Encontrar a sua essência é como quase tudo na vida: uns já vêm com isso pronto, outros vão trabalhar e chegar lá e outros nunca vão se encontrar com ela. O mundo, a cultura nos encaminha para essa última opção com as suas dezenas de "Tem que...". Mas, como dizia mainha, você não é todo mundo e nem tudo lhe convém. Um dos pulos do gato nesta vida é justamente ficar atento para perceber o que realmente faz sentido (e afastar o medo, principal sabotador disso).
Lembro de uma colega de trabalho que tinha uma aparência toda moderna, alternativa. As pessoas elogiavam o cabelo, as roupas e eu também gostava das escolhas dela. O caso é que aquilo não colava com a personalidade dela. O visual era como ela queria ser vista, mas não transmitia a personalidade dela de jeito algum. Eu também já caí muito nesse conto do vigário - e olha que nem de longe sou alguém que poderia ser classificada de "Maria Vai Com as Outras".
Por trás disso, acho, está querer ganhar o que tem o outro no qual você espelha. Às vezes isso funciona e você pratica o que a PNL chama de "modelagem". Mas haverá vezes em que você simplesmente vai estar perdendo tempo buscando algo que não é seu, percorrendo um caminho que não é o seu. Um sinal poderoso disso é nada ir muito para frente ou, mesmo indo para frente, haver uma constante sensação de deslocamento, de não pertencimento.
Não vou dizer que não tem gente que consegue as coisas vivendo o personagem. Tem. Mas imagino que deve ser um negócio pesado, não desejaria isso nem a meu pior inimigo.
Acontece que às vezes seguir o seu caminho significa romper com grupos, alguns que nos são até muito caros. Bem, primeiro que isso pode ser feito respeitosamente. Segundo, sugiro a qualquer um que se agrade primeiramente, pois, obviamente, está no reflexo do espelho a única pessoa que vai ser sua companhia eterna. Além do mais, quem ama a gente entende.

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