Depois do texto de ontem, fiquei pensando em como não cumprir as metas traçadas nos gera culpa e baixa a nossa autoestima. Por isso ressaltei que é importante estabelecer metas reais, ter paciência e aceitar quando não deu para fazer tudo, valorizando que o que foi feito também foi bom - é melhor fazer algo do que nada. Ou, no caso de desistência, aceitar que não foi possível cumprir com aquilo naquele momento. Às vezes a gente não está preparado para sustentar uma ação, mesmo sabendo que ela é necessária, e tudo bem. Fica para depois. Mais importante que a velocidade é a direção.
A gente vive numa sociedade que adora atribuir culpas. O problema da culpa é que ela não serve para nada e ainda acorrenta a pessoa ao passado, dificultando bastante o seu caminhar - que energia há em quem se consome de dor? É ilusão achar que voltando ao passado faria diferente. Seu eu de lá não é o de agora; é desleal essa comparação. Sua escolha seria a mesma porque era o que você sabia fazer naquela época. Fora que a culpa funciona como uma gangorra, com alguém por cima e outro alguém por baixo. Não é à toa que as pessoas tendem a lidar com isso de forma tão radical: ou se atribuindo culpa demais ou negando todas.
Acredito que o melhor caminho é trocar a culpa pela responsabilidade. Nessa última, você é chamado a tomar o seu quinhão na história, mas aprendendo com o erro e sem perder a dignidade como acontece na culpa.
Bert Hellinger, o organizador da Constelação Familiar, afirma uma coisa muito interessante sobre o adultério, caso clássico de vítimas e culpados. Ele observa que o desabafo/revelação do adúltero seguido de um pedido de perdão faz o traído se sentir abusado, porque ao fazer isso, quem traiu fica passivo esperando que o traído resolva a situação. Ou seja, aquele que nada tem a ver com a coisa recebe, de uma hora para a outra, a responsabilidade de que tudo fique bem. Hellinger diz:
"Seria melhor se ele dissesse: ´Fui injusto com você. Eu arco com as consequências. Sinto muito pela dor que lhe causei". Por meio dessas afirmações ele fica equilibrado em si mesmo e pode agir imediatamente. E o companheiro é respeitado".
Perfeito! O problema é que nós temos problemas com situações como essa justamente, suspeito, porque foram mal administradas lá atrás, na infância. É a nossa criança ferida que aparece nessas circunstâncias, tanto de um lado como de outro. Raramente é o adulto quem toma a frente. Mas isso é assunto para um outro post.
PS.: texto número 1000 deste blog!

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