Uma amiga está sofrendo muito com uma separação. Ela não é direta, mas dá para perceber. Apesar de discreta, há quem a critique, mesmo ela sentindo uma dor dilacerante (cá pra nós, a outra pessoa foi sacana). Compartilhar é uma das formas de se livrar. Quem escreve sabe muito bem disso, do alívio em entregar uma emoção a outro, da busca por compreensão, por cumplicidade.
Mas é que vivemos em uma era de cyborgs, os "robocop days", em que nada pode nos afetar. Há de sair por cima, sempre. No entanto, até pouco tempo atrás, a gente tinha licença para duelar em caso de ofensa. Ok, com menos sangue é mais legal, mas o caso é que as violências, físicas e sentimentais, mexem com a gente. Por que negá-las, como se fôssemos de aço e não de carne?
Eu não ando passando por uma fase fácil. É um momento de parada forçada, de reflexões sobre o passado (colocando ponto final em certas pendências, que só existem porque quis bancar a racional, a controlada, abafando sentimentos) e questionar o futuro. Me pego entre o impulso de contar (porque o que é guardado cresce e pode até nos engolir) e o medo de ser julgada, da minha confissão ser usada contra mim. É horrível.
Quando foi que ter sentimentos virou algo indecente?
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