domingo, 7 de janeiro de 2018

Roda Gigante

Assisti ontem o novo filme de Woody Allen. Achei razoável, tenho a sensação de que ele anda se repetindo demais desde Blue Jasmine.
O filme, a meu ver, se segura na personagem e na interpretação de Kate Winslet, maravilhosa como sempre. Ginny, interpretada por ela, causa uma tragédia por uma omissão cometida por ela, movida a rancor, carência e ciúmes. Na verdade, não foi exatamente culpa dela. O crime aconteceria mais cedo ou mais tarde. Mas, ao querer atingir terceiros, ela acabou na verdade fazendo algo contra si mesma. Produziu mais uma culpa gigantesca para lhe esmagar pelo resto da vida - a personagem já havia se destruído amargando uma por anos.
Ter tido vontade de fazer o que ela fez foi completamente humano. Quase todo mundo teria se sentido tentado. Dada a irreversibilidade da consequência, a maioria teria se censurado, mas na maioria das situações desse tipo que surgem na vida, sem risco de morte, em que você tem a oportunidade de ferrar com alguém que te prejudicou ou de se dar bem às custas do revés do outro, a maioria, infelizmente, vai fazer que nem a personagem de Kate Winslet e fingir que não foi com ele/a, vai se omitir e deixar a bomba estourar.
Fazer o que é certo não é natural e muito menos fácil. Mas garante uma consciência tranquila e, eu acredito, evita a mão pesada da lei do retorno.

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