Uma das coisas que a gente faz no atendimento psicoterapêutico é uma espécie de reparentalização. Ou seja, quando certas coisas que deveriam ter sido orientadas pelos pais na primeira infância não foram feitas, o terapeuta tem que ensinar o paciente a ser esse pai/ mãe pra si mesmo, pra derrubar modelos de resposta que são danosos.
Meus pacientes foram pessoas muito mal tratadas pela vida, pelo entorno, então chegaram à terapia com baixíssima autoestima, o que inclusive resulta em total cegueira para os próprios feitos. E olha que foi cada coisa difícil de sobreviver e superar que em certas horas eu tive vontade de bater palmas.
Daí eu fico fazendo sermão pra pessoa olhar pra isso, pra aquilo, pras próprias capacidades e conquistas, dou vários exemplos, mas falando cá com os meus botões: "Que falsa!... Você não faz nada disso...". hehe
O paciente é um ótimo espelho. Enquanto vemos os dramas dos outros, pontuamos várias questões nossas também. Acho que vou levar isso pra vida.
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