Foi a semana de finalmente dar adeus à redação, junto com um terço dela, que teve que sair por causa da crise financeira da empresa, que acabou gerando o encolhimento do tamanho do produto e, claro, da equipe. Houve injustiças nessa lista e isso também foi difícil de lidar, especialmente com algumas covardias praticadas.
Pessoalmente, eu acho que mais uma vez a vida fez por mim aquilo que eu precisava, mas não tinha coragem. Então, vida que segue, agora sem desculpas, sem cansaços, mas, como nada é perfeito, com incertezas.
Uma das perguntas que me faço agora é se eu quero mesmo continuar ou mudar. Eu sei a resposta, mas aguardo uma confirmação.
No geral, vejo esse momento como uma oportunidade. Mas muitos colegas que foram demitidos estão sentindo que tiveram os sonhos interrompidos, que não valem grande coisa como profissionais. Isso tudo me ensinou muito, especialmente sobre desapego e auto respeito.
O jornalismo faz isso com a gente, mexe com a nossa autoestima frequentemente. Não basta ser competente; espera-se que seja brilhante. E tem que ser o tempo todo, mesmo numa rotina de seis dias por semana e muitos feriados. A gente vive (e é estimulado) se comparando.
Minha experiência em cinco anos de jornalismo impresso: geralmente - não é sempre, mas é comum - os mais "geniais" de uma redação são também os mais "preguiçosos". Produzem bem porque têm tempo, prazo mais longo pra fazer com calma, pra burilar o texto. Claro. Já viu gente exausta sendo criativa? Difícil, né, a não ser que a pessoa seja dona de uma energia fora do comum (ou um ego igualmente grande). Portanto, especialmente com as redações cada vez mais enxutas, há a necessidade de gente com vontade de fazer e disposição para cobrir coisas menos divertidas como buracos, deslizamentos, enfim, a vida real. Não é fácil como parece e nem dá para fazer algo muito criativo. O repórter aparece pouco no hard news. O talento aqui é deixar a história se sobressair, buscar todas as informações, de forma a dar o panorama mais completo possível. Você passa meses e meses cobrindo as mesmas coisas, lidando com fontes de má vontade, fazendo matérias fisicamente exaustivas. Essas pessoas são as que carregam o piano do jornalismo diário e, por isso, deveriam ser mais valorizadas. Mas quase nunca há gratidão pelos operários da primeira hora.
O caso é que esse tipo de ambiente competitivo acaba com a solidariedade entre as pessoas. Traz para os mais destacados a noção de que são estrelas, de que podem fazer o que quiserem, e isso, numa equipe, é ruim, porque sempre desequilibra as responsabilidades, que deveriam ser repartidas igualmente. Aos trabalhadores braçais, deixa a noção de que pouco valem, de que estão no lugar errado, de que não estão fazendo direito.
Esse é um ambiente anti-felicidade. Bem-estar depende do oposto disso. Parem as máquinas: é atrás de satisfação que eu vou correr agora.

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