Existem muitas ideias legais, porém mal interpretadas e usadas, hoje em dia. E por causa disso, estabelece-se um estresse em cadeia, porque um lado manda bala e o outro aguenta. Uma delas é sobre flexibilidade e leveza. Precisamos tê-las e eu sou uma das que está nessa luta. Porém, as pessoas confundem isso com a permissão pra serem descuidadas. A gente pode e deve ter tolerância pra coisas pontuais, mas não para um hábito ruim dos outros que nos prejudica. Como diz uma amiga, até que me seja apresentado um atestado, eu não vou me lenhar por causa dos outros não. Uma coisa é você atrasar e deixar a pessoa plantada uma vez, outra coisa é o costume de fazer isso. Daí, você que tem cuidado com as coisas, quando perde a paciência - afinal nem todo dia é dia santo... -, ainda sai de ruim e fica com ressaca moral, afinal não foi "flexível" e "leve".
Textos semi-verídicos sobre temas quase desinteressantes [e raramente revisados - sorry!].
sábado, 20 de janeiro de 2024
Estresse em cadeia
Descontrole
Estava hoje ouvindo uma palestra do psiquiatra baiano Marcelo Veras e ele falou que demorou pra se acostumar com os loucos, com o manicômio. Nunca gostei de lidar com gente louca, sempre me senti incômoda.
terça-feira, 9 de janeiro de 2024
Casa de ferreiro, espeto de pau
Uma das coisas que a gente faz no atendimento psicoterapêutico é uma espécie de reparentalização. Ou seja, quando certas coisas que deveriam ter sido orientadas pelos pais na primeira infância não foram feitas, o terapeuta tem que ensinar o paciente a ser esse pai/ mãe pra si mesmo, pra derrubar modelos de resposta que são danosos.
Meus pacientes foram pessoas muito mal tratadas pela vida, pelo entorno, então chegaram à terapia com baixíssima autoestima, o que inclusive resulta em total cegueira para os próprios feitos. E olha que foi cada coisa difícil de sobreviver e superar que em certas horas eu tive vontade de bater palmas.
Daí eu fico fazendo sermão pra pessoa olhar pra isso, pra aquilo, pras próprias capacidades e conquistas, dou vários exemplos, mas falando cá com os meus botões: "Que falsa!... Você não faz nada disso...". hehe
O paciente é um ótimo espelho. Enquanto vemos os dramas dos outros, pontuamos várias questões nossas também. Acho que vou levar isso pra vida.
Ja contei essa?
Acho que não, mas essa história é boa.
Eu sempre tive dúvidas com essa carreira de jornalista, desde a faculdade. Um dia, soube através de amigos de uma mulher que jogava búzios e acertava tudo. Por uma coincidência, uns cinco anos depois, em 2008, soube dela de novo e desta vez consegui o contato. Aliás, antes de qualquer coisa, conversa vai, conversa vem e ela fez um desabafo sobre a afilhada dela, uma certa dançarina muito famosa, que deixou de falar com ela depois que virou celebridade e neo evangélica. Puro suco de Bahia: você vai pra saber da sua vida e sai sabendo mais do que intencionava sobre a de quelé.
Fui lá e entre outras coisas perguntei da profissão. Ela olhou assim assim, com cara de quem tá vendo algo meia boca - uma das marcas dela era a grande expressividade -, fez "hummm...", e me disse que o Jornalismo era só pra comprar os meus alfinetes mesmo, mas que não ia me dar futuro. Deu match com a minha "bola de cristal" interna.
Naquela época, eu já flertava com a Psicologia. Na verdade, desde quando eu peguei Impresso e fui cobrir um congresso de Psicologia. Perguntei a ela. "Hummmm..." e a cara de coisa meia boca de novo. "Isso vai servir pra você se entender, mas não é seu caminho, não". Pausa e uma esticada de olho pra conferir se é isso mesmo. "Eu lhe vejo de toga!" (ouça com aquela exclamação ao estilo "Eureca!", que foi o tom que ela usou).
"É o quê?!"
Eu achei absurdo. Até poderia ter feito Direito, minha nota dava pra ingressar no segundo semestre, mas eu achava tão chato. Fui lá mais algumas vezes depois disso e ela repetia a previsão.
Um ano depois, eu comecei a trabalhar num curso para concurso, e fiz um curso de noite com várias disciplinas de Direito. Pensei que talvez ela tivesse confundido.
Em 2015, eu já estava enchendo o saco de trabalhar em jornal e queria outra coisa. Fiz o Enem pensando em Psicologia, mas não obtive índice. Mas sem entender até hoje, no meio do ano a nota serviu pra Uneb, pro curso de Direito. Fui e gostei, mas era muito longe. Decidi que só continuaria se passasse na UFba, que fica no pé de casa. Sem estudar, passei. E tô aí, com as coisas fluindo. Até umas disciplinas que eu achava que não ia conseguir aproveitar, aproveitei. E ela acertou: a Psicologia serviu mesmo pra eu me entender, mas não quero seguir não. Só não sei se vou usar toga, mas se for da vontade de Deus eu ganhar o que esse povo ganha, Senhor, sua serva está pronta! hahaha
segunda-feira, 8 de janeiro de 2024
O calor estragou meus planos de vida
Eu não sei como as pessoas conseguem articular metas e ambições com o calor ininterrupto que faz em Salvador. Eu vou ali e volto morta e derretida. O mundo acima de 24 graus é difícil pra caramba. Por isso que gente rica só vem aqui nas férias.
Não que eu ache a essa altura importante ter metas e ambições. Tenho elas infinitamente em menor quantidade que há 20 anos. Mas também naquela época eu queria muita coisa porque achava que deveria querê-las; hoje tô ligada que não sei o que quero, à exceção de umas três ou quatro coisas triviais.
Mas eu vim aqui pra reclamar e não pra divagar.
O corpo importa, minha gente. A alma não empreende carreira solo de jeito nenhum. E no desconforto térmico fica difícil. O que a Bahia tem contra as quatro estações? Eu adoro a animação do verão na mesma proporção que eu odeio o calor.
domingo, 7 de janeiro de 2024
We gave to "trauma" a bad name
Hoje estava comentando sobre os traumas de uma amiga. Acho que se ela me ouvisse, se sentiria ofendida. Não por minha culpa, mas porque a tal palavra pegou uma conotação negativa, como se alguém traumatizado fosse maluco, fraco ou problemático. Alguém traumatizado apenas está em dor, o que na verdade não é "apenas", mas não é defeito de fábrica da pessoa. Acontece a todos.
Tudo tem seu preço mesmo
Manter relacionamentos próximos e de longo prazo exige muita paciência e perdão. Inclusive consigo mesmo. Tem que gostar muito do outro pra valer se empenhar. Tem que haver um ótimo motivo/ mandiga pra nos fazer ainda querer. Definitivamente, nada vem de graça mesmo nessa vida.
Devido ao alto preço e ao pouco que as pessoas estão dispostas hoje a dar, a esmagadora maioria delas pelo menos, cada vez mais vejo que eu era iludida e que na verdade não perco nada estando quieta no meu cantinho. Se relacionar com o outro é bom, mas custa. Tem que valer a pena.
sábado, 6 de janeiro de 2024
Terceiromundização do primeiro mundo (ou "todo mundo vai descer")
Esqueci de dizer sobre as Olimpíadas de Paris que minha amiga que mora lá me contou que estão tirando os estudantes estrangeiros dos alojamentos para dar lugar às delegações, em troca de míseros cem euros. Pire aí!.. Naquela cidade caríssima?!...
Outro problema do evento é que a vila olímpica foi construída numa cidade pobre e a população está com medo de que haja gentrificação. E essa é uma praga mundial, né? A seguir cenas dos próximos capítulos...
Moradia tem sido um problema geral. Criamos um sistema econômico que beneficia meia dúzia de pessoas e o resto trabalha pra pôr algo no estômago e ter um canto pra se encostar. Ultimamente, esse canto está ficando cada vez mais precário e indigno. Temos chat GPT, mas uma humanidade voltando às condições do século 19. Um oferecimento dos mais ricos que adoram investir (e lavar) dinheiro em imóveis, aumentando o valor do metro quadrado e tornando indisponíveis, ou melhor, inacessíveis as unidades pra quem realmente precisa morar naquele lugar.
Estava comentando com uma amiga, outro dia, como a humanidade se engana ao achar que o progresso é uma coisa linear. Achávamos que estaríamos melhores que nossos pais, e isso não ocorreu. Achávamos que o chamado terceiro mundo ia progredir até o primeiro, mas o que vemos é o tal primeiro mundo descendo às condições do terceirão. A diferença é que, como já foram muito ricos (ainda são, mas falo da prosperidade da população), eles ainda tem gordura pra gastar e nós não.
Não sei se já falei aqui, mas eu adorei um livro que eu não dava nada, de uma jornalista americana Anne Helen Petersen, chamado "Não aguento mais não aguentar mais". Ela fala da geração millenium e como nós nos afundamos no burn out, mas como pano de fundo de tudo isso está a crise neoliberal. É angustiante, porque você lê algo que se passa na meca do capitalismo e parece que ela está falando de Brasil. A sensação é que não tem pra onde fugir, não existe nem mais essa tal terra da esperança.
Olha, se nada for feito, todo mundo vai descer.
sexta-feira, 5 de janeiro de 2024
A Paris que eu encontrei desta vez
quinta-feira, 4 de janeiro de 2024
Lilian, a "padroeira" deste blog e das sessões de terapia
Eu sou rebelde porque o mundo quis assim
Porque nunca me trataram com amorE as pessoas se fecharam para mim
Eu sou rebelde porque sempre sem razão
Me negaram tudo aquilo que sonhei
E me deram tão somente incompreensão
[Refrão]
Eu queria ser como uma criança
Cheia de esperança e feliz
E queria dar tudo que há em mim
Tudo em troca de uma amizade
E sonhar e sorrir
E esquecer o rancor
E cantar e sorrir
E sentir só amor
[Verso]
Eu sou rebelde porque o mundo quis assim
Porque nunca me trataram com amor
E as pessoas se fecharam para mim
Eu sou rebelde porque sempre sem razão
Me negaram tudo aquilo que sonhei
E me deram tão somente incompreensão
O copo meio vazio
O ser humano consegue ser estreito a despeito de todos os recursos que têm.
Eu hoje dei um exemplo disso, que é um exemplo tão corriqueiro que é possível vivê-lo todos os dias. Várias vezes ao dia.
Um exemplo bobo, mas veja bem... Um produto ficou 25% mais barato do que quando eu o comprei na Black Friday. Fiquei puta e me senti perdendo dinheiro. Logo, fui pensando em quanto dinheiro poderia ter economizado este mês, mas por situações como essa, perdi. E uns minutos depois afastei esse pensamento porque eu não só perdi, eu também ganhei dinheiro inesperado. Mais até do que perdi. Mas por que a gente só foca no ruim, no copo meio vazio? Eu sei que isso tem a ver com processos evolutivos, mas tá na hora de atualizar ou mesmo trocar esse programa. Já!
sábado, 30 de dezembro de 2023
"O que é que eu vou fazer com essa tal liberdade?"
Quem canta essa música de Alexandre Pires, nos dias de hoje, está de falsidade. Só digo isso.
Porque o que a gente não sabe mesmo é estar acompanhado. A liberdade tá fácil. Todo mundo morando sozinho, anos e anos sem compromisso, ganhando o próprio dinheiro... E é muito confortável fazer o que der na telha sem precisar consultar ninguém. Difícil, depois disso, é negociar as concessões necessárias para estar juntos.
terça-feira, 26 de dezembro de 2023
Eu não acredito em Ivete Sangalo
Se eu disser o que eu vou escrever aqui, o povo me mata. Ivete já se tornou uma ideia, e do tipo incontestável. Não sei se ela já sacou isso e se sacou, se isso a afeta, mas ela já deixou de ser ela pra virar uma projeção nacional da pessoa gente boa, a imagem do brasileiro suingue sangue bom.
Ninguém vai ler isso, mas caso leia, que fique claro: esse texto não é depreciativo. Eu gosto dela no geral, mas algumas coisas não descem redondas, não. Eu tenho uma casa 8 muito lotada pra não desconfiar do que tem debaixo das aparências...
Acho Ivete uma pessoa sensata, como pouco se vê no meio artístico. E simples. Mas não acredito nessa alegria desmedida. Por um lado, ela teve muita sorte na vida e sabe reconhecer e aproveitar isso, o que é um sinal de sabedoria. Mas não acredito nessa coisa que ela diz que não deixa a tristeza chegar perto. Acho isso impossível. Acredito mais numa vida em que a alegria nunca chega perto do que no contrário. Não tenho certeza se isso, de Ivete, é sabedoria ou se é fuga, já que todo mundo, inclusive ela, quer essa Ivete animadona, super positiva full time. O reforço externo que ela ganha pra ser essa daí há 30 anos, pelo visto, bateu internamente e ela fica nessa de ser a animadona, a super resolvida.
E uma parte de mim sempre pensa: ok, está tudo correndo bem na vida da pessoa, é até relativamente fácil manter o equilíbrio, o personagem de bem resolvida quando é assim. Mas como vai ser quando essa pessoa fracassar, quando as coisas saírem fora do planejado? Na prática, a teoria é outra. Tem cantos escuros do mundo e da nossa alma que só no movimento de ladeira a baixo pra gente descobrir se consegue lidar e o quanto eles conseguem influir em quem somos e na nossa vida. Sabe aquele slongan do Real World, reality da MTV? "Esta é a história real de sete estranhos escolhidos para viverem juntos numa casa e ver o que acontece quando as pessoas começam a perder a gentileza e a serem de verdade".
Um segredinho astrológico: toda pessoa com a lua em signo de fogo não sabe sofrer (é o caso dela e também o meu, e nós duas temos a lua em sagitário, o que é pior ainda, porque é pura negação da tristeza). A pessoa quer sair por cima, mostrar "que não doeu". Ivete tem plutão em libra cravado no ascendente em virgem. Plutão no ascendente tem dois vieses: um, negativo, é aquela pessoa que joga o pior dela logo de cara, porque daí só fica quem aguenta; outro, que tem um uso mais positivo, é aquela pessoa que tem um autocontrole espantoso. Ivete é o segundo caso e com os signos envolvidos, ela vai querer mostrar perfeição, bom senso e diplomacia. Ela se exibe muito, mas não se mostra demais - repare nisso.
Outra coisa dela que não me desce (e é tipicamente geminiana) e que eu acho que é instintiva, que ela não faz por mal, é que Ivete é amiga de todo mundo. Ou seja, não é amiga de ninguém. E isso você vê na prática. Chama todo mundo de "zamuri", mas raramente aparece fazendo um social com as amigas. Sempre vejo Ivete com a família. É uma energia gasta em ser popular e aceita por todos, mas não no aprofundando de vínculos. O famoso "só sobe na vida quem nunca se ofende", como dizia o personagem de Nelson Rodrigues.
Todos nós somos instigados a ter uma persona pública, a performar, e no caso das mulheres, a mostrar muita feminilidade, o que quer dizer doçura, submissão, fragilidade, etc. Mas eu não como esse reggae porque sou ser humano e sei como a cozinha da alma funciona, ora.
No caso dos famosos, essa interpelação é maior ainda. Afinal, a vizinhança se amplia, você está sendo observado por quem você não vê. É uma ansiedade que eu não conseguiria imaginar.
Eu acho, por exemplo, que Britney Spears e Michael Jackson são pessoas muito doces, carentes e tal (no caso dele, que já faleceu, era). É assim que o público percebe esses dois pop stars. Mas até pelo nível de sucesso e que vem desde criança, dá pra perceber que há traços de autoritarismo, que gostam que os outros façam o que eles querem e se enfurecem quando contrariados. Britney mesmo deixa vários vestígios desse comportamento, mas ninguém presta atenção nisso, pois ela está sempre performando feminilidade, doçura, fala fino, é pequena, tem ar de carente, etc.
A pessoa performa até pra se proteger, é claro, mas não sou obrigada a acreditar.
sábado, 23 de dezembro de 2023
Out of Africa
Eu posso resumir minha experiência a um choque térmico e o mais bizarro é que meu estranhamento tinha a cara da minha casa.
Explico: é um mundo totalmente diferente. É como se você estivesse no Brasil dos anos 70. Só que nem tudo é pobreza. A África tem duas coisas, fruto da resistência deles, que a gente perdeu: senso de comunidade e simplicidade. Não é mera fatalidade, é também escolha. Eles não querem ir ao shopping, eles querem fazer a roupa com o alfaiate da feira, que, aliás, frequenta a mesma mesquita.
É outro mundo, minha gente. Você de repente se surpreende, numa sexta-feira de tarde, com todo mundo segurando um tapetinho de oração e indo rumo à mesquita, como se fosse a galera descendo pra Barra na sexta de Carnaval. Tudo pára. Por outro lado, você se depara com uma feira ou mesmo um pedaço de praia que te faz sentir em Salvador. Eu fico pensando como deve ter sido confuso pros escravizados quando chegaram ao Nordeste. É o outro lado do Atlântico, mas são irmãos mesmo, há semelhanças que chegam a ser bizarras.
Ah, sim, as crianças são lindas.
Mas tem o lado B também, e isso é inegável.
A África me pareceu a América Latina, mas com os problemas mais acentuados. Logo que cheguei no aeroporto, uma faixa enorme contra a corrupção. O funcionário da alfândega me soou àquele tipo de gente que gosta de abusar do pequeno poder que tem. Na ida pra casa, uma blitz nos parou e o policial cobrou propina. A desigualdade, então, é muito mais gritante que aqui - daí você já imagina o drama social.
É aquela coisa: o estereótipo pega não só porque é interessante pra quem o difunde (e está no poder), mas porque quase sempre tem um fundo de verdade. A questão é que se toma uma parte pelo todo. A África tem muito mais que problemas sociais e políticos, inclusive tem coisas interessantíssimas a nos ensinar.
sexta-feira, 15 de dezembro de 2023
Mas, gente...
Anália joga cartas e na seleção desta vez, escolhi a carta 3. Esse mundo é cheio de bruxarias, definitivamente. Espero que em 2024 eu finalmente consiga renascer e recuperar a minha qualidade de vida. 🔥🙏🏼
Sobre nomes
Fazendo minha pesquisa genealógica, que há muito não avança pra lugar algum, aprendi coisas interessantes sobre a história das minhas famílias, sobre até a história do Brasil. Uma das coisas que mais me emocionou, de verdade, foi descobrir as mulheres da minha família materna. Os sobrenomes "Rosa", "De Jesus", "Cortes" que eu nem sabia que me pertenciam. Por uma questão de tradição, no meu ramo materno, os homens passavam seus sobrenomes pros filhos, sem incluir os das esposas. Somos Lopes de Menezes (em certa época, "de Meneses") há algumas gerações. Minha mãe que cortou isso radicalmente e além de não ter aderido ao Lopes de Menezes, ainda cortou o último sobrenome. Somos os únicos a usar Lopes na família de lá. Aliás, abrindo parênteses aqui, que bagunça o meu lado paterno, um contraste absoluto com o materno: ninguém passou essa zorra de sobrenome corretamente. Todos os meus primos por parte de pai são Oliveira, uma só ficou com o Turíbio (que no original era "Toribio"), novamente só a gente usa Brito, mas o nosso sobrenome correto seria Aguiar, que vem lá do patriarca, José Turíbio de Aguiar.
quinta-feira, 14 de dezembro de 2023
Meia boca
Eu já gostei mais de gente. Não sei se digo isso com pesar ou indiferença. Não sei.
Inclusive minha vontade de fazer Psicologia, de ser terapeuta, vinha muito disso. Eu me interessava pelas pessoas, gostava de ouvir mesmo quando ninguém mais tinha paciência. Gostava de ajudar, de aconselhar. Não quero mais. É, se a minha primeira vida é uma morta viva, a minha segunda vida nasceu natimorta. Acho todos os meus (poucos) pacientes chatos. As neuroses são nada interessantes (risos). Descobri que eu gostava de mim nas minhas próprias sessões, conversando com um terapeuta sagaz (sim, é como uma dança, não adianta só um lado botar pra quebrar). Modéstia à parte, eu sei desenvolver a conversa. Descobri que um bocado de gente é péssima nisso, mesmo quando o assunto é a própria vida. Eu me interesso por quem sabe conversar. Ponto. Aliás, eu tenho mil coisas pra falar mal do povo da Comunicação, mas, neste quesito do papo, é um meio que te acostuma mal, pois geralmente as pessoas sabem conversar (o nível anda caindo, mas ainda é superior à média da sociedade). A única coisa que salva é conhecer as histórias de vida, isso é sempre interessante de fato.
Eu antes não era assim.
Acho que foi a pandemia. Explico: a gente foi mais pra dentro, não necessariamente num sentido mais profundo, mas a gente teve que se dar mais relevo, já que os outros estavam longe. Fizemos isso através das redes sociais, o que tornou esse show do eu mais agudo.
E eu acho que também tomei uns vááários baculejos sucessivos da vida, que me fizeram ficar mais amiga de mim mesma e menos disponível pros outros. Mais interessada em resolver as minhas coisas, até porque hoje tenho mais passado que futuro. Até porque não tem ninguém me dando contrapartida, interessado assim em mim. E eu tenho feito muita coisa e tô andando muito ocupada com isso, porque preciso agilizar certas áreas da vida, e então não tem sobrado muito tempo e o que tem, eu quero gastar com qualidade. Preciso inclusive desacelerar, descansar...
Influi nisso meu desgaste com Salvador (na verdade, com o Brasil). Definitivamente esse não é meu lugar no mundo, embora eu tenha afeição pela cidade. Mas aqui nada frutifica pra mim (há lugares, pessoas e situações que definitivamente não são pra gente). Eu não curto os tipos da cidade, acho todo mundo meio personagem, até gente boa, mas quase todo mundo faz tipo, uma coisa meio falsa, todo mundo fingindo que está sendo super espontâneo mas jogando na retranca, uns tipos meio batidos, até porque o povo não é nada criativo (eu poderia separá-los em gavetas de acordo com o tema do personagem). Eu não consigo me desenvolver nessas bases. Eu gosto de intimidade e aqui é o antilugar pra essas coisas. Salvador e seus códigos dúbios me fizeram uma sujeita desconfiada das pessoas. Eu não era assim. Cheguei aqui criança, levando bolo de aniversario pra vizinha que mal conhecia, mas hoje não quero mais conhecer ninguém nessa cidade. Não tem novidade, é como se eu sempre estivesse lidando com o mesmo tipo de pessoa que eu já conheço à exaustão e não tenho muita admiração, não.
E o mais triste pra mim é que eu sou meio Tom Cruise. Se animada, eu sou do time de quem sobe no sofá de Oprah. E eu sou reativa, esse lado só aparece se acionado por outra pessoa com quem consigo desenvolver uma ligação, assim como também acontece com o meu pior lado. Mas a realidade foi e tem sido tão meia boca, que eu me sinto uma bola murcha quase todo o tempo. Tô vendo umas paradas aí pra ver se melhora a coisa, mesmo que parcialmente, mas não depende só de mim. Gostaria muito de encontrar quem jogue comigo antes de sair desse jogo da vida. Qualquer um, pode ser até um cachorro. All I want is a little reaction...
quarta-feira, 13 de dezembro de 2023
Raiva loves u
Hoje eu li, num desses memes de internet, que a raiva é a parte de você que se indigna quando você está sendo injustiçado, que te ama.
Faz sentido se a raiva é justificada. Digo isso porque vejo muita gente, geralmente privilegiada, com raivas indevidas.
É quando você aguentou mais do que devia e os demais não querem reconhecer isso que é legítimo ela entrar. É o seu amor próprio e senso de justiça quebrando tudo.
sábado, 9 de dezembro de 2023
Acreditando
Hoje acordei de um sonho com esse trecho de música: "Acredite no final feliz". Em minha defesa, digo que nem de Jorge Vercilo eu gosto. Vou levar como premonição. Pode ser golpe do meu inconsciente, mas vou me apegar à melhor versão.
sexta-feira, 24 de novembro de 2023
No seu lugar
Outro dia fui me despedir da minha ex turma de Teoria Junguiana indo ao ultimo dia de aula deles. Uma das colegas, comentando sobre a dedicação de uma outra colega que trabalha no CAPS, disse que era "lindo ver alguém encontrando seu lugar no mundo". É lindo mesmo e em alguns casos, misterioso.
É impressionante como os caminhos se abrem quando ele é o seu. A força que as coisas têm quando precisam acontecer. Não basta você escolher; precisa ser escolhido. E não precisa ter talento. Algumas pessoas são escolhidas, quer tenham isso ou não, mas melhor ainda se vier esse plus, pra embelezar o cenário.





