Eu pensava que quem vai embora ressentido de um relacionamento recebeu pouco do outro. Mas faz alguns meses, uma psicoterapeuta disse em uma palestra que é o contrário. Dia desses estava pensando nessa frase novamente. Ela me intriga. Vou esclarecer o sentido disso com ela em uma próxima oportunidade. Ah, se vou!...
Mas queimando os neurônios um pouco, percebi que de certo modo há razão nessa afirmação. A pessoa vai embora (de um trabalho, de um endereço, de um curso, de uma amizade, de um namoro ou casamento, etc) se sente que já teve tudo que estava disponível ali para ela. Se por acaso acredita que tem mais para receber é muito difícil ir embora. A questão é que às vezes havia muito pouco disponível na fonte em que se foi buscar.
É a segunda parte disso que me inquieta, na verdade. Será que aquele que vai embora frustrado (eis uma dúvida existencial) realmente amou quem foi deixado? Sim, pois se você se frustra não enxergou a verdadeira natureza do objeto da sua esperança. E mais: não teve coração suficiente para permanecer apesar da quebra de expectativas. A gente vai embora porque cansou de não ter o que sugar?
Enfim a pergunta é: amor que é amor pode acabar ou, como dizia o mestre Nelson Rodrigues, pouco amor não é amor?
Vou pensar mais um pouquinho sobre isso. Quando tiver formulado uma resposta melhor, prometo que aviso.
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