só foram adiante por medo de morrerem sozinhos na madrugada. Um corpo frio ao lado, na cama, para dar socorro no meio da noite. Uma masturbação terceirizada uma vez por semana. Se não houvesse o escuro e o silêncio (e a vergonha social) nunca se juntariam.
Sorte para quem o amor veio. E ainda tem gente que joga o "bilhete premiado" na lixeira.
"Já decidi que o dinheiro não vai pagar a minha paz"
Ninguém notou, mas essa semana eu tirei o jornal A TARDE do meu perfil do Facebook. Nada aconteceu. Apenas quis deixar claro para a sociedade - pode ser só para mim mesma, que é quem interessa - que aquele emprego, embora pague as minhas contas - e eu lhe seja grata por isso -, não me define. Porque sou muito mais do que isso, sabe? Eu sou aquilo que me "cutuca" aonde quer que vá para fazer o melhor; que "conversa" comigo enquanto estou no ônibus; que pede, quase exigindo, para fazer diferente; que reza por alguém que nem sabe disso; ou que, na banda B, deseja que o lerdo da fila do self service engasge com a azeitona. Eu tenho a minha importância e uma movimentação que acontece independentemente das minhas máscaras sociais.
Achou piegas? Mas é fato. Percebo uma tendência das pessoas em transferir o seu valor próprio para o cargo que ocupam (ia dizer dinheiro que ganham e capacidade de consumo, mas nem todos chegam lá, a exemplo de nós, que trabalhamos com jornalismo). Então você pode ser um fracasso na sua vida pessoal, se for famoso em sua área, ninguém vai te dizer nada. Mesmo quem for te questionar, vai fazer invejando. E você, sabendo disso, vai se esconder atrás da sua posição social.
Claro que é bom desenvolver uma habilidade e poder viver dela, ser reconhecido. Nada contra ganhar dinheiro - quero deixar beeem claro. Mas gosto de ter a oportunidade de viver outras experiências, de seguir o meu ritmo, ou seja, de escolher. Sou adulta e, claro, nem tudo que eu quero me convém. Mas que diabos eu faço nessa Terra se nem ao menos luto pelo maior quinhão de dignidade que me é possível?! Já tentei e não rola me "maquinizar".
Ao contrário do que diz Tim Maia, eu nasci para o trabalho. Mas não nasci para sofrer. Eu descobri que a vida é muito mais que vencer.
A gente anda se sacrificando muito por amor à carreira (quiçá por "amor" ao status dela) e principalmente por medo (no fundo é isso). Será que vale a pena?
Cresci achando que valeria, mas já penei tanto nessa área, que a conclusão a que cheguei é que estou em primeiríssimo lugar. Aliás, essa é uma questão interessante: vir em primeiríssimo lugar é mais difícil que qualquer outra coisa. No mercado as regras estão mais ou menos ali. Para "ser" há de se empenhar uma vida inteira em se descobrir. Quem encara a fera? Meia dúzia de doidos.
Um dos segredos do bem viver é ter carinho com a gente mesmo, como de mãe para filho. Se o seu pimpolho não fica bem na escola, sofre bullying, você vai deixa-lo lá só porque é a melhor da cidade? Acho que não. O bem estar dele vem primeiro. Mas muita gente faz isso com o trabalho. Que triste. Acho mesmo. Sacrifício ao nada, como diz Nilton Bonder.
Ser workaholic não é bonito. Assim como poder comer muita porcaria só porque não tem tendência para engordar ou como comprar coisas das quais você não precisa para ter uns trecos "de última geração". A questão é que quase não há mais espaço para ser diferente disso. Você tem que brigar e não só externamente. Os "rounds" mais violentos são internos: se você não se adapta ao esquema máquina, começa a se achar problemático e preguiçoso.
Pois eu quero viver de outro jeito. Quero ser produtiva, mas não amanhecer e anoitecer no trabalho, inclusive aos finais de semana e feriados. Eu quero ter o direito de executar as tarefas no meu próprio ritmo. Afinal, sou uma pessoa e não de ferro. É meu direito ter o meu estilo respeitado; o importante é o resultado e o comprometimento.
Não concordo com o que fazem com o trabalhador brasileiro. Esse esquema não é para mim. Minha vida não é o que acontece antes e depois do trabalho. Essa atividade é que faz parte da minha vida, o que eu faço tem que estar a serviço de quem sou.
Achou piegas? Mas é fato. Percebo uma tendência das pessoas em transferir o seu valor próprio para o cargo que ocupam (ia dizer dinheiro que ganham e capacidade de consumo, mas nem todos chegam lá, a exemplo de nós, que trabalhamos com jornalismo). Então você pode ser um fracasso na sua vida pessoal, se for famoso em sua área, ninguém vai te dizer nada. Mesmo quem for te questionar, vai fazer invejando. E você, sabendo disso, vai se esconder atrás da sua posição social.
Claro que é bom desenvolver uma habilidade e poder viver dela, ser reconhecido. Nada contra ganhar dinheiro - quero deixar beeem claro. Mas gosto de ter a oportunidade de viver outras experiências, de seguir o meu ritmo, ou seja, de escolher. Sou adulta e, claro, nem tudo que eu quero me convém. Mas que diabos eu faço nessa Terra se nem ao menos luto pelo maior quinhão de dignidade que me é possível?! Já tentei e não rola me "maquinizar".
Ao contrário do que diz Tim Maia, eu nasci para o trabalho. Mas não nasci para sofrer. Eu descobri que a vida é muito mais que vencer.
A gente anda se sacrificando muito por amor à carreira (quiçá por "amor" ao status dela) e principalmente por medo (no fundo é isso). Será que vale a pena?
Cresci achando que valeria, mas já penei tanto nessa área, que a conclusão a que cheguei é que estou em primeiríssimo lugar. Aliás, essa é uma questão interessante: vir em primeiríssimo lugar é mais difícil que qualquer outra coisa. No mercado as regras estão mais ou menos ali. Para "ser" há de se empenhar uma vida inteira em se descobrir. Quem encara a fera? Meia dúzia de doidos.
Um dos segredos do bem viver é ter carinho com a gente mesmo, como de mãe para filho. Se o seu pimpolho não fica bem na escola, sofre bullying, você vai deixa-lo lá só porque é a melhor da cidade? Acho que não. O bem estar dele vem primeiro. Mas muita gente faz isso com o trabalho. Que triste. Acho mesmo. Sacrifício ao nada, como diz Nilton Bonder.
Ser workaholic não é bonito. Assim como poder comer muita porcaria só porque não tem tendência para engordar ou como comprar coisas das quais você não precisa para ter uns trecos "de última geração". A questão é que quase não há mais espaço para ser diferente disso. Você tem que brigar e não só externamente. Os "rounds" mais violentos são internos: se você não se adapta ao esquema máquina, começa a se achar problemático e preguiçoso.
Pois eu quero viver de outro jeito. Quero ser produtiva, mas não amanhecer e anoitecer no trabalho, inclusive aos finais de semana e feriados. Eu quero ter o direito de executar as tarefas no meu próprio ritmo. Afinal, sou uma pessoa e não de ferro. É meu direito ter o meu estilo respeitado; o importante é o resultado e o comprometimento.
Não concordo com o que fazem com o trabalhador brasileiro. Esse esquema não é para mim. Minha vida não é o que acontece antes e depois do trabalho. Essa atividade é que faz parte da minha vida, o que eu faço tem que estar a serviço de quem sou.
domingo, 24 de março de 2013
"Eu fico triste...Alegre!"
Outro dia, conferindo meu backup, me deparei com essas imagens do São João 2008.
50% das fotos são impublicáveis, pois estava com cara de bêbada. Essa foto aí, a primeira, então, tá a cara da decadência. Sabe aquela coisa "bêbado, velocidade 5 - o início da deprê"?! Repare no bico. hahaha
(Vendo essas fotos, gostei de ver como estava bem fisicamente. Bendito pilates! Mas não foi só isso. Nesses dias eu estive feliz. Isso faz taaanta diferença!)
50% das fotos são impublicáveis, pois estava com cara de bêbada. Essa foto aí, a primeira, então, tá a cara da decadência. Sabe aquela coisa "bêbado, velocidade 5 - o início da deprê"?! Repare no bico. hahaha
(Vendo essas fotos, gostei de ver como estava bem fisicamente. Bendito pilates! Mas não foi só isso. Nesses dias eu estive feliz. Isso faz taaanta diferença!)
quarta-feira, 20 de março de 2013
Sentimentos fugitivos
Ai, velho, eu tô chegando no limite com esse deslocamento. Isso aqui não me pertence, já mais que deu. Eu quero fugir, trocar de nome, mudar de rosto até. Quem sabe bater a cabeça na pedra e perder a memória. Seria perfeito. Quando eu for, quero esquecer isso aqui. De verdade. Em especial o jornalismo e uma boa parte das pessoas que conheci por causa dele.
Na próxima encarnação, vou botar duas cláusulas, escritas no capslock, na zorra do contrato:
1. Quero viver uma vida estruturada, em que eu não sofra tanto para obter o mínimo;
2. Quero vir entre amigos.
Na próxima encarnação, vou botar duas cláusulas, escritas no capslock, na zorra do contrato:
1. Quero viver uma vida estruturada, em que eu não sofra tanto para obter o mínimo;
2. Quero vir entre amigos.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Teologias alternativas
A segunda-feira de Carnaval chegou com o anúncio da renúncia do Papa. Subitamente passei a gostar mais dele que do antecessor. Renunciar é humano. Demasiadamente humano para um homem de mais de 85 anos. Há de ter coragem.
Mas não é a teologia da Igreja que me preocupa. Que o catolicismo fique com quem gosta dele - os católicos. Fico preocupada com a "teologia" da ciência e das leis.
Outro dia falava com uma colega, estagiária, sobre a confiança demasiada que as feministas fizeram as mulheres terem nas leis e no politicamente correto. A moça, inteligente mas muito empolgada ainda com a descoberta do brand new world dos adultos, achou que era uma crítica ao feminismo. De certo modo, sim. É. Mas não quis dizer, claro, que o movimento é uma inutilidade. A questão é que ele comete omissões perigosas. A lei e o politicamente correto não podem tudo contra o instinto. Há gente perversa. E a juventude é muito pouco instruída pelos mais velhos e muito pouco independente para experimentar e aprender enquanto cresce. Ou seja, há uma mistura bombástica de ignorância e despreparo no desenvolvimento das novas gerações.
Quanto à ciência, há um endeusamento dos médicos e cientistas. E isso nos deixa à mercê de pesquisas patrocinadas por interesses escusos. Deixa-nos, também, nas mãos de médicos cada vez mais medrosos de dar o diagnóstico errado e confiantes demais nos prognósticos.
Essa teologia da razão é mais assustadora que a da fé. Dessa última, pelo menos, naturalmente a gente desconfia.
Mas não é a teologia da Igreja que me preocupa. Que o catolicismo fique com quem gosta dele - os católicos. Fico preocupada com a "teologia" da ciência e das leis.
Outro dia falava com uma colega, estagiária, sobre a confiança demasiada que as feministas fizeram as mulheres terem nas leis e no politicamente correto. A moça, inteligente mas muito empolgada ainda com a descoberta do brand new world dos adultos, achou que era uma crítica ao feminismo. De certo modo, sim. É. Mas não quis dizer, claro, que o movimento é uma inutilidade. A questão é que ele comete omissões perigosas. A lei e o politicamente correto não podem tudo contra o instinto. Há gente perversa. E a juventude é muito pouco instruída pelos mais velhos e muito pouco independente para experimentar e aprender enquanto cresce. Ou seja, há uma mistura bombástica de ignorância e despreparo no desenvolvimento das novas gerações.
Quanto à ciência, há um endeusamento dos médicos e cientistas. E isso nos deixa à mercê de pesquisas patrocinadas por interesses escusos. Deixa-nos, também, nas mãos de médicos cada vez mais medrosos de dar o diagnóstico errado e confiantes demais nos prognósticos.
Essa teologia da razão é mais assustadora que a da fé. Dessa última, pelo menos, naturalmente a gente desconfia.
sábado, 9 de fevereiro de 2013
Sobrinhos
Moça, se alguém disser que você corre o risco de ficar pra titia, sorria e diga "amém". Ô coisa boa!... Se eu pudesse, encomendava uns 10 sobrinhos.
Como tive o azar de não ter irmãs parideiras, estou arrecadando pimpolhos de amigos, ao redor do mundo inclusive.
Esse da foto é Corentin, ou Titou, um napolitano nascido em 20 de janeiro. Ele é filho de minha amiga Ayu, que conheci em Paris há dois anos quando foi morar com o pai dele, Vincent.
[Quando assisti "Indochina", aos 14 anos, nunca imaginei que teria um sobrinho franco-indonesiano. hahahaha]
Mas lógico que rolam uns estresses nessa atividade. Felipinho ganhou um smart baby de mim e de meu pai de aniversário. Fiquei sabendo que ele só deixa encostar no possante umas duas garotinhas do condomínio (que safado!). Senti ciúmes. Não estou preparada para lidar com as periguetes dando em cima de meu sobrinho.
Como tive o azar de não ter irmãs parideiras, estou arrecadando pimpolhos de amigos, ao redor do mundo inclusive.
Esse da foto é Corentin, ou Titou, um napolitano nascido em 20 de janeiro. Ele é filho de minha amiga Ayu, que conheci em Paris há dois anos quando foi morar com o pai dele, Vincent.
[Quando assisti "Indochina", aos 14 anos, nunca imaginei que teria um sobrinho franco-indonesiano. hahahaha]
Mas lógico que rolam uns estresses nessa atividade. Felipinho ganhou um smart baby de mim e de meu pai de aniversário. Fiquei sabendo que ele só deixa encostar no possante umas duas garotinhas do condomínio (que safado!). Senti ciúmes. Não estou preparada para lidar com as periguetes dando em cima de meu sobrinho.
sábado, 2 de fevereiro de 2013
Me manche?
O dia da saudade foi essa semana. Refleti em voz alta no Facebook que não sinto saudade. E não sinto mesmo. Podem culpar meu Urano na casa 4, mas graças a Deus se existe um mal em mim é ter a mente no futuro. Nada de passado.
Não que tenha sido ruim. Acho que tive uma vida melhor do que posso perceber. Mas é que tenho um pouco da filosofia de Alice, do filme Closer. "Se você ainda ama, não deixa". Em qualquer situação é assim que funciona. E já que tudo foi gasto, não há por que voltar atrás. Algumas vezes a decisão de ir embora não vem de nós. Mas o tempo enterra tudo. E eu sei disso desde pequena. Desde que deixei Brasília. E digo mais: nada é como antes quando se retorna. Por isso mesmo não vale a pena voltar.
Tudo passa. As lembranças ficam. Mas algumas já estão bem distantes agora, e parecem pertencer a uma vida anterior.
Hoje, na festa de Yemanjá, fiquei me questionando o que vou levar da Bahia quando for embora daqui. Acho que esse vai ser sempre um lugar ao qual vou gostar de voltar. Mas acredito que novamente não vou sentir saudade. Não se eu for para um lugar com natureza. Acho que vou levar apenas a priorização da qualidade de vida.
Acho que nasci para ser andarilha e não pertencer a lugar nenhum. É isso.
Não que tenha sido ruim. Acho que tive uma vida melhor do que posso perceber. Mas é que tenho um pouco da filosofia de Alice, do filme Closer. "Se você ainda ama, não deixa". Em qualquer situação é assim que funciona. E já que tudo foi gasto, não há por que voltar atrás. Algumas vezes a decisão de ir embora não vem de nós. Mas o tempo enterra tudo. E eu sei disso desde pequena. Desde que deixei Brasília. E digo mais: nada é como antes quando se retorna. Por isso mesmo não vale a pena voltar.
Tudo passa. As lembranças ficam. Mas algumas já estão bem distantes agora, e parecem pertencer a uma vida anterior.
Hoje, na festa de Yemanjá, fiquei me questionando o que vou levar da Bahia quando for embora daqui. Acho que esse vai ser sempre um lugar ao qual vou gostar de voltar. Mas acredito que novamente não vou sentir saudade. Não se eu for para um lugar com natureza. Acho que vou levar apenas a priorização da qualidade de vida.
Acho que nasci para ser andarilha e não pertencer a lugar nenhum. É isso.
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
"Dá a César o que é de César..."
"... E a Deus o que é de Deus.""
Tá vendo? Nem Ele pediu mais do que o devido, e tem gente aí que... Enfim, deixa pra lá.
... Ou não.
Acabo de ver um comentário no Facebook sobre um livro que comprei há muito tempo chamado "Homens Invisíveis", de Fernando Braga. O sujeito é psicólogo, o título me interessou à beça, então eu esperava ler "o" livro, mas me deparei com um blá, blá, blá dos infernos, mera descrição de mauricinho que nunca deu bom dia a pobre na vida. Sim, porque se ele fosse acostumado a pelo cumprimentar a moçada do "baixo clero", não teria tido o espanto que teve. Típico aluno da USP, posso apostar, mesmo sem nunca ter pisado nessa universidade. Deu vontade de dizer:
- "Meu", seu livro é vergonhoso. Você deveria ter sabido da existência deles muito antes da pesquisa. Fala sério que você nunca notou a passagem dessa galera de uniforme? Tenha dó!
Não que eu fique batendo papo com todo mundo. Não faço isso, pra dizer a verdade, nem com os meus superiores. Sou bicho do mato mesmo. Mas cumprimentar é básico. Faço isso. Sei quem são as pessoas da limpeza, do transporte, da copa, etc.
Outro dia, uma dupla do industrial ficou constrangida quando eu os notei. Estávamos no restaurante da empresa - eles costumam comer bem antes de nós. Olhei porque queria ver quem estava ao meu lado, claro, e como se tratavam de dois moços bonitos - coisa rara naquele prédio -, reparei por dois segundos a mais. Tive a impressão de que tinham vergonha do uniforme de operário. No dia seguinte, na máquina de café, cheguei quando o mais bonito deles estava tirando um copinho pra beber. Novamente notei o constrangimento, como se ele se achasse muito desarrumado por estar de uniforme. Deu vontade de brincar:
- Ô, filho, você tá muito mais gatinho que muita figura dessa redação, pode apostar. E, afinal, somos todos trabalhadores, chão de fábrica. (E não é? Eu me sinto operária total, glamour zero!)
Fiquei calada com medo de soar estranha. Perdi a chance de amenizar o constrangimento (indevido) dele. O mesmo, aliás, que percebi nas manicures do salão que frequento, que recentemente ganharam um uniforme.
Há algo de errado na nossa cultura que precisa ser revisto. É um algo da mesma família do preconceito que os estudantes têm com os cursos técnicos. Caramba, o que tem de gente que não tem um pingo de dom para a vida acadêmica "comprando" diploma por aí...
Permissividade
Por outro lado, me irrita a síndrome de coitadinho. Que muitas vezes nem parte das pessoas desfavorecidas, vale frisar. Uma coisa é você reparar o acesso às oportunidades, como acontece com a política de cotas. Mas odeio esse estímulo a permissividade de nossa sociedade.
Aquele episódio com a atriz Zezé Polessa e o motorista que morreu de infarto é emblemático. A mulher foi demonizada só por ser famosa e rica. Se ela gritou com ele ou algo que o valha, esqueça o que vou dizer a seguir, que falta de educação é inexcusável em qualquer circunstância. Mas por que ela não deveria dizer que não quer mais os serviços dele? Se ela pode dizer isso a alguém para quem ela trabalha porque não pode dizer a alguém que trabalha para ela?
"Ah, porque ele precisa". "Ah, mas ele era muito humildezinho".
Muita gente discordaria de mim, mas eu não concordo com essas justificativas. Se ele quer ser motorista, precisa conhecer a cidade. Ou então arranje outra ocupação mais adequada.
Se o empregador ficar com pena e quiser manter um mau funcionário, massa. É bacana dar o tempo do aviso prévio para a pessoa se organizar e procurar outra colocação, sem aquela coisa brusca de estar sem ocupação logo no dia seguinte. Mas não acho desumano o empregador dispensar o empregado por não estar satisfeito.
Você é obrigado a sofrer porque alguém mais pobre que você está fazendo mal o papel a que se dispôs? É lindo a curto prazo, mas é ruim no longo, e é até uma deseducação. A pessoa nunca vai progredir porque é tratada eternamente como "café com leite". Quantos passos você já deu à frente porque alguém te deu uma boa dose de realidade?
É colocar quem emprega numa posição de refém. A pessoa morre de vontade de se livrar do peso morto, mas tem medo de posar de insensível.
Minha irmã demorou meses para demitir uma empregada que trabalhava mal e era mãe solteira de três filhas. Evangélica, a mulher tinha uma relação mega protetora com as filhas, as meninas ligavam para confirmar tarefas rotineiras (até aí é perdoável. apesar de não concordar com essa educação "autonomia zero", é normal que mães solteiras mimem por culpa), e ela, que já era beeem lentinha no serviço, mal conseguia dar conta de uma casa onde moravam apenas duas pessoas.
A figura dava pena, mais pela cara de Madalena arrependida do que pela situação real. Por isso, minha irmã sempre que dava uma limpeza no guarda-roupa ou algo do tipo lembrava dela. Meu ex-cunhado vira e mexe dava uma contribuição. Mas a figura ficava o tempo todo contando que precisava disso e daquilo. Era chato. Porque ela fazia qualquer um se sentir um vilão de filme mexicano ao ignorar o comentário dela. A esse tipo de gente desejo muito boa sorte - de coração mesmo -, mas não gosto. É muita falta de dignidade. Não respeito.
Voltando à vaca fria, no caso da Zezé, os próprios filhos do sujeito disseram que ele já estava se sentindo mal antes. Mas nesses casos, rico já nasceu errado.
Desculpem-me os mais melindrosos, mas é que eu, apesar de saber da importância da generosidade e gostar de praticá-la, tenho problemas sérios com imposições neste sentido. Se alguém me força a algo - tanto faz que seja indiretamente, pela via do constrangimento moral -, no meu conceito já não merece recebê-lo. "É dando que se recebe", como dizem. E qual é o motivo que tenho para ser generosa com quem é impositivo comigo? Faça por merecer, ora.
Enfim, sinto falta de um olhar mais horizontal nas relações humanas. Para o bem e para o mal, merecemos todos o mesmo tratamento.
Tá vendo? Nem Ele pediu mais do que o devido, e tem gente aí que... Enfim, deixa pra lá.
... Ou não.
Acabo de ver um comentário no Facebook sobre um livro que comprei há muito tempo chamado "Homens Invisíveis", de Fernando Braga. O sujeito é psicólogo, o título me interessou à beça, então eu esperava ler "o" livro, mas me deparei com um blá, blá, blá dos infernos, mera descrição de mauricinho que nunca deu bom dia a pobre na vida. Sim, porque se ele fosse acostumado a pelo cumprimentar a moçada do "baixo clero", não teria tido o espanto que teve. Típico aluno da USP, posso apostar, mesmo sem nunca ter pisado nessa universidade. Deu vontade de dizer:
- "Meu", seu livro é vergonhoso. Você deveria ter sabido da existência deles muito antes da pesquisa. Fala sério que você nunca notou a passagem dessa galera de uniforme? Tenha dó!
Não que eu fique batendo papo com todo mundo. Não faço isso, pra dizer a verdade, nem com os meus superiores. Sou bicho do mato mesmo. Mas cumprimentar é básico. Faço isso. Sei quem são as pessoas da limpeza, do transporte, da copa, etc.
Outro dia, uma dupla do industrial ficou constrangida quando eu os notei. Estávamos no restaurante da empresa - eles costumam comer bem antes de nós. Olhei porque queria ver quem estava ao meu lado, claro, e como se tratavam de dois moços bonitos - coisa rara naquele prédio -, reparei por dois segundos a mais. Tive a impressão de que tinham vergonha do uniforme de operário. No dia seguinte, na máquina de café, cheguei quando o mais bonito deles estava tirando um copinho pra beber. Novamente notei o constrangimento, como se ele se achasse muito desarrumado por estar de uniforme. Deu vontade de brincar:
- Ô, filho, você tá muito mais gatinho que muita figura dessa redação, pode apostar. E, afinal, somos todos trabalhadores, chão de fábrica. (E não é? Eu me sinto operária total, glamour zero!)
Fiquei calada com medo de soar estranha. Perdi a chance de amenizar o constrangimento (indevido) dele. O mesmo, aliás, que percebi nas manicures do salão que frequento, que recentemente ganharam um uniforme.
Há algo de errado na nossa cultura que precisa ser revisto. É um algo da mesma família do preconceito que os estudantes têm com os cursos técnicos. Caramba, o que tem de gente que não tem um pingo de dom para a vida acadêmica "comprando" diploma por aí...
Permissividade
Por outro lado, me irrita a síndrome de coitadinho. Que muitas vezes nem parte das pessoas desfavorecidas, vale frisar. Uma coisa é você reparar o acesso às oportunidades, como acontece com a política de cotas. Mas odeio esse estímulo a permissividade de nossa sociedade.
Aquele episódio com a atriz Zezé Polessa e o motorista que morreu de infarto é emblemático. A mulher foi demonizada só por ser famosa e rica. Se ela gritou com ele ou algo que o valha, esqueça o que vou dizer a seguir, que falta de educação é inexcusável em qualquer circunstância. Mas por que ela não deveria dizer que não quer mais os serviços dele? Se ela pode dizer isso a alguém para quem ela trabalha porque não pode dizer a alguém que trabalha para ela?
"Ah, porque ele precisa". "Ah, mas ele era muito humildezinho".
Muita gente discordaria de mim, mas eu não concordo com essas justificativas. Se ele quer ser motorista, precisa conhecer a cidade. Ou então arranje outra ocupação mais adequada.
Se o empregador ficar com pena e quiser manter um mau funcionário, massa. É bacana dar o tempo do aviso prévio para a pessoa se organizar e procurar outra colocação, sem aquela coisa brusca de estar sem ocupação logo no dia seguinte. Mas não acho desumano o empregador dispensar o empregado por não estar satisfeito.
Você é obrigado a sofrer porque alguém mais pobre que você está fazendo mal o papel a que se dispôs? É lindo a curto prazo, mas é ruim no longo, e é até uma deseducação. A pessoa nunca vai progredir porque é tratada eternamente como "café com leite". Quantos passos você já deu à frente porque alguém te deu uma boa dose de realidade?
É colocar quem emprega numa posição de refém. A pessoa morre de vontade de se livrar do peso morto, mas tem medo de posar de insensível.
Minha irmã demorou meses para demitir uma empregada que trabalhava mal e era mãe solteira de três filhas. Evangélica, a mulher tinha uma relação mega protetora com as filhas, as meninas ligavam para confirmar tarefas rotineiras (até aí é perdoável. apesar de não concordar com essa educação "autonomia zero", é normal que mães solteiras mimem por culpa), e ela, que já era beeem lentinha no serviço, mal conseguia dar conta de uma casa onde moravam apenas duas pessoas.
A figura dava pena, mais pela cara de Madalena arrependida do que pela situação real. Por isso, minha irmã sempre que dava uma limpeza no guarda-roupa ou algo do tipo lembrava dela. Meu ex-cunhado vira e mexe dava uma contribuição. Mas a figura ficava o tempo todo contando que precisava disso e daquilo. Era chato. Porque ela fazia qualquer um se sentir um vilão de filme mexicano ao ignorar o comentário dela. A esse tipo de gente desejo muito boa sorte - de coração mesmo -, mas não gosto. É muita falta de dignidade. Não respeito.
Voltando à vaca fria, no caso da Zezé, os próprios filhos do sujeito disseram que ele já estava se sentindo mal antes. Mas nesses casos, rico já nasceu errado.
Desculpem-me os mais melindrosos, mas é que eu, apesar de saber da importância da generosidade e gostar de praticá-la, tenho problemas sérios com imposições neste sentido. Se alguém me força a algo - tanto faz que seja indiretamente, pela via do constrangimento moral -, no meu conceito já não merece recebê-lo. "É dando que se recebe", como dizem. E qual é o motivo que tenho para ser generosa com quem é impositivo comigo? Faça por merecer, ora.
Enfim, sinto falta de um olhar mais horizontal nas relações humanas. Para o bem e para o mal, merecemos todos o mesmo tratamento.
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Quem vai embora recebeu muito
Eu pensava que quem vai embora ressentido de um relacionamento recebeu pouco do outro. Mas faz alguns meses, uma psicoterapeuta disse em uma palestra que é o contrário. Dia desses estava pensando nessa frase novamente. Ela me intriga. Vou esclarecer o sentido disso com ela em uma próxima oportunidade. Ah, se vou!...
Mas queimando os neurônios um pouco, percebi que de certo modo há razão nessa afirmação. A pessoa vai embora (de um trabalho, de um endereço, de um curso, de uma amizade, de um namoro ou casamento, etc) se sente que já teve tudo que estava disponível ali para ela. Se por acaso acredita que tem mais para receber é muito difícil ir embora. A questão é que às vezes havia muito pouco disponível na fonte em que se foi buscar.
É a segunda parte disso que me inquieta, na verdade. Será que aquele que vai embora frustrado (eis uma dúvida existencial) realmente amou quem foi deixado? Sim, pois se você se frustra não enxergou a verdadeira natureza do objeto da sua esperança. E mais: não teve coração suficiente para permanecer apesar da quebra de expectativas. A gente vai embora porque cansou de não ter o que sugar?
Enfim a pergunta é: amor que é amor pode acabar ou, como dizia o mestre Nelson Rodrigues, pouco amor não é amor?
Vou pensar mais um pouquinho sobre isso. Quando tiver formulado uma resposta melhor, prometo que aviso.
Mas queimando os neurônios um pouco, percebi que de certo modo há razão nessa afirmação. A pessoa vai embora (de um trabalho, de um endereço, de um curso, de uma amizade, de um namoro ou casamento, etc) se sente que já teve tudo que estava disponível ali para ela. Se por acaso acredita que tem mais para receber é muito difícil ir embora. A questão é que às vezes havia muito pouco disponível na fonte em que se foi buscar.
É a segunda parte disso que me inquieta, na verdade. Será que aquele que vai embora frustrado (eis uma dúvida existencial) realmente amou quem foi deixado? Sim, pois se você se frustra não enxergou a verdadeira natureza do objeto da sua esperança. E mais: não teve coração suficiente para permanecer apesar da quebra de expectativas. A gente vai embora porque cansou de não ter o que sugar?
Enfim a pergunta é: amor que é amor pode acabar ou, como dizia o mestre Nelson Rodrigues, pouco amor não é amor?
Vou pensar mais um pouquinho sobre isso. Quando tiver formulado uma resposta melhor, prometo que aviso.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
A hora da verdade
Aos 25 anos a gente começa definitivamente a morrer. Seu colágeno começa a diminuir, sua produção de óvulos idem, e por aí vai. Essa introdução toda foi para convencer quem me lê de que estou ficando velha, e portanto tenho plena razão naquilo que vou dizer a seguir.
Acho que, a essa altura, algumas características minhas já são irreversíveis. Está chegando a hora da verdade, de desvendar o que é de minha natureza. O que não é meu e o que veio pra ficar. Eu já vi que:
1 - Eu sou uma pessoa séria. Fato. Gosto de ter ao meu redor gente confiável, com quem possa contar. Preciso de um mínimo de estrutura e organização. Não sei viver na inconsistência, no caos total.
2 - Aguento muita coisa de quem eu gosto, sou boa ouvinte, ajudo, tenho até bastante paciência, relevo mancada e tal, mas piro com falta de consideração. Quer me botar para correr? Eis a fórmula infalível.
3- Até dou conta de tudo - e estar produtiva me deixa bastante satisfeita -, mas não ter um tempo para o ócio me deixa muito, muito mal. E quando estou assim, somatizo.
4 - Gosto de todo mundo junto, mas preciso de meus sagrados momentos de solidão.
5 - Não consigo amar entusiasticamente - meu estado natural, acredite - quem não admiro. Como tenho [um senso crítico afiado e] tenho um sistema de valores diferente da média, isso acontece com poucos. Com a maioria eu vou de amorzinho mesmo, aquela coisa que agrada mas não arrebata.
6 - E piora quando se trata do sexo oposto, já que generosidade não é o forte dos homens. Quando encontro essa qualidade, é batata: o sujeito é gay.
7 - E por falar em homem, nada como um "moreno, alto, bonito e sensual", rs. Meu olho cresce imediatamente. Homem pequeno e branquelo não me chama a atenção. Mas mesmo com um fenótipo privilegiado, se for mesquinho não rola [ver item 5].
8 - Para falar a verdade, tenho profundo desprezo por gente insensível ou fraca de caráter [já esbarrei com quem tem essas duas "qualidades" e foi mais que péssimo]. Gostaria de ter mais compaixão, mas emocionalmente não acontece e acho que dificilmente vou mudar. Enfim, penso que não sou má por não gostar de todo tipo de gente. Hoje me permito isso.
9 - E não tenho paciência com quem tem meus defeitos só que piorados. Sou meu "ponto de corte". Tô falando sério.
10 - Nunca serei popular. Simplesmente porque, apesar de afável, sou de difícil intimidade. Tem que ter paciência mesmo, chegar aos poucos.
11 - Preciso estar perto da natureza, de preferência de um lugar com mar.
12 - Preciso fazer exercício físico sempre. Sinto dor quando estou sedentária.
13 - Bebida não me dá barato: logo fico com sono e o máximo que me acontece é perder a coordenação motora. Nem fico extrovertida nem perco a memória.
14 - Tempo frio faz mal pro meu humor. Odeio. Prefiro derreter debaixo do sol. Talvez por isso eu ame a cor amarela.
15 - Sou Felícia com criança pequena e sinto uma tremenda falta de ter cachorro em casa.
16 - Gosto de fazer minhas tarefas a pé. Odeio depender do que quer que seja.
17 - Consigo ouvir uma crítica razoavelmente bem, mas me aborrece ter superiores desprovidos de bom senso. E eu sou péssima quando perco o respeito pelas pessoas (já melhorei muito, mas...).
18 - Não gosto de dormir muito cedo nem de acordar muito cedo. O ideal é dormir 7h por dia. O sono faz toda diferença para a minha concentração no dia seguinte.
19 - Sei que não é bacana, mas: 1) tomo o que for pra me livrar de uma dor; 2) não gosto de alface; e 3) embora não seja muito de comer carne, acho difícil banir isso de vez do meu cardápio, ainda que entenda o "não matarás" como extensivo a todos os seres vivos.
20 - Nunca passarei da qualificação "básica" em se tratando de visual. Não nasci com certas habilidades como fazer unha, cabelo, saber costurar ou achar uma bela roupa por um bom preço. Não tenho talento, nem disposição e muito menos grana. Quando começar a ganhar dinheiro é possível que melhore, mas nunca serei sofisticada. Fato. Já estou me conformando só em ser limpinha, rs.
21 - Não gosto de saia nem de salto alto. Não sei ficar vigiando se minha calcinha está aparecendo ou se tem buraco no chão.
22 - Detesto gato desde pequena e isso vai ser pra sempre, pelo visto.
23 - Jornalismo não é a minha. Até tenho algum talento, mas não é "a" vocação. Como disse alguém, amor é foco, e essa atividade nunca foi o meu. Acho que continuei nessa profissão mais por refutar o fato de não querer o mesmo que os meus amigos. Enfim, vou ter que começar tudo de novo. E tomara que dessa vez dê certo. Por outro lado, isso me dá medo. Digo, será que vai ser sempre assim, iniciando e nunca consolidando? Quero não. Vim aqui para construir. Início, meio e fim, tá certo?
24 - Nada melhor do que adquirir conhecimento e por isso amo viajar. Mas amo mais ainda voltar para a minha casa. E definitivamente detesto situações de desconforto, como acampamentos, ou atividades que envolvem perigo ou altura.
25 - Não tenho um pingo de atração por tecnologia. Ter o mais novo Iphone não me emociona.
26 - É difícil pra mim ficar com a boca fechada quando fico indignada. Já melhorei muiiiiiiiiiiiiiiiito nesse aspecto. Mas ainda sou dada a uma rabieta, infelizmente. A boa notícia é que logo passa. A má notícia é que ainda não aprendi a me manifestar no momento adequado e do modo oportuno. Às vezes tenho até razão mas a minha expressão estraga tudo. Ainda engulo elefantes e engasgo com formigas.
27 - Sou definitivamente possessiva. E isso é diferente de ser ciumenta, viu? Eu não me importo que alguém dê algo a outro alguém, contanto que conserve o meu. Já melhorei bastante em relação a paqueras - até porque não faz o mínimo sentido tratar as pessoas como "suas" -, mas em relação a outras situações, não. Até porque, cá pra nós, acho justo lutar pelo meu quinhão.
28 - Certamente eu tenho problema de déficit de atenção. Mas enquanto puder, vou evitar medicação.
29 - Pois é, falando nisso, decidi que não vou ser 100% como manda o figurino. Do mesmo modo que vou ter que dar o meu jeito pra lidar com as imperfeições do mundo, ele que também se vire com os meus limites e problemas.
***
É, quando eu era menor, achava um absurdo a minha mãe nunca querer me ouvir. Ela sempre foi ruim de crítica, mas, hoje entendo, a gente envelhece e vai perdendo a disposição de lutar consigo mesmo. Sim, porque os avanços que tive, que não constam nessa lista acima mas foram em boa quantidade e significativos, me custaram muito trabalho interno. "Samba, suor e suingue", como dizia a vinheta de um programa de rádio.
A coisa bonita dessa história é que essa condescendência tem a ver com um apreço crescente por si mesmo. A gente começa a se aceitar mais, inclusive nas limitações. Percebemos que dá para crescer e melhorar, mas que tudo tem o seu tempo e nós temos o nosso ritmo.
Acho que, a essa altura, algumas características minhas já são irreversíveis. Está chegando a hora da verdade, de desvendar o que é de minha natureza. O que não é meu e o que veio pra ficar. Eu já vi que:
1 - Eu sou uma pessoa séria. Fato. Gosto de ter ao meu redor gente confiável, com quem possa contar. Preciso de um mínimo de estrutura e organização. Não sei viver na inconsistência, no caos total.
2 - Aguento muita coisa de quem eu gosto, sou boa ouvinte, ajudo, tenho até bastante paciência, relevo mancada e tal, mas piro com falta de consideração. Quer me botar para correr? Eis a fórmula infalível.
3- Até dou conta de tudo - e estar produtiva me deixa bastante satisfeita -, mas não ter um tempo para o ócio me deixa muito, muito mal. E quando estou assim, somatizo.
4 - Gosto de todo mundo junto, mas preciso de meus sagrados momentos de solidão.
5 - Não consigo amar entusiasticamente - meu estado natural, acredite - quem não admiro. Como tenho [um senso crítico afiado e] tenho um sistema de valores diferente da média, isso acontece com poucos. Com a maioria eu vou de amorzinho mesmo, aquela coisa que agrada mas não arrebata.
6 - E piora quando se trata do sexo oposto, já que generosidade não é o forte dos homens. Quando encontro essa qualidade, é batata: o sujeito é gay.
7 - E por falar em homem, nada como um "moreno, alto, bonito e sensual", rs. Meu olho cresce imediatamente. Homem pequeno e branquelo não me chama a atenção. Mas mesmo com um fenótipo privilegiado, se for mesquinho não rola [ver item 5].
8 - Para falar a verdade, tenho profundo desprezo por gente insensível ou fraca de caráter [já esbarrei com quem tem essas duas "qualidades" e foi mais que péssimo]. Gostaria de ter mais compaixão, mas emocionalmente não acontece e acho que dificilmente vou mudar. Enfim, penso que não sou má por não gostar de todo tipo de gente. Hoje me permito isso.
9 - E não tenho paciência com quem tem meus defeitos só que piorados. Sou meu "ponto de corte". Tô falando sério.
10 - Nunca serei popular. Simplesmente porque, apesar de afável, sou de difícil intimidade. Tem que ter paciência mesmo, chegar aos poucos.
11 - Preciso estar perto da natureza, de preferência de um lugar com mar.
12 - Preciso fazer exercício físico sempre. Sinto dor quando estou sedentária.
13 - Bebida não me dá barato: logo fico com sono e o máximo que me acontece é perder a coordenação motora. Nem fico extrovertida nem perco a memória.
14 - Tempo frio faz mal pro meu humor. Odeio. Prefiro derreter debaixo do sol. Talvez por isso eu ame a cor amarela.
15 - Sou Felícia com criança pequena e sinto uma tremenda falta de ter cachorro em casa.
16 - Gosto de fazer minhas tarefas a pé. Odeio depender do que quer que seja.
17 - Consigo ouvir uma crítica razoavelmente bem, mas me aborrece ter superiores desprovidos de bom senso. E eu sou péssima quando perco o respeito pelas pessoas (já melhorei muito, mas...).
18 - Não gosto de dormir muito cedo nem de acordar muito cedo. O ideal é dormir 7h por dia. O sono faz toda diferença para a minha concentração no dia seguinte.
19 - Sei que não é bacana, mas: 1) tomo o que for pra me livrar de uma dor; 2) não gosto de alface; e 3) embora não seja muito de comer carne, acho difícil banir isso de vez do meu cardápio, ainda que entenda o "não matarás" como extensivo a todos os seres vivos.
20 - Nunca passarei da qualificação "básica" em se tratando de visual. Não nasci com certas habilidades como fazer unha, cabelo, saber costurar ou achar uma bela roupa por um bom preço. Não tenho talento, nem disposição e muito menos grana. Quando começar a ganhar dinheiro é possível que melhore, mas nunca serei sofisticada. Fato. Já estou me conformando só em ser limpinha, rs.
21 - Não gosto de saia nem de salto alto. Não sei ficar vigiando se minha calcinha está aparecendo ou se tem buraco no chão.
22 - Detesto gato desde pequena e isso vai ser pra sempre, pelo visto.
23 - Jornalismo não é a minha. Até tenho algum talento, mas não é "a" vocação. Como disse alguém, amor é foco, e essa atividade nunca foi o meu. Acho que continuei nessa profissão mais por refutar o fato de não querer o mesmo que os meus amigos. Enfim, vou ter que começar tudo de novo. E tomara que dessa vez dê certo. Por outro lado, isso me dá medo. Digo, será que vai ser sempre assim, iniciando e nunca consolidando? Quero não. Vim aqui para construir. Início, meio e fim, tá certo?
24 - Nada melhor do que adquirir conhecimento e por isso amo viajar. Mas amo mais ainda voltar para a minha casa. E definitivamente detesto situações de desconforto, como acampamentos, ou atividades que envolvem perigo ou altura.
25 - Não tenho um pingo de atração por tecnologia. Ter o mais novo Iphone não me emociona.
26 - É difícil pra mim ficar com a boca fechada quando fico indignada. Já melhorei muiiiiiiiiiiiiiiiito nesse aspecto. Mas ainda sou dada a uma rabieta, infelizmente. A boa notícia é que logo passa. A má notícia é que ainda não aprendi a me manifestar no momento adequado e do modo oportuno. Às vezes tenho até razão mas a minha expressão estraga tudo. Ainda engulo elefantes e engasgo com formigas.
27 - Sou definitivamente possessiva. E isso é diferente de ser ciumenta, viu? Eu não me importo que alguém dê algo a outro alguém, contanto que conserve o meu. Já melhorei bastante em relação a paqueras - até porque não faz o mínimo sentido tratar as pessoas como "suas" -, mas em relação a outras situações, não. Até porque, cá pra nós, acho justo lutar pelo meu quinhão.
28 - Certamente eu tenho problema de déficit de atenção. Mas enquanto puder, vou evitar medicação.
29 - Pois é, falando nisso, decidi que não vou ser 100% como manda o figurino. Do mesmo modo que vou ter que dar o meu jeito pra lidar com as imperfeições do mundo, ele que também se vire com os meus limites e problemas.
***
É, quando eu era menor, achava um absurdo a minha mãe nunca querer me ouvir. Ela sempre foi ruim de crítica, mas, hoje entendo, a gente envelhece e vai perdendo a disposição de lutar consigo mesmo. Sim, porque os avanços que tive, que não constam nessa lista acima mas foram em boa quantidade e significativos, me custaram muito trabalho interno. "Samba, suor e suingue", como dizia a vinheta de um programa de rádio.
A coisa bonita dessa história é que essa condescendência tem a ver com um apreço crescente por si mesmo. A gente começa a se aceitar mais, inclusive nas limitações. Percebemos que dá para crescer e melhorar, mas que tudo tem o seu tempo e nós temos o nosso ritmo.
sábado, 12 de janeiro de 2013
Cara de pau
[Da mesma família de "Somos apenas bons amigos" e "Estamos apenas nos conhecendo"]
Britney rompeu o noivado e mandou esse recado à imprensa: "Jason e eu decidimos romper nosso compromisso", disse Spears em um comunicado publicado pelo site today.com. "Sempre vou adorá-lo e continuaremos sendo grandes amigos", acrescentou.
A página cita Trawick dizendo que, apesar da separação, os dois "ficarão próximos para sempre".
É o que eles dizem. Mas todo mundo sabe que estão querendo é mandar um ao outro para o inferno. É isso: por que o ser humano insiste em contar mentiras nas quais ninguém vai acreditar? Cartas à redação.
Britney rompeu o noivado e mandou esse recado à imprensa: "Jason e eu decidimos romper nosso compromisso", disse Spears em um comunicado publicado pelo site today.com. "Sempre vou adorá-lo e continuaremos sendo grandes amigos", acrescentou.
A página cita Trawick dizendo que, apesar da separação, os dois "ficarão próximos para sempre".
É o que eles dizem. Mas todo mundo sabe que estão querendo é mandar um ao outro para o inferno. É isso: por que o ser humano insiste em contar mentiras nas quais ninguém vai acreditar? Cartas à redação.
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Opinião pública
Ô Ingrid diz que é preciso democratizar a comunicação no País [ela está para mim assim como Otto Lara Resende está para Nelson Rodrigues]. Sim, cada vez mais vejo que isso é necessário. Há dois anos trabalhando em jornalismo diário, frustra-me ver que entra ano e sai ano, a gente faz as matérias, reúne dados, se indispõe com as fontes oficiais, briga internamente pra zorra sair e o máximo que conseguimos é um burburinho.
Não sei os colegas, mas sou o tipo de jornalista que vibra com mudanças. Não me importo de ninguém saber o meu nome, contanto que seja útil a quem me lê. Não saberia, por isso, fazer esporte, cultura ou turismo. Gosto dos temas sérios, ainda que às vezes com uma abordagem mais leve.
Mas do que adianta o esforço da classe se não há uma opinião pública que cobre mudanças? "Os cães ladram...".
Não sei os colegas, mas sou o tipo de jornalista que vibra com mudanças. Não me importo de ninguém saber o meu nome, contanto que seja útil a quem me lê. Não saberia, por isso, fazer esporte, cultura ou turismo. Gosto dos temas sérios, ainda que às vezes com uma abordagem mais leve.
Mas do que adianta o esforço da classe se não há uma opinião pública que cobre mudanças? "Os cães ladram...".
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Sinceridade
Coisa boa é ter um bom relacionamento. Mas eu há muito questiono se há um bom relacionamento sem intimidade. É tão difícil ter isso com alguém. As confissões até que são fáceis. Mas as críticas... Pouca gente reage bem a elas (não que alguém goste, mas, enfim, é inteligente analisar o que o outro tem a dizer porque pode conter uma informação que acrescente). Tem gente de quem eu gosto muito, mas que eu não teria coragem de abrir a boca para fazer uma crítica, ainda que ache necessária. Sei que a criatura viraria no capeta comigo. Então fico calada para evitar me aborrecer. Para evitar me indispor. E também porque, no final das contas, é o processo de cada um, por isso me cabe apenas cuidar do que acontece comigo. Mas eu gostaria de ter relacionamentos sem a necessidade de pisar em ovos, em que pudesse me expressar à vontade (claro, mantendo o respeito). Isso sim é intimidade. O resto é mera troca de gentileza.
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