Esqueci de dizer sobre as Olimpíadas de Paris que minha amiga que mora lá me contou que estão tirando os estudantes estrangeiros dos alojamentos para dar lugar às delegações, em troca de míseros cem euros. Pire aí!.. Naquela cidade caríssima?!...
Outro problema do evento é que a vila olímpica foi construída numa cidade pobre e a população está com medo de que haja gentrificação. E essa é uma praga mundial, né? A seguir cenas dos próximos capítulos...
Moradia tem sido um problema geral. Criamos um sistema econômico que beneficia meia dúzia de pessoas e o resto trabalha pra pôr algo no estômago e ter um canto pra se encostar. Ultimamente, esse canto está ficando cada vez mais precário e indigno. Temos chat GPT, mas uma humanidade voltando às condições do século 19. Um oferecimento dos mais ricos que adoram investir (e lavar) dinheiro em imóveis, aumentando o valor do metro quadrado e tornando indisponíveis, ou melhor, inacessíveis as unidades pra quem realmente precisa morar naquele lugar.
Estava comentando com uma amiga, outro dia, como a humanidade se engana ao achar que o progresso é uma coisa linear. Achávamos que estaríamos melhores que nossos pais, e isso não ocorreu. Achávamos que o chamado terceiro mundo ia progredir até o primeiro, mas o que vemos é o tal primeiro mundo descendo às condições do terceirão. A diferença é que, como já foram muito ricos (ainda são, mas falo da prosperidade da população), eles ainda tem gordura pra gastar e nós não.
Não sei se já falei aqui, mas eu adorei um livro que eu não dava nada, de uma jornalista americana Anne Helen Petersen, chamado "Não aguento mais não aguentar mais". Ela fala da geração millenium e como nós nos afundamos no burn out, mas como pano de fundo de tudo isso está a crise neoliberal. É angustiante, porque você lê algo que se passa na meca do capitalismo e parece que ela está falando de Brasil. A sensação é que não tem pra onde fugir, não existe nem mais essa tal terra da esperança.
Olha, se nada for feito, todo mundo vai descer.
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