Loli é uma ginecologista de Caracas. Há algum tempo, ela tentou fazer um trabalho de autoestima com mulheres da periferia da capital venezuelana. Não deu certo. Parafraseando ela, autoestima não é algo que se conserte na idade adulta; é plantada desde cedo, na infância.
E eu acho tão, mas tão injusto quando cobram isso de gente que não teve essa base. Somos nossa própria força, mas precisamos, também, da energia do meio social. É muito difícil bancar uma autoestima sendo invisível. Há casos, mas não podemos esperar que todos sejam excepcionais. Sociedade não é sobre gente fora de série.
Duas colegas minhas tiveram câncer. Ambas foram amadas pelas suas famílias, valorizadas. Mas a amiga A sempre foi o patinho feio e sonhadora. B sempre foi de muitos amigos, independente (a mãe a estimulava e o pai não se opunha), bonita (não do tipo "gata", mas sempre fez boa figura). Uma enterrou os planos depois do câncer. Teve sequelas que realmente dificultam a vida. Parece que parou de querer. A outra toca seus planos apesar do câncer. Teve sequelas, mas lida o melhor possível com isso.
B teve muito mais garra que A. Claro, ela merece todas as palmas, inclusive porque muita gente boa sucumbe na mesma situação que a dela. Porém isso não vem do nada. B teve uma vida livre e feliz. Sofreu dissabores, lutou muito, mas sua experiência, até agora, foi rica. Portanto, sente que vale a pena viver. A vida é uma construção, nada vem do nada. Não dá pra ter uma casa bonita sem alicerces. Não se constrói uma personalidade confiante por decreto. No, No, no...
Nenhum comentário:
Postar um comentário