domingo, 7 de abril de 2013

Autoatendimento

Cada vez mais tenho orado, mas, paradoxalmente, cada vez menos acredito no poder da oração para nos conduzir a um estado externo. Ou talvez eu tenha entendido mal. Explico: dizem que a gente pode conseguir graças por causa da oração. Mas acho que orar só faz isso porque muda o nosso estado interno.
Eu acho que Deus fez o nosso mundo como quem programa um computador: há uma inteligência em torno disso, mas não há um envolvimento. Ação e reação, tudo acontece de forma automática, sem que aquela inteligência nem tome nota da sua existência. Mas que botões apertar (e como?) para fazer o programa funcionar como a gente deseja?

quinta-feira, 28 de março de 2013

Sorteados no amor

A gente cresce achando que todo mundo vai se casar. Mas o casamento nasceu um negócio, por isso abrangia quase todo mundo. Por amor acho mais difícil. É mais fácil eu nunca me casar do que casar com qualquer um. Ou eu acabaria com o pobre ou comigo mesma, o que me levaria a tomar aversão dele de qualquer jeito. Sou mesmo uma rebelde-passiva.
Mas é tão difícil acontecer um encontro de verdade, uma parceria para a vida. Acho 90% dos casais ao meu redor sem graça. Tão frios um com o outro que a impressão dada é que só foram adiante por medo de morrerem sozinhos na madrugada. Um corpo frio ao lado, na cama, para dar socorro no meio da noite. Uma masturbação terceirizada uma vez por semana. Se não houvesse o escuro e o silêncio (e a vergonha social) nunca se juntariam.
Sorte para quem o amor veio. E ainda tem gente que joga o "bilhete premiado" na lixeira.

"Já decidi que o dinheiro não vai pagar a minha paz"

Ninguém notou, mas essa semana eu tirei o jornal A TARDE do meu perfil do Facebook. Nada aconteceu. Apenas quis deixar claro para a sociedade - pode ser só para mim mesma, que é quem interessa - que aquele emprego, embora pague as minhas contas - e eu lhe seja grata por isso -, não me define. Porque sou muito mais do que isso, sabe? Eu sou aquilo que me "cutuca" aonde quer que vá para fazer o melhor; que "conversa" comigo enquanto estou no ônibus; que pede, quase exigindo, para fazer diferente; que reza por alguém que nem sabe disso; ou que, na banda B, deseja que o lerdo da fila do self service engasge com a azeitona. Eu tenho a minha importância e uma movimentação que acontece independentemente das minhas máscaras sociais.
Achou piegas? Mas é fato. Percebo uma tendência das pessoas em transferir o seu valor próprio para o cargo que ocupam (ia dizer dinheiro que ganham e capacidade de consumo, mas nem todos chegam lá, a exemplo de nós, que trabalhamos com jornalismo). Então você pode ser um fracasso na sua vida pessoal, se for famoso em sua área, ninguém vai te dizer nada. Mesmo quem for te questionar, vai fazer invejando. E você, sabendo disso, vai se esconder atrás da sua posição social.

Claro que é bom desenvolver uma habilidade e poder viver dela, ser reconhecido. Nada contra ganhar dinheiro - quero deixar beeem claro. Mas gosto de ter a oportunidade de viver outras experiências, de seguir o meu ritmo, ou seja, de escolher. Sou adulta e, claro, nem tudo que eu quero me convém. Mas que diabos eu faço nessa Terra se nem ao menos luto pelo maior quinhão de dignidade que me é possível?! Já tentei e não rola me "maquinizar".
Ao contrário do que diz Tim Maia, eu nasci para o trabalho. Mas não nasci para sofrer. Eu descobri que a vida é muito mais que vencer.
A gente anda se sacrificando muito por amor à carreira (quiçá por "amor" ao status dela) e principalmente por medo (no fundo é isso). Será que vale a pena?
Cresci achando que valeria, mas já penei tanto nessa área, que a conclusão a que cheguei é que estou em primeiríssimo lugar. Aliás, essa é uma questão interessante: vir em primeiríssimo lugar é mais difícil que qualquer outra coisa. No mercado as regras estão mais ou menos ali. Para "ser" há de se empenhar uma vida inteira em se descobrir. Quem encara a fera? Meia dúzia de doidos.

Um dos segredos do bem viver é ter carinho com a gente mesmo, como de mãe para filho. Se o seu pimpolho não fica bem na escola, sofre bullying, você vai deixa-lo lá só porque é a melhor da cidade? Acho que não. O bem estar dele vem primeiro. Mas muita gente faz isso com o trabalho. Que triste. Acho mesmo. Sacrifício ao nada, como diz Nilton Bonder.
Ser workaholic não é bonito. Assim como poder comer muita porcaria só porque não tem tendência para engordar ou como comprar coisas das quais você não precisa para ter uns trecos "de última geração". A questão é que quase não há mais espaço para ser diferente disso. Você tem que brigar e não só externamente. Os "rounds" mais violentos são internos: se você não se adapta ao esquema máquina, começa a se achar problemático e preguiçoso.

Pois eu quero viver de outro jeito. Quero ser produtiva, mas não amanhecer e anoitecer no trabalho, inclusive aos finais de semana e feriados. Eu quero ter o direito de executar as tarefas no meu próprio ritmo. Afinal, sou uma pessoa e não de ferro. É meu direito ter o meu estilo respeitado; o importante é o resultado e o comprometimento.

Não concordo com o que fazem com o trabalhador brasileiro. Esse esquema não é para mim. Minha vida não é o que acontece antes e depois do trabalho. Essa atividade é que faz parte da minha vida, o que eu faço tem que estar a serviço de quem sou.

domingo, 24 de março de 2013

"Eu fico triste...Alegre!"

Outro dia, conferindo meu backup, me deparei com essas imagens do São João 2008.
50% das fotos são impublicáveis, pois estava com cara de bêbada. Essa foto aí, a primeira, então, tá a cara da decadência. Sabe aquela coisa "bêbado, velocidade 5 - o início da deprê"?! Repare no bico. hahaha

(Vendo essas fotos, gostei de ver como estava bem fisicamente. Bendito pilates! Mas não foi só isso. Nesses dias eu estive feliz. Isso faz taaanta diferença!)

quarta-feira, 20 de março de 2013

Sentimentos fugitivos

Ai, velho, eu tô chegando no limite com esse deslocamento. Isso aqui não me pertence, já mais que deu. Eu quero fugir, trocar de nome, mudar de rosto até. Quem sabe bater a cabeça na pedra e perder a memória. Seria perfeito. Quando eu for, quero esquecer isso aqui. De verdade. Em especial o jornalismo e uma boa parte das pessoas que conheci por causa dele.
Na próxima encarnação, vou botar duas cláusulas, escritas no capslock, na zorra do contrato:
1. Quero viver uma vida estruturada, em que eu não sofra tanto para obter o mínimo;
2. Quero vir entre amigos.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Teologias alternativas

A segunda-feira de Carnaval chegou com o anúncio da renúncia do Papa. Subitamente passei a gostar mais dele que do antecessor. Renunciar é humano. Demasiadamente humano para um homem de mais de 85 anos. Há de ter coragem.
Mas não é a teologia da Igreja que me preocupa. Que o catolicismo fique com quem gosta dele - os católicos. Fico preocupada com a "teologia" da ciência e das leis.
Outro dia falava com uma colega, estagiária, sobre a confiança demasiada que as feministas fizeram as mulheres terem nas leis e no politicamente correto. A moça, inteligente mas muito empolgada ainda com a descoberta do brand new world dos adultos, achou que era uma crítica ao feminismo. De certo modo, sim. É. Mas não quis dizer, claro, que o movimento é uma inutilidade. A questão é que ele comete omissões perigosas. A lei e o politicamente correto não podem tudo contra o instinto. Há gente perversa. E a juventude é muito pouco instruída pelos mais velhos e muito pouco independente para experimentar e aprender enquanto cresce. Ou seja, há uma mistura bombástica de ignorância e despreparo no desenvolvimento das novas gerações.
Quanto à ciência, há um endeusamento dos médicos e cientistas. E isso nos deixa à mercê de pesquisas patrocinadas por interesses escusos. Deixa-nos, também, nas mãos de médicos cada vez mais medrosos de dar o diagnóstico errado e confiantes demais nos prognósticos.
Essa teologia da razão é mais assustadora que a da fé. Dessa última, pelo menos, naturalmente a gente desconfia.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Sobrinhos

Moça, se alguém disser que você corre o risco de ficar pra titia, sorria e diga "amém". Ô coisa boa!... Se eu pudesse, encomendava uns 10 sobrinhos.
Como tive o azar de não ter irmãs parideiras, estou arrecadando pimpolhos de amigos, ao redor do mundo inclusive.
Esse da foto é Corentin, ou Titou, um napolitano nascido em 20 de janeiro. Ele é filho de minha amiga Ayu, que conheci em Paris há dois anos quando foi morar com o pai dele, Vincent.
[Quando assisti "Indochina", aos 14 anos, nunca imaginei que teria um sobrinho franco-indonesiano. hahahaha]
Mas lógico que rolam uns estresses nessa atividade. Felipinho ganhou um smart baby de mim e de meu pai de aniversário. Fiquei sabendo que ele só deixa encostar no possante umas duas garotinhas do condomínio (que safado!). Senti ciúmes. Não estou preparada para lidar com as periguetes dando em cima de meu sobrinho.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Amores "februários"


Mamys e Philips, os dois aniversariantes da semana. Esse sorriso do nêgo foi pra mim, ó que máximo!

Me manche?

O dia da saudade foi essa semana. Refleti em voz alta no Facebook que não sinto saudade. E não sinto mesmo. Podem culpar meu Urano na casa 4, mas graças a Deus se existe um mal em mim é ter a mente no futuro. Nada de passado.
Não que tenha sido ruim. Acho que tive uma vida melhor do que posso perceber. Mas é que tenho um pouco da filosofia de Alice, do filme Closer. "Se você ainda ama, não deixa". Em qualquer situação é assim que funciona. E já que tudo foi gasto, não há por que voltar atrás. Algumas vezes a decisão de ir embora não vem de nós. Mas o tempo enterra tudo. E eu sei disso desde pequena. Desde que deixei Brasília. E digo mais: nada é como antes quando se retorna. Por isso mesmo não vale a pena voltar.
Tudo passa. As lembranças ficam. Mas algumas já estão bem distantes agora, e parecem pertencer a uma vida anterior.
Hoje, na festa de Yemanjá, fiquei me questionando o que vou levar da Bahia quando for embora daqui. Acho que esse vai ser sempre um lugar ao qual vou gostar de voltar. Mas acredito que novamente não vou sentir saudade. Não se eu for para um lugar com natureza. Acho que vou levar apenas a priorização da qualidade de vida.

Acho que nasci para ser andarilha e não pertencer a lugar nenhum. É isso.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

"Dá a César o que é de César..."

"... E a Deus o que é de Deus.""

Tá vendo? Nem Ele pediu mais do que o devido, e tem gente aí que... Enfim, deixa pra lá.

... Ou não.

Acabo de ver um comentário no Facebook sobre um livro que comprei há muito tempo chamado "Homens Invisíveis", de Fernando Braga. O sujeito é psicólogo, o título me interessou à beça, então eu esperava ler "o" livro, mas me deparei com um blá, blá, blá dos infernos, mera descrição de mauricinho que nunca deu bom dia a pobre na vida. Sim, porque se ele fosse acostumado a pelo cumprimentar a moçada do "baixo clero", não teria tido o espanto que teve. Típico aluno da USP, posso apostar, mesmo sem nunca ter pisado nessa universidade. Deu vontade de dizer:

- "Meu", seu livro é vergonhoso. Você deveria ter sabido da existência deles muito antes da pesquisa. Fala sério que você nunca notou a passagem dessa galera de uniforme? Tenha dó!

Não que eu fique batendo papo com todo mundo. Não faço isso, pra dizer a verdade, nem com os meus superiores. Sou bicho do mato mesmo. Mas cumprimentar é básico. Faço isso. Sei quem são as pessoas da limpeza, do transporte, da copa, etc.

Outro dia, uma dupla do industrial ficou constrangida quando eu os notei. Estávamos no restaurante da empresa - eles costumam comer bem antes de nós. Olhei porque queria ver quem estava ao meu lado, claro, e como se tratavam de dois moços bonitos - coisa rara naquele prédio -, reparei por dois segundos a mais. Tive a impressão de que tinham vergonha do uniforme de operário. No dia seguinte, na máquina de café, cheguei quando o mais bonito deles estava tirando um copinho pra beber. Novamente notei o constrangimento, como se ele se achasse muito desarrumado por estar de uniforme. Deu vontade de brincar:
- Ô, filho, você tá muito mais gatinho que muita figura dessa redação, pode apostar. E, afinal, somos todos trabalhadores, chão de fábrica. (E não é? Eu me sinto operária total, glamour zero!)
Fiquei calada com medo de soar estranha. Perdi a chance de amenizar o constrangimento (indevido) dele. O mesmo, aliás, que percebi nas manicures do salão que frequento, que recentemente ganharam um uniforme.
Há algo de errado na nossa cultura que precisa ser revisto. É um algo da mesma família do preconceito que os estudantes têm com os cursos técnicos. Caramba, o que tem de gente que não tem um pingo de dom para a vida acadêmica "comprando" diploma por aí...

Permissividade
Por outro lado, me irrita a síndrome de coitadinho. Que muitas vezes nem parte das pessoas  desfavorecidas, vale frisar. Uma coisa é você reparar o acesso às oportunidades, como acontece com a política de cotas. Mas odeio esse estímulo a permissividade de nossa sociedade.
Aquele episódio com a atriz Zezé Polessa e o motorista que morreu de infarto é emblemático. A mulher foi demonizada só por ser famosa e rica. Se ela gritou com ele ou algo que o valha, esqueça o que vou dizer a seguir, que falta de educação é inexcusável em qualquer circunstância. Mas por que ela não deveria dizer que não quer mais os serviços dele? Se ela pode dizer isso a alguém para quem ela trabalha porque não pode dizer a alguém que trabalha para ela?
 "Ah, porque ele precisa". "Ah, mas ele era muito humildezinho".
Muita gente discordaria de mim, mas eu não concordo com essas justificativas. Se ele quer ser motorista, precisa conhecer a cidade. Ou então arranje outra ocupação mais adequada.
Se o empregador ficar com pena e quiser manter um mau funcionário, massa. É bacana dar o tempo do aviso prévio para a pessoa se organizar e procurar outra colocação, sem aquela coisa brusca de estar sem ocupação logo no dia seguinte. Mas não acho desumano o empregador dispensar o empregado por não estar satisfeito.
Você é obrigado a sofrer porque alguém mais pobre que você está fazendo mal o papel a que se dispôs? É lindo a curto prazo, mas é ruim no longo, e é até uma deseducação. A pessoa nunca vai progredir porque é tratada eternamente como "café com leite". Quantos passos você já deu à frente porque alguém te deu uma boa dose de realidade?
É colocar quem emprega numa posição de refém. A pessoa morre de vontade de se livrar do peso morto, mas tem medo de posar de insensível.
Minha irmã demorou meses para demitir uma empregada que trabalhava mal e era mãe solteira de três filhas. Evangélica, a mulher tinha uma relação mega protetora com as filhas, as meninas ligavam para confirmar tarefas rotineiras (até aí é perdoável. apesar de não concordar com essa educação "autonomia zero", é normal que mães solteiras mimem por culpa), e ela, que já era beeem lentinha no serviço, mal conseguia dar conta de uma casa onde moravam apenas duas pessoas.
A figura dava pena, mais pela cara de Madalena arrependida do que pela situação real. Por isso, minha irmã sempre que dava uma limpeza no guarda-roupa ou algo do tipo lembrava dela. Meu ex-cunhado vira e mexe dava uma contribuição. Mas a figura ficava o tempo todo contando que precisava disso e daquilo. Era chato. Porque ela fazia qualquer um se sentir um vilão de filme mexicano ao ignorar o comentário dela. A esse tipo de gente desejo muito boa sorte - de coração mesmo -, mas não gosto. É muita falta de dignidade. Não respeito.

Voltando à vaca fria, no caso da Zezé, os próprios filhos do sujeito disseram que ele já estava se sentindo mal antes. Mas nesses casos, rico já nasceu errado.

Desculpem-me os mais melindrosos, mas é que eu, apesar de saber da importância da generosidade e gostar de praticá-la, tenho problemas sérios com imposições neste sentido. Se alguém me força a algo - tanto faz que seja indiretamente, pela via do constrangimento moral -, no meu conceito já não merece recebê-lo. "É dando que se recebe", como dizem. E qual é o motivo que tenho para ser generosa com quem é impositivo comigo? Faça por merecer, ora.

Enfim, sinto falta de um olhar mais horizontal nas relações humanas. Para o bem e para o mal, merecemos todos o mesmo tratamento.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Quem vai embora recebeu muito

Eu pensava que quem vai embora ressentido de um relacionamento recebeu pouco do outro. Mas faz alguns meses, uma psicoterapeuta disse em uma palestra que é o contrário. Dia desses estava pensando nessa frase novamente. Ela me intriga. Vou esclarecer o sentido disso com ela em uma próxima oportunidade. Ah, se vou!...
Mas queimando os neurônios um pouco, percebi que de certo modo há razão nessa afirmação. A pessoa vai embora (de um trabalho, de um endereço, de um curso, de uma amizade, de um namoro ou casamento, etc) se sente que já teve tudo que estava disponível ali para ela. Se por acaso acredita que tem mais para receber é muito difícil ir embora. A questão é que às vezes havia muito pouco disponível na fonte em que se foi buscar.
É a segunda parte disso que me inquieta, na verdade. Será que aquele que vai embora frustrado (eis uma dúvida existencial) realmente amou quem foi deixado? Sim, pois se você se frustra não enxergou a verdadeira natureza do objeto da sua esperança. E mais: não teve coração suficiente para permanecer apesar da quebra de expectativas. A gente vai embora porque cansou de não ter o que sugar?
Enfim a pergunta é: amor que é amor pode acabar ou, como dizia o mestre Nelson Rodrigues, pouco amor não é amor?
Vou pensar mais um pouquinho sobre isso. Quando tiver formulado uma resposta melhor, prometo que aviso. 

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

A hora da verdade

Aos 25 anos a gente começa definitivamente a morrer. Seu colágeno começa a diminuir, sua produção de óvulos idem, e por aí vai. Essa introdução toda foi para convencer quem me lê de que estou ficando velha, e portanto tenho plena razão naquilo que vou dizer a seguir.

Acho que, a essa altura, algumas características minhas já são irreversíveis. Está chegando a hora da verdade, de desvendar o que é de minha natureza. O que não é meu e o que veio pra ficar. Eu já vi que:

1 - Eu sou uma pessoa séria. Fato. Gosto de ter ao meu redor gente confiável, com quem possa contar. Preciso de um mínimo de estrutura e organização. Não sei viver na inconsistência, no caos total.

2 - Aguento muita coisa de quem eu gosto, sou boa ouvinte, ajudo, tenho até bastante paciência, relevo mancada e tal, mas piro com falta de consideração. Quer me botar para correr? Eis a fórmula infalível.

3-  Até dou conta de tudo - e estar produtiva me deixa bastante satisfeita -, mas não ter um tempo para o ócio me deixa muito, muito mal. E quando estou assim, somatizo.

4 - Gosto de todo mundo junto, mas preciso de meus sagrados momentos de solidão.

5 - Não consigo amar entusiasticamente - meu estado natural, acredite - quem não admiro. Como tenho [um senso crítico afiado e] tenho um sistema de valores diferente da média, isso acontece com poucos. Com a maioria eu vou de amorzinho mesmo, aquela coisa que agrada mas não arrebata.

6 - E piora quando se trata do sexo oposto, já que generosidade não é o forte dos homens. Quando encontro essa qualidade, é batata: o sujeito é gay.

7 - E por falar em homem, nada como um "moreno, alto, bonito e sensual", rs. Meu olho cresce imediatamente. Homem pequeno e branquelo não me chama a atenção. Mas mesmo com um fenótipo privilegiado, se for mesquinho não rola [ver item 5].

8 - Para falar a verdade, tenho profundo desprezo por gente insensível ou fraca de caráter [já esbarrei com quem tem essas duas "qualidades" e foi mais que péssimo]. Gostaria de ter mais compaixão, mas emocionalmente não acontece e acho que dificilmente vou mudar. Enfim, penso que não sou má por não gostar de todo tipo de gente. Hoje me permito isso.

9 - E não tenho paciência com quem tem meus defeitos só que piorados. Sou meu "ponto de corte". Tô falando sério.

10 - Nunca serei popular. Simplesmente porque, apesar de afável, sou de difícil intimidade. Tem que ter paciência mesmo, chegar aos poucos.

11 - Preciso estar perto da natureza, de preferência de um lugar com mar.

12 - Preciso fazer exercício físico sempre. Sinto dor quando estou sedentária.

13 - Bebida não me dá barato: logo fico com sono e o máximo que me acontece é perder a coordenação motora. Nem fico extrovertida nem perco a memória.  

14 - Tempo frio faz mal pro meu humor. Odeio. Prefiro derreter debaixo do sol. Talvez por isso eu ame a cor amarela.

15 - Sou Felícia com criança pequena e sinto uma tremenda falta de ter cachorro em casa.

16 - Gosto de fazer minhas tarefas a pé. Odeio depender do que quer que seja.

 17 - Consigo ouvir uma crítica razoavelmente bem, mas me aborrece ter superiores desprovidos de bom senso. E eu sou péssima quando perco o respeito pelas pessoas (já melhorei muito, mas...).

18 - Não gosto de dormir muito cedo nem de acordar muito cedo. O ideal é dormir 7h por dia. O sono faz toda diferença para a minha concentração no dia seguinte.


19 - Sei que não é bacana, mas: 1) tomo o que for pra me livrar de uma dor; 2) não gosto de alface; e 3) embora não seja muito de comer carne, acho difícil banir isso de vez do meu cardápio, ainda que entenda o "não matarás" como extensivo a todos os seres vivos.

20 - Nunca passarei da qualificação "básica" em se tratando de visual. Não nasci com certas habilidades como fazer unha, cabelo, saber costurar ou achar uma bela roupa por um bom preço. Não tenho talento, nem disposição e muito menos grana. Quando começar a ganhar dinheiro é possível que melhore, mas nunca serei sofisticada. Fato. Já estou me conformando só em ser limpinha, rs.

21 - Não gosto de saia nem de salto alto. Não sei ficar vigiando se minha calcinha está aparecendo ou se tem buraco no chão.

22 - Detesto gato desde pequena e isso vai ser pra sempre, pelo visto.

23 - Jornalismo não é a minha. Até tenho algum talento, mas não é "a" vocação. Como disse alguém, amor é foco, e essa atividade nunca foi o meu. Acho que continuei nessa profissão mais por refutar o fato de não querer o mesmo que os meus amigos. Enfim, vou ter que começar tudo de novo. E tomara que dessa vez dê certo. Por outro lado, isso me dá medo. Digo, será que vai ser sempre assim, iniciando e nunca consolidando? Quero não. Vim aqui para construir. Início, meio e fim, tá certo?

24 - Nada melhor do que adquirir conhecimento e por isso amo viajar. Mas amo mais ainda voltar para a minha casa. E definitivamente detesto situações de desconforto, como acampamentos, ou atividades que envolvem perigo ou altura.

25 - Não tenho um pingo de atração por tecnologia. Ter o mais novo Iphone não me emociona.

26 - É difícil pra mim ficar com a boca fechada quando fico indignada. Já melhorei muiiiiiiiiiiiiiiiito nesse aspecto. Mas ainda sou dada a uma rabieta, infelizmente. A boa notícia é que logo passa. A má notícia é que ainda não aprendi a me manifestar no momento adequado e do modo oportuno. Às vezes tenho até razão mas a minha expressão estraga tudo. Ainda engulo elefantes e engasgo com formigas.

27 - Sou definitivamente possessiva. E isso é diferente de ser ciumenta, viu? Eu não me importo que alguém dê algo a outro alguém, contanto que conserve o meu. Já melhorei bastante em relação a paqueras - até porque não faz o mínimo sentido tratar as pessoas como "suas" -, mas em relação a outras situações, não. Até porque, cá pra nós, acho justo lutar pelo meu quinhão.

28 - Certamente eu tenho problema de déficit de atenção. Mas enquanto puder, vou evitar medicação.

29 - Pois é, falando nisso, decidi que não vou ser 100% como manda o figurino. Do mesmo modo que vou ter que dar o meu jeito pra lidar com as imperfeições do mundo, ele que também se vire com os meus limites e problemas.

***

É, quando eu era menor, achava um absurdo a minha mãe nunca querer me ouvir. Ela sempre foi ruim de crítica, mas, hoje entendo, a gente envelhece e vai perdendo a disposição de lutar consigo mesmo. Sim, porque os avanços que tive, que não constam nessa lista acima mas foram em boa quantidade e significativos, me custaram muito trabalho interno. "Samba, suor e suingue", como dizia a vinheta de um programa de rádio.

A coisa bonita dessa história é que essa condescendência tem a ver com um apreço crescente por si mesmo. A gente começa a se aceitar mais, inclusive nas limitações. Percebemos que dá para crescer e melhorar, mas que tudo tem o seu tempo e nós temos o nosso ritmo.


sábado, 12 de janeiro de 2013

Cara de pau

[Da mesma família de "Somos apenas bons amigos" e "Estamos apenas nos conhecendo"]

Britney rompeu o noivado e mandou esse recado à imprensa: "Jason e eu decidimos romper nosso compromisso", disse Spears em um comunicado publicado pelo site today.com. "Sempre vou adorá-lo e continuaremos sendo grandes amigos", acrescentou.

A página cita Trawick dizendo que, apesar da separação, os dois "ficarão próximos para sempre".

É o que eles dizem. Mas todo mundo sabe que estão querendo é mandar um ao outro para o inferno. É isso: por que o ser humano insiste em contar mentiras nas quais ninguém vai acreditar? Cartas à redação.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Opinião pública

Ô Ingrid diz que é preciso democratizar a comunicação no País [ela está para mim assim como Otto Lara Resende está para Nelson Rodrigues]. Sim, cada vez mais vejo que isso é necessário. Há dois anos trabalhando em jornalismo diário, frustra-me ver que entra ano e sai ano, a gente faz as matérias, reúne dados, se indispõe com as fontes oficiais, briga internamente pra zorra sair e o máximo que conseguimos é um burburinho.
Não sei os colegas, mas sou o tipo de jornalista que vibra com mudanças. Não me importo de ninguém saber o meu nome, contanto que seja útil a quem me lê. Não saberia, por isso, fazer esporte, cultura ou turismo. Gosto dos temas sérios, ainda que às vezes com uma abordagem mais leve.
Mas do que adianta o esforço da classe se não há uma opinião pública que cobre mudanças? "Os cães ladram...".

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Sinceridade

Coisa boa é ter um bom relacionamento. Mas eu há muito questiono se há um bom relacionamento sem intimidade. É tão difícil ter isso com alguém. As confissões até que são fáceis. Mas as críticas... Pouca gente reage bem a elas (não que alguém goste, mas, enfim, é inteligente analisar o que o outro tem a dizer porque pode conter uma informação que acrescente). Tem gente de quem eu gosto muito, mas que eu não teria coragem de abrir a boca para fazer uma crítica, ainda que ache necessária. Sei que a criatura viraria no capeta comigo. Então fico calada para evitar me aborrecer. Para evitar me indispor. E também porque, no final das contas, é o processo de cada um, por isso me cabe apenas cuidar do que acontece comigo. Mas eu gostaria de ter relacionamentos sem a necessidade de pisar em ovos, em que pudesse me expressar à vontade (claro, mantendo o respeito). Isso sim é intimidade. O resto é mera troca de gentileza.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Boder line

Onde termina a cautela e começa a covardia?

domingo, 16 de dezembro de 2012

Toda forma de amor

(Oh, my God, acabei de assistir "Os descendentes". Quero me casar com o personagem de George Clooney!!! Vou escrever para a Dilma Bolada requisitando a minha Bolsa-Clooney.)

Há quatro meses fui convidada a participar de uma dinâmica piscoterapêutica chamada Constelação Familiar. Minha psicoterapeuta é holística e traz de vez em quando esse tipo de curso pra cá. Eu sempre fico desconfiada dessas coisas, mas a curiosidade - e a vontade de andar pra frente - me faz embarcar nessas experiências. Digo que gostei. E muito. Foi um intensivão sobre as relações humanas. Eu vi gente cinquentona, casada, bem empregada e com filhos chorar por não ter sido amada por papai e mamãe. Diria que 80% dos casos apresentados tem essa origem.
Tive vários insights durante a experiência. Aprendi coisas muito boas que aos poucos abordarei aqui. Um dos ensinamentos que ganhei lá, repetido à exaustão pela coordenadora da atividade, é de que há várias formas de amar. É amor até aquilo que não parece amor. Marisa, a especialista em constelações, dizia em alguns casos constelados: "Está tudo certo entre o seu pai e a sua mãe. Você é que está criando um problema onde não existe. E mais: vai levar esse problema para as próximas gerações. E tudo isso sem um pingo de necessidade".
É isso aí: teimamos nos achismos e arrastamos o mundo ao nosso redor junto.

Comprei o livro de Alexey Dodsworth, "Os seis caminhos do amor", porque, antes de tudo, eu sou stalker desse cara. rs... Bem, além de falar de um tema tão importante, a obra é divida em três perspectivas que, para mim, não poderiam ser mais satisfatórias: filosofia, psicologia e astrologia. (Ele é o máximo, gente! rs)
Explico qual é a abordagem do livro: existem seis tipos de amor e seremos mais felizes com alguém que veja o amor pelo mesmo prisma que a gente. São eles:

Pragma - amor conveniente
Ludus - amor jogador
Eros - amor carnal
Agape - amor compassivo
Philia - amor amizade
Pathos - amor paixão

Cara, confesso, eu entendo perfeitamente o que ele quer dizer - na verdade, os gregos -, mas tenho dificuldade em aceitar eros e ludus como tipos de amores. Para mim são modos de interação, o que é bem diferente. Porque nessas duas modalidades não há uma personalização, não há um contato íntimo. Troque a pessoa - não fará diferença - e a ação será a mesma. A circunstância é o que dá prazer. Quem é eros e/ou ludus muitas vezes mal lembra o nome das pessoas com quem se envolveu. 
Alguém pode dizer que no Agape há a mesma despersonalização. Creio que não. Agape, na minha visão, é um transbordar. Você faz por todos, mesmo por gente que não lhe é íntimo, porque cada pessoa, independentemente, é relevante para você só por existir.  
Mas é importante, também, não supervalorizar nenhuma forma. Todas possuem as suas vantagens e desvantagens, como bem demonstra Alexey. E, enfim, apresentamos boa parte delas, em maior ou menor proporção, embora seja impossível reunir todas e ser completo. Por isso, talvez, tenhamos tanta necessidade do outro.
É engraçado que, enquanto lia sobre os tipos, tive um insight: venho atraindo gente que justamente é forte nos tipos de amores que tenho dificuldade em manifestar. Sempre me chateio por estar recebendo "o pedido trocado". Mas agora vejo claramente que Deus anotou direitinho. É o que eu preciso, por hora, para aprender certas habilidades que não só me servirão no amor, como na vida. 


To wish or not to wish

Essa é a questão.

Sei lá, eu vejo muita gente ficar mal por causa de desejos que custam a se concretizar.  Especialmente na minha idade, 30, quando já não somos tão jovens.
Eu me incluo nisso, mas acho que vou mais além nessa angústia porque tem dias em que duvido do que desejo. Talvez isso seja bom, por um lado. Me ajuda a tirar um pouco do peso que um desejo antigo costuma ter, embora me crie uma suspeita sobre mim mesma por não estar desejando algo de fato. Não dizem que para estar vivo é preciso desejar? Se bem que, desconfio, devemos trocar esse verbo por "experimentar". Como diz o genial Joseph Campbell, não precisamos de um sentido para a vida, mas de experiências que nos façam sentir vivos. Minha questão é que pra mim ainda é difícil experimentar sem que haja junto um sentido. Um dia supero isso, com fé em Jah.

Quem espera sempre cansa?
Um livro que li essa semana discute a questão da esperança, que é um desejo impotente, na visão do autor, já que quem espera pouco tem a fazer para que aquilo se concretize.
Mas o autor reconhece a importância da esperança para a vida humana e, por fim, fala algo que traduz o que penso sobre esse dilema já faz algum tempo: "Você pode ter o sonho, mas o sonho não pode ter você".
Minha terapeuta me diz que o que nos resta é caminhar. É melancólico, mas é verdade. A gente nunca sabe o que nos espera. O que nos resta é caminhar, viver, e até sonhar. Temos que estar aqui independentemente do que nos aconteça, pois se há uma chance, ela só vai surgir se estivermos em movimento. Isso é ter um sonho. Geralmente quando o sonho nos tem, paramos no meio do caminho se ele não se concretiza. E sabe por que nos paralisamos? Porque nos magoamos. (Sentir raiva não é tão ruim se pensarmos que poderíamos estar magoados ao invés disso. Com a mágoa, "sentamos à beira do caminho". A raiva nos ajuda a fazer alguma coisa, e pode ser até construtiva se tivermos um pouco de sabedoria.)

A generosidade salva
Por essas coincidências do dia-a-dia, estava navegando pelo Facebook dois dias antes de começar a ler o livro, e me deparei com um video cujo títudo é "A única coisa que nos magoa é a esperança", de uma lama budista. A teoria dela é que só nos magoamos porque esperamos algo. E, realmente, a esperança sem maturidade pode fazer muito estrago. A solução anti-mágoa que ela oferta é a generosidade. O problema é que essa não é uma possibilidade para todos. Não serei generosa na minha afirmação, mas tem gente que não leva o mínimo talento para ser generoso. E a cultura ainda não ajuda, daí já viu.

Pois é, folks, mais do que viver de sonhos e esperanças, o caminho para uma boa vida passa por gostar de quem se é e do que se tem. Sabe aquela coisa meio Marina Lima, de que "os momentos felizes não estão escondidos nem no passado nem no futuro"?  Acho que vou acabar tatuando essa frase para nunca me esquecer dela.


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A máquina

Eu não sei vocês, mas me canso às vezes dos estímulos das redes sociais. No Facebook, por exemplo, me sinto uma professora de pré-escolar com um monte de alunos ao redor esperando por um elogio aos desenhos que acabaram de fazer. O Twitter me informa, mas mesmo assim sou sobrecarregada de informações atualizadas em segundos. No Facebook a moda são as causas. Não que eu as ache sem importância - pelo contrário -, mas aquilo dá angústia. É tanta coisa com a qual se importar que você acaba sem vontade de se integrar ao coro dos engajados. De fato não consigo ir além do click do mouse. Mão na massa que é bom... Ai, que culpa!

Essa é uma sociedade de muito barulho, como as redes sociais podem atestar. A começar por nossas mentes tagarelas, terminando no trio elétrico em fevereiro. As pessoas acham ótimo o barulho incessante. E acreditam, equivocadamente, que isso quer dizer vitalidade. Só não percebem o efeito colateral disso: o histerismo e a dispersão.
Não é assim em todo o canto do mundo. Isso é coisa das Américas - para ser mais exata, dos Estados Unidos da América, que nos transmitiu esse "vírus".

Estava lendo um livro ("Educar para o consumo") da cientista política e educadora Cássia D´Aquino e da terapeuta familiar Maria Tereza Maldonado. Há muita coisa interessante, mas um trecho destacou-se por ter traduzido uma sensação que tive quando fui para fora do País (por favor, não é espírito de colonizado; há muita coisa que achei melhor aqui do que lá). Segue:

Maria Tereza - Tem que ser hiperativo? Entupir-se de coisas e de atividades para não pensar, não estar consigo mesmo nem com os outros em silêncio criativo? Isso revela o medo do vazio, do tédio, da falta de substância...

As crianças na França me impressionaram: elas são ativas, mas não saem derrubando tudo nem berrando. Vi, então, que dá para ser feliz na infância de um modo mais zen. Elas são muito curiosas. Perguntam tudo aos pais, observam. Frequentam museus desde cedo, e não fosse pela beleza de ver os grupinhos escolares, tão novinhos e concentrados, nem as notaríamos.

Mas a mídia europeia não é tão estridente como a da América. Ligue em um canal francês, por exemplo, e vai se sentir assistindo a missa de domingo.

Inconsciência - O resultado do que acontece no "novo mundo" (minha interpretação) é que, como as pessoas vivem estressadas no mental, pouco entram em contato com os seus próprios sentimentos. Cansam de tanta atividade cerebral, e se consolam consumindo (bens, sensações, relacionamentos, etc). Quando a doença chega são pegos de surpresa. Claro, não ouvem o corpo, as próprias emoções!

Confesso que ando nesse dilema.
Eu gosto, por exemplo, das opções que a cidade me oferece, mas não aguento mais viver correndo. Simplesmente assumo que não tenho natureza para isso; sou lenta, meu timing é outro. Mas parece que não tenho muita opção morando em uma cidade grande. Meu grande desafio vai ser sair dessa "cama de gato"... E aprender a viver bem mesmo querendo algo diferente do que me ensinaram que era o certo e no qual, sobretudo, já estou viciada, apesar de ter plena consciência de que isso me agride. #contrafobiaexistencial
O ser humano não nasceu para ser máquina. Sinto isso, todos os dias, na minha própria carne.


segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Nem tudo que reluz é ouro (ou golpe, ou futilidade, ou folheado)

Desde que fiquei sabendo que a colega de Facom Ticiana Villas-Boas vai se casar com um milionário tenho ouvido - e principalmente lido - muitas coisas. O engraçado é que todas elas se resumem a apenas duas frases:
1) Ela é interesseira porque está casando com um cara feio e rico.
2) Ela é deslumbrada com a high society paulistana.

Dá para perceber uma boa dose de inveja nesses comentários. Mais do que a dor de cotovelo coletiva que o casamento da figura com o rei da carne suscita, me espanta o deslumbramento de todas essas pessoas com os signos do sucesso que Ticiana apresenta. Pois é, até "segunda ordem", são apenas signos. O buraco do sucesso é muito mais embaixo, e nunca saberemos, ao certo, o quão bem-sucedida ela, ou Mendigo de Curitiba ou o Eike Batista é ou deixa de ser.
Acho que nem ela tem plena consciência do que é a vida dela. Quem tem? Ainda estamos no meio do caminho, com muita água para rolar debaixo da ponte.

De minha parte, não me impressiono porque, apesar de toda a pompa, acho Ticiana "gente como a gente".

Não acredito nesse primeiro ponto. Não creio que ela está se casando por interesse. Acho que até falta senso de realidade a quem diz isso. Basta olhar ao redor. A associação homem feio e mulher bonita é clássica. E digo mais: sem ela a Humanidade não teria sobrevivido nem o suficiente para gerar Jesus Cristo.

Olhem os nossos genitores, e digam: geralmente as mães são muito mais bonitas que os pais, não é? E eles sempre foram, são e provavelmente serão uns duros pela vida inteira. O mau gosto feminino é quase biológico. Fato. Minha tia tem uma conhecida em Brasília cujo marido é a cara de seu Madruga, mas ela insistia que ele era a cópia do José Mayer na época daquela novela "Laços de Família".

Enfim, Ticiana fez uma escolha bem dentro da linha de normalidade.

Além do mais, que atire a primeira pedra quem nunca se relacionou com alguém porque a pessoa enchia a bola, tratava bem para caramba. É assim, na base do carinho e da generosidade, que muitas mulheres acabam se casando com homens que à primeira vista não são atraentes.

O mais comum é, muito tempo depois, a pessoa se tocar que não tinha nada a ver com a figura e que tampouco tinha um grande amor por ela. "Movidos pela carência" - já vi mil vezes esse filme. Obviamente, a chance de acabar mal é grande, mas às vezes as pesquisas não traduzem o resultado final da eleição. Ela pode ser muito feliz com ele, apesar de todas as probabilidades dizerem que não. Quantas coisas em que a gente não botava fé acabam se revelando melhores que o esperado?

Se ela é deslumbrada com o poder, a alta sociedade e a fama? Eu me chocaria se não fosse assim. E, afinal, o que é ser deslumbrado? Por muito menos já vi o povo se iludindo e, como diz a minha mãe, "subindo no tijolo para fazer discurso". É mais fácil você localizar esse tipo de atitude quando a situação é óbvia. Mas quanta gente não é deslumbrada com um cargo, com o próprio conhecimento, com um "gol" aqui e acolá? Facebook tá aí para comprovar.

O que eu teria para falar dessa situação toda é que ela - arriscando aqui um palpite - faz as coisas mais por impulso que com o coração, realmente. Mas eu acho que nem isso é um problema, já que demonstra reagir rápido quando a coisa não termina bem, como foi o outro casamento.

Por essas e outras, continuo sem entender qual é o problema de Ticiana querer se casar com um milionário ou com qualquer outro que não ofereça perigo a integridade dela. Aos que acham algo de errado nisso, don´t worry, ´cause ela parece ter altos e baixos na vida como todos nós. Apenas a "vitrine" é mais bonitinha, mas o interior da loja parece o mesmo de qualquer jovem adulto de 30 anos que vive dando cabeçada por aí tentando achar o seu rumo.

Nessa situação toda, me limito a me divertir com os comentários nos sites de "notícia". Não me aguentei com uma criatura que comparou o noivo a Christian Grey, protagonista de "50 tons de cinza", e com a confusão que fizeram chamando-o de "rei do frango", que é o título do ex-marido de uma socialite famosa por participar de um reality show. A-do-rei! hahahaha