domingo, 7 de agosto de 2016

Tempo Rei

"Não me iludo
Tudo permanecerá do jeito
Que tem sido
Transcorrendo, transformando
Tempo e espaço navegando todos os sentidos"


Uma colega me colocou em uma comunidade do Facebook destinada a criar "laços entre as manas". Eu fiz umas coisas para duas meninas, fiquei feliz com o resultado, mas, na moral, não quero ser mana de ninguém. Não assim, na base da obrigação por ideologia, do "decreto". Ainda teimo que as coisas aconteçam no meu próprio tempo, não na base do "tem que", por melhor que seja o motivo. 
Na verdade, eu sou pessimista em relação a grandes transformações, de verdade, entre gente que nasceu nas décadas de 80 e 90, aqueles que, a priori, ainda não estão velhos o bastante para serem "casos perdidos". Eu acho que estamos. Penso que já fomos contaminados por, no mínimo, duas décadas de educação preconceituosa. Por isso, não acredito em homem "feministo" - na prática, eles muito raramente não decepcionam, por melhor que seja o discurso e, digo até, a intenção -, não acredito em igualdade racial e equiparação de direitos entre os sexos. As hierarquias ainda estão aqui dentro de nós, esperando qualquer distração para pular da nossa boca e fazer aquele estrago - aliás, tenho muito medo de quem não consegue perceber isso e acha que pode resolver as diferenças por decreto. O que de melhor podemos fazer é vigiar os monstros que abrigamos, sermos solidários aos que sofrem mais que nós e, principalmente, orientar a nova geração para que sejam melhores. Eles, sim, têm condições de serem diferentes, mas ainda assim, acredito que civilizados, no melhor sentido da palavra, serão os filhos deles. Esse é um trabalho de formiguinha, botem fé.
A essa altura, eu tenho 30 anos de histórias de maus-tratos sofridos nas mãos de outras mulheres. Não tem como apagar isso e dar as mãos a todas, transformando-as automaticamente em "manas", como se eu não soubesse o que uma mulher é capaz de fazer com a outra quando decide que essa "merece" ou simplesmente quando percebe que "pode". Desculpem os fãs, mas não levo muito jeito para hipocrisias, mesmo as mais bem intencionadas. Mas, por isso mesmo, acho que posso adocicar meu olhar e ser solidária a qualquer uma que esteja, de alguma forma, sendo oprimida por ser mulher. Isso eu posso fazer de boa. Não só posso como pratico há muito tempo. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário