sábado, 21 de novembro de 2015

Troco likes

Eu ainda sou daquelas que acha que Facebook é rede social, não é vida de verdade, embora a tecnologia já esteja incorporada, eu bem sei. Talvez seja uma tentativa de minimizar o que acontece por lá, para me aborrecer menos com as pessoas, o que, em carne e osso, já anda muito difícil.
Mas um amigo meu costuma prestar muita atenção a isso. Segundo ele, depois de ler "Análise do Discurso", ninguém volta a ser o mesmo (#medodemim, já que vou ter que ler isso para o meu artigo final da pós).
Bem, a teoria dele é que as pessoas não curtem gratuitamente (menos eu, que curto tudo de interessante que eu vejo pela frente e já sofri repreendas por conta disso). Curtem com segundas intenções. E isso deixa ele pirado especialmente, claro, com as pessoas mais próximas.
Meu caro, eu digo a ele, a vida é uma grande troca de likes. A dignidade está sempre do lado de quem é igual a gente. E a gente "curte" quem agrega ao camarote, não necessariamente quem merece. Cada vez mais, somos orientados para lidar apenas entre iguais, formando um grande condomínio nas redes sociais.
Isso se retroalimenta. Se alguém me curte, eu me sinto na responsabilidade de curtir de volta. Às vezes nem quero. Tem gente que curte uma certa pessoa, pois é interessante tê-la curtindo suas coisas de volta.
Os posts quase sempre são para mostrar poder e influência, que acabam por atrair quem tem poder e influência.
Relax, migue, porque não há nada mais que fazer. Aceite que dói menos. Em tempos em que existir é ser visto, natural que as relações sejam imensas trocas de likes. Me curte que eu te curto, e não se fala mais nisso nem em outras coisas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário