quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Ahhhh!... O Anthony!...

De vez em quando, assisto a reprise de "Mulheres Apaixonadas". Continuo gostando da novela, o que nem sempre acontece em reprises. As histórias de Lomba, por exemplo, têm essa limitação a meu ver [tio Leo me bateria se lesse isso!hehe].
As tramas de "Maneco" sempre me mobilizam. Nossa relação é "entre tapas e beijos" [risos]. Lembro de quando peguei matéria sobre novela com Carmem, na Facom, e "Laços de Família" estava no ar. Não preciso dizer que virei a atração da disciplina! Minhas análises sobre Capitu eram extensas e inflamadas, dignas de um júri. [risos]Não só as fazia na faculdade como na lista de novela. Quem me conhece, sabe: quando eu pego um osso, sai de baixo!... :D
Dei essa volta toda para comentar sobre o meu par preferido na novela: Heloísa [Giulia Gam] e Sérgio [Marcelo Anthony]. Continuo gostando muito deles.
Eu curto ouvir histórias de casais. Entretanto, uma coisa que nunca me entrou na cabeça são os amores perfeitamente explicáveis. Sabe aquela gente que dá explicações altamente racionais sobre o seu relacionamento e a escolha do parceiro, tipo a personagem de Rebecca Hall no recente filme de Woody Allen?! Acho estranho, mecânico... Broxante, para ser franca.
Comparo o amor [de qualquer tipo e não apenas entre casais; até mesmo o amor por uma atividade] com a experiência da obra de arte: trata-se de algo compreensível, ou melhor, apreensível até um certo ponto. Mas há sempre uma parte que é secreta, ininteligível, misteriosa e por isso mesmo, divina. É justamente ali que reside a beleza da coisa.
Sérgio e Helô de "Mulheres Apaixonadas" são o exemplo disso na ficção, mas, claro, pintados com tintas fortes, diria até melancólicas. Os personagens vivem um "amor ruim" mas verdadeiro, que pode ser seguramente classificado como tal porque o encantamento consegue sobreviver a essa má qualidade da relação.
Não vejo tanta graça na Helô, exceto pelo fato de ser interpretada pela talentosa e carismática Giulia Gam*. A ex-mulher de Pedro Bial inspira uma natural simpatia na minha geração de noveleiros, afinal ela foi a heroína de uma das novelas que marcaram a nossa infância, "Que Rei Sou Eu?!".
O "tchan" do par está em Sérgio. Apesar do style playboy de praia, do colar ridículo, da molecagem de flertar com Deus e o mundo, o cunhado de Helena é um princípe. Meio torto, mas é.
Ele ama a esposa incondicionalmente. Contra a sua vontade, o que é bastante interessante. Como diz o fantástico (!) Alexey D.M., se a paixão é gostar por causa de, o amor é apesar de. O personagem do Marcelo Anthony em "Mulheres Apaixonadas" é assim: ama a mulher apesar de. Na verdade, a novela tem um título equivocado. Quem ama ali, no duro, são os homens da trama ["Mulheres Apaixonadas" é mais atrativo comercialmente que "Homens Apaixonados". Ali o título deveria ser "Mulheres Entediadas", viu? O amor em "MA", em quase todos os seus casais, é mais um meio da mulher tapar o vazio interior que realmente um sentimento genuíno. Aliás, suspeito que as mulheres ganharam a fama de mais amorosas porque tiveram menos o que fazer ao longo da história. Mulher mais cisma do que realmente ama - e tenho dito!].
Heloísa é um porre: escandalosa, obsessiva, egoísta, ciumenta, infantil, desconfiada... Por ele, ela estaria muito longe, quem sabe em Marte. Sente uma mágoa grande dela. Inclusive, porque a caçula da família Moraes ainda se recusa a realizar o sonho dele de ser pai, para "não ter que dividir o marido." A compulsão pelo flerte é proveniente dessa raiva; é quando ele consegue dar 1 x 0 nela. Ele ameaça mas nunca vai embora. É leal a esposa, involuntariamente.
O desfecho deles, no último capítulo, é uma boa amostra da dinâmica dos personagens. Eles se encontram casualmente numa festa. Helô acabou de ter alta do tratamento e eles estão separados há algum tempo. Sérgio a olha e fala com ela sem conseguir disfarçar o encantamento. Ela finge que não está percebendo, que não está nem aí, mas, claro, gosta de notar que ainda mexe com o ex-marido. Fica claro que ali ainda vai dar em samba. [risos]
Simpatizei com Anthony de cara, bem antes de Sérgio. Gostava do papel dele no início de "O Rei do Gado". Para quem não lembra, ele era o irmão bonzinho de Letícia Spiller, aquele que a salvava da vigilância dos outros dois irmãos truculentos e do pai, que facilitava seu namoro com Leonardo Brício.
A bondade vai muito bem com aquele par de grandes olhos azuis, de cílios grandes. "Lânguida face".
Vou confessar um "pecado capital": adoro-o mesmo quando interpreta o vilão. Gostava do André de "Belíssima". Imagine um canalha que se ofendia sinceramente quando alguém lhe chamava de mau caráter(!!!). Cara, aquilo fazia cócegas na minha [estranha] alma!!! hahaha
Gostei muito do final do personagem. Perto da morte, já agonizando, ele tem a primeira e última conversa sincera com a esposa, Júlia. Foi tocante.

Ahhh, Marcelo Anthony!... Se não fosse pela maconha, pela aliança no dedo e as pernas finas, você seria perfeito, viu?! [risos]

* Pessoalmente, gosto mais ainda da Giulia Gam por ter sido casada com Gerald Thomas. E mais: adorei quando ela admitiu, entre risos, que "deu" para participar de uma peça de GT. Disse: "Ué, gente, vocês não sabem que para trabalhar com Gerald tem que dar pra ele?!". hahaha... Eu piro com aquele cara! Não é todo dia que vemos, na "fauna humana", um judeu que perde dinheiro, sem constrangimentos ou pesar, em nome da arte, até porque judeus adoram é ganhar dinheiro através disso - que o digam os figurões de Hollywood e Silvio Santos! Gerald é o único bissexual declarado, segundo Ruy Castro, que nunca foi visto com um homem! Muiito doido o Gerald! rsrs... Nunca vi uma peça dele, mas desconfio que ele é um exemplar vivo da teoria de Oscar Wilde de que artistas medíocres transportam a excepcionalidade que não conseguem exprimir na arte para as suas próprias vidas, e vice-versa.

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