A segunda-feira de Carnaval chegou com o anúncio da renúncia do Papa. Subitamente passei a gostar mais dele que do antecessor. Renunciar é humano. Demasiadamente humano para um homem de mais de 85 anos. Há de ter coragem.
Mas não é a teologia da Igreja que me preocupa. Que o catolicismo fique com quem gosta dele - os católicos. Fico preocupada com a "teologia" da ciência e das leis.
Outro dia falava com uma colega, estagiária, sobre a confiança demasiada que as feministas fizeram as mulheres terem nas leis e no politicamente correto. A moça, inteligente mas muito empolgada ainda com a descoberta do brand new world dos adultos, achou que era uma crítica ao feminismo. De certo modo, sim. É. Mas não quis dizer, claro, que o movimento é uma inutilidade. A questão é que ele comete omissões perigosas. A lei e o politicamente correto não podem tudo contra o instinto. Há gente perversa. E a juventude é muito pouco instruída pelos mais velhos e muito pouco independente para experimentar e aprender enquanto cresce. Ou seja, há uma mistura bombástica de ignorância e despreparo no desenvolvimento das novas gerações.
Quanto à ciência, há um endeusamento dos médicos e cientistas. E isso nos deixa à mercê de pesquisas patrocinadas por interesses escusos. Deixa-nos, também, nas mãos de médicos cada vez mais medrosos de dar o diagnóstico errado e confiantes demais nos prognósticos.
Essa teologia da razão é mais assustadora que a da fé. Dessa última, pelo menos, naturalmente a gente desconfia.
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