Pedro Paulo é amigo de um amigo. De cara, adorei ele. Ar de gente boa, cara bonita (isso é assunto para outro post...), tranquilinho. Tem alma de cachorro, é afável com todo mundo. Um fofo, como se diz. Quem nos apresentou é o oposto disso, ligado no 220 w, desesperado, crítico. Amigos de infância que se adoram, mas não têm nada a ver.
É engraçado quando os dois começam a interagir, beira o patético em algumas situações.
Sabe aquela coisa que eu já disse aqui, de que tem gente que terá uma vida linda contanto que nunca tenha certas epifanias? É ele. E, segundo o meu amigo, isso é de família; Pedro Paulo e o irmão são assim desde crianças, o que o intriga ainda mais.
Ele tenta desafiar o bichinho a ter senso crítico de todas as formas, mas não consegue provocar nem um suspiro de cansaço, nem uma ruga de expressão. Pedro Paulo continua lá, na dele, uma folha em branco.
O amigo tenta convencê-lo de que a vida o maltrata, como a todos nós. Que ele passou um tempão trabalhando sem carteira assinada e ainda hoje ganha mal, precisando frilar nas folgas semanais. Que ele nunca vai a lugar nenhum que não seja o Capão. Que ele não come coisas boas. Que morar perto do trabalho e morar na casa da avó não são motivos para ele estar tão satisfeito com a vida.
Aliás, tenho que admitir: uma coisa boa nisso tudo é que ele é a única pessoa que, ao me ouvir reclamando da vida, não tenta competir comigo. E mais: ele ainda ratifica que a vida dele é boa, sem cinismo ou maldade. Pedro Paulo não tem essa complexidade.
No final da história, tudo fica como antes no quartel de abrantes. Se alguém fica abalado é o meu amigo, que, claro, tem ressaca moral de ter abusado tanto o outro a troco de nada. Ele diz: "É, não tem jeito. Então é melhor que ele nem acorde mais e morra assim".
Amém.
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