Eu sempre tive dificuldade para realmente perceber que a vida é comigo e não uma ficção. No fundo, bem lá no fundo, eu ainda espero que alguém me acorde e me diga que isso não aconteceu, que isso não é a minha vida. Eu ainda acho que vai ser possível, um dia, entrar na máquina do tempo e reviver.
Ainda acho que isso tudo aqui é ilusão. Que eu sou uma extraterrestre perdida no corpo de uma terráquea. Que eu nunca fui humana antes e pertencia a um grupo de amebas. Que estou no mundo de Matrix.
É um problema de existir mesmo, acima de qualquer coisa.
É um problema de existir mesmo, acima de qualquer coisa.
Vejamos.
Desde que eu tinha uns cinco anos, tenho pensamentos estranhos.
Eu nunca entendi porque eu tinha que ser Juliana. Eu nem sou exclusivamente Juliana. Muita gente, muita mesmo, tem o meu nome. Por que obedecer a ele, sempre? Eu não entendia por que não ser às vezes Carol, Fernanda ou Mariana.
Eu também tenho muita dificuldade de aceitar a incompletude das coisas. Como boa lua em fogo, se falta um pedaço, falta tudo e eu não quero mais, não. Quando eu tinha cinco anos, o sapato de um dos pés da minha Susi caiu dentro de um capô de carro. A boneca acabou, ali, pra mim. Não dá pra brincar com uma boneca descalça. Falta algo. O sapato. A inteireza.
Eu quase nunca lembro dos eventos de uma perspectiva minha. Sei do que aconteceu com todo mundo, menos comigo. É que as coisas são tão aleatórias ou empurradas (ou mesmo rápidas quando são boas), que eu quero apenas que elas passem pra eu poder voltar para casa. Viver cansa. Estar rodeada de gente é bom, mas trabalhoso, ainda mais pra quem tem pouca energia e mente dispersa. Focar e produzir. Arre!... Só curto depois de pronto. Raramente o processo não é um sofrimento.
O que será que vai comigo dessa existência? Sinceramente, não sei. Há dez anos, a minha infância era muito presente. Mas, descobri num grupo de ex-colegas de escola, que isso já não me diz mais nada - eles que não me ouçam, mas é, mesmo, como se fosse uma lembrança de outra vida.
Minha nova infância são os meus dois primeiros anos na faculdade. Porque, de fato, minha vida começou na "adultescência". Eu sei por quê. Além da liberdade - que veio casada com a independência financeira -, teve a descoberta de gente que era como eu; o aprendizado acelerado de um monte de coisas, as descobertas de mundos que eu mal conhecia; o desenvolvimento pessoal. Foi intenso como nunca mais ocorreu na vida.
Minha nova infância são os meus dois primeiros anos na faculdade. Porque, de fato, minha vida começou na "adultescência". Eu sei por quê. Além da liberdade - que veio casada com a independência financeira -, teve a descoberta de gente que era como eu; o aprendizado acelerado de um monte de coisas, as descobertas de mundos que eu mal conhecia; o desenvolvimento pessoal. Foi intenso como nunca mais ocorreu na vida.
Naquela época, poderia contar o meu futuro e ele parecia um filme. A seguir, cenas dos próximos capítulos...
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