domingo, 15 de novembro de 2015

I don´t wanna talk about it...

Tempos de conflitos internos é o que ando vivendo essa semana.
Nunca estive tão interessada no que eu e a sociedade temos que melhorar, mas, para "variar", não suporto o ruído que é saber de tanta coisa. Mas já viciei, admito.
É muita gente metendo o bedelho.
Melhor eu cuidar do meu exemplo individual, da vida.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Juntos nem sempre somos melhores

Eu, que sempre gostei de todo mundo junto, estou tomando horror a grupos. HOR-ROR. Assim mesmo, no capslock, de forma gritante.
Contardo Calligaris tem toda razão quando diz que: "Juntos nem sempre somos melhores. Porque é quando estamos juntos que, também, casos como o do índio Galdino acontecem. Separadamente os meninos não teriam feito aquilo".
Não precisa ir muito longe, não.
Na minha sala de pós houve o ingresso de alunos novos. Praticamente são a metade da sala, agora.
Há uma mulher que já chegou chegando. Professora, ela é totalmente desinibida ao falar. E fala muito. E tem certeza que está abalando.
Resultado? Rejeição aos alunos novos. Foi criado, até, um grupo novo no Whatsapp só para os alunos antigos e uma das funções é falar mal dos novos alunos.
De agora em diante, não quero mais saber disso, não. O máximo que eu encaro é grupo de um. Ser humano, de bando, é dor de cabeça na certa.

domingo, 1 de novembro de 2015

A insistência em caminhos que não levam a lugar nenhum


Eu tenho uma teoria, que não é nada de mais, mas muita gente não observa esse sinal: se te dá ânimo é porque está no caminho certo. Eu (ainda) acredito na força que as coisas têm quando elas precisam acontecer.
Semana passada, fiz o Enem. E senti um ânimo só de pensar que poderia estar mudando de rumo na vida.
Ainda vai demorar para sair o resultado, mas, se não precisasse de dinheiro e de pagar a previdência, ia deixar o mercado de trabalho amanhã e voltaria a estudar. Por que demorei tanto tempo?
Por que eu insisto em ficar em contextos que me fazem mal?
Hoje passei muito mal. Uma enxaqueca dos infernos. E eu sei o porquê. E sei também o que tenho que fazer.
Corageeeeem, Juliana!

domingo, 25 de outubro de 2015

Magia do mal

Melhor não chamar de magia negra, né, embora o negro, nesse sentido, seja a ausência de luz.
Vocês acreditam nisso? Nunca saberemos, assim como sempre haverá dúvidas sobre as previsões para o futuro, reencarnação, etc. Nesse caso específico, prefiro achar que não funciona, mas, no fundo, eu acredito que sim. "No creo en las brujas. Pero que las hay, las hay".
Outro dia, conversa vai, conversa vem, sobre espiritualidade, família, relacionamentos, coisas da vida, uma amiga recente, que está se separando do marido - no duro mesmo, porque, da parte dela, não tem mais volta -, me confidenciou que disseram a ela que houve feitiço para separar o casal, no centro espírita que ela frequenta. E ainda deram um puxão de orelha nela, que ficou espantada pelo espírito saber dessa história: "Mas por que você tinha que comer aquele bombom, hein?".
Meses antes, o até então marido havia chegado em casa com uma caixa de bombons. Contou uma meia verdade e disse que uma colega do trabalho havia feito a gentileza, sem mencionar, claro, que estava tendo um caso com ela. Como intuição não é bobagem, a esposa ficou zangada com o ato da outra, mas, como chocolate também não é, acabou degustando um. Semanas depois, o marido abriu o jogo. Ela ficou arrasada e, como toda pessoa pega com calças curtas, tentou remendar, mas não rolou.
Enfim, caros amigos, é ou não é de arrepiar?


sábado, 17 de outubro de 2015

Autoestima

Loli é uma ginecologista de Caracas. Há algum tempo, ela tentou fazer um trabalho de autoestima com mulheres da periferia da capital venezuelana. Não deu certo. Parafraseando ela, autoestima não é algo que se conserte na idade adulta; é plantada desde cedo, na infância.
E eu acho tão, mas tão injusto quando cobram isso de gente que não teve essa base. Somos nossa própria força, mas precisamos, também, da energia do meio social. É muito difícil bancar uma autoestima sendo invisível. Há casos, mas não podemos esperar que todos sejam excepcionais. Sociedade não é sobre gente fora de série.

Duas colegas minhas tiveram câncer. Ambas foram amadas pelas suas famílias, valorizadas. Mas a amiga A sempre foi o patinho feio e sonhadora. B sempre foi de muitos amigos, independente (a mãe a estimulava e o pai não se opunha), bonita (não do tipo "gata", mas sempre fez boa figura). Uma enterrou os planos depois do câncer. Teve sequelas que realmente dificultam a vida. Parece que parou de querer. A outra toca seus planos apesar do câncer. Teve sequelas, mas lida o melhor possível com isso.
B teve muito mais garra que A. Claro, ela merece todas as palmas, inclusive porque muita gente boa sucumbe na mesma situação que a dela. Porém isso não vem do nada. B teve uma vida livre e feliz. Sofreu dissabores, lutou muito, mas sua experiência, até agora, foi rica.  Portanto, sente que vale a pena viver. A vida é uma construção, nada vem do nada. Não dá pra ter uma casa bonita sem alicerces. Não se constrói uma personalidade confiante por decreto. No, No, no...

Salvador Destination´s Spirit

Esse post não é para falar sobre a polêmica propaganda do Salvador Destination. Vou aproveitar o gancho para discutir o nosso espírito de SD.

Sim, porque assim como a propaganda se voltou a um público de elite, assim somos nós. Pelo menos no meio da Comunicação.

"Se tudo fosse natural sob esse sol, formiga encheria bola de soprar".

Quem disse isso foi o Jean Wyllys. Uma pessoa boa, bem intencionada, mas que vive em grande medida para mostrar e ostentar. É sobre isso que eu quero falar.

Eu estou cansada de ver as pessoas do meu meio, nas redes sociais, tirando fotos com pessoas conhecidas, em lugares sonhados por muitos, destilando "competência" e "influência". Isso não é apenas um registro. É uma distinção. "Olha quem eu conheço". "Olha onde eu circulo".
Jornalistas não são amigos de qualquer um. Tem que "agregar ao camarote". Jornalista de veículo não anda com assessor, pode reparar. E eles ficam trocando elogios entre si. Se for homem-brodão, melhor. Se for estiloso, melhor. Se tiver dinheiro, melhor. E se for famoso no mercado, pode rolar até beijo na boca.

Poucos, nesse meio, não são deslumbrados com essas coisas. Ninguém aprecia ninguém pelas qualidades. Via isso desde a faculdade.

Mas esses são os mais preocupados com os elitismos.

Vai entender... O ser humano é mesmo contraditório.

Na pós, convivendo com pessoas de outras áreas, vejo como isso pode ser bem mais ameno.

E eu até me impressiono por ser ouvida com atenção mesmo quando eu não digo nada brilhante.

Essa experiência vem me ensinando. Que tal ser mais aberta ao outro, seja lá quem ele for? Eu até tenho facilidade pra isso, mas ainda dependo da conexão afetiva. Espero, em breve, me aprimorar.

sábado, 10 de outubro de 2015

Cadê o espelho, binhxs?!

Camila é uma pessoa que eu chamo de "conectada". Sabe quando a pessoa vive uma vida alinhada com a sua essência? Eu acho que ela está nesse caminho. Mas o que mais aprecio nela é a capacidade de falar as coisas que ninguém admite - ao menos em voz alta. Eu também sou assim, mas ela é bem melhor nisso do que eu porque consegue dizer com naturalidade. Eu me incomodo de estar incomodando e daí quase sempre acabo subindo o tom. Enfim, deixa pra lá...
Ela, outro dia, fez uma observação que eu achei excelente: "As pessoas falam de defeitos como se aquilo não fosse com elas, como se elas não sentissem coisas ruins também". Bingo, Camilinha! Lógico que há pessoas e pessoas. Uns estão mais avançados espiritualmente que outros, mas há esgotos em todas as casas. Nem o Dalai Lama andou escapando disso (http://www.brasilpost.com.br/2015/09/23/dalai-lama-mulher_n_8184878.html)...
E isso é tão burro, tão infantil. Quanto mais você esconde, mais vulnerável fica. Ok, não precisa gritar para o mundo, até porque haverá quem vai usar essa informação para o mal. Isso também é muito perverso: quem se revela é atacado, diminuído. Ouse dizer que não está feliz pra ver uma coisa. Mas quero ver quem sai da tristeza para a alegria sem ter admitido que estava insatisfeito. É humano, gente. Helloooo!
Admita para si mesmo, ao menos. Até pra poder trabalhar isso dentro de você, para poder saber os seus limites e não ser pego de surpresa por eles.
Vá para o espelho, tire a roupa e se encare como é. Só não se traumatize, que não é o caso. Eu recomendo.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Qual é a paz que eu não quero conservar pra tentar ser feliz?

O mal de quem está em uma militância é querer apagar as diferenças. Elas existem e é impossível eliminá-las. Um organismo feminino, por exemplo, nunca funcionará como o masculino. Qual é a briga que vale a pena, afinal?
É garantir que todos tenham representação, participação política e direitos.
Por exemplo, a questão do corpo obeso. Nada vai fazer com que a maioria das pessoas vejam um corpo obeso como ideal de beleza. Assim como um corpo excessivamente magro vai causar rejeição do ponto de vista estético. Mas qual é o lance? É garantir que essa fatia da população esteja à vontade para se mostrar e que tenham, também, a sua representatividade na cultura porque, afinal, elas existem. Porque, até agora, há todo um esforço para que sejam invisíveis. Quando não são agredidas na esfera pública.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Meu lema de vida

"Eu não quero ser lembrada por ninguém. Quero é viver".

A frase é da atriz Drica Moraes. E é minha. Poderia ter saído da minha boca, sem dúvida.

Provavelmente isso foi efeito do câncer que ela teve. E foi um câncer de uma pessoa relativamente próxima que me fez perceber, enfim, a presença da morte.

Enquanto estiver aqui, meu maior objetivo será viver bem. Não tenho ideia de como. Mas "não vou brigar com o que me faz bem", como disse minha amiga, heroína do dia a dia, dona dessa linda frase.

Covardia

O ser humano tende a ser muito covarde, consigo e com os outros.
Na hora de atacar, por exemplo: raramente ele vai em quem deveria. Opta geralmente por um alvo fraco, que não tenha poder para se defender ou com quem não possa lucrar. Muita gente "boa" comete essa covardia, inclusive com quem lhe tem estima. Mas falaremos disso na parte II desse texto.

Esse tipo de covardia é comum no mundo material, onde as aparências têm um apelo inegável. Mas as pessoas esquecem que existe uma outra esfera, invisível, espiritual, se assim preferir chamar.
Lá a lógica é outra. Depende do que você fez e faz. Da pessoa que você é e dos valores que cultiva. Todo mundo tem os seus protetores. "Então não mexe comigo que eu não ando só" não é coisa dita da boca pra fora. Não mexe mesmo porque ninguém anda só.
Eu nunca tive religião ou participei de rituais pra conseguir o que quer que seja, mas quem me fez injustiça sempre se deu mal mais na frente. E sem eu precisar mover uma palha, o que é melhor (porque tudo que você faz fica um pouco contigo também). Eu apenas seguro a minha raiva, olho e penso: "Deus tá vendo!... E eu só lhe observo...". Mais tarde, a vida sempre aponta quem tem razão. É batata!

PARTE II
"Romper ou não romper?...".
Para mim sempre foi difícil, mesmo quando não estou aguentando mais. Porque sempre tem algo bom e, mesmo quando isso já acontece pouco, existe um passado.
Primeiro porque fica o medo de estar sendo injusto, de estar exagerando nas sensações.
Segundo, que sempre vai ter a turma do "deixa disso", que vai querer te amansar dizendo que a criatura que pisou na bola gosta de você.
Terceiro, porque você gosta da criatura e quer acreditar nas duas mentiras anteriores.
Minha experiência diz que quem chuta o balde da consideração não gosta - ao menos não tanto quanto antigamente. E uma hora isso virá à tona trazendo conflitos sérios. Evitar é apenas adiar.
Sabe aquela patada que, quando você percebe, já deu e te dá ressaca moral? Sério indício de que o respeito (e a estima) se perdeu em algum ponto do caminho. Não se engane: o conflito vai surgir, essa bomba vai explodir. Deixe de covardia. Faça o que tem que fazer.
Quem gosta pode até errar, pisar na bola, mas vai te valorizar de alguma forma. Você vai se sentir amado. That´s the question.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Beleza pura

Tem gente que não é nada de mais,  não - embora haja sempre quem ponha maldade nas coisas. Apenas beleza. Tem gente que é bacana de olhar, que tem uma aparência gostosa que, às vezes, chega a salvar o dia.
A beleza tem o seu lugar, não vamos mentir. Ela desperta um carinho. Mas às vezes isso é tudo e é bom apenas por ser assim.

Pedro Paulo ou a inesperada virtude da ignorância

Pedro Paulo é amigo de um amigo. De cara, adorei ele. Ar de gente boa, cara bonita (isso é assunto para outro post...), tranquilinho. Tem alma de cachorro, é afável com todo mundo. Um fofo, como se diz. Quem nos apresentou é o oposto disso, ligado no 220 w, desesperado, crítico. Amigos de infância que se adoram, mas não têm nada a ver.
É engraçado quando os dois começam a interagir, beira o patético em algumas situações.
Sabe aquela coisa que eu já disse aqui, de que tem gente que terá uma vida linda contanto que nunca tenha certas epifanias? É ele. E, segundo o meu amigo, isso é de família; Pedro Paulo e o irmão são assim desde crianças, o que o intriga ainda mais.
Ele tenta desafiar o bichinho a ter senso crítico de todas as formas, mas não consegue provocar nem um suspiro de cansaço, nem uma ruga de expressão. Pedro Paulo continua lá, na dele, uma folha em branco.
O amigo tenta convencê-lo de que a vida o maltrata, como a todos nós. Que ele passou um tempão trabalhando sem carteira assinada e ainda hoje ganha mal, precisando frilar nas folgas semanais. Que ele nunca vai a lugar nenhum que não seja o Capão. Que ele não come coisas boas. Que morar perto do trabalho e morar na casa da avó não são motivos para ele estar tão satisfeito com a vida.
Aliás, tenho que admitir: uma coisa boa nisso tudo é que ele é a única pessoa que, ao me ouvir reclamando da vida, não tenta competir comigo. E mais: ele ainda ratifica que a vida dele é boa, sem cinismo ou maldade. Pedro Paulo não tem essa complexidade.
No final da história, tudo fica como antes no quartel de abrantes. Se alguém fica abalado é o meu amigo, que, claro, tem ressaca moral de ter abusado tanto o outro a troco de nada. Ele diz: "É, não tem jeito. Então é melhor que ele nem acorde mais e morra assim".
Amém.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

"A vida não é um filme. Você não entendeu..."

Eu sempre tive dificuldade para realmente perceber que a vida é comigo e não uma ficção. No fundo, bem lá no fundo, eu ainda espero que alguém me acorde e me diga que isso não aconteceu, que isso não é a minha vida. Eu ainda acho que vai ser possível, um dia, entrar na máquina do tempo e reviver.
Ainda acho que isso tudo aqui é ilusão. Que eu sou uma extraterrestre perdida no corpo de uma terráquea. Que eu nunca fui humana antes e pertencia a um grupo de amebas. Que estou no mundo de Matrix.
É um problema de existir mesmo, acima de qualquer coisa.
Vejamos.
Desde que eu tinha uns cinco anos, tenho pensamentos estranhos. 
Eu nunca entendi porque eu tinha que ser Juliana. Eu nem sou exclusivamente Juliana. Muita gente, muita mesmo, tem o meu nome. Por que obedecer a ele, sempre? Eu não entendia por que não ser às vezes Carol, Fernanda ou Mariana.
Eu também tenho muita dificuldade de aceitar a incompletude das coisas. Como boa lua em fogo, se falta um pedaço, falta tudo e eu não quero mais, não. Quando eu tinha cinco anos, o sapato de um dos pés da minha Susi caiu dentro de um capô de carro. A boneca acabou, ali, pra mim. Não dá pra brincar com uma boneca descalça. Falta algo. O sapato. A inteireza. 
Eu quase nunca lembro dos eventos de uma perspectiva minha. Sei do que aconteceu com todo mundo, menos comigo. É que as coisas são tão aleatórias ou empurradas (ou mesmo rápidas quando são boas), que eu quero apenas que elas passem pra eu poder voltar para casa. Viver cansa. Estar rodeada de gente é bom, mas trabalhoso, ainda mais pra quem tem pouca energia e mente dispersa. Focar e produzir. Arre!... Só curto depois de pronto. Raramente o processo não é um sofrimento.
O que será que vai comigo dessa existência? Sinceramente, não sei. Há dez anos, a minha infância era muito presente. Mas, descobri num grupo de ex-colegas de escola, que isso já não me diz mais nada - eles que não me ouçam, mas é, mesmo, como se fosse uma lembrança de outra vida.
Minha nova infância são os meus dois primeiros anos na faculdade. Porque, de fato, minha vida começou na "adultescência". Eu sei por quê. Além da liberdade - que veio casada com a independência financeira -, teve a descoberta de gente que era como eu; o aprendizado acelerado de um monte de coisas, as descobertas de mundos que eu mal conhecia; o desenvolvimento pessoal. Foi intenso como nunca mais ocorreu na vida.
Naquela época, poderia contar o meu futuro e ele parecia um filme. A seguir, cenas dos próximos capítulos...

domingo, 2 de agosto de 2015

Dependência

Por coincidência, assisti a dois filmes que tocam no tema "dignidade diante da doença", nesse final de semana:"Para sempre Alice" e "Mar adentro".
O primeiro é mais dramático; o segundo é mais leve, mas produz excelentes reflexões. Que diálogos! Fora o carisma do elenco espanhol.
O protagonista, Ramon Sampedro, diz algo que eu nunca tinha pensando, apesar de ser bastante óbvio: "Quando a gente depende dos outros para tudo, perde a privacidade". Não é só o brio que vai pro espaço, mas o direito de ficar a sós. Tão precioso!...
Deus do céu, já não era tempo de haver cura para essas coisas? Tomara que não tarde a acontecer.

sábado, 1 de agosto de 2015

Qual o limite do humor?

Muita gente, eu me lembro, se queixava de Joan Rivers, a famosa crítica do tapete vermelho. Não havia meio termo: ou você era fã do humor mordaz dela ou achava a mulher uma bruxa insensível.
Ok, expor as pessoas ao ridículo é cruel, mas, na boa, dizer que quem é lindo, bem sucedido e às vezes até está na festa para receber um prêmio se vestiu mal, está brega, não tem o poder de causar lá grandes prejuízos à figura. Se isso acontece, é mais um caso de ir ao psicólogo que à Justiça, a meu ver. Além do mais, essas pessoas ou exageram, querendo chamar a atenção, ou são displicentes quando têm, à disposição, toda uma indústria, em torno de si, querendo ajudá-los com a aparência. É um jeito nada educado de passar uma informação, mas, convenhamos, se a celebridade tiver um pouco de senso crítico, vai poder aprender com aquilo, quer assimilando ou se posicionando.  
Outra coisa é tirar sarro de uma catadora de lixo, tão vulnerável socialmente, tão agredida na autoestima.  

Enfim, pra mim, o limite é não fazer críticas gratuitas, sem sentido, muito menos para chutar cachorro morto.

Agora, humor é que nem sexo: pra valer, nunca vai ser limpinho. Desistam dessa ideia.

Os discursos necessários

Um ser humano, por mais libertário, raramente não vai ter seus estranhamentos. É normal. Todos viemos de um recorte social.
Estou numa fase em que, apesar de não lutar contra os meus estranhamentos, eu quero apoiar quem é estranho. Por mais que me desagrade, algumas bizarrices são necessárias para que todos comecem a se acostumar com a diversidade. 
E acho que nem todo discurso hipócrita deve ser combatido. Explico. Por exemplo, nosso ex-professor WG não é aquela criatura justa e amável do Facebook. Não mesmo! Qualquer um que tenha sido aluno dele por um mês sabe que ele é preconceituoso e elitista. Mas o discurso dele nas redes sociais, ainda que hipócrita, tem sido muito importante. É um discurso liberal, de aceitação da diversidade, democrático. É uma falsidade do bem. Ele ganha muito com isso, obviamente, mas, inegavelmente, produz um bem ao botar um pouco de luz na cabeça de quem acredita que ele é assim mesmo. 
A mesma coisa penso do Jean Wyllys. Se bem que sinto que ele, apesar de elitista e deslumbrado, tem uma essência amorosa, se importa de verdade. Ele está tendo o seu momento "Super Xuxa Contra o Baixo Astral", mas tem feito a diferença na luta das minorias.

Enfim, babies, há situações em que "mentiras sinceras" super interessam.

A Mulher Cordial

Quando estiver na vibe do mestrado, vou propor uma dissertação que vai se chamar "A Mulher Cordial".
A sociedade espera, elas não se posicionam. Quando isso vai mudar? A quem interessa manter? Que síndrome de Estocolmo dos infernos é essa?
Não precisa ser uma Miley Cyrus, não, para chocar. Basta não ser "delicada". Basta não ser "compreensiva". Basta ser direta. E todos vão te criticar, te garanto. 
Eu até entenderia se o mesmo valesse para os homens. Mas não é assim. Faça você, mulher, uma piada e faça um homem. A aceitação vai ser completamente diferente. Eles podem. Você que fique confinada na sua caixa de boneca de porcelana. 
Eu me lembro, ainda, da primeira vergonha que eu fiz minha mãe passar. Mas por culpa dela, que quis bancar a caridosa às minhas custas. Eu tinha cinco anos e estava em uma festa de aniversário em uma chácara. Teve uma corrida, eu venci e ganhei um porco de plástico verde, com uma nota de R$ 5 dentro. Ela queria que eu devolvesse o prêmio porque as outras crianças eram menores que eu. Me recusei, disse que o porco era meu, que eu era a vencedora. Ela insistiu, querendo me forçar a ser "boazinha". A mãe da dona da festa interveio - não sei se por reconhecer a minha razão ou para evitar o constrangimento -, dizendo a minha mãe que me deixasse, que eu havia ganho a corrida e o prêmio era meu. 
A mulher tem que ser sempre enquadrada, desde pequena. "Não reclame". "Seja delicada". "Ceda sempre, sem se importar".
Mas e se eu for uma boa pessoa, solidária, afetuosa, etc, eu me torno uma criatura ruim por defender os meus direitos e a minha individualidade? Desculpe, não é a minha natureza e, na boa, eu não quero ser assim. Por que se ater nisso em detrimento das qualidades? 
Por exemplo, eu acho que ninguém tem que aturar infinitamente gente folgada. Por que eu tenho que ter paciência, consideração sem fim, delicadeza com quem não se importa se está me abusando ou não? Se a pessoa não quer parar de ser sem noção, se ela não me enxerga e não se importa comigo, ela tem que assumir, pelo menos, o risco de levar uma cortada uma hora dessas. Das vezes em que fui cara de pau, sabia o que poderia vir e, quando veio, aguentei firme. Afinal, o tamanho do saco da paciência varia conforme o dia. Por muito menos os homens jogam logo um "Porra" na cara da criatura e ninguém diz um "Ai". Mulheres não precisam ser santas. Tá na hora de assumir nossa carne e nosso sangue.
Isso não é apenas uma impressão minha. Saindo da esfera privada para a pública, infelizmente, o mercado de trabalho tem demonstrado que conhece muito bem essa realidade e vem trocando, em seus setores mais em crise, homens por mulheres. Girl Power? Sabe de nada, inocente...
Uma amiga estava lembrando, ontem, da ex-diretora do NY Times, que foi demitida após ter descoberto que o seu antecessor, do sexo masculino, ganhava muito mais, o que a fez pedir por paridade salarial. Ainda nos querem, nesses cargos, para Rainha da Inglaterra, aquela figura elegante que não apita nada, realmente.
As empresas fazem isso porque, mesmo pagando 30% menos às chefes mulheres, elas vão se sentir muito agradecidas e vão se portar como cães de guarda do patrão, morrendo de medo de perderem o emprego.
Eu já disse que odeio chefia feminina e é por causa disso. Elas não fazem o que é possível, não são objetivas como os homens, não defendem a equipe, não se seguram nas próprias pernas. O diretor da empresa dá uma ordem absurda e elas vão sacrificar o que for para mostrar serviço. Depois, arrependidas de terem agido como megeras com os subalternos, vêm puxar o saco. É patético. 
Isso acontece porque elas são incapazes de se posicionarem diante de uma ordem maluca, são incapazes de defenderem as suas equipes. Agem como mães que acham que podem tudo com os filhos e não querem tomar bronca do marido exigente. A diretoria sabe que botão apertar, nessas horas, e leva para a chantagem emocional. Dizer a uma mulher que ela "não consegue", "não se comprometeu", enfim, que ela "não serve para nada", é a reprodução das relações abusivas dos casamentos dos anos 50 no mundo do trabalho do século 21.
Duas cenas bem simbólicas disso aconteceram na empresa onde trabalho no espaço de uma semana. A hierarquia de um jornal é assim: repórteres - editores - editores coordenadores - secretários de redação - diretor de redação - diretor geral. Guarde isso, que é para vocês sentirem, a seguir, o drama.
1) Situação: fechamento da edição de domingo, sábado, uns 20 minutos antes das 14 h - esse é o horário limite para descer a edição. O pessoal do Comercial liga para o secretário de redação dizendo que vai entrar um anúncio. Ele se recusa a fazer a inserção, afinal, além de um tremendo desrespeito à Redação, isso vai atrapalhar todo o fluxo da edição. Quando a gente atrasa, o pessoal do Industrial logo começa a dar piti. É um inferno. A pessoa do Comercial ameaça dizendo: "Você vai se responsabilizar por isso?". Ele responde que não vai ceder. Fim de papo.
2) Situação: o RH da empresa faz uma série de descontos indevidos aos funcionários que batem ponto na Redação. Alguns descontos beiram R$ 1 mil, então as pessoas ficam revoltadas, até porque vai demorar até serem ressarcidas. Alguns repórteres se pronunciam pelo bate-papo interno, reclamando dos abusos. A diretora de redação não faz nenhum pronunciamento nem toma qualquer providência em prol dos funcionários.  No dia seguinte, acontece a assembleia dos jornalistas. Diretora e secretária de redação "desaparecem" da Redação, como não costumam fazer naquele horário do dia. Que "coincidência", né?. Dois dias antes, aliás, a diretora faz terrorismo com os editores coordenadores por conta de problemas nos pontos das equipes. Uma delas, aliás, repassa o terror, com todas as tintas, a uma repórter menos prestigiada, que saiu chocada com essa postura da figura. Em tempo: todo mundo dá a sua produção, certinha, sem prejuízo ao jornal - muito pelo contrário. Mas as chefes são incapazes de bater o pé, nesse ponto de vista, com o RH. Mais fácil aterrorizar - e desestimular - a equipe.  Agora leve um bolo ou comidinhas para a mesa central da Redação para ver se essas duas não aparecem, no ato, para ajudar a servir e botar fotinhas fofas da equipe no Facebook. As Rainhas da Inglaterra (sou mais a Rainha Má). Vergonha alheia define.
A que preço, né, meus caros? Não basta agir da melhor forma possível, se esforçar. Tem que sangrar, descer, se encolher, ceder até a última gota de sangue.
E elas se submetem porque não suportam desagradar. Mulher não é criada, ainda hoje, para se autoafirmar, mas para agradar. Meu viva às insurgentes! Se der, ainda nessa vida, vou escrever sobre vocês.

É muita filosofia e arte na catraca

Por problemas da própria cidade, não ando fazendo segredo que desejo muito parar de andar de ônibus. É demora, é perigo de roubo, é lotação, leva uma vida para chegar até o destino, enfim, um inferno. Fora isso, para quem pega no mínimo 12 vezes por semana, como eu, cansa, às vezes, a convivência. Há de todos os tipos e, a depender do seu nível de cansaço, a paciência fica curta com gente que berra, que empurra, que toma descaradamente o lugar dos idosos, etc.
Mas coisas engraçadas também acontecem nesse espaço. É inegável que uma das formas de saber o que se passa em Salvador é através do transporte público (mas, na boa, só vou voltar a curtir quando for metrô).
Outro dia, o cobrador batia boca com uma velhinha que, mesmo com a frente, destinada aos idosos, lotada, queria ficar lá, em pé. Ele forçou a barra e ela passou a catraca. Depois, como que prevendo a crítica de alguns passageiros, falou: "Na hora em que ela caísse, a população ia querer linchar o motorista, o cobrador. Em Salvador é assim". 
Mas o sujeito gostava mesmo era de pirraçar. Minutos depois, ele estava falando com o motorista que sogra é uma criatura que não nasceu pra ser boa. A mesma velhinha, ainda injuriada por ter sido contrariada, começou a rebater a crítica, dizendo que muitas sogras faziam pelos netos o que "os homens safados" não faziam por seus filhos. E ele continuou pirraçando a criatura até ela descer do coletivo.
Artistas
Há algumas relações menos belicosas, mais artísticas. Outro dia, enquanto ia para o médico, duas garotas, com as caras pintadas e um caixote cada uma, entraram pela porta do meio. Elas começaram a cantar. Pareciam os bichinhos daquele filme "Alvim e os Esquilos". Brincadeira. Elas eram afinadinhas. Cantaram, cantaram, a galera aplaudiu. Elas contaram que vieram de Córdoba, Argentina, e estão rodando a América Latina há dois anos. Por fim, agradeceram muito, sentindo-se sinceramente consagradas dentro daquele coletivo. Não deixaram o motorista de fora, foram super gratas a ele, que retribuiu: "Voltem sempre, minhas lindas!".
O povo é doido, definitivamente.

terça-feira, 28 de julho de 2015

O drama de (não) pertencer

Arranjei problema pra mim. Mais precisamente há quatro horas atrás, quando, por acaso, passava na televisão "Divergente", filme inspirado no primeiro livro da trilogia da americana Veronica Roth - a miserável só tem 27 anos.
Já tinha ouvido falar do filme, mas deixei pra lá achando que se tratava de mais um "Jogos Vorazes", que eu vi e achei mó sem graça.
O que me pegou no filme foi o lado filosófico do seu argumento. Take a look:

Numa Chicago futurista, a sociedade se divide em cinco facções – Abnegação, Amizade, Audácia, Franqueza e Erudição – e não pertencer a nenhuma facção é como ser invisível. Beatrice cresceu na Abnegação, mas o teste de aptidão por que passam todos os jovens aos 16 anos, numa grande cerimônia de iniciação que determina a que grupo querem se unir para passar o resto de suas vidas, revela que ela é, na verdade, uma divergente, não respondendo às simulações conforme o previsto.
A jovem deve então decidir entre ficar com sua família ou ser quem ela realmente é.
E acaba fazendo uma escolha que surpreende a todos, inclusive a ela mesma, e que terá desdobramentos sobre sua vida, seu coração e até mesmo sobre a sociedade supostamente ideal em que vive.

Eu fiquei refletindo, claro, sobre qual facção seria a minha. Definitivamente, não seria vizinha de Beatrice na Audácia, apesar de detestar certo tipo de covardia. Sabe como é, sou que nem aquela música do Belchior, quando morre um medo, vou buscar outro lá no Piauí. (Meu medo se chama bom senso e, por ser tão benéfico muitas vezes, tá difícil de abandonar o lado B disso.)
A Abnegação ficaria em quarto. Eu até sou boa em dar, mas também quero receber. A Erudição viria em terceiro - na verdade, estou confusa porque a Abnegação também poderia estar nessa posição. Gosto de aprender, mas geralmente muita cultura tem a ver com uma certa perversidade e egoísmo. E, no fundo, não acredito que isso faça alguém melhor do que os demais. Adoraria a Amizade e tenho aptidão para isso, mas um quê de agressividade em mim talvez me fizesse inadequada. Não estaria disposta a me anular em prol do grupo. Teria que checar o "ponto de corte" dessa turma. Acabaria, acho, me ajustando melhor à Franqueza.
O drama inicial de Beatrice é o drama de todos nós ao entramos na vida adulta: deixar coisas que amamos para trás em prol do cumprimento da nossa jornada. Ser diferente do nosso grupo de origem cria uma distância insuperável mesmo, que o amor não é suficiente para derrubar. Aliás, ao contrário do que cantam por aí, o amor não é suficiente para um monte de coisas na vida, ele sozinho.
Depois, existe ainda o problema de pertencer a dois mundos e não ser reconhecido por nenhum deles direito. De fato, o problema dela é mais profundo: como divergente, ela poderia estar em qualquer facção; não é naturalmente pertencente a nenhuma. Beatrice apenas escolheu a Audácia por ser o oposto do que vivenciou na Abnegação, acredito. É um drama bem contemporâneo o dela, e nisso a autora foi muito feliz. Num mundo globalizado, como o atual, transitar sobre diversas identidades é confuso e angustiante, sem dúvida. As pessoas têm medo de você quando não é possível te encaixar numa definição.
E, há, ao final de tudo isso, a pergunta para a qual não há resposta 100% satisfatória: Por que o mundo é tão problemático assim? Acho que a autora, provavelmente, concordaria que o problema é a falta de respeito pela diferença, por aquilo que, por conta da nossa própria natureza, não conseguiremos nunca apreender e aceitar, de fato, e, portanto, conviver. Frequentemente achamos que a dignidade está no nosso jeito de viver, apenas.
Mas o mundo divergente cansa muito, viu? Não me agradou a ideia de rivalidade entre as facções, mas penso que adoraria viver num distrito de gente com a mesma índole que a minha, onde o ladrão não pudesse me encontrar (risos).

Enfim, vou ter que ler essa série. Já vi tudo.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

O sentimentalismo nosso de cada dia

Há umas duas semanas, o professor Albergaria faleceu. Tudo indica que foi suicídio. Uma amiga em comum ficou p. da vida com a versão do Correio da Bahia de que ele era depressivo. Amigos negam isso veementemente. Ele apenas quis dar fim a um sofrimento para o qual não via saída - embora a tivesse buscado bastante.
A morte é uma merda, mais para quem fica do que para quem vai, eu suspeito. Mas é perfeitamente compreensível que alguém que sofre e não vê sentido em levar uma vida indigna, dê fim ao seu sofrimento. Continuar só por continuar? É masoquismo. Mas, como disse uma amiga em comum, só gente muito inteligente entende esse tipo de decisão; o mundo, hipocritamente sentimental, não está preparado ainda.