Cada vez mais direita e esquerda se alinham em desonestidade e autoritarismo, mas eu ainda pendo à esquerda, pois ainda vejo um projeto coletivo. Na direita a mensagem é: salve-se quem puder. Como não acredito em meritocracia nem em uma sociedade só feita de gente excepcional, fico à esquerda mesmo.
Mas, no reino das fakes news, ando perdendo a esperança de que as pessoas tenham interesse na verdade. Meta: deixar esse tipo de discussão pra lá, não adianta tentar, insistir. Ou, como diz dona Jô, não adianta sentar cachorro em banco. Precisamos mesmo abraçar o fundo do poço. Eu agora tô pra jogo. Ah, chega!...
Textos semi-verídicos sobre temas quase desinteressantes [e raramente revisados - sorry!].
domingo, 18 de março de 2018
sábado, 17 de março de 2018
Zen ni mim
Eu tenho um amigo que diz que, em Salvador, das duas, uma: ou você surta ou vira zen.
(Ele também adora repetir uma frase de Edifício Master: "A gente tenta ir de Piaget, mas, se não der, vamos de Pinochet". hehehe... Maravilhoso!)
Eu acho que tô ficando zen. Mentira, não é bem assim. Mas acho que estou ficando mais calma. Eu tive um bom teste essa semana e acho que me sai legal. Acontece tanta merda ao mesmo tempo que você acaba reagindo, como aqueles bonequinhos num videogame, mas eu tô conseguindo reagir com mais serenidade. Tô feliz com isso. Uma coisa que me frustrava muito era ser reativa e nervosa. Eu tô reativa e calma, falando num tom bom, mas continuo levando papo reto, o que não acho que é defeito; eu acho é que as pessoas se infantilizaram demais e não conseguem lidar mais com coisas que não sejam agradáveis. Nunca achei que tenho a obrigação de mentir para agradar (claro, nem todo contexto pede sinceridade), apenas de ser educada. Parto do pressuposto de que estou lidando com gente adulta, capaz de ouvir, processar e fazer autocrítica. Uma coisa que tô largando de mão aos poucos é de interferir quando acho que a pessoa está entrando numa roubada, mas não abro mão de me posicionar se esse algo está interferindo na minha vida. É meu direito. Quem não quer ser criticado, não faça merda (porque às vezes as pessoas estão conscientes de que estão sendo folgadas, mas esperam que você não aponte isso nelas, que seja educada. Ah, vá!...).
Meu próximo passo será jogar pra cima. Uma boa parte de eu ser reativa é porque me cobro uma resposta, uma eficiência, embora as pessoas façam solicitações às vezes difíceis, desgastantes e sem necessidade disso. Eu quero aprender a deixar essas pessoas na mão, pois acho que só assim elas aprendem e eu me poupo. Quero apertar o foda-se. Um dia meu eu superior chega lá, hehe.
terça-feira, 13 de março de 2018
25 teses sobre afeto
1 - Se você precisa insistir, talvez não seja para ser. O que é genuíno geralmente acontece espontaneamente.
2 - Mas deixar acontecer não é ser negligente. Quem não escolhe, será escolhido, ou seja, quem não toma decisões ficará ao exclusivo sabor do destino, que pode ser amargo.
3 - Apostar não é o mesmo que insistir. É ainda continuar achando que o outro vale a pena.
4 - Se você precisa cobrar, é porque não está havendo reciprocidade. Parece bastante óbvio, mas as coisas óbvias são as últimas que a gente enxerga quando queremos manter as pessoas das quais gostamos por perto.
5 - Se não está sendo recíproco, tudo bem. Mas também está tudo bem quem dá mais e não está recebendo querer ajustar sua conduta à realidade.
6 - Não perca tempo com gente sem amor próprio. Gente assim só valoriza justamente quem não tá nem aí para ela.
7 - Relacionamento não é feito para durar; raro é quando dura. As pessoas se juntam para ciclos.
8 - Para alguém se realizar muito, outro alguém geralmente tá pagando essa conta. A energia que se emprega em um setor da vida vai fazer falta em outro.
9 - Salvo exceções, besta é quem paga o preço no lugar do outro. Virtude nunca convenceu ninguém a ficar com ninguém. Em algumas circunstâncias, isso é até chantagem. Depois, quando ouvir um "Fez porque quis, ninguém te pediu nada", não vai poder nem questionar.
10 - Uma pessoa pode ser ótima em sociedade e escrota em seus relacionamentos. Uma coisa não exclui a outra.
11 - Tem homem que gosta de comer mulher, não de mulher.
12 - Tem mulher que gosta de estar em um relacionamento, não do homem que está nele.
13 - As crianças deveriam ser criadas em uma colônia gerida pelos 5% de pessoas equilibradas que existem no mundo.
14 - Aliás, ser criança só é bom se estiver cercada dos adultos certos.
15 - O pior tipo de gente é aquele que não se vincula a ninguém. Corra, Lola, corra!...
16 - O segundo pior tipo é o indiferente, que não repara, que não contribui em nada, que não lhe enxerga simplesmente.
17 - O terceiro é gente que vive para o que os outros vão dizer, que vive a vida para se aparecer pros outros, pra ficar bem na fita a qualquer custo. Fuja de quem não sabe o quer quer, de gente sem personalidade!
18 - Acredite menos no que as pessoas falam e mais no que elas fazem.
19 - Aliás, no fundo, ninguém engana ninguém. A gente é que quer desesperadamente acreditar no que convém.
20 - Todo mundo que já foi próximo de alguém sabe detectar aquele momento em que a pessoa muda a forma de te tratar. Não finja que você não viu; sente para conversar. Tenha timing. São a hipocrisia e o medo da mudança que fazem as pessoas chegarem às últimas consequências, terminando a história da pior forma possível, sendo expulsas do "paraíso" de qualquer jeito. Desamor é que nem fogo: se contido a tempo, produz menos danos.
21 - Se não dá pra ir de Piaget, o jeito é ir de Pinochet. Às vezes ser democrata demais lasca com a situação.
22 - Aprenda que o sofrimento também é pedagógico, pode ser produtivo. Deixar sofrer às vezes é o caminho pra pessoa melhorar, crescer. Ninguém evita os percalços na vida do outro, o que dá pra fazer é acolher, orientar.
23 - No que realmente importa, a gente é sempre só.
24 - A gente dá muito poder aos outros e pouco a si mesmo.
25 - As pessoas têm as suas limitações, mas ninguém é coitado. Antigamente, eu ficava jogando panos quentes quando a pessoa era sacana ou negligente comigo. Hoje em dia, quem fez a merda que dê jeito nela - isto é, quando achar que é importante consertar as coisas, pois nem todo mundo tem essa mesma opinião.
Não é ficção
Outro dia debatia com uma amiga sobre um meme que usava máximas ditas pelas mulheres, mas reforçando o estereótipo da chata, paranoica. Ela falou aquelas coisas: é construção social, é machismo, etc. Eu concordo, não tem como discordar. Mas eu vejo uma falha nesse discurso, que eu acho que (pra variar) não consegui explicar: o fato de ser uma construção social não implica em ser uma ficção. É até óbvio, pois se fosse ficção, não pegava tão forte assim. O preconceito sempre trabalha com uma meia verdade, fora de contexto, que unifica vários grupos em um só.
sábado, 24 de fevereiro de 2018
Lembrete pra mim nº 1209308093902
Juli, sei que você é obcecada em entender as coisas que aconteceram na sua vida, das mais insignificantes às mais complexas, mas, lembre-se disso, até porque o tempo está correndo: algumas coisas não são pra entender, mas para aprender e superar. Grata pela atenção.
quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018
Paris is burning (ou "Sempre dependi da bondade de estranhos")!
Eu nunca engoli bem hierarquias. Não essas impostas. Ou eu respeito ou não respeito. Por exemplo, sempre fugi de pedir benção aos mais velhos. No meu caso, não havia sentido, não havia transferência com os mais velhos da minha família.
Família. Pode ser que eu forme uma e eu penso às vezes se eu quero ou não. Se eu fosse homem, não haveria dúvida, mas como sou mulher... Até agora, a resposta é não. Minha ficha caiu depois que eu assisti a um documentário na Netflix, chamado "Paris is burning".
Basicamente, o filme fala de um concurso de drags na periferia nova iorquina no final dos anos 80. Você fica mal com todas as histórias de rejeição e exclusão dos personagens e com tudo que eles sonham e que nunca serão (mas mesmo assim eles não deixam de sonhar). Mas há muita beleza também entre eles e um dos exemplos é como se acolhem, como acabam formando uma família. Sim, como é linda e potente a resistência!
E foi então que finalmente me deu o clique de que eu não preciso de sangue para ter uma família. Eu sempre formei famílias fora, famílias que toda hora mudam de personagens (alguns poucos fazem parte do elenco fixo), é verdade, mas eu sempre pude contar com a bondade dos que não são meu sangue, os "estranhos".
Família. Pode ser que eu forme uma e eu penso às vezes se eu quero ou não. Se eu fosse homem, não haveria dúvida, mas como sou mulher... Até agora, a resposta é não. Minha ficha caiu depois que eu assisti a um documentário na Netflix, chamado "Paris is burning".
Basicamente, o filme fala de um concurso de drags na periferia nova iorquina no final dos anos 80. Você fica mal com todas as histórias de rejeição e exclusão dos personagens e com tudo que eles sonham e que nunca serão (mas mesmo assim eles não deixam de sonhar). Mas há muita beleza também entre eles e um dos exemplos é como se acolhem, como acabam formando uma família. Sim, como é linda e potente a resistência!
E foi então que finalmente me deu o clique de que eu não preciso de sangue para ter uma família. Eu sempre formei famílias fora, famílias que toda hora mudam de personagens (alguns poucos fazem parte do elenco fixo), é verdade, mas eu sempre pude contar com a bondade dos que não são meu sangue, os "estranhos".
domingo, 18 de fevereiro de 2018
Lady Bird
"Lady Bird" é uma graça! Fui ver porque o filme se passa numa época em que eu também fui jovem. Sou um pouco mais velha que a personagem, mas ela passou, no ensino médio, pelas coisas que passei na universidade. Algumas, eu continuo passando, hehe. O filme acontece entre 2002 e 2003, e eu tenho imenso carinho por esse período de cinco anos da minha vida, de 1998 a 2003. Muita coisa aconteceu, eu comecei a ser eu mesma, foi quando eu saí de Itapuã pra cidade, pro mundo dos adultos, que, apesar de todos os perrengues, é infinitamente melhor que a adolescência. Ah, sim, e eu adoro a atriz que faz a protagonista!...
O filme fala daquela época em que nos damos conta de que não temos mais nada a ver com as pessoas do nosso entorno, que o espaço conhecido já ficou estreito e que, por mais duro que seja romper, vamos ter que fazer isso, nos "parir", processo esse, aliás, que para pessoas saudáveis, "atentas e fortes", vai durar a vida inteira. Achei muito sagaz o filme ter terminado com o estranhamento dela de Nova York. É o "parto" de decidir ir embora, depois vem esse outro "parto", que é construir seu pertencimento dentro do novo lugar. Nunca para. É cansativo, sim. Dá medo. Mas a boa notícia é que dura, no máximo, cem anos.
Vamos lá, algumas notas sobre "Lady Bird":
1- Incompreensão. A personagem é um ET não só na escola, mas dentro de casa. Todo mundo gosta dela, mas, com exceção do pai, a família não perde a chance de implicar com ela - um jeito de descontar a frustração individual, mas também um meio torto de "educar". Isso me lembrou meu professor de Ética, Renatinho da Silveira, cuja aula não me ensinou nada sobre Jornalismo, mas uma frase dita por ele eu nunca esqueci: "Frequentemente a nossa família até nos ama, mas não nos compreende. E só o amor não é suficiente".
2- Sonhos x Realidade. A família sempre teve pouco dinheiro, está passando por vários problemas neste sentido, e a personagem, além de nunca ter tido grande coisa além do básico, está conhecendo gente rica (vendo que o mundo pode oferecer mais) e sendo podada de sonhar com mais para o próprio futuro. Mas, enfim, ela é a heroína, então acaba tudo bem. Na vida real, é foda esse tipo de atmosfera. As pessoas ficam amarguradas e jogam isso em cima das outras, especialmente na família, diante da certeza de que parente vai sempre perdoar. Mesmo com boa intenção e ainda que tenham feito um esforço para mantê-la em colégio particular (mas não pelo motivo correto, que é a educação, mas mais uma vez movidos pelo medo), eles poderiam ter arruinado o futuro da menina.
3 - Generosidade. Gostei da madre superiora do colégio que, diante das rebeldias de Lady Bird, tentava interpretá-las e não puni-las. Tem senso de humor, é debochada, enfim, uma pessoa que, apesar da autoridade, é generosa. LB também é generosa e, ao contrário do que se espera pra idade, é acolhedora mesmo depois de descobrir que foi traída - se bem que não foi por mal. Lady é generosa principalmente consigo mesma: ela não poderia, mas tenta; se decepciona, mas vai em frente; erra, mas percebe e volta atrás.
4 - O que não é feito ou dito também significa. LB nunca precisou dizer que tinha vergonha da pobreza da família porque o pai podia perceber isso apenas pela resistência dela em ser vista chegando com ele. Sempre tem um mais sensível na família, a pessoa mais generosa em cima de quem todo o azar teima em cair.
5- Ela sabe contracenar. Lady Bird é ótima em dialogar com as pessoas, em perceber o que elas querem e fazer algo para agradar. Eu invejei! Essa nunca vai ficar sem emprego ou namorado, hehe. Figura!...
6 - Expectativa x realidade. Bichinha teve umas quebras de expectativa com o primeiro namorado, com a primeira vez e com a ida a Nova Iorque. Faz parte. Quem nunca? O bom é que ela não se traumatiza. Isso é muito importante.
7 - "Um espacinho para o Espírito Santo!"
Eu achei tão gracinha e sagaz da freira dizer isso para fazer o casal dançar um pouco mais afastado!... Vou arranjar um jeito de usar essa frase um dia. hehe...
Crueldade e amor não estão interligados
"Eu levei 47 anos para parar de chamar de 'apaixonadas por mim' pessoas que são simplesmente más comigo. Levei um tempo enorme porque, quando somos garotas, nós somos condicionadas a acreditar que crueldade e amor estão interligados. Isso vem de uma época que nós precisamos nos distanciar urgentemente."
Quem disse isso foi a atriz Uma Thurman. Se uma estrela de Hollywood leva quase 50 anos, que dirá dona Mariazinha, que depende do dinheiro do marido? Que dirá a pobre coitada que tá começando a fazer a vida, com uma lista de "tem que..." da mulher perfeita na mão. Baixa autoestima não é privilégio de um sexo, de uma raça, de uma posição geográfica; estamos todos passíveis disso. Mas, velho, o que fazem com a mulher não é de Deus, não. Se é necessária muita humilhação para produzir "um homem de verdade", para as mulheres essa humilhação não tem fim, não tem redenção no final, não há possibilidade de ocupar, um dia desses, uma posição hegemônica.
Não se enganem, há muito silêncio aqui também. Mulheres falam muito, mas não dizem 1% do que acontece, do que realmente importa. Somos ensinadas a calar a boca. E há muita contenção da raiva, que não existe só em quem tem a testosterona alta. Temos sangue nas veias! Homens, pelo menos, podem xingar, meter a porrada na porta, enfim, exteriorizar. Com a gente, não. Estão te massacrando, mas continue sorrindo e compreendendo. "Boa menina!"... Isso é tão perverso!... Quando a gente vai poder chorar, mas chorar de verdade, não como sub-humano que não dá conta das coisas, mas como alguém que tem dores e merece tê-las reconhecidas? Quem nos dá colo? Quem ouve a gente? Quando a sociedade vai nos respeitar?
Eu, como feminista, só peço uma coisa: minha humanidade reconhecida, nossa humanidade vista. Fazer maldade a uma mulher é como chutar um cachorro vira-lata: ninguém liga. É isso que me enche de raiva.
***
O que não é amor: botar pra baixo; não ver o outro além das aparências; não auxiliá-lo quando precisa; não estimular capacidades; manipular para fazê-lo se sentir culpado; silenciar para agredí-lo; não se compadecer de suas dificuldades; não ser solidário quando alguém lhe ataca; não ter mais vontade, mas se sentir obrigado; etc. A lista é longa. Eu demorei 37 anos para parar de achar que eu tinha que compreender quem, nem por um segundo, sente remorso pelo mal que me causa, que não tá nem aí pro que me acontece ou para revisar seus atos. Por que temos que aturar? Qual é o sentido? Por que só um é obrigado a suportar e consertar todo o azedume e perversidade do outro, que, quando muito, joga umas migalhas?
É impressionante a dificuldade de nós, mulheres, com o "não": com o não te ama; com o não devo ficar perto de gente assim; com o não gosto mais dessa pessoa. Isso vem da culpa. A gente acha que tem que salvar todas as pessoas e relacionamentos: o casamento, a família, o filho, a empregada, os amigos, os pais, inclusive os pais dele, enquanto os homens passam como um trator, sem sequer olhar pra trás.
A gente faz o que pode, quando pode e quer! Eu tenho vontade de tatuar isso na testa, pra lembrar não só a mim - que tenho tendência à culpa -, como a outros abestalhados como eu.
Não somos vítimas, somos é muito bestas, isso sim! Tá na hora da gente largar esse papel e começar a escrever a própria e genuína história.
Quem disse isso foi a atriz Uma Thurman. Se uma estrela de Hollywood leva quase 50 anos, que dirá dona Mariazinha, que depende do dinheiro do marido? Que dirá a pobre coitada que tá começando a fazer a vida, com uma lista de "tem que..." da mulher perfeita na mão. Baixa autoestima não é privilégio de um sexo, de uma raça, de uma posição geográfica; estamos todos passíveis disso. Mas, velho, o que fazem com a mulher não é de Deus, não. Se é necessária muita humilhação para produzir "um homem de verdade", para as mulheres essa humilhação não tem fim, não tem redenção no final, não há possibilidade de ocupar, um dia desses, uma posição hegemônica.
Não se enganem, há muito silêncio aqui também. Mulheres falam muito, mas não dizem 1% do que acontece, do que realmente importa. Somos ensinadas a calar a boca. E há muita contenção da raiva, que não existe só em quem tem a testosterona alta. Temos sangue nas veias! Homens, pelo menos, podem xingar, meter a porrada na porta, enfim, exteriorizar. Com a gente, não. Estão te massacrando, mas continue sorrindo e compreendendo. "Boa menina!"... Isso é tão perverso!... Quando a gente vai poder chorar, mas chorar de verdade, não como sub-humano que não dá conta das coisas, mas como alguém que tem dores e merece tê-las reconhecidas? Quem nos dá colo? Quem ouve a gente? Quando a sociedade vai nos respeitar?
Eu, como feminista, só peço uma coisa: minha humanidade reconhecida, nossa humanidade vista. Fazer maldade a uma mulher é como chutar um cachorro vira-lata: ninguém liga. É isso que me enche de raiva.
***
O que não é amor: botar pra baixo; não ver o outro além das aparências; não auxiliá-lo quando precisa; não estimular capacidades; manipular para fazê-lo se sentir culpado; silenciar para agredí-lo; não se compadecer de suas dificuldades; não ser solidário quando alguém lhe ataca; não ter mais vontade, mas se sentir obrigado; etc. A lista é longa. Eu demorei 37 anos para parar de achar que eu tinha que compreender quem, nem por um segundo, sente remorso pelo mal que me causa, que não tá nem aí pro que me acontece ou para revisar seus atos. Por que temos que aturar? Qual é o sentido? Por que só um é obrigado a suportar e consertar todo o azedume e perversidade do outro, que, quando muito, joga umas migalhas?
É impressionante a dificuldade de nós, mulheres, com o "não": com o não te ama; com o não devo ficar perto de gente assim; com o não gosto mais dessa pessoa. Isso vem da culpa. A gente acha que tem que salvar todas as pessoas e relacionamentos: o casamento, a família, o filho, a empregada, os amigos, os pais, inclusive os pais dele, enquanto os homens passam como um trator, sem sequer olhar pra trás.
A gente faz o que pode, quando pode e quer! Eu tenho vontade de tatuar isso na testa, pra lembrar não só a mim - que tenho tendência à culpa -, como a outros abestalhados como eu.
Não somos vítimas, somos é muito bestas, isso sim! Tá na hora da gente largar esse papel e começar a escrever a própria e genuína história.
sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018
A má educação
Muitas mulheres estão enfim contando casos de assédio e até mesmo de violência vivenciados. Mas um caso que não tá descendo redondo pra um monte de gente, até entre feministas, é do ator americano Aziz Ansari. Uma moça, usando o nome fictício de Grace, falou que teve um encontro com o ator e que no meio da coisa, já ali na boca do caixa, ela meio que se sentiu mal, se arrependeu, mas acabou fazendo coisas que não queria fazer. Ela não disse claramente "não" para as investidas do ator, que simplesmente ignorou ela, não prestou atenção, mas não foi coercitivo. Olha, não dá para tratar isso como crime, colocar na mesma esteira que, por exemplo, o chefão da Miramax. Por outro lado, dá muito pano pra problematização.
O caso é o típico reflexo da diferença de socialização entre homens e mulheres e de como isso afeta a dinâmica das relações. Mulheres são criadas para inibirem suas vontades, pra ter medo de desagradar as pessoas, especialmente homens. Os homens são criados para não terem muita atenção com o entorno, para focar em si mesmos e tirar proveito desse tipo de situação. Todo mundo vítima do machismo. Que merda, hein?
quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018
A arte de abraçar
Eu adoro abraçar e amo mais ainda quando encontro uma pessoa boa de abraço. Mas como é raro achar gente que saiba abraçar.
Meu tio Hugo sabia e nunca mais ninguém me abraçou com a energia dele; ele manjava deste paranauê. Batman, meu colega do colégio, sabia abraçar. Taurino, né, more?
Tá aí: homem hétero é ruim de abraço. Ou é aquela coisa de lado, sem graça, com os bróders, ou é aquela coisa maliciosa de quando quer pegar mulher. Mas aquela coisa gostosa, de aconchego, "homem sofá", é mais com as bichas.
Tem uma, assessor de imprensa em Salvador, que eu fui abraçar na despedida de uma pauta (tenho essa mania, que eu quero até parar, de beijar e abraçar o povo, pois nem todo mundo gosta, né?). Genteeeeee... O homem parecia que tinha uma almofada no corpo. Que pessoa gostosa de abraçar! Quase pedi mais cinco minutos de abraço. "Peraê, binho, só mais um pouco. Que que custa?"
As pessoas deveriam aprender a abraçar direito. Não custa nada, rei. É uma caridade fácil que se faz ao outro.
domingo, 28 de janeiro de 2018
Por que algumas pessoas não vão embora de relacionamentos ruins?
Eu tenho uma amiga que sempre quando a gente conversa sobre relacionamentos, ela faz a mesma observação: "Ah, se A não deixa B é porque pelo menos um carinho há". Discordo quase totalmente.
2) Baixa autoestima. Com o tempo você se convence que merece aquilo, que não vai achar nada melhor e até arranja uns jeitos de se autoenganar quanto à situação, encontrando pretextos para desculpar pessoas e amenizar violências. Essa é a trilha que leva ao feminicídio, por exemplo. Muitas mulheres são mortas porque arrumam desculpas para as situações de maus tratos e confiam que o marido vai mudar um dia, ignorando a autodegradação e o perigo iminente. Quando convém, a mente mente pra gente. Hay que ficar ligado/a nisso.
Você não vai ficar num relacionamento em que não há nada para você, mas não necessariamente o que há é algo bom. Às vezes, o outro ativa um complexo seu e você fica justamente porque tem tendência a se maltratar, tem baixa autoestima e acha que é isso que merece, e então encontra esse outro que joga perfeitamente esse jogo vítima-algoz com você.
Eu tenho 37 anos de janela, vi vários relacionamentos ruins acontecendo perto de mim (infelizmente, só uma minoria é boa, mas, graças a Deus, eles existem para nos dar um pouco de esperança). Na minha visão, há três motivos para as pessoas ficarem em relacionamentos disfuncionais:
1) O medo do desconhecido. Deixar o outro é quebrar um hábito, uma rotina, uma certeza, indo rumo a algo que não se sabe o que será; é fazer uma aposta na felicidade que pode não se concretizar. Ir embora causa mais apreensão, esse medo do que não se pode controlar é maior do que a repulsa à situação insatisfatória. Isso tem muito mais a ver com a incapacidade de lidar com o desconhecido do que vontade de ficar. Tem gente que está na merda e acha que se jogar pra cima poderá ficar pior ainda. Neste caso, quando a pessoa consegue reagir, é porque a situação já chegou ao extremo do extremo e ela finalmente sente que não tem mais nada a perder. Isso quando ela consegue, porque tem gente que vai morrer em agonia, infelizmente.
2) Baixa autoestima. Com o tempo você se convence que merece aquilo, que não vai achar nada melhor e até arranja uns jeitos de se autoenganar quanto à situação, encontrando pretextos para desculpar pessoas e amenizar violências. Essa é a trilha que leva ao feminicídio, por exemplo. Muitas mulheres são mortas porque arrumam desculpas para as situações de maus tratos e confiam que o marido vai mudar um dia, ignorando a autodegradação e o perigo iminente. Quando convém, a mente mente pra gente. Hay que ficar ligado/a nisso.
3) A pressão social. Mesmo quando você tem certeza sobre o que sente e vê, não é fácil ir contra a sociedade. É pra quem tem muita personalidade e, sobretudo, pra quem suporta uma dose de solidão e rejeição, o que também não é confortável já que somos seres sociais e nos sentimos muito à deriva sem uma rede de apoio. Aliás, o problema é até mais fundo. Rede de apoio a gente pode até encontrar por aí, mas o fato é que não queremos a validação de qualquer pessoa, queremos a validação das pessoas que nos importam. Na verdade, esse 3 é a relação entre 1 e 2, tendo mais a ver com 1. Voltando ao exemplo da violência contra a mulher, muitas vezes, quando a mulher quer sair de casa, ouve de outras mulheres que lhe são próximas que ela está sendo errada, questionam a criatura sobre o que vai ser dela sem o marido (questionar é modo de dizer, pois essas pessoas são fatalistas quanto a isso) e etc. Nessas horas, muita gente boa desiste, com medo da rejeição do grupo, da culpa e da incompreensão. Tem que ficar muito atento/a a esse tipo de reação porque quando as pessoas reagem assim, no fundo elas estão falando mais delas do que de você. É o medo, provavelmente inconsciente, de que você saia do relacionamento ruim, seja mais feliz e prove a elas que tem jeito sim, jogando na cara delas que é preciso se movimentar pras coisas acontecerem.
Infelizmente, em muitos casos, o hábito é um motivo mais forte pra ficar na merda que o amor. Aliás, em casos como esses nunca há amor. Como dizia Jung, amor e poder não ocupam o mesmo recinto e onde há um necessariamente não há o outro. O nome disso que chamam de amor é dependência emocional, que é algo completamente diferente, disfuncional. Quando a gente ama, a prioridade é a felicidade do outro, não a presença, a posse dessa pessoa. Conheço poucas pessoas nesta vibe, até porque somos criados para a dependência e não para a generosidade.
terça-feira, 16 de janeiro de 2018
Fêmeas e feministas
Várias mulheres de Hollywood e também de outras áreas de destaque resolveram romper o silêncio e denunciar casos de abuso e assédio. Claro, em meio a avalanche, há casos em que você percebe que tá rolando algo estranho, mas não são também a maioria, embora as feministas devam se ligar nisso, porque é tudo que algumas pessoas querem pra dizer que mulheres são histéricas e não sabem o que estão dizendo.
Alguns anti-feministas enrustidos, aliás, saíram do armário a partir de um manifesto de francesas, cujo nome mais famoso era o de Catherine Deneuve. A meu ver, são três as falhas desse documento:
A) Ao pedir empatia com os homens, elas não demonstraram nenhuma com as mulheres que denunciaram os casos, com as mulheres de modo geral. Por que diabos ter cuidado com eles seria prioridade?
Deneuve percebeu a mancada e depois se desculpou com as vítimas.
B) Elas demonstraram total desconhecimento da discussão em curso, o que pega muito mal, já que a carta é uma resposta à movimentação das americanas. Isso se reflete na confusão entre censura da arte, paquera e assédio. A pior parte da carta foi ter insinuado que assédio é uma paquera insistente, desajeitada. Chegar a essa altura da vida confundindo as duas coisas é de lascar, quer por ignorância ou cinismo. Só tem uma parte da carta que presta e é nisso que elas deveriam ter ficado, ao invés de tentar cagar regra errada sobre o quanto de abuso uma mulher deve aceitar de um homem: os limites dessa discussão em relação a arte. Eu, particularmente, acho que independente do caráter do artista, a arte dele deve ser consumida por quem quiser. Eu não gosto de Roman Polanski como figura, ele é a cara do homem asqueroso, estuprador. Mas contanto que ele não faça um filme fazendo apologia a isso, por que não?
C) Essas fêmeas defendendo os machos amigos não estão preocupadas com liberdade. Tão preocupadas com os caras, com a patotinha delas, com a própria imagem, já que estão atreladas a eles de alguma forma. Por favor, né!
E digo mais: se cavar um pouquinho, vai ver que tem homem por trás desse manifesto das francesas.
Alguns anti-feministas enrustidos, aliás, saíram do armário a partir de um manifesto de francesas, cujo nome mais famoso era o de Catherine Deneuve. A meu ver, são três as falhas desse documento:
A) Ao pedir empatia com os homens, elas não demonstraram nenhuma com as mulheres que denunciaram os casos, com as mulheres de modo geral. Por que diabos ter cuidado com eles seria prioridade?
Deneuve percebeu a mancada e depois se desculpou com as vítimas.
B) Elas demonstraram total desconhecimento da discussão em curso, o que pega muito mal, já que a carta é uma resposta à movimentação das americanas. Isso se reflete na confusão entre censura da arte, paquera e assédio. A pior parte da carta foi ter insinuado que assédio é uma paquera insistente, desajeitada. Chegar a essa altura da vida confundindo as duas coisas é de lascar, quer por ignorância ou cinismo. Só tem uma parte da carta que presta e é nisso que elas deveriam ter ficado, ao invés de tentar cagar regra errada sobre o quanto de abuso uma mulher deve aceitar de um homem: os limites dessa discussão em relação a arte. Eu, particularmente, acho que independente do caráter do artista, a arte dele deve ser consumida por quem quiser. Eu não gosto de Roman Polanski como figura, ele é a cara do homem asqueroso, estuprador. Mas contanto que ele não faça um filme fazendo apologia a isso, por que não?
C) Essas fêmeas defendendo os machos amigos não estão preocupadas com liberdade. Tão preocupadas com os caras, com a patotinha delas, com a própria imagem, já que estão atreladas a eles de alguma forma. Por favor, né!
E digo mais: se cavar um pouquinho, vai ver que tem homem por trás desse manifesto das francesas.
sábado, 13 de janeiro de 2018
Parei
Eu estou muito cansada, são muitas atividades, muita gente falando, eu tô esgotada e de mau humor.
Vou tentar parar, vou procurar cortar tudo de superfluo.
Vou tentar parar, vou procurar cortar tudo de superfluo.
quarta-feira, 10 de janeiro de 2018
"Ninguém aqui é puro, anjo ou demônio..."
Só ouvi verdades neste trecho do hit de Sandra de Sá. Mas nem por isso:
1) É justo botar todo mundo no mesmo saco. Tem gente que é semi-demônio e ainda bate no peito com orgulho disso;
2) Nem por isso deixa de ser legal quando as máscaras de certas pessoas que não se assumem caem. hehe
domingo, 7 de janeiro de 2018
bode expiatório
A hipocrisia é uma coisa que pula de tudo quanto é lugar. Como o ser humano gosta de ser inconscientemente e também deliberadamente hipócrita!... Cada dia é um exemplo diferente.
Um amigo meu ontem desabafava sobre a atitude de uma Fulana do trabalho dele. Ele disse algumas verdades inconvenientes no grupo do trabalho, sem endereçá-las a ninguém em particular, e essa colega falou, privadamente, a outro colega de trabalho que não era para ter colocado aquele "ser pesado" no grupo.
Isso é a cara da sociedade de hoje: todo mundo só consegue operar na superficialidade e fica evitando tratar de certas coisas, encarar o que é podre e evidente, mas não conveniente. Essa história é um exemplo claro de quando alguém procura outra pessoa para ser um bode expiatório. A pessoa não aguenta lidar com a situação, finge que ela não existe, vem outro e joga luz na coisa e ruim é quem jogou a luz e não a coisa em si ou quem a criou. Sei... Tem jeito, não. Por isso que a humanidade não vai pra frente.
seletividade
Ontem, falando de uma personalidade baiana negra que não faz nada sem postar nos stories das redes sociais, um amigo, ao admitir que tomou ranço dela, também ponderou que isso pode ser efeito do racismo.
Eu fiquei indecisa na hora, mas agora acho que é. Somos mais tolerantes com quem tem características aristocráticas e quase nunca percebemos isso, reproduzindo esse tipo de injustiça vida afora. Não que você não possa tomar ranço de uma pessoa porque faz parte de um grupo historicamente discriminado, mas porque uma outra figura semelhante, por ser branca ou homem ou hétero, não causa a mesma reação? Eis aí a injustiça.
Eu fiquei indecisa na hora, mas agora acho que é. Somos mais tolerantes com quem tem características aristocráticas e quase nunca percebemos isso, reproduzindo esse tipo de injustiça vida afora. Não que você não possa tomar ranço de uma pessoa porque faz parte de um grupo historicamente discriminado, mas porque uma outra figura semelhante, por ser branca ou homem ou hétero, não causa a mesma reação? Eis aí a injustiça.
Relationship
Vira e mexe, quando estamos comentando sobre um terceiro que está ausente, de alguma situação vexatória pela qual passou, falamos que "Fulano não tem autoestima". Mas eu acho que, na verdade, apesar de ter mesmo uns casos bem graves disso e até "crônicos", ninguém tem realmente autoestima. Soa até afetado à beça quando a gente diz que alguém não tem autoestima porque ninguém é bem-resolvido de fato.
Qualquer relação é difícil e há dois dentro de cada um de nós: o que é e o que deveria ser; o que executa e o que julga. E como em qualquer relação, há oscilação entre o descontentamento e o encantamento e a gente continua porque sente que ainda vale a pena ou porque é covarde mais até para ir embora.
Qualquer relação é difícil e há dois dentro de cada um de nós: o que é e o que deveria ser; o que executa e o que julga. E como em qualquer relação, há oscilação entre o descontentamento e o encantamento e a gente continua porque sente que ainda vale a pena ou porque é covarde mais até para ir embora.
Roda Gigante
Assisti ontem o novo filme de Woody Allen. Achei razoável, tenho a sensação de que ele anda se repetindo demais desde Blue Jasmine.
O filme, a meu ver, se segura na personagem e na interpretação de Kate Winslet, maravilhosa como sempre. Ginny, interpretada por ela, causa uma tragédia por uma omissão cometida por ela, movida a rancor, carência e ciúmes. Na verdade, não foi exatamente culpa dela. O crime aconteceria mais cedo ou mais tarde. Mas, ao querer atingir terceiros, ela acabou na verdade fazendo algo contra si mesma. Produziu mais uma culpa gigantesca para lhe esmagar pelo resto da vida - a personagem já havia se destruído amargando uma por anos.
Ter tido vontade de fazer o que ela fez foi completamente humano. Quase todo mundo teria se sentido tentado. Dada a irreversibilidade da consequência, a maioria teria se censurado, mas na maioria das situações desse tipo que surgem na vida, sem risco de morte, em que você tem a oportunidade de ferrar com alguém que te prejudicou ou de se dar bem às custas do revés do outro, a maioria, infelizmente, vai fazer que nem a personagem de Kate Winslet e fingir que não foi com ele/a, vai se omitir e deixar a bomba estourar.
Fazer o que é certo não é natural e muito menos fácil. Mas garante uma consciência tranquila e, eu acredito, evita a mão pesada da lei do retorno.
O filme, a meu ver, se segura na personagem e na interpretação de Kate Winslet, maravilhosa como sempre. Ginny, interpretada por ela, causa uma tragédia por uma omissão cometida por ela, movida a rancor, carência e ciúmes. Na verdade, não foi exatamente culpa dela. O crime aconteceria mais cedo ou mais tarde. Mas, ao querer atingir terceiros, ela acabou na verdade fazendo algo contra si mesma. Produziu mais uma culpa gigantesca para lhe esmagar pelo resto da vida - a personagem já havia se destruído amargando uma por anos.
Ter tido vontade de fazer o que ela fez foi completamente humano. Quase todo mundo teria se sentido tentado. Dada a irreversibilidade da consequência, a maioria teria se censurado, mas na maioria das situações desse tipo que surgem na vida, sem risco de morte, em que você tem a oportunidade de ferrar com alguém que te prejudicou ou de se dar bem às custas do revés do outro, a maioria, infelizmente, vai fazer que nem a personagem de Kate Winslet e fingir que não foi com ele/a, vai se omitir e deixar a bomba estourar.
Fazer o que é certo não é natural e muito menos fácil. Mas garante uma consciência tranquila e, eu acredito, evita a mão pesada da lei do retorno.
sexta-feira, 5 de janeiro de 2018
Estranho
Engraçado como o afeto afeta sua capacidade de se emocionar com as pessoas.
Outro dia, uma pessoa de quem já gostei e que hoje está bem mais para a indiferença que para a amizade, fez uma piada que em mim não produziu nem cosquinha. Em outros tempos, teria achado bacana.
Essas "mortes" são estranhas. Eu me surpreendo comigo mesma.
Outro dia, uma pessoa de quem já gostei e que hoje está bem mais para a indiferença que para a amizade, fez uma piada que em mim não produziu nem cosquinha. Em outros tempos, teria achado bacana.
Essas "mortes" são estranhas. Eu me surpreendo comigo mesma.
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