Ohhh, Pacheco não está mais entre nós [ou nosotros]!... Meu locutor favorito era um doce! Não o conheci pessoalmente - por culpa de "Cláuuudio Liaalllll" -, mas só de perceber a sua educação e paciência em agüentar cada ouvinte chato do caramba entrando ao vivo... O povo lia poesia, relembrava coisas desinteressantes do arco da velha, reclamava da má vontade governamental com a Fonte Nova, e por aí ia... Pacheco tinha um sotaque meio portenho que me cativou muchísimo desde a primeira vez em que o sintonizei - coincidentemente, a caminho da minha aula de espanhol!
A matéria a seguir foi retirada do Jornal da Metrópole, de 05 de dezembro último. Nela, havia uma foto do lo más de la radio. Não consegui pegá-la na internet. Confesso, fiquei desapontada. Uma imagem tão certinha não combina com a dramaticidade da sua locução! Esperava Carlos Gardel e vi foi Ian McKellen. Sei lá, pintar o cabelo de negro - como Silvio Santos e Raul Gil fazem -, um bigodinho de vilão dos anos 40, um anel de ouro no dedo, isso seria mais a cara do meu cavalheiro radiofônico do que cabelho grisalho e camisa de botão! hehe... Bem, sem dúvida, Almoçando com Pacheco Filho vai fazer falta! :)
PS.: Sem saber que já havia falecido, me dei um "sesión de bolero", essa semana. E enquanto Pacheco via, pela última vez, "O corcunda de Notre-Dame", eu pesquisava sobre essa história no Google. Que sincronia! Que encaixe de almas! hahaha... Isso me lembrou a letra de um bolero do qual gosto muito, Sabor a mí: "Yo no sé si tenga amor la eternidad, pero alla, tal como aqui, el la boca llevarás... Sabor a mí".
A matéria a seguir foi retirada do Jornal da Metrópole, de 05 de dezembro último. Nela, havia uma foto do lo más de la radio. Não consegui pegá-la na internet. Confesso, fiquei desapontada. Uma imagem tão certinha não combina com a dramaticidade da sua locução! Esperava Carlos Gardel e vi foi Ian McKellen. Sei lá, pintar o cabelo de negro - como Silvio Santos e Raul Gil fazem -, um bigodinho de vilão dos anos 40, um anel de ouro no dedo, isso seria mais a cara do meu cavalheiro radiofônico do que cabelho grisalho e camisa de botão! hehe... Bem, sem dúvida, Almoçando com Pacheco Filho vai fazer falta! :)
PS.: Sem saber que já havia falecido, me dei um "sesión de bolero", essa semana. E enquanto Pacheco via, pela última vez, "O corcunda de Notre-Dame", eu pesquisava sobre essa história no Google. Que sincronia! Que encaixe de almas! hahaha... Isso me lembrou a letra de um bolero do qual gosto muito, Sabor a mí: "Yo no sé si tenga amor la eternidad, pero alla, tal como aqui, el la boca llevarás... Sabor a mí".
Adeus, Pacheco Filho
Balbino Pacheco de Oliveira Júnior, conhecido como Pacheco Filho, nasceu em Salvador em 15/10/1926 e começou sua carreira no rádio aos 16 anos, depois de um concurso para locutores na Rádio Excelsior. Ele foi rapidamente afastado do cargo por conta de sua pouca idade, que não lhe permitia trabalhar. Quando o empresário Almeida Castro voltou à rádio como diretor, convocou Pacheco para retomar o cargo, visto que ele tinha quase 18 anos.
Com Humberto Santiago, Pacheco aprendeu a fazer radioteatro e foi galã da radionovela "A mulher inesquecível". Tempos depois, foi para Pernambuco trabalhar na Rádio Sociedade. Rapidamente, Pacheco se tornou produtor de programas, locutor e radioator. Dirigiu o setor artístico da Rádio Cultura, onde fazia diversos programas, sendo o mais conhecido deles o "Só para mulheres". Antes do lançamento do programa, a rádio costumava desligar os transmissores no horário entre 14 h e 16 h para que o "transmissor pudesse descansar".
O empresário Paulo Nacif começou a achar esta pausa um desperdício de dinheiro e convidou Pacheco para fazer um programa no horário, que seria baseado unicamente na interação com o público. Foi o primeiro programa brasileiro totalmente improvisado em conversas com os ouvintes. Para testar a audiência, Pacheco convocou os ouvintes a trazerem bolos para a emissora no aniversário de um mês do "Só para mulheres". No dia combinado, a polícia precisou conter a multidão. Pacheco Filho sempre foi conhecido por seu jeito cativante e extremamente polido que conquistava os ouvintes, sobretudo as mulheres.
A família de Pacheco era muito ligada à política. Seu pai havia sido vereador e deputado, seu tio idem e outro tio chegou a ser senador. Dois anos antes das eleições, seu pai morreu e começou a haver uma pressão familiar para que ele assumisse o lugar. Inicialmente, ele não queria, mas começou a se afeiçoar à vida pública e se tornou vereador em 1959.
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