"Soul" é o lançamento da Disney/Pixar. Dessa vez, o estúdio resolveu mexer com as emoções do espectador discutindo questões como propósito de vida (Joe Gardner) e sentido da vida (22). (contém spoilers daqui por diante)
Joe é um músico de jazz que acredita que tudo na vida dele vai mudar quando ficar famoso. Mas ele morre antes da sua grande chance. Do outro lado da vida, no "grande além", ele conhece 22, uma alma que faz qualquer negócio para não viver na Terra, na sua interpretação um lugar horroroso. Algumas das grandes almas que no planeta viveram, inclusive, já tentaram fazer 22 mudar de ideia, mas sem sucesso. A alminha fujona alega que onde ela está já tem uma rotina, é tudo conhecido, e apesar dela nunca ter pisado na Terra, ela não quer nem tentar.
Até que um dia, ela e Joe, que não aceita ter morrido, voltam à Terra por acidente. Nessa passagem pela vida de Joe, ao retornar para "o grande além", os dois estão com as suas expectativas positivamente quebradas: Joe aprende que o sucesso não o define e que mais do que "chegar lá", bacana era o caminho; 22 aprende que há sabores, sons, toques e sentimentos que só estando na Terra para experimentar - e apenas isso faz a vida por lá valer a pena.
Na minha perspectiva, "Soul" é um filme sobre o poder da experiência e o valor das pequenas coisas da vida. Joe precisou "chegar lá" para ver que nada mudou, que não há momento mágico, mas que encantadora pode ser a vida. 22 só foi capaz de gostar da vida quando foi para a vida de fato. Não houve simulação, testemunho ou mentoria capaz de fazê-la sentir o que ela se maravilhou de viver na prática.
Definitivamente não é um filme para crianças. Aliás, sou curiosa para saber como uma criança vê esse tipo de discussão suscitada pelo filme.



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