quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Sixteen candles




Aquele dezembro de 1992 foi bizarro: fiz a pior prova de português da minha vida [que quase me levou para a recuperação]; Letícia Sabatella teve sua primeira filha aos seis meses de gestação e ninguém sabia se o feto/bebê iria sobreviver; um menino de 5 anos foi assassinado num ritual de magia negra em Goiás; e a mais terrível de todas: a atriz Daniela Perez foi assassinada a facadas pelo seu colega de elenco, Guilherme de Pádua e a esposa desse "cidadão", Paula Thomaz.
Daniela tinha apenas 22 anos e quatro meses na época. Era casada e havia acabado de explodir no seu primeiro grande papel, a Yasmin de "De corpo e alma" [título infeliz se levarmos em consideração o que se sucedeu na noite do dia 28 daquele mês de dezembro]. Era muito bonita, muito vivaz, muito querida e naquela época, muito famosa... Uma vida é uma vida de qualquer jeito, mas esses dados aumentam o drama do seu brutal assassinato.
Foi brutal não só pela violência do ato [duas pessoas contra uma e dezenas de facadas!], mas pela autoria do crime [Guilherme só foi Guilherme porque a mãe de Daniela lhe deu a oportunidade de estar naquela novela], pelo seu "motivo" [depois de muito interrogatório, chegou-se a conclusão de que ela morreu por conta da paranóia de Pádua, que teria ficado furioso por não ter aparecido em APENAS dois capítulos da trama] e das mentiras que se sucederam a ele.
Eu tenho uma crítica aqui, outra acolá a Glória Perez. Mas acima de tudo, tenho muito respeito por ela como pessoa. Dos três filhos que teve, resta apenas um. Não deve ser fácil... Ela aparenta estar sempre bem, mas é claro que isso ninguém supera. Uma vez, na tevê, a vi num raro desabafo de mãe: "Depois da morte de Dani, vivo de pequenas felicidades possíveis".

Outro dia li um conto maravilhoso que falava sobre o peso de ser. O personagem andava à toa, pela cidade, com um pacote nos braços, procurando um lugar que ele não sabia ao certo onde era e no qual deveria depositar aquele peso. Vivemos em busca dos destinatários dos nossos pacotes. Encontrá-los é de um alívio indescritível. Mas esse tipo de tragédia é duplamente trágica porque condena quem fica a carregar o peso para sempre - da ausência da pessoa querida, do amor que ficou "retido" e do rancor contra o criminoso -, pois não há onde depositá-lo.
E daí haja braço, coluna vertebral e força mental para andar com essa "carga pesada" vida afora.

Nenhum comentário:

Postar um comentário