Várias mulheres de Hollywood e também de outras áreas de destaque resolveram romper o silêncio e denunciar casos de abuso e assédio. Claro, em meio a avalanche, há casos em que você percebe que tá rolando algo estranho, mas não são também a maioria, embora as feministas devam se ligar nisso, porque é tudo que algumas pessoas querem pra dizer que mulheres são histéricas e não sabem o que estão dizendo.
Alguns anti-feministas enrustidos, aliás, saíram do armário a partir de um manifesto de francesas, cujo nome mais famoso era o de Catherine Deneuve. A meu ver, são três as falhas desse documento:
A) Ao pedir empatia com os homens, elas não demonstraram nenhuma com as mulheres que denunciaram os casos, com as mulheres de modo geral. Por que diabos ter cuidado com eles seria prioridade?
Deneuve percebeu a mancada e depois se desculpou com as vítimas.
B) Elas demonstraram total desconhecimento da discussão em curso, o que pega muito mal, já que a carta é uma resposta à movimentação das americanas. Isso se reflete na confusão entre censura da arte, paquera e assédio. A pior parte da carta foi ter insinuado que assédio é uma paquera insistente, desajeitada. Chegar a essa altura da vida confundindo as duas coisas é de lascar, quer por ignorância ou cinismo. Só tem uma parte da carta que presta e é nisso que elas deveriam ter ficado, ao invés de tentar cagar regra errada sobre o quanto de abuso uma mulher deve aceitar de um homem: os limites dessa discussão em relação a arte. Eu, particularmente, acho que independente do caráter do artista, a arte dele deve ser consumida por quem quiser. Eu não gosto de Roman Polanski como figura, ele é a cara do homem asqueroso, estuprador. Mas contanto que ele não faça um filme fazendo apologia a isso, por que não?
C) Essas fêmeas defendendo os machos amigos não estão preocupadas com liberdade. Tão preocupadas com os caras, com a patotinha delas, com a própria imagem, já que estão atreladas a eles de alguma forma. Por favor, né!
E digo mais: se cavar um pouquinho, vai ver que tem homem por trás desse manifesto das francesas.
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