sábado, 26 de setembro de 2026

Fator solidão

 A vida sempre me doeu muito, desde pequena. Antes dos 27, pensei diversas vezes em morrer. Acho que há uma idade depois da qual o risco de morrer cai porque a gente aprende a viver. Mas continuo achando este mundo horrível e não consigo fazer nada sobre a sensação de estar vivendo uma distopia global, o pior dos livros de história na minha, na nossa frente. 

Passei por coisas que a maioria das pessoas da minha bolha não passaram, algumas provações que elas não conhecem. Mas ainda assim tive uma vida melhor do que a da maioria das pessoas. E por causa disso sempre me perguntei se meu sofrimento era legítimo mesmo. 

Agora sei que era. Não pelas coisas em si, mas pela eterna falta de apoio. As pessoas me ajudam pontualmente, mas não sinto que posso contar com qualquer uma delas incondicionalmente. Se virá e quem virá são minha eterna dúvida em tempos de crise. Elas me dizem uma palavra boa aqui, outra acolá, mas ninguém segura a minha mão. A vida não teria doído tanto se eu tivesse com quem contar emocionalmente. A sensação de estar só em horas dramáticas é barra, gera muita dor psicológica. Meu grande trauma é a solidão. E não sei se dele me curo um dia.