segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Me desculpe a sinceridade, mas eu não quero nada além de viver bem

"Sambaby
 Sambaby

 Eu posso não ser um band leader
 Pois é, mas assim mesmo lá em casa
 Todos meus amigos, meus camaradinhas me respeitam
 Pois é, essa é a razão da simpatia
 Do poder, do algo mais e da alegria"

("País Tropical")

Quando eu era pequena, eu imaginava que um dia ainda ia fazer algo de destaque nacional.
Aos 13 anos, numa redação da escola, disse que ainda seria uma grande advogada.
Aos 15 anos, pedi ao meu pai pra entrar no curso de inglês a pretexto de querer me formar em Turismo.
Aos 17 anos, tive o meu primeiro choque de realidade. Aos 18 anos, escolhi a área de Comunicação por me parecer ser a menos penosa. Jornalismo venceu em um sorteio entre Radio e TV - nem existia esse curso na Bahia -, Publicidade e Relações Públicas.
Fui feliz com a minha escolha durante um mês, porque via muitas matérias que pareciam ser bacanas na grade do curso.
Depois eu vi que Jornalismo era um curso de gente vaidosa, com altas ambições midiáticas ou intelectuais. Não me identifiquei. Quis ir embora, mas como sou ruim de desistir, fui ficando.
Quinze anos depois, com passagens por assessoria, campanhas políticas e jornalismo impresso, tenho certeza que essa não é a minha vocação. Será que eu tenho talento? Não sei. Acho que, mesmo desmotivada, consigo um desempenho mediano, mas nunca poderei verificar qual seria mesmo o meu potencial.
Por enquanto, sabe o que eu gostaria mesmo? De trabalhar pouco e viver mais. Eu sempre trabalhei muito - e estudo também é trabalho - e vivi pouco. É hora de inverter. Não me julguem. Me amem. Eu preciso amar um pouco a vida, gente, e presa entre quatro paredes e muitas pressões não dá. Por hora, desisti de profissão. Quero curtir a vida, aprender. Quero o que for fácil, bom, suave.
Chega de "no pain, no gain".

sábado, 19 de dezembro de 2015

Como me tornei uma pessoa de "curto prazo"

... Nem eu sei dizer.
Mas o fato é que perdi totalmente o saco com coisas de longa duração.
Seriados? Não. Prefiro novela da Globo. Melhor ainda se for minissérie. Não dá para passar anos seguindo uma história, por melhor que seja. E sou da época em que acompanhávamos, no máximo, três por vez e não uma cacetada deles, que são lançados a toda hora. 
Filme é uma coisa bem mais legal, rapidinha - contanto que não dure três horas.
Romances? Prefiro contos e crônicas.
Eu não sei se é falta de maturidade, de repente cansaço em meio a tantos estímulos, ou se é vontade de viver uma vida de verdade e não ficar afundada em ficção, em histórias dos outros. O caso é que para 90% dos meus amigos a ficção é um oásis, enquanto eu raramente me prendo ao que está passando. Me sinto um ET. Tem que ser muito bom para prender a minha atenção. Prefiro viajar, ver gente, ir para a rua, ou ficar em casa sozinha, pensando ou escrevendo.
Escrever. "Agente da ativa". Eu tenho pressa, acho que esse é o caso. 

domingo, 13 de dezembro de 2015

Batom

Gosto que as mulheres comecem a se dar conta das perversidades do sistema. Mas outro lado meu fica irritado com essa onda de feminismo.
Vamos aos fatos: falam em feminismo as mulheres protegidas, brancas, da classe média. O discurso feminista é bastante classe média. A mulher marginal sempre teve uma vivência feminista, ainda que não tenha consciência disso; foi obrigada a ser autônoma porque ninguém nunca se interessou em protegê-la.
Apesar de classe média, eu sempre fui marginal. E antes de ter consciência disso, já odiava um monte de coisas de mulherzinha.
Odiava quando minha mãe fazia aqueles cachos bizarros no meu cabelo.
Odiava usar meia calça em festa de aniversário (apesar de adorar me ver de vestido). Eu rasgava a dita cuja assim que chegava na festa, mas, na próxima, lá vinha minha mãe com outra, novinha, geralmente branca (argh).

Na adolescência foi pior.
Eu odiava ir ao salão de beleza. Os tratamentos eram doloridos e as pessoas, racistas. Ouvia das mulheres da família: "Ah, mas mulher tem que se cuidar". E o homem? Eles podem ser naturais. Quem nunca desejou ter nascido homem só pra gozar desse privilégio...
Meu pai não estava nem aí, a gente que se virasse.
Enfim, tratamento de princesa passava longe de mim nessa fase.

Eu não vou me estender, mas, para resumir, como sempre fui diferente da norma - e com pouca disposição para me encaixar nela -, sempre tive que defender a minha liberdade.
Isso aí que as neo feministas dizem pras mulheres não deixarem os homens fazerem eu penso desde que me entendo por gente. Cresci entre mulheres violentadas, eu sei bem como isso funciona, e desde criança isso me indignava.
Essa coisa de meu corpo, minhas regras, eu tive que exercitar desde a adolescência, enquanto olhava outras colegas fora dos padrões, como eu, se mutilando para serem como as meninas "adequadas".

Já fui e já voltei nessa história. Já estou na terceira onda, por isso acho que, ao contrário das neo feministas, entendo os críticos do movimento, como Camille Paglia. A independência feminina não acontecerá por mera imitação das atitudes masculinas, numa competição de quem pode mais. Temos que nos descobrir e achar uma terceira via, que não é essa que nos impuseram historicamente e nem a dos homens (que também precisa de revisão urgente). Há características que são, sim, genuinamente femininas e precisamos nos orgulhar delas.

Há 35 anos sou a mulher que quero e posso. Aprendi a gostar de algumas coisas de mulherzinha e para outras nunca terei inclinação. Fato. Sou feminista na minha vida e sempre defendi esse meu direito de performar o meu gênero como eu sei, como eu quero. A única coisa desse universo que eu realmente não abro mão é de batom. 

sábado, 12 de dezembro de 2015

Nem todo mundo pensa bem de si mesmo

Um amigo meu costuma dizer que certas reações dizem mais sobre a pessoa do que sobre o fato em si. 
Essa semana pude ter uma prova bizarra disso. Encontrei com uma assessora de imprensa que, ao me ver, não se contentou em me perguntar uma vez se eu estava bem (pergunta a qual respondi com um tranquilo "sim"). Perguntou três vezes, se deparando com a mesma naturalidade. Ao final, incrédula e, acredito, sem graça pelo papelão que estava fazendo, se despediu de mim e foi embora.
Ela queria choro por causa de uma demissão em massa? Ela esperava confidências de minha parte? Provavelmente sim. Mas principalmente estava ali alguém que morre de medo de perder o emprego, que provavelmente deve ser uma base grande da autoestima dela. Eu só lamento. Nem todo mundo pensa bem de si mesmo e algumas pessoas precisam desesperadamente do "ok" alheio para sentir que valem algo.

*

Ela se queixava ao terapeuta que não era valorizada. Ele escutava atentamente e, por fim, resumiu a vida dela em um par de frases:

"Você tem grandes qualidades, mas ninguém consegue ser mais dura com você do que você mesma, que já chega despejando todos os seus defeitos, desejosa de que ninguém crie expectativas sobre você".

Ela não pensava bem de si mesma e isso só atraía rejeição para a sua vida.

*
Duas amigas falam de uma terceira, que vive um relacionamento abusivo. Uma delas comenta: "Não sei por que ela se sujeita. Ela é tão cheia de qualidades e ele é tão...".

O abuso faz a gente não pensar bem de si mesmo. E se é assim, como desejar algo melhor?


Moral da história: a gente só consegue viver uma vida de verdade quando passa a ligar menos para os outros e a fazer coisas que nos façam pensar bem de nós mesmos.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Under pressure



Essa foi uma semana difícil, mais pelos outros do que por mim, acredite. 
Foi a semana de finalmente dar adeus à redação, junto com um terço dela, que teve que sair por causa da crise financeira da empresa, que acabou gerando o encolhimento do tamanho do produto e, claro, da equipe. Houve injustiças nessa lista e isso também foi difícil de lidar, especialmente com algumas covardias praticadas.
Pessoalmente, eu acho que mais uma vez a vida fez por mim aquilo que eu precisava, mas não tinha coragem. Então, vida que segue, agora sem desculpas, sem cansaços, mas, como nada é perfeito, com incertezas.
Uma das perguntas que me faço agora é se eu quero mesmo continuar ou mudar. Eu sei a resposta, mas aguardo uma confirmação.
No geral, vejo esse momento como uma oportunidade. Mas muitos colegas que foram demitidos estão sentindo que tiveram os sonhos interrompidos, que não valem grande coisa como profissionais. Isso tudo me ensinou muito, especialmente sobre desapego e auto respeito.

O jornalismo faz isso com a gente, mexe com a nossa autoestima frequentemente. Não basta ser competente; espera-se que seja brilhante. E tem que ser o tempo todo, mesmo numa rotina de seis dias por semana e muitos feriados. A gente vive (e é estimulado) se comparando.
Minha experiência em cinco anos de jornalismo impresso: geralmente - não é sempre, mas é comum - os mais "geniais" de uma redação são também os mais "preguiçosos". Produzem bem porque têm tempo, prazo mais longo pra fazer com calma, pra burilar o texto. Claro. Já viu gente exausta sendo criativa? Difícil, né, a não ser que a pessoa seja dona de uma energia fora do comum (ou um ego igualmente grande). Portanto, especialmente com as redações cada vez mais enxutas, há a necessidade de gente com vontade de fazer e disposição para cobrir coisas menos divertidas como buracos, deslizamentos, enfim, a vida real. Não é fácil como parece e nem dá para fazer algo muito criativo. O repórter aparece pouco no hard news. O talento aqui é deixar a história se sobressair, buscar todas as informações, de forma a dar o panorama mais completo possível. Você passa meses e meses cobrindo as mesmas coisas, lidando com fontes de má vontade, fazendo matérias fisicamente exaustivas. Essas pessoas são as que carregam o piano do jornalismo diário e, por isso, deveriam ser mais valorizadas. Mas quase nunca há gratidão pelos operários da primeira hora.

O caso é que esse tipo de ambiente competitivo acaba com a solidariedade entre as pessoas. Traz para os mais destacados a noção de que são estrelas, de que podem fazer o que quiserem, e isso, numa equipe, é ruim, porque sempre desequilibra as responsabilidades, que deveriam ser repartidas igualmente. Aos trabalhadores braçais, deixa a noção de que pouco valem, de que estão no lugar errado, de que não estão fazendo direito.

Esse é um ambiente anti-felicidade. Bem-estar depende do oposto disso. Parem as máquinas: é atrás de satisfação que eu vou correr agora.



segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Que mal eu fiz a Deus?

Imagine que a sua vizinhança, onde sempre viveu gente como você, começasse a ser ocupada por moradores de todas as partes do mundo. Com o tempo, não seria incomum que os primeiros residentes, os considerados locais, se sentissem invadidos em seu território e até em perigo.
É o que vem acontecendo nas grandes metrópoles do mundo, em especial as europeias, nas últimas décadas. Londres hoje é mais indiana que inglesa; Paris é mais árabe que francesa; Roma é mais paquistanesa que italiana... E a profusão de culturas, esse tal multiculturalismo, começa a fazer europeus, que tanto valor dão à linhagem, ao sangue puro, se sentirem uma raça em extinção.

Por que tanto apego às nossas origens? Porque isso faz parte do nosso laço e orgulho enquanto comunidade, da construção do nosso eu. O ser humano não existe sem uma cultura. Fato.
Mas o problema não está exatamente no outro e sim na relativização que a presença dele faz da minha importância. Então, se sou europeia e me orgulho tanto das conquistas do meu povo - como é o caso da França que, em todos os seus monumentos, exalta o passado e os grandes homens da nação -, como vou ficar feliz vendo que diversos podem ocupar o "meu" lugar, que tenho tanta importância quanto os outros, que não sou especial? Não deveria ser assim em um mundo ideal, mas o ser humano, em boa porcentagem, ainda precisa se elevar às custas do rebaixamento do outro. Como se destacar se não for assim? #magoados

Mas, zombeteria à parte, há um componente adulto e primitivo nisso tudo que é o medo do desconhecido. Percebi isso quando passei três meses morando na França. Se você vive cercado por pessoas de nações das quais inclusive nunca ouviu falar, vai precisar de algum mecanismo para se organizar em meio ao desconhecido. Se não é o caso de ser budista, provavelmente será o caso de desenvolver desconfiança, medo - essa palavra cabe duplamente nessa discussão depois que li uma definição interessantíssima dela: "Medo é um preconceito dos nervos". (by Machado de Assis)

Uma amiga de espírito humanitário outro dia comentou comigo - baixinho pra ninguém ouvir e achar que ela é xenofóbica, o que é bem sinal dos tempos - que entendia o pânico dos europeus com a entrada dos refugiados, pois a leva de expatriados pode trazer junto mais terroristas. Eu já estava ligada nisso por causa de um comentário de Flávia nesse mesmo tom. Assim como minha amiga, eu sou a favor que eles entrem, sim, até porque a Europa e os EUA têm um dedo nisso, mas eu compreendo o medo dos europeus. (Aliás, nada melhor do que a ganância e o medo para nos fazer ser mesquinhos com os outros)

***

E é dessa salada de frutas humana que fala a comédia francesa "Que mal eu fiz a Deus?". O filme, de forma leve e sagaz, trata de temas densos, abordando intolerância, xenofobia, estereótipos,  colonização, miscigenação, racismo, sexismo, família, religião, etc. Enfim, posso dizer que meu trauma com "Chou Chou" é coisa do passado depois dessa trilogia "Intocáveis", "Eu, mamãe e os meninos" e "Que mal eu fiz a Deus?".
O filme é a França rindo de si mesma. Fala de uma família classe alta do interior que, após mandar suas quatro meninas para estudar em Paris, as recebe de volta casadas com filhos de imigrantes, inicialmente um chinês, um judeu e um árabe - por isso as reuniões de família nunca acontecem em paz e sempre alguém se ofende com alguma piada étnica feita "para descontrair" - e, por último, um africano.
Nesse último casamento temos um elemento a mais: a oposição da família estrangeira, ou melhor, do pai, uma versão africana do patriarca da família francesa, aliás.
Os pais franceses surtam com isso, a mãe entra em depressão, o casal quer se separar, as irmãs começam a culpar a caçula pelo ocorrido... A coisa toda vira um caos.
A mãe se recupera primeiro e percebe que o que sente é, na verdade, um medo infundado do desconhecido. Por causa disso é acusada de comunista pelo marido, que demora um pouco mais para cair em si. Porém, ao final do filme, é ele quem dá uma preciosa dica de como resolver essa intolerância com outras culturas: é preciso se propor a conhecê-las.


sábado, 21 de novembro de 2015

Troco likes

Eu ainda sou daquelas que acha que Facebook é rede social, não é vida de verdade, embora a tecnologia já esteja incorporada, eu bem sei. Talvez seja uma tentativa de minimizar o que acontece por lá, para me aborrecer menos com as pessoas, o que, em carne e osso, já anda muito difícil.
Mas um amigo meu costuma prestar muita atenção a isso. Segundo ele, depois de ler "Análise do Discurso", ninguém volta a ser o mesmo (#medodemim, já que vou ter que ler isso para o meu artigo final da pós).
Bem, a teoria dele é que as pessoas não curtem gratuitamente (menos eu, que curto tudo de interessante que eu vejo pela frente e já sofri repreendas por conta disso). Curtem com segundas intenções. E isso deixa ele pirado especialmente, claro, com as pessoas mais próximas.
Meu caro, eu digo a ele, a vida é uma grande troca de likes. A dignidade está sempre do lado de quem é igual a gente. E a gente "curte" quem agrega ao camarote, não necessariamente quem merece. Cada vez mais, somos orientados para lidar apenas entre iguais, formando um grande condomínio nas redes sociais.
Isso se retroalimenta. Se alguém me curte, eu me sinto na responsabilidade de curtir de volta. Às vezes nem quero. Tem gente que curte uma certa pessoa, pois é interessante tê-la curtindo suas coisas de volta.
Os posts quase sempre são para mostrar poder e influência, que acabam por atrair quem tem poder e influência.
Relax, migue, porque não há nada mais que fazer. Aceite que dói menos. Em tempos em que existir é ser visto, natural que as relações sejam imensas trocas de likes. Me curte que eu te curto, e não se fala mais nisso nem em outras coisas.

Master of None

Eu penso melhor em movimento ou debaixo d´água.
Outro dia, caminhando, refletia sobre a minha alegria em sair para algum barzinho ou festa, aos 35 anos. Eu me questionava se nunca isso iria passar, digo, essa necessidade de rua. 
Se envelhecer é não querer sair de casa, minha mãe é uma velha desde os 20 anos. Sério. Pouco lembro de minha mãe saindo, tendo vida social sem a gente. Ela me intriga: não deseja nada, não vai pra lugar nenhum, não tem amigos, não se envolve em nenhuma atividade fora as de casa. Com todo o respeito, se tivesse vivido a vida dela, não teria vivido sequer 35 anos. 
E boa parte da geração dela é assim. Eu acredito muito que minha mãe é fruto (e vítima) do tempo dela. Que se tivesse nascido no mesmo ano que eu, teria sido uma mulher diferente. Talvez como Flávia, com quem ela tem muito a ver.
Por que não falo de meu pai? Porque ele curtiu muito a vida, não tenho dúvida, embora viva dizendo que se sacrificou muito pela família (qua, qua, qua!... Nesse ponto, ele é mais garganta que realidade, que nem a filha dele do meio). Quem pagou o pato foi ela e sem reclamar, nunca saberei se por subserviência, ignorância, orgulho ou vergonha.
Vejo nos olhos dela que não entende muito o que eu quero dizer quando reclamo que uma vida só de obrigações sem recompensas não é para mim. Essa passividade dela, para mim, é um mistério. Não sei se desprezo ou admiro. Não sei mesmo porque entra no roll de coisas que nunca vou compreender de fato porque não as vivi.

E então, rodando no Facebook, vi colegas comentando sobre uma nova série do Netflix, "Master of None", na tradução, mestre de ninguém.  É sobre a nossa geração, aquela gente que nasceu no início dos anos 80 e hoje já tá na casa dos 30 e alguma coisa, portanto madura a ponto de cair do pé. 
Os dois protagonistas, Dev e Alan, são filhos de imigrantes, indianos e chineses, respectivamente. Eles já nasceram em solo americano, desfrutam de uma vida super confortável, cujo maior problema, segundo a observação irônica de um deles, "é se o wi-fi caiu". Isso às custas do sofrimento e do suor de seus pais, sobre quem sabem muito pouco, com quem quase nunca querem estar, mas a quem devem muito mais do que imaginam. 
Essa velha geração passou por sufocos, privações, frustrações e humilhações para prosperar. Pouco fala de si mesma, talvez para enterrar os maus momentos do passado. A nova deseja apenas desfrutar e não banca nada que possa trazer desconforto. Por exemplo, filhos estão fora de cogitação, porque podem impedir a criatura de sair para comer massa quando quiser. 
O roteiro é hábil. O primeiro episódio nos pega pelo estômago, ou seja, apela para o nosso desejo de liberdade, a nossa pouca disposição para o sacrifício, quando discute as vantagens e desvantagens de se ter filhos. O segundo episódio é um verdadeiro soco no estômago, ainda mais para quem se viu em Dev no primeiro. É quando os protagonistas e nós, espectadores, ficamos sabendo o preço que os pais desses personagens tiveram que pagar para chegar aos EUA. A solidão, o preconceito, a sujeição a subempregos em seus países de origem para bancar o sonho de vencer na maior nação do mundo.
Eu fiquei pensativa sobre isso. E olha que estou longe de ser fútil como Dev e Alan; eu ainda dou valor à luta pela sobrevivência ao contrário de muita gente da minha geração.
Engraçado que ontem, falando de um conhecido da Facom que quer ser escritor, mas que nunca teve um emprego, perguntei a um amigo em comum de onde ele tirava dinheiro para bancar esse estilo de vida. Meu amigo respondeu: "Sei lá, deve ser de alguma família rica". E eu respondi: "Ele não tem medo dos pais morrerem e ele passar dificuldades? Esse povo não pensa em velhice, previdência, plano de saúde, essas coisas?". 
Me intriga. E me angustia também. Sonhar, se divertir, é bom e necessário, senão a gente embrutece. Mas isso, sem senso de realidade, pragmatismo, parece devaneio, delírio. Sei lá, acho que essa geração, que tanto quer, que se acha tanto, corre o risco de sair dessa vida sem saber o que é ir ao fundo das coisas, o que é construir, o que é considerar e prezar algo além de si mesmo. O que é crescer. 



Racismo escondido de cada dia

Somos todos racistas. Eu sou racista. Mas há os que cultuam essa chaga da nossa sociedade e aqueles que lutam para se livrar dessa herança maldita. Eu sou do segundo grupo e digo que não é fácil. A luta é diária.

Você percebe que ainda há muito trabalho interno e externo a fazer quando entra no ônibus e fica com medo de um homem negro sozinho e sem mochila. Será que esse mesmo homem, só que loiro, com cara de estrangeiro, também me amedrontaria?

Acho cada vez mais natural ver um casal interracial, mas ainda não é 100%.

Vejo cada vez mais bonitos os que têm traços não caucasianos, africanos mesmo, mas ainda não estou 100%.

Sinto vergonha quando leio, de uma africana - repare que eu nem gravei de que país de lá ela é -, relatos horrendos da guerra e tenho certeza de que se ela fosse americana, sentiria muito mais por ela. Afinal, a violência contra os negros já é algo naturalizado.

Sinto vergonha porque sei que ao pedir a qualquer um de nós para imaginar um homem ou uma mulher, provavelmente não pensaremos em tipos negros.

Me dói quando vejo uma mulher negra com um cara super loiro e jeito de quem ganhou na loteria. Eu sei que ela sofre porque a solidão é quase certa para ela, por questão de cor. E eu sei que ela deve ter sido tão oprimida ao longo da vida, ao ponto de comprar o padrão estético do opressor, sem nem refletir sobre isso.

Me dói quando vejo mulheres negras na luta, sendo humilhadas por pessoas mais claras e ricas. São mães solteiras, esmagadas por todos os lados. Zero piedade para elas. Não fazem nada além da própria obrigação. Aliás, para a sociedade que vira as costas para elas, fazem aquém, já que geram esses marginais que vemos nos presídios. O sofrimento delas também não choca ninguém.

Sinto vergonha quando vejo que só consigo, ainda, ter solidariedade com elas. Deles, ainda tenho medo. Ainda olho com preconceito, embora a compaixão comece a crescer, aos poucos.

Sinto pena de mim quando olho para um passado recente e percebo que foi doloroso, pra mim, assumir minha raiz negra, que mesmo sabendo que tudo isso não é verdade, o olhar inferiorizador da sociedade para essa etnia me atingia durante esse processo.

Sinto pena de nós quando vejo que precisamos medir as palavras para não magoar e abrir velhas feridas.

Precisamos de mais dias da consciência negra, sim. Precisamos reconhecer nossos privilégios.
Há muito o que avançar nessa luta.


Better Off Alone

Tem uma música, recorrente na seleção da Antena 1, que sempre me tocou. Chama-se "Better off alone" - na tradução, "Melhor sozinha" -, da Sissel. Os versos dizem:

Garota não fique triste
Você sabe que você não faz falta
Sem motivos para se sentir mal
Ele não quer mais saber o significado desses beijos
Você está tentando fazer isso passar
Você sempre esteve tentando sobreviver
Eu tenho fé em você
E eu sei tudo que você está tentando

Mas você não pode voltar,
ao que nunca foi
para repossuir, o que você nunca conquistou
Mas você não pode voltar,
ao que nunca foi
Este é o seu tempo, este é o seu tempo
quando se é melhor ficar sozinha

Garota você não vê?
Não há mais nada para se ver aqui
Você tentou uma amizade em mim
E eu agora estou aqui
E você sabe que não vai ser longo
Enquanto eu estiver atrás de você
Você irá conhecer alguém
Alguém sem limites irá encontrar você




Pois é, meus caros... Essa é a minha vida, esse é o meu clube. Dói ver que o que te faz mal nem entra no raio de percepção de pessoas queridas. Você segura a decepção dentro de você, mas ela te corrói. Chega uma hora em que você não consegue sustentar e parte para o "ou vai ou racha", morrendo de culpa, de dúvida e de medo. Mas é preciso recomeçar melhor. Ou é preferível ficar logo sozinha. Fazer o quê? Não dá é pra ter as coisas a qualquer custo senão elas acabam se voltando contra você. E, infelizmente, as pessoas só conseguem se pôr no lugar das outras quando elas mesmas passam pela situação. Até lá, seguimos incompreendidos.

domingo, 15 de novembro de 2015

I don´t wanna talk about it...

Tempos de conflitos internos é o que ando vivendo essa semana.
Nunca estive tão interessada no que eu e a sociedade temos que melhorar, mas, para "variar", não suporto o ruído que é saber de tanta coisa. Mas já viciei, admito.
É muita gente metendo o bedelho.
Melhor eu cuidar do meu exemplo individual, da vida.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Juntos nem sempre somos melhores

Eu, que sempre gostei de todo mundo junto, estou tomando horror a grupos. HOR-ROR. Assim mesmo, no capslock, de forma gritante.
Contardo Calligaris tem toda razão quando diz que: "Juntos nem sempre somos melhores. Porque é quando estamos juntos que, também, casos como o do índio Galdino acontecem. Separadamente os meninos não teriam feito aquilo".
Não precisa ir muito longe, não.
Na minha sala de pós houve o ingresso de alunos novos. Praticamente são a metade da sala, agora.
Há uma mulher que já chegou chegando. Professora, ela é totalmente desinibida ao falar. E fala muito. E tem certeza que está abalando.
Resultado? Rejeição aos alunos novos. Foi criado, até, um grupo novo no Whatsapp só para os alunos antigos e uma das funções é falar mal dos novos alunos.
De agora em diante, não quero mais saber disso, não. O máximo que eu encaro é grupo de um. Ser humano, de bando, é dor de cabeça na certa.

domingo, 1 de novembro de 2015

A insistência em caminhos que não levam a lugar nenhum


Eu tenho uma teoria, que não é nada de mais, mas muita gente não observa esse sinal: se te dá ânimo é porque está no caminho certo. Eu (ainda) acredito na força que as coisas têm quando elas precisam acontecer.
Semana passada, fiz o Enem. E senti um ânimo só de pensar que poderia estar mudando de rumo na vida.
Ainda vai demorar para sair o resultado, mas, se não precisasse de dinheiro e de pagar a previdência, ia deixar o mercado de trabalho amanhã e voltaria a estudar. Por que demorei tanto tempo?
Por que eu insisto em ficar em contextos que me fazem mal?
Hoje passei muito mal. Uma enxaqueca dos infernos. E eu sei o porquê. E sei também o que tenho que fazer.
Corageeeeem, Juliana!

domingo, 25 de outubro de 2015

Magia do mal

Melhor não chamar de magia negra, né, embora o negro, nesse sentido, seja a ausência de luz.
Vocês acreditam nisso? Nunca saberemos, assim como sempre haverá dúvidas sobre as previsões para o futuro, reencarnação, etc. Nesse caso específico, prefiro achar que não funciona, mas, no fundo, eu acredito que sim. "No creo en las brujas. Pero que las hay, las hay".
Outro dia, conversa vai, conversa vem, sobre espiritualidade, família, relacionamentos, coisas da vida, uma amiga recente, que está se separando do marido - no duro mesmo, porque, da parte dela, não tem mais volta -, me confidenciou que disseram a ela que houve feitiço para separar o casal, no centro espírita que ela frequenta. E ainda deram um puxão de orelha nela, que ficou espantada pelo espírito saber dessa história: "Mas por que você tinha que comer aquele bombom, hein?".
Meses antes, o até então marido havia chegado em casa com uma caixa de bombons. Contou uma meia verdade e disse que uma colega do trabalho havia feito a gentileza, sem mencionar, claro, que estava tendo um caso com ela. Como intuição não é bobagem, a esposa ficou zangada com o ato da outra, mas, como chocolate também não é, acabou degustando um. Semanas depois, o marido abriu o jogo. Ela ficou arrasada e, como toda pessoa pega com calças curtas, tentou remendar, mas não rolou.
Enfim, caros amigos, é ou não é de arrepiar?


sábado, 17 de outubro de 2015

Autoestima

Loli é uma ginecologista de Caracas. Há algum tempo, ela tentou fazer um trabalho de autoestima com mulheres da periferia da capital venezuelana. Não deu certo. Parafraseando ela, autoestima não é algo que se conserte na idade adulta; é plantada desde cedo, na infância.
E eu acho tão, mas tão injusto quando cobram isso de gente que não teve essa base. Somos nossa própria força, mas precisamos, também, da energia do meio social. É muito difícil bancar uma autoestima sendo invisível. Há casos, mas não podemos esperar que todos sejam excepcionais. Sociedade não é sobre gente fora de série.

Duas colegas minhas tiveram câncer. Ambas foram amadas pelas suas famílias, valorizadas. Mas a amiga A sempre foi o patinho feio e sonhadora. B sempre foi de muitos amigos, independente (a mãe a estimulava e o pai não se opunha), bonita (não do tipo "gata", mas sempre fez boa figura). Uma enterrou os planos depois do câncer. Teve sequelas que realmente dificultam a vida. Parece que parou de querer. A outra toca seus planos apesar do câncer. Teve sequelas, mas lida o melhor possível com isso.
B teve muito mais garra que A. Claro, ela merece todas as palmas, inclusive porque muita gente boa sucumbe na mesma situação que a dela. Porém isso não vem do nada. B teve uma vida livre e feliz. Sofreu dissabores, lutou muito, mas sua experiência, até agora, foi rica.  Portanto, sente que vale a pena viver. A vida é uma construção, nada vem do nada. Não dá pra ter uma casa bonita sem alicerces. Não se constrói uma personalidade confiante por decreto. No, No, no...

Salvador Destination´s Spirit

Esse post não é para falar sobre a polêmica propaganda do Salvador Destination. Vou aproveitar o gancho para discutir o nosso espírito de SD.

Sim, porque assim como a propaganda se voltou a um público de elite, assim somos nós. Pelo menos no meio da Comunicação.

"Se tudo fosse natural sob esse sol, formiga encheria bola de soprar".

Quem disse isso foi o Jean Wyllys. Uma pessoa boa, bem intencionada, mas que vive em grande medida para mostrar e ostentar. É sobre isso que eu quero falar.

Eu estou cansada de ver as pessoas do meu meio, nas redes sociais, tirando fotos com pessoas conhecidas, em lugares sonhados por muitos, destilando "competência" e "influência". Isso não é apenas um registro. É uma distinção. "Olha quem eu conheço". "Olha onde eu circulo".
Jornalistas não são amigos de qualquer um. Tem que "agregar ao camarote". Jornalista de veículo não anda com assessor, pode reparar. E eles ficam trocando elogios entre si. Se for homem-brodão, melhor. Se for estiloso, melhor. Se tiver dinheiro, melhor. E se for famoso no mercado, pode rolar até beijo na boca.

Poucos, nesse meio, não são deslumbrados com essas coisas. Ninguém aprecia ninguém pelas qualidades. Via isso desde a faculdade.

Mas esses são os mais preocupados com os elitismos.

Vai entender... O ser humano é mesmo contraditório.

Na pós, convivendo com pessoas de outras áreas, vejo como isso pode ser bem mais ameno.

E eu até me impressiono por ser ouvida com atenção mesmo quando eu não digo nada brilhante.

Essa experiência vem me ensinando. Que tal ser mais aberta ao outro, seja lá quem ele for? Eu até tenho facilidade pra isso, mas ainda dependo da conexão afetiva. Espero, em breve, me aprimorar.

sábado, 10 de outubro de 2015

Cadê o espelho, binhxs?!

Camila é uma pessoa que eu chamo de "conectada". Sabe quando a pessoa vive uma vida alinhada com a sua essência? Eu acho que ela está nesse caminho. Mas o que mais aprecio nela é a capacidade de falar as coisas que ninguém admite - ao menos em voz alta. Eu também sou assim, mas ela é bem melhor nisso do que eu porque consegue dizer com naturalidade. Eu me incomodo de estar incomodando e daí quase sempre acabo subindo o tom. Enfim, deixa pra lá...
Ela, outro dia, fez uma observação que eu achei excelente: "As pessoas falam de defeitos como se aquilo não fosse com elas, como se elas não sentissem coisas ruins também". Bingo, Camilinha! Lógico que há pessoas e pessoas. Uns estão mais avançados espiritualmente que outros, mas há esgotos em todas as casas. Nem o Dalai Lama andou escapando disso (http://www.brasilpost.com.br/2015/09/23/dalai-lama-mulher_n_8184878.html)...
E isso é tão burro, tão infantil. Quanto mais você esconde, mais vulnerável fica. Ok, não precisa gritar para o mundo, até porque haverá quem vai usar essa informação para o mal. Isso também é muito perverso: quem se revela é atacado, diminuído. Ouse dizer que não está feliz pra ver uma coisa. Mas quero ver quem sai da tristeza para a alegria sem ter admitido que estava insatisfeito. É humano, gente. Helloooo!
Admita para si mesmo, ao menos. Até pra poder trabalhar isso dentro de você, para poder saber os seus limites e não ser pego de surpresa por eles.
Vá para o espelho, tire a roupa e se encare como é. Só não se traumatize, que não é o caso. Eu recomendo.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Qual é a paz que eu não quero conservar pra tentar ser feliz?

O mal de quem está em uma militância é querer apagar as diferenças. Elas existem e é impossível eliminá-las. Um organismo feminino, por exemplo, nunca funcionará como o masculino. Qual é a briga que vale a pena, afinal?
É garantir que todos tenham representação, participação política e direitos.
Por exemplo, a questão do corpo obeso. Nada vai fazer com que a maioria das pessoas vejam um corpo obeso como ideal de beleza. Assim como um corpo excessivamente magro vai causar rejeição do ponto de vista estético. Mas qual é o lance? É garantir que essa fatia da população esteja à vontade para se mostrar e que tenham, também, a sua representatividade na cultura porque, afinal, elas existem. Porque, até agora, há todo um esforço para que sejam invisíveis. Quando não são agredidas na esfera pública.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Meu lema de vida

"Eu não quero ser lembrada por ninguém. Quero é viver".

A frase é da atriz Drica Moraes. E é minha. Poderia ter saído da minha boca, sem dúvida.

Provavelmente isso foi efeito do câncer que ela teve. E foi um câncer de uma pessoa relativamente próxima que me fez perceber, enfim, a presença da morte.

Enquanto estiver aqui, meu maior objetivo será viver bem. Não tenho ideia de como. Mas "não vou brigar com o que me faz bem", como disse minha amiga, heroína do dia a dia, dona dessa linda frase.

Covardia

O ser humano tende a ser muito covarde, consigo e com os outros.
Na hora de atacar, por exemplo: raramente ele vai em quem deveria. Opta geralmente por um alvo fraco, que não tenha poder para se defender ou com quem não possa lucrar. Muita gente "boa" comete essa covardia, inclusive com quem lhe tem estima. Mas falaremos disso na parte II desse texto.

Esse tipo de covardia é comum no mundo material, onde as aparências têm um apelo inegável. Mas as pessoas esquecem que existe uma outra esfera, invisível, espiritual, se assim preferir chamar.
Lá a lógica é outra. Depende do que você fez e faz. Da pessoa que você é e dos valores que cultiva. Todo mundo tem os seus protetores. "Então não mexe comigo que eu não ando só" não é coisa dita da boca pra fora. Não mexe mesmo porque ninguém anda só.
Eu nunca tive religião ou participei de rituais pra conseguir o que quer que seja, mas quem me fez injustiça sempre se deu mal mais na frente. E sem eu precisar mover uma palha, o que é melhor (porque tudo que você faz fica um pouco contigo também). Eu apenas seguro a minha raiva, olho e penso: "Deus tá vendo!... E eu só lhe observo...". Mais tarde, a vida sempre aponta quem tem razão. É batata!

PARTE II
"Romper ou não romper?...".
Para mim sempre foi difícil, mesmo quando não estou aguentando mais. Porque sempre tem algo bom e, mesmo quando isso já acontece pouco, existe um passado.
Primeiro porque fica o medo de estar sendo injusto, de estar exagerando nas sensações.
Segundo, que sempre vai ter a turma do "deixa disso", que vai querer te amansar dizendo que a criatura que pisou na bola gosta de você.
Terceiro, porque você gosta da criatura e quer acreditar nas duas mentiras anteriores.
Minha experiência diz que quem chuta o balde da consideração não gosta - ao menos não tanto quanto antigamente. E uma hora isso virá à tona trazendo conflitos sérios. Evitar é apenas adiar.
Sabe aquela patada que, quando você percebe, já deu e te dá ressaca moral? Sério indício de que o respeito (e a estima) se perdeu em algum ponto do caminho. Não se engane: o conflito vai surgir, essa bomba vai explodir. Deixe de covardia. Faça o que tem que fazer.
Quem gosta pode até errar, pisar na bola, mas vai te valorizar de alguma forma. Você vai se sentir amado. That´s the question.