quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Ai, que inveja!


Enfim, nosso amigo Cacau Baixaria fez valer o seu diploma de Jornalismo. É com um 1,20 m de despeito que eu publico aqui a entrevista que Baixá fez com a socialite Narcisa Tamborindeguy, para o Terra Magazine, que saiu nessa quarta-feira.

Fiquei sabendo do ocorrido na véspera - lo siento, retardatários! Meus informantes me garantiram que o encontro foi entre almas gêmeas. "Você sabe: um sem-noção reconhece o outro. Narcisa ficou totally in love por Cláudio, inclusive já o avisou que estará em seu próximo livro, 'Ai, que absurdo!'", me garantiu uma fonte, que pediu para não ser identificada.

Naná TamTam tem opiniões quase sempre tão profundas quanto uma piscina de formiga. Mas who cares?! Ela é rica, ela é over, ela é despudorada, ela foi casada com o diretor do BBB!... W-O-W!

O fato mexeu tanto comigo, que sonhei com ela, noite passada, tendo um affair com... Alosa!

(minha amiga Karine, se estiver lendo isso aqui, largue essa tela, que o que vem a seguir é pra quem tem o estômago forte!)

Estava eu me dirigindo à banca de revistas que fica próxima à Cubana. De repente, avisto Karine lá. Antes que consiga cumprimentá-la, ela larga uma revista, se põe a chorar e sai correndo da banca. Impressionada, não me agüento de curiosidade e pego a publicação para ver do que se tratava. Escândalo!!! "Narcisa revela: eu sou neguinha!". É a capa de Caras. É uma frase de Narcisa. Peraí: é Alosa na mesma bóia-cama que Narcisa???!!! Hããã!!!... Miserável: ele foi na Ilha de Caras! [Fade off - eu vou cortar os pulsos e já volto...]
No meu sonho, o entrevistador era Alosa. Em determinado momento, La Fraude, empolgado até a unha, não se conteve: "Narcisa, esse seu batom carmim!... Desculpe a intimidade, mas você me lembra muito um personagem de uma peça que eu dirigi em Salvador. É que eu vim do teatro, sabe...".
Essas palavras foram suficientes para acender a chama olímpica da paixão. À incondicional Karine, Alosa mandou um torpedo: "Amor, fui comprar cigarros angolanos, volto assim que os achar". (Será que ela chorou na banca por ter visto Alosa com outra na Ilha de Caras? Ou será porque Narcisa disse que era neguinha? Ou será que foi porque só naquela hora lembrou que ele não fuma? Hummm... Kal é definitivamente uma alma branca!)
Voltemos à Caras. Abri na matéria. [Essa é a parte em que o estômago precisa ser forte] Só deu Alosa: Alosa + Sabrina Sato; Alosa + Amauri Jr.; Alosa + Adriana Bombom... Enfim, todo mundo que não importa mas que freqüenta a Ilha estava pendurado nele, que era só sorrisos (mais que o usual, believe!).
Em determinado momento, perguntam a Narcisa se o namoro com um afrodescendente significa a fase politicamente correta da socialite. Ela responde: "Nããão, meu bem. Que é isso? Você nunca vai me ver careta, é mais fácil eu ser pobre! (ela ri e em seguida bate na madeira) Eu sou uma mulher de vanguarda, já adotava o sistema de cotas séculos antes das universidades públicas. Foram tantos que eu já posso me considerar parte da turma. Eu sou neguinha, né, amor!? hahaha".
Daí em diante foi aquele mesmo blábláblá de romance veiculado em revista de fofoca. Vale destacar a conversa que Narcisa diz ter com Papai do Céu todo dia, quando agradece pelo seu Eros de Ébano: "Cara, valeu por ter mandado o bofe! Ai, que loucura!".
Bem, agora vou deixar vocês com a real entrevista da mais nova amiga de infância de Claudinho.
Ai, que luxo! (risos)
Narcisa: "Deviam comprar (ecstasy) na farmácia"

Quarta, 14 de novembro de 2007, 10h05
Claudio Leal

Um apocalipse. O mundo está de cabeça pra baixo. Em bom inglês, upside down. Espantada com a prisão de traficantes da classe média alta do Rio de Janeiro, a socialite carioca Narcisa Tamborindeguy se convenceu da inutilidade das palavras:
- O mundo está upside down. É um apocalipse. Virou um apocalipse. Não tenho mais opinião pra nada - desabafa em entrevista a Terra Magazine.

Na autobiografia "Ai, que loucura!", Narcisa se revelou viciada em drogas. Em 1998, procurou tratamento clínico. Ex-mulher de José Bonifácio Brasil de Oliveira (Boninho) e Carlos Gerdau, ela agora se dedica a um novo projeto editorial: "Ai, que absurdo!", no qual questionará os "absurdos do mundo". Pretende incluir o tráfico de drogas na lista das mazelas.

- Eu acho um absurdo esse negócio de tráfico, deviam comprar esses remédios na farmácia. Dane-se. Tem uns piores ainda vindo.

Semana passada, oito traficantes da classe média alta carioca - chamados por parte da imprensa de "jovens da Zona Sul" - foram detidos após investigação policial com 16 mil horas de escutas telefônicas. Em nova operação, a polícia prendeu ontem mais um membro do grupo: Sérgio Corlett, 19 anos. Bruno Pompeu D'Urso, 18, é apontado como o articulador do tráfico de ecstasy e de LSD na Zona Sul carioca.
A quadrilha comprava drogas no morro e revendia, no asfalto, a usuários da classe alta. A imagem que mais marcou Narcisa foi a da jovem Jéssica Albuquerque acuada pelas câmeras. Quase ingênua, 18 anos, dedo na boca, Jéssica ganhou as primeiras páginas dos jornais brasileiros.

- Ela tava linda. (silêncio) Ela não merecia passar por isso.

Para a socialite, apesar de os traficantes saberem o que fazem, Jéssica entrou "numa descoberta" e terminou mal.

- Às vezes, começa como uma brincadeira e tá na primeira página a foto da menina. Entrou numa descoberta... É uma crueldade o que estão fazendo com ela.

Leia a entevista completa de Narcisa Tamborindeguy:

Terra Magazine - Qual foi seu sentimento ao ver, nos jornais, as fotos de uma quadrilha de traficantes da classe média alta do Rio?
Narcisa Tamborindeguy - O mundo está upside down. É um apocalipse. Virou um apocalipse. Não tenho mais opinião pra nada. Normalíssimo isso ter acontecido. Essa mulher é linda, a da capa (Jéssica de Albuquerque Corrêa). Linda, a mulher.

O que os atraiu ao tráfico?
Saírem da realidade, que é muito chata.

Apesar de ricos, o mundo é chato?
Ah, não sei. Pergunta pros traficantes. Porque com o ecstasy dá um colorido a mais. Deve dar, né?

Mas eles não eram simples usuários. Eram traficantes.
Eram traficantes? Mas o que é traficar, depois de quantos quilos? Eu acho ridículo. Tem que liberar tudo.

Por que liberar?
Porque tudo que é proibido é melhor. Em vez de ficar esse tiroteio, essa guerra, esse negócio ridículo, essa hipocrisia, todo mundo faz o que quer e assume seus erros, paga impostos. Vende na tabacaria, na drogaria... Você paga imposto, você tem um médico que vai cuidar de você, entendeu? Melhor do que ficar em tiroteio, morte...

A senhora está escrevendo um livro novo?
"Ai, que absurdo!".

E vai falar sobre...
Os absurdos do mundo. Eu acho um absurdo esse negócio de tráfico, deviam comprar esses remédios na farmácia. Dane-se. Tem uns piores ainda vindo.

Quando viu a imagem...
Da menina?

Sim.
Ela tava linda. (silêncio) Ela não merecia passar por isso.

O mundo, então, está...
Upside down. De cabeça pra baixo. Não tem mais solução. Não dá pra comentar nada. Amanhã vai ser uma coisa pior ainda. Cada dia é uma coisa, você não pode mais ficar comentando. Deixa rolar. Eu acho que ela podia estar muito melhor, essa moça. Uma beleza. Perder a juventude dela nisso? Por quê? É uma bobagem. Eu argumento porque eu sou igual ao (Fernando) Gabeira, acho que o Gabeira tem razão (sobre a legalização das drogas).

A guerra do tráfico é por motivos banais?
Só pode ser, né? Isso interessa a quem? Pra mim, não interessa. Só interessa pra quem ganha nisso. Às vezes, começa como uma brincadeira e tá na primeira página a foto da menina. Entrou numa descoberta... É uma crueldade o que estão fazendo com ela. Ela entrou pra descobrir um negócio, a droga... Ou morria, ou caía fora. Com 18 anos já passar por isso...

Os membros da quadrilha sabiam o que faziam, não?
Sabem. E sabem muito bem o perigo que eles estão correndo.

Esse tema entra em seu livro?
É o melhor de todos, "Ai, que absurdo!". Sabe que não tinha pensado nesse assunto?
Faz a matéria que eu recopio em meu livro! (risos) Nem me lembrei desse caso. Vamos fazer uma controvérsia!

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Até tu, Brutus!?


Pois é, até a bunda, hoje em dia, é falsa. Que o diga Beyoncé, desmascarada no excesso de derrière, usando um enchimento debaixo da calcinha. Baixaria!... Pra que diabos ela quer mais bunda???!!!

Intervenções estéticas são normais, é natural querer se ver melhor e em alguns casos elas são a porta para o início do amor próprio, mas tem gente que perde o limite e o senso de ridículo. Cultivar algumas "avarias de estimação" pode até fazer muito bem, elas nos ajudam a ter mais tolerância com a gente mesmo. Amadurecer não passa só pela determinação de mudar para melhor, ou seja, pôr em prática aquilo que você deseja, mas também pela experiência de se aceitar como é (porque certas mudanças beiram o impossível. e aí, vai fazer o quê? se jogar da ponte?). A meu ver, o lance é mudar sem se descaracterizar; é a diferença no campo da estética, por exemplo, entre ser Demi Moore e virar Michael Jackson.
Se você não muda nada ou muda tudo, provavelmente está com sérios problemas internos.

Uma coisa que me incomoda é esse negócio de toda artista midiática ter que tirar a roupa para ser bem-sucedida (por essas e outras que gosto de Malu Mader, Fernanda Lima, Patrícia Pillar e Letícia Sabatella...). O problema não é a exposição do corpo, mas a ditadura da exposição do corpo. Eu sou superinvocada com esses "tem que" sem consistência... Engulo o mínimo possível, o suficiente para não ficar totalmente marginal.

Quase caí de costas quando vi pela primeira vez a versão USA de Shakira, chacoalhando a barriga (de fora) na MTV para fazer sucesso no mercado gringo. Logo ela que sempre foi tímida e discreta e vivia de calça e blusa na fase "en español" (e dá pra perceber que foi/é jogada de marketing, que não faz parte dela esse tipo de atitude, que, a meu ver, deveria ficar restrita a quem se enquadra naturalmente no estilo, como Pamela Anderson ou Jessica Simpson). Até Nelly Furtado entrou na onda... (Quando Maria Rita, Marisa Monte ou Norah Jones fizerem o mesmo, mandarei o mundo parar pra eu descer disso aqui...)
Alguém avisa pra elas que nem todo mundo nasceu para ser Madonna! Aliás, não foi pela nudez, não foi pelo sexo em si, que ela se tornou um ícone. No fundo, o que nos fascina em Madonna é a sua esperteza, seus insights em diferentes fases da carreira. Mad é uma raposa do ramo do entretenimento, sem dúvidas. Até uma burra lendária como Marilyn Monroe teve uma estratégia mais engenhosa (bem, não foi bem uma estratégia, foi mais uma atitude impulsionada pela rígida moral da época): expunha o corpo sem nunca revelar tudo. "Sede é tudo, imagem é nada", já dizia um comercial, e entenda-se "sede" aqui, obviamente, em seu sentido figurado. Isso: ainda não surgiu nada mais sexy do que saber usar a inteligência...
Uma coisa é ser sensual, outra é ser sexual gratuitamente. Você não vê Angelina Jolie tirando a roupa por aí e, no entanto, em qualquer enquete, é eleita a mais sexy. Como diria aquele outro das tardes de domingo, "quem sabe faz ao vivo".
Beyoncé, mesma, é enorme, pra cima e pros lados - como disse a prima de Ingrid, "um exagero". Que necessidade ela tem de usar roupas curtíssimas e se balançar de forma grosseira? É esteticamente feio, de mau gosto. (Ingrid, eu sei que você já lascou o dvd dela de tanto assisti-lo, mas a verdade tem que ser dita!) Roupa curta foi feita para quem, na falta do que exibir, precisa expor tudo pra chamar alguma atenção (por essas e outras é que a moda gosta das magricelas, pois, na ausência de curvas, até uma saia da espessura de um cinto não faz a criatura cair na vulgaridade).
Como diz minha irmã do meio, vulgaridade e celulite tem o mesmo pré-requisito: a presença de carne. Ah, essa é boa: "Já viu celulite aparecer em osso?", ela me respondeu quando disse que conhecia, sim, mulher sem celulite (uma fulana que pesava 20 quilos abaixo da altura). O mal é que o despeito da minha irmã geralmente tem algum fundamento. [Pois é, minha gente, percam as esperanças em relação a mim, que o veneno está no DNA! (risos)]

Lógico que não há só o apelo da carreira para essas mulheres do showbiz, existe ainda a questão da vaidade pessoal. Não precisa ir muito longe, não: qualquer garota comum, de 11 a 28 anos, com um corpo mais ou menos, se puder, sai de brinco e tapa-sexo. O mais chocante é que as mães incentivam, ignorando que estão, inclusive, colocando as filhas em risco (o Brasil, pelo menos, ainda é um país bem machista e agressivo; o rapaz que tentou beijar a força a Juliana Paes na praia, há alguns dias, é um exemplo disso). Gostaria de dizer a qualquer um "faça o que quiser que os outros não têm nada a ver com isso", mas não é verdade. O corpo comunica, o meio é a mensagem, e a mulherada, fisicamente mais frágil, tem que ficar de olho no que está dizendo aos homens. A gente não pode confiar na força do politicamente correto; há de se contar também com os loucos, com os ignorantes, com aqueles que vivem segundo suas próprias convicções absurdas (não é agradável mas é a realidade). Não é porque "tem que ser" que nós devemos fechar os olhos pro que "é na prática". É suicídio... Mulheres, protejam-se! (mas sem paranóias com os pobres machos comuns... quem vê assim, até pensa que mais de dez pessoas vão ler isso! hihi)
Nem a infância está mais imune a isso. Conheço meninas de 3 anos que são mais vaidosas que todas as minhas amigas juntas. Sério. Os adultos acham a maior graça, talvez, em parte, pela má vontade que eles têm em entrar e respeitar o universo infantil.
Sinto falta da época em que criança era um ser humano "café-com-leite", protegido das paranóias dos adultos. Qualquer forma de poder só tem serventia para quem está preparado para lidar com ele ou do contrário torna-se uma bomba. Vaidade física é também sinônimo de impulso erótico e isso não é para as crianças pequeninas, mesmo que elas sejam espertas demais neste século 21.
Eu só lembro do maluco que há uns dez anos assassinou uma garotinha, ex-miss mirim, no Colorado. Aos seis anos, JonBenet parecia uma mini-mulher, era bizarro de ver, mas fez o maior sucesso lá na terra do Tio Sam, os adultos achavam uma graça. E ela também, pois qual criança não gosta de atenção? Depois, quando o pedófilo ataca, os incentivadores desse tipo de aberração ainda se dizem chocados. Fala sério!... É antipático dizer isso, mas os próprios pais cavaram a cova da menina ao colocá-la nesse tipo de vida... Outro dia estava na sala de espera e vi Sasha na capa da Contigo!. Detalhe: Xuxa já tingiu os cabelos da menina de loiro. Pra que ela precisa tacar química nos fios aos oito anos de idade?! Eu sabia que isso ia acontecer, mas fiquei surpresa mesmo assim. Santa ignorância!...

Detesto esse tipo de conclusão-chavão, tenho calafrio quando ouço isso, mas nesse caso não tem pra onde correr: é culpa da mídia. Um dos grandes males do progresso é o bombardeio de informação e um dos desdobramentos disso é a imposição de uma única estética para todos. Qualquer que seja o produto midiático, vai ter pelo menos uma notinha te dando dica de beleza ou mostrando alguém em pose sensual. Eu queria de R$ 1 as vezes em que vi alguém nu ou seminu na mídia. Já estaria na lista da Forbes!... E eu escolho isso? Bem, é quase como a luz do sol: a gente abre a janela e ela vem logo batendo na nossa cara, invadindo o nosso espaço. Às vezes eu fico cheia disso tudo. Pode não parecer, por conta da embalagem e da velocidade, mas o mundo é repetitivo à beça. Será que em Marte é esse tédio também? (Poxa, gente, por falar nisso, leiam Ray Bradbury. Detesto ficção científica, mas o cara vale a pena ser lido)
Ainda não somos livres como pensamos ser... Queeee!...

Os homens são "heróis", na boa. Como é que conseguem manter o desejo em alta diante de tamanha exposição do corpo feminino? Não é à toa que existem tantos gays hoje em dia. No tempo do buraco da fechadura, eles deviam ser menos numerosos, aposto.

domingo, 11 de novembro de 2007

Morre Norman Mailer

ANÁLISE

Mailer repórter foi maior que o romancista

Com Tom Wolfe e Truman Capote, o polêmico Norman Mailer formou a santíssima trindade do "novo jornalismo"

CARLOS EDUARDO LINS DA SILVA
ESPECIAL PARA A FOLHA

Norman Mailer prometeu a si mesmo e ao público que escreveria "o maior romance americano". Não cumpriu. Produziu muitos livros bastante longos, mas no terreno da ficção só um foi importante: o primeiro, "Os Nus e os Mortos", de 1948, fruto de suas experiências como combatente na Segunda Guerra Mundial. Se não inscreveu o seu nome entre os dos grandes romancistas do país, Mailer conquistou um lugar na história dos melhores jornalistas e dos mais intensos polemistas que os Estados Unidos conheceram.
Foi empurrado para o mundo dos ensaios e reportagens em revistas e jornais em parte a contragosto (precisava do dinheiro que a ficção não lhe proporcionava) e em parte por convicções políticas (tinha consciência de que os meios de comunicação lhe garantiriam mais proeminência no debate público do que os livros).
Com Tom Wolfe e Truman Capote, formou a santíssima trindade do "new journalism", o gênero literário que mesclou as técnicas da ficção com o factualismo da reportagem.
"Os Exércitos da Noite - Os Degraus do Pentágono" (1968), sobre os protestos contra a Guerra do Vietnã, e "A Canção do Carrasco" (1979), sobre Gary Gilmore, um assassino confesso que pediu para ser executado, estão entre os mais brilhantes espécimes desse tipo de literatura (ambos estão entre as cem melhores reportagens do século 20, selecionadas pela New York University).
Como um dos fundadores do jornal "Village Voice" e freqüente colaborador de excelentes periódicos como "The New York Review of Books", Mailer contribuiu enormemente para melhorar a qualidade do jornalismo americano e -por extensão- de todos os países que se deixaram influenciar por ele.
Mas Mailer foi muito além de simplesmente escrever. Tornou-se militante político e crítico ácido do estilo de vida americano, fascinado pelo papel preponderante que o sexo, a ambição e a violência exercem sobre a cultura nacional.
Iconoclasta, calculadamente agressivo, mas quase sempre instigante, talentoso, alcançava as manchetes da imprensa sensacionalista (ao esfaquear sua segunda mulher, por exemplo) com quase a mesma facilidade com que freqüentava o noticiário político, como ao se candidatar a prefeito de Nova York.
Apesar de ter sido tão famoso e importante, Mailer morreu ressentido por saber que seria lembrado na posteridade não pelos romances, mas pelo jornalismo.
Numa de suas últimas entrevistas, disse: "Eu acho que o romance é uma forma superior [ao jornalismo]. Como eu posso expressar isso? É muito mais difícil escrever um romance. Eu não concordo que eu vá ser mais lembrado como jornalista, embora eu concorde que muitos irão dizer isso. A ironia é que talvez eu tenha tido muito mais influência como jornalista do que como romancista."


CARLOS EDUARDO LINS DA SILVA , livre-docente e doutor em jornalismo pela USP e mestre em comunicação pela Michigan State University, é diretor de relações institucionais da Patri Políticas Públicas.

sábado, 10 de novembro de 2007

Mulheres de Marte

(Post em homenagem aos 25 anos de Nandy! risos)
Como fase na vida de algumas pessoas, não vejo problema, mas anos e anos a fio de sexo casual é uma coisa estranha; a liberdade toma ares de vício, de síndrome de Peter Pan. Para os homens, essa é uma via mais tranqüila, diria até natural. Ao contrário das mulheres, só agora é que eles estão aprendendo a juntar as duas coisas, amor e sexo, e descobriram que a mulher não é bicho de estimação e que há vida além do coito. Aliás, não sei como conseguiam não misturar as estações, ma vá bé. [meus amigos do sexo masculino, não se traumatizem por conta do meu linguajar neste post. o tópico pede isso]
O que sempre me pergunto, quando ouço mulheres elogiando o sexo casual, como nessa matéria que verão a seguir, é se estão sendo sinceras, se são bem-resolvidas de fato, ou se essa é uma atitude pra atender a vaidade. Sim, porque entre a vaidade e a auto-estima existe um abismo, uma coisa não implica na outra. Conheço mulheres vaidosíssimas que o são justamente porque não têm auto-estima alguma e desejam demasiado o amor alheio pela falta de amor próprio. Desprender-se do próprio corpo, ainda mais no caso da reprimida classe feminina, é louvável (mulheres com o nível de liberdade de uma Leila Diniz são admiráveis, sem dúvida, e às vezes acho que Rita Lee viajou legal quando disse que "Toda mulher é meio Leila Diniz"; quem dera; eu acho que "toda mulher é meio Nicéia Pitta"! Sua tia é tão elegante quanto Jackie Kennedy!? Ah é, deixa ela se sentir traída, pra você ver se o espírito de Nicéia não baixará nela! kkk). Acho que entrar nessa, ou em qualquer outra, por pura vaidade, é muita estupidez.
É mais corajoso ser uma Sandy da vida do que uma falsa liberada. Não sei se tem a ver ou se é coisa minha, mas forçar a barra para parecer ser o que não é sempre me soou a humilhação, a perda de dignidade. Eu evito, embora - não vou mentir - a tentação de cair nessa esparrela seja grande, por vezes (todo mundo prefere ser aceito. a questão é: quanto você tá disposto sacrificar em nome disso?).
Por outro lado, a falta de recato, simplesmente, não leva junto a dignidade de uma mulher. Por essas e outras, não gosto da expressão "moça de família". É veladamente repressora. Equivale àquilo que as pessoas de boa-fé te dizem na época do vestibular: "Ah, você vai passar, você é inteligente". E se eu não passar, eu viro burra, de repente? Se a mulher quiser experimentar ou optar por isso, vira vagabunda, perde a boa formação moral? É cada uma... Nessas horas eu entendo quem inventou esse negócio de que "de boas intenções, o inferno está cheio"...
Esse negócio de pureza... Eu conheço umas aí que são que nem as latas de leite condensado que as mães escondem da gente (não é porque não foram abertas que ninguém tirou as suas lasquinhas... Cê conhece algum caso assim, Nandy?). Veja Ingrid. Santa, santa, santa, mas em pleno Carnaval (a festa da carne!), se mandou com um bando de gente pro Vale do Capão - e todos amontoados no mesmo quarto! Se uma moça que se diz "inocente" me conta que já foi pro Capão, eu já não coloco mais a minha mão no fogo por ela!...

Fico intrigada: Como será que esses homens com que elas ficam as encaram? Porque não são quaisquer mulheres, mas as de classe média, como suas primas e irmãs, se permitindo certas liberdades, digamos, historicamente masculinas. Rola um cinismo ou respeito mesmo?
Outra coisa que me intriga é essa ditadura do atletismo sexual (toco no assunto, pois, como vão perceber, a "pegada", o orgasmo, são a justificativa mais recorrente para o gosto por esse tipo de relação). Em que momento e por qual motivo isso se tornou mais importante que a troca de afeto? Até que ponto é desejo, é natural? Existe uma competição com o sexo oposto e onde ela começa? Nesses depoimentos das mulheres, abaixo, desconfio que nem com os namorados havia amor; era just sex coberto pela embalagem da relação estável. É como aquele amigo com quem a gente vai pros reggaes e um dia, quando precisa de algo mais que curtição, vê que não era amigo mas apenas alguém com quem era bacana estar junto na hora do bem bom. Isso me leva a um dos questionamentos que sempre me faço, na vida: é melhor qualquer coisa a nada ou nada a qualquer coisa? Cartas à Redação...
Falta especialmente para a mulherada a habilidade ThunderCats, a tal "visão além do alcance", porque essa miopia dos relacionamentos humanos tá f***!
Direitos iguais à parte, penso que também falta muita informação científica sobre o assunto. As pessoas teorizam sobre as relações, mas são ignorantes sobre o corpo humano. A dignidade de homens e mulheres deve ser a mesma, mas, sem dúvida, os corpos são diferentes, não tem feminismo certo nessas horas, assim como não há machismo certo com cólica e TPM, que não são desculpas esfarrapadas e são tão reais quanto a dor "naquelas partes" deles.
Qualquer especial sobre o tema, e lá vem a mesma ladainha da mulherada: "Eu tenho "x" anos e nunca tive um orgasmo. Não é triste?!" ou "Chego lá de vez quando". Não, madame, nunca é realmente esquisito, mas não tê-lo às vezes, isso é normal. Até porque os hormônios femininos são "de lua" e não somos abundantes em testosterona, que é a mola do desejo.
Li uma vez uma teoria que me convenceu: a vagina não é prioritariamente um órgão sexual e sim reprodutor. Se tivesse a sensibilidade do órgão masculino, o parto seria, das duas uma: ou a experiência mais dolorosa da face da Terra ou o maior orgasmo que um ser humano poderia ter. Por isso que ela não é facilmente estimulada, pois foi projetada para a passagem do bebê. [Mas como Deus é misericordioso, deu às suas filhas, como compensação pela lerdeza do equipamento, imaginação, muiiita imaginação. Só isso explica a proeza de mulheres, como a modelo Juliana, que conseguiu casar com o abominável homem dos gramados, Sir Amaral. Se eu fosse da alta cúpula da Globo, a contrataria para escrever novelas!... Acho que foi o dr. Gikovate que disse uma coisa tão engraçada quanto fundamentada: homens ficam atraídos pelo que passa pelos olhos, mulheres, com o que lhes atravessa as orelhas - algumas são sensíveis ao barulho de moeda, ao som da palavra "milionário", etc, fazer o quê?!... são uma minoria, felizmente, e cada dia são menos numerosas]
Se bem que até os casos de ausência podem ter uma explicação: o condicionamento ao longo da evolução. Se existe uma memória que pode ser transmitida através dos genes, é possível que as mulheres desenvolvam essa inibição sexual não só por conta da cultura, mas da memória evolutiva. Por muitos séculos, desde os tempos da caverna e se brincar até os dias de hoje, a equação foi assim: sexo = possibilidade de gravidez = risco de vida. Quantas mulheres não morreram por conta de uma gestação, antes do tremendo avanço médico nas últimas décadas?
Suspeito que nem Bruna Surfistinha saiba disso, o que prova que expert técnico não é tudo nessa vida...

Agora, eu acho interessante é essa relação entre atração sexual e inacessibilidade. Pense em alguns personagens com "pegada" - O Fantasma da Ópera, Zorro, Superman e Homem Aranha. Todos eles vivem rodeando suas respectivas amadas, mas nunca as deixam chegar muito perto, serem conhecidos intimamente. E elas se apaixonam perdidamente, parece, justamente por isso. A atração tem a ver com a existência do mistério, de uma zona nebulosa, nem que seja a dos olhos, cobertos por uma máscara (aliás, nada mais simbólico que esconder os olhos). O excesso de intimidade é a criptonita da atração física, pelo que observo...

Bem, deixemos as conjecturas. Segue a matéria.
(Hummm... Pelo tom caliente da matéria, acho que a repórter deve ter vindo do teatro!...)


Sexo casual - Elas só querem diversão

O número de mulheres que buscam o prazer pelo prazer só aumenta. cada vez menos, elas querem estabelecer compromisso. aqui elas contam suas experiências mais excitantes

por CAMILA DOURADO

A história é deliciosa. Sandra Germano (o nome é real), uma publicitária de São Paulo, 35 anos, charmosa e bonita, conta a seguinte história: “Ele não era tão bonito, mas tinha ‘pegada’ e beijava bem. Não perguntava, fazia. Transamos na cama, no chuveiro e até na varanda da pousada. Foi ótimo. Gozei muito, intenso, como há muito tempo não acontecia. Quando acordei, ele tinha ido embora. Não deu nem nome. Adorei. Prefiro mesmo não saber o nome do cara, nem ele o meu.” Hoje é assim. Amor rápido, paixão sem o menor compromisso. Há muito que as mulheres não ficam tão loucas assim em pedir telefone, endereço, CIC, RG, comprovante de residência. Nada de amarras e muito menos de sentimentos que limitem. Paixão, agora, só se for por algumas horas. É o que muitas mulheres querem. Elas estão experimentando cada vez mais aquilo que os homens sempre conheceram: o prazer pelo prazer. E elas contam, sem qualquer pudor, suas aventuras despretensiosas.

RÁPIDA, FORTE E SUADA
“Eu costumava ficar com homens por apenas uma noite. Minhas amigas achavam absurdo. Eu não ligava. Até que comecei a namorar. No começo, era especial: ele era carinhoso, experiente, beijava bem, e tinha um fôlego, um fogo... fazia de tudo pra eu gozar. Para resumir, namorei, fiquei noiva e quase casamos. A história acabou porque ele passou a transar meio que por obrigação. Descobri, também, que ele ficava com outras. Ele chegou ao extremo de flertar com a minha irmã. Separei. Um tempo depois, voltei à minha vida de antes. Transei bêbada, fiz sexo com mulher e homem ao mesmo tempo, saí até com um amigo do meu ex. A melhor foi no quarto de uma festa, num apartamento. Eu estava na varanda, sozinha, bebendo. Um cara se aproximou. Disse que era um pecado ele e eu ficarmos a sós daquele jeito. Então, ele me beijou e me levou para o quarto dos donos da festa. Loucura. Transa rapidinha, mas forte, suada. A gente nem tirou a roupa direito. Ele só abaixou meus jeans. Transamos duas vezes, uma de pé e outra na cama. No final, ele saiu, disse que tinha sido maravilhoso e voltou pra festa, sem dar maiores explicações. O melhor de transa assim é a falta de regra, a despretensão, uma coisa meio adolescente. Dá tesão só de pensar. Um dia caso, mas antes vou transar muitas vezes desse jeito – como se fosse a última vez que vou ver a pessoa. Sou uma mulher realizada desse jeito.”Valeska, 25 anos, jornalista

“O MELHOR DE TRANSA ASSIM É A FALTA DE REGRA, A DESPRETENSÃO, UMA COISA MEIO ADOLESCENTE”
VALESKA, 25 ANOS, JORNALISTA

SEM NOME
“Eu fui casada por oito anos. Só traí quando descobri que ele começou a sair com uma amiga minha. Fiquei triste, mas era meio que previsível: a gente não se gostava mais, nem tinha aquele fogo de quando começamos a namorar. Como eu não transava, vivia mal-humorada. Me separei. Resolvi mudar a postura. Um dia, fui pra Florianópolis, fiquei com um garoto de uns 20 anos. Ele me levou de madrugada para a pousada dele. Não era tão bonito, mas tinha ‘pegada’ e beijava bem. Não perguntava, fazia. Transamos na cama, no chuveiro e até na varanda. Acordamos a pousada toda. Foi ótimo. Gozei muito, intenso, como há muito tempo não acontecia. Quando acordei, ele tinha ido embora. Não deu nem nome. Depois pensei: foi exatamente a falta de compromisso que deu tesão na história. Tive várias transas assim. A maioria não pergunto nem o nome. Fiz sexo em motel, no capô do carro, na praia, escondido em cantos de uma festa num sítio. É uma delícia. Não sou do tipo que não quer se apaixonar mais. Até já namorei um cara nos últimos meses. Mas quero curtir sem ter obrigações. Pra que saber nome se o que busco é ter prazer, aproveitar?” Sandra Germano, 35 anos, publicitária

"GOZEI MUITO, INTENSO, COMO HÁ MUITO TEMPO NÃO ACONTECIA. QUANDO ACORDEI, ELE TINHA IDO EMBORA. NÃO DEU NEM NOME”
SANDRA, 35 ANOS, PUBLICITÁRIA

SÓ QUEREM GOZAR MAS NÃO PENSE QUE A MULHER ESTÁ ADOTANDO UMA POSTURA MASCULINA E NEM QUE ELA ESTÁ PERDENDO O ROMANTISMO E A SENSIBILIDADE
Mulheres que transam sem compromisso parecem (ou pensam) agir como homens. Não é bem assim. “As mulheres não deveriam achar que adotam a mesma postura do homem no que diz respeito a sexo casual inconseqüente”, diz J. A. Gaiarsa, psicoterapeuta. “Mulher e homem são biologicamente diferentes. A mulher precisa inventar um novo orgasmo. Não adianta ela querer gozar como ele. O homem ejacula para a fertilização. A mulher, não”, completa. Não quer dizer que ela perdeu sua capacidade de se envolver emocionalmente. A mulher ainda é romântica e sensível, mesmo no sexo casual. Só está mais livre. Elas só querem gozar. Que gozem e sejam felizes.

NADA DE CULPA
“Há uns dois anos, disse para um amigo que invejava os homens, porque transam por transar e não estão nem aí para o que vão dizer. Ele falou que bastava fazer sem culpa. Demorei algum tempo para levar isso a sério. Numa noite em São Paulo, num pub, fiquei muito a fim de um cara que estava na minha mesa. Ele se sentou ao meu lado. Passou a mão na minha perna. Depois enfiou a mão por baixo da minha blusa. Aí saí da mesa com ele, para um canto do bar. Depois do amasso meio adolescente, fomos para o apartamento dele. Fizemos a loucura de transar antes de chegar lá – na garagem, dentro do carro. Depois, rolou na casa do cara. Dormi lá. Acordei, ele tinha feito até café da manhã. Mas eu não estava mais a fim dele. Agradeci, dei um telefone falso e fui embora. Lembro dessa noite como uma das melhores da minha vida. Já repeti isso, de sair, transar e nunca mais ver. Experimentei umas fantasias – tipo sair com amigo de ex-namorado. Agora, falta transar com dois caras de uma vez. Vou conseguir. Quero me divertir muito.” Renata, 29 anos, advogada

“AGORA QUERO TRANSAR COM DOIS CARAS DE UMA VEZ”
RENATA, 29 ANOS, ADVOGADA

DE TIRAR O FÔLEGO
“Ninguém me ensinou a transar sem compromisso. Aprendi numa escapada do meu casamento. Era apaixonada. Mas o ciúme dele aumentou tanto que passei a fazer o que ele desconfiava – sair com outros. A primeira vez foi numa ocasião em que meu marido – hoje ex – viajou. Tinha ido jantar num restaurante perto do meu trabalho. Estava esperando uma amiga. Antes de ela chegar, um cara da mesa ao lado veio até mim. Disse uma besteira do tipo: ‘como uma mulher tão bonita está sozinha’. Fiz cara de descaso. E ele: ‘Posso melhorar a cantada conversando com você ?’ Deixei. Ele era charmoso, bom de papo. E logo eu já estava abraçada ao cara. Depois, fui com ele pra um motel. Estava excitadíssima. No motel, ele nem falava – só me puxava, me agarrava com tesão. Transas longas, de tirar fôlego. Gozei muitas vezes. Depois ele me deixou num ponto de táxi. Não me pediu pra ligar no dia seguinte. Só falou um ‘a gente se vê’. Não nos vimos. Fiquei apaixonada naquela noite – umas quatro horas, acho. Hoje, prefiro essas paixões rápidas. Uma hora vou amar alguém. Não é prioridade.” Alessandra, 31 anos, analista financeira

“ME APAIXONO POR QUATRO HORAS – É O LIMITE”
ALESSANDRA, 31 ANOS, ANALISTA FINANCEIRA


OS LADOS DA QUESTÃO
Vantagens e desvantagens dos relacionamentos descompromissados

• As relações descompromissadas não incentivam o ciúme e a posse.
• Há a possibilidade de experimentar diferentes sensações, com pessoas de universos diferentes.
• Favorece a intensidade, pois é muito mais fácil se soltar numa relação em que você não tem preocupação nenhuma.
• Pode acontecer uma inversão: “Sexo é uma oferta tão fácil de se encontrar, que deixou de ser um atrativo”, diz a psicoterapeuta Carmita Abdo.
• Descrença nos relacionamentos sólidos, pois as pessoas se questionam se toda essa liberdade é boa ou ruim, principalmente pela questão da fidelidade, da exclusividade. Será que isso vai deixar de existir?
• Mesmo que seja só sexo casual, isso não significa que você não pode procurá-la no dia seguinte ou depois. Vocês podem aprimorar a transa ou até namorar.

SEXO DELIVERY
“Eu sempre faço sexo casual. E eu gosto de sexo pelo sexo, sem vínculo, apenas uma troca e tchau. Já fiz muito, sou desencanada. Tenho uma lista de amigos que basta ligar que eles vêm à minha casa. Não temos envolvimento nenhum, apenas sexo. Quando estou sozinha em casa, carente, eu telefono. Não quero namorar agora, quero pensar e focar no meu trabalho. Quando você se envolve acaba dispersando seus objetivos. Assim, tenho quem eu quero, na hora em que eu quero. Só me aproveito do momento e não tenho mais problemas.” Giselly, 31, stylist
“TENHO UMA LISTA DE AMIGOS. É SÓ LIGAR E PRONTO!”
GISELLY, 31, STYLIST

PAGUE PRA VER FILMES COM MULHERES QUE FAZEM
SEXO POR DIVERSÃO, SÓ PELO PRAZER DE FAZER

Instinto Selvagem (1992): Sharon Stone interpreta a escritora Catherine Tramell, suspeita de assassinato e que deixa investigadores sem ar na célebre cena da cruzada de pernas sem calcinha. Catherine tem a vida sexual movimentada, com homens e mulheres, e enlouquece o detetive Nick Curran (Michael Douglas), que se vê seduzido pela escritora meio ninfomaníaca.
A Útlima Ceia (2001): Leticia (Halle Berry) faz uma cena tórrida, com detalhes que parecem reais, com Hank (Billy Bob Thorton), o guarda de prisão que executou o marido condenado dela. Leticia transa sem amor, sem compromisso, só para se satisfazer.
O Último Tango em Paris (1972): no filme de Bernardo Bertolucci, Maria Schneider procura um apartamento para alugar em Paris. Pede a chave pro síndico, encontra outro cara (Marlon Brando) e transa enlouquecidamente com ele. Sem romance. Sexo pelo sexo.
Rainha Margot (1994): Isabelle Adjani faz a monarca que sai alucinada pelas ruas de uma cidade na França, na época das guerras religiosas (século 16), e transa com um desconhecido até numa estrebaria.
Uma Relação Pornográfica (1999): Uma mulher transa e não quer nem saber o nome. Nem se falam. Quando se apaixona, ela vai embora.

ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE
Pelo estudo da vida sexual do brasileiro, no livro Descobrimento Sexual do Brasil, de Carmita Abdo, a idade de iniciação da vida sexual vem diminuindo nas últimas quatro décadas. As mulheres começavam a transar por volta dos 22 anos. Hoje, iniciam aos 15. O compromisso, no entanto, foi adiado. Antes, a mulher casava lá pelos 23 anos. Hoje, aos 28. O mesmo aconteceu com os homens. “Abriu-se uma lacuna entre o início da vida sexual e o casamento. E a mulher ficou sem ter com quem firmar compromisso”, explica Carmita. Por isso, também ficou difícil encontrar pessoas com o mesmo plano de vida. Hoje, jovens recebem essa informação de namoros rápidos desde o início de sua vida sexual. E assim eles lidam mais facilmente com essa fórmula.

COM MUITA AUTORIDADE
FRASES SOBRE SEXO CASUAL
DITAS POR GRANDES MULHERES

“NÃO HOUVE PREÂMBULOS; NÃO DISSEMOS NOSSOS NOMES NEM CONTAMOS NOSSAS VIDAS. ACONTECEU O QUE ERA PARA ACONTECER, E ÀS SETE DA MANHÃ, QUANDO SAÍ, ELE DORMIA”
Danuza Leão em seu livro Quase Tudo, sobre uma noite de sexo casual que experimentou, num quarto de hotel, em Paris, no auge dos seus 70 anos. Sim, aos 70 anos.

“VOCÊ PODE MUITO BEM AMAR UMA PESSOA E IR PARA CAMA COM OUTRA. JÁ ACONTECEU COMIGO.”
Leila Diniz, atriz

“TRANSO COM MUITOS HOMENS, MAS NÃO É COM QUALQUER UM”.
Leila Diniz

“O QUE É VERDADEIRAMENTE IMORAL É TER DESISTIDO DE SI MESMA”
Clarice Lispector

“EU APENAS QUERIA VER COMO É ESTAR COM PESSOAS DIFERENTES. NÃO PENSE QUE UMA GAROTA É UMA VAGABUNDA SÓ PORQUE GOSTA DE SEXO”
Jessica Alba, atriz

“PASSEI A VIDA TODA PROCURANDO OS HOMENS CERTOS. MAS ME DIVERTI MUITO COM OS ERRADOS”
Cher, cantora.

“GOSTARIA DE NAMORAR TAMBÉM O PRÍNCIPE WILLIAM. SERÁ QUE ALGUÉM PODE PROVIDENCIAR?”
Renée Zellweger, atriz

“FICO FELIZ PELAS PESSOAS QUE QUEREM SE CASAR, MAS ISSO NÃO É PARA MIM”
Charlize Theron, atriz, na revista Isto É Gente 324 (Outubro de 2005)

Consultoria: Carmita Abdo, psiquiatra e coordenadora do Projeto de Sexualidade da USP (ProSex), autora do livro Descobrimento Sexual do Brasil. (ed. Summus), e José Ângelo Gaiarsa, psicoterapeuta e autor de Meio Século de Psicoterapia Verbal e Corporal (ed. Summus).


EVOLUÇÃO


Mulher não está adaptada para o sexo casual, diz estudo

DO "INDEPENDENT"

A ciência -pelo menos um estudo divulgado pela revista "Human Nature"- poderá ser usada a partir de agora como álibi pelos homens praticantes do sexo casual.
É tudo culpa da evolução. Ela não preparou a mulher para se sentir contente após uma única noite com um parceiro inédito, dizem os autores do trabalho.
A pesquisa conduzida por Anne Campbell, da Universidade de Durham (Reino Unido), ouviu 1.743 pessoas. Todas tiveram relacionamentos de uma única noite.
Entre os homens, 80% afirmaram felizes com a experiência. Entre as mulheres, apenas 54% afirmaram a mesma coisa. As demais entrevistadas confessaram um sentimento de terem sido usadas pelos homens.
"A evolução oferece comportamentos por meio dos quais temos sentimentos positivos e negativos. A partir disso é que desenvolvemos certas adaptações", diz Campbell. "Se os nossos ancestrais do sexo feminino estivessem adaptados para os relacionamentos curtos, eles iriam desfrutar disso assim como o sexo masculino."
Os homens, diz a pesquisadora, são biologicamente capazes de se reproduzir com várias mulheres, o que pode explicar sua aparente felicidade com as relações casuais. "Mas para as mulheres a qualidade, e não a quantidade, que é realmente importante", diz Campbell.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Meu guri


Enfim, nasceu Maria Luísa Campos de Andrade. Nome lindo, aliás, cuja escolha eu apoiei totalmente. Luísa é "luz" e tomara que o nome chame isso mesmo. Segundo o último boletim que chegou a mim, via dona Jô - tenho que tomar cuidado com a minha mafiosíssima mamma atendendo aos meus telefonemas! -, a garotinha é calminha, não chora nada. Eu não disse!? Já chegou santa!
Olha a cara da tia, na foto, sorrindo de orelha a orelha!... Acho que nem o prêmio da Telesena faria isso com ela, nem um beijo de Rick Martin, quem sabe. Ohhhhh! Como cantava Simony, "É tão lindo!"...
Vou fazer um segundo elogio: Malu é linda, tem um rostinho super bem feito, os olhinhos rasgados. Doutor Marcus vai ter é trabalho daqui a alguns anos. Já me imagino, em 2022, perguntando se ela conhece o Rodolfinho, filho de uma amiga minha que estuda na mesma escola que ela, ao que responderá: "Conheço. Pessoa muito boa!". (Ingrid e Fernanda entenderam a interna, não? hahaha)
O terceiro é sobre a pontualidade. Bebês se atrasam muito, até os de cesariana, mas nossa amiguinha chegou apenas 31 minutos depois da hora marcada, às 8h31 do último dia 05, medindo 48 cm e pesando um pouco mais de 3 kg. (Tá vendo, Ingrid, até a sobrinha é mais pontual que a tia!)
Gri é a primeira tia da turma; Alosa foi o primeiro tio. Sinta, a seguir, o que é ter o corpo fechado, até num contexto como esse:
- Alosinha é a cara do tio, a cópia - não é à toa que o chamo de Alosinha.
- Pensa que o menino levou o nome do pai? Não, é André Augusto, o primeiro nome, claro, em homenagem ao tio-padrinho.
- Quem paga a pensão é o pai, mas quem tem mais acesso ao menino é o tio, que é irmão da mãe.
A irmã deu a Alosa o seu Júnior, isso sem ele mover uma palha. Quem se deu mal nessa foi a minha amiga Karine, La Incondicional, que vai ter que esperar, pelo visto, até que o namorido resolva querer ter um outro Junior na vida.
É mole? Não é, simplesmente é Alosa, que faz fraude até com o filho dos outros!... Tsc tsc...
Ingrid não vai ter nenhuma dessas regalias, vai ser mais uma tia normal nesse mundo. Aposto que uma grande tia!!! Aliás, ela já é meio minha tia, de Fernanda e de Cláudio, ou melhor, nossa professora Girafales, a quem resmungamos "Olha ele(a)! Olha ele(a)!" quando o bicho pega, e ela sempre acaba tendo que dar jeito na nossa bagunça, aturar o nosso mau gênio. (risos)

PARABÉNS, Gri!!! Saúde e vida longa à pequena!


PS: Desculpe, Gri, mas não resisti em mandar uma foto que Renata pôs no Orkut para a minha irmã mais velha, cobrando um sobrinho. Duas irmãs na casa dos 30 e nada?! Assim não dá!...
OBSsencial: Benício, o segundo filho de Angélica, nasceu no dia do 25º aniversário de Ingrid. Joaquim, no meu 25º aniversário. Angélica, se estiver passando por aqui, yo te pregunto: qual é seu caso com a gente?! Ah, outro dado essencialíssimo: Huck nasceu exatamente um ano antes que minha irmã mais velha (e ele tem dois filhos e eu, ainda nenhum sobrinho! :( ). A astrologia é uma fraude! Humpf!

domingo, 4 de novembro de 2007

Frase da semana


"Ele me bota pra cima e pra baixo, em menos de um minuto".

De uma certa assessora de comunicação residente na Graça sobre um ex-jornalista de A Tarde, atualmente em São Paulo.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

¡Que nivel de hombre!


Há alguns meses, comentei com Ô Ingrid que vi uma transmissão do Festival de Viña Del Mar, e que uma chilena (provavelmente) pagou um micaço com Brian Adams: disse que sabia cantar "When you´re gone" (critério para que a pessoa subisse ao palco), mas não sabia uma só frase da canção e ainda berrou no microfone e começou a agir que nem doida, por fim tentou agarrar o cantor, enquanto ele se limitou a dar risada (fazer o que, né?). Gri ficou aliviada de não sermos, os brasileiros, os únicos sem-noção da América Latina. Eu nunca pensei isso, sempre achei que o latino traz o ridículo no sangue - graças a Deus! É a nossa patente cultural. Aliás, falando a sério e indo mais longe nesse parecer, somos ridículos porque somos apaixonados. Há algo de extremamente romântico na América Latina, e que se perdeu há muito no resto do mundo. O desenvolvimento pressupõe um império da racionalidade. Sob esse ponto de vista, acho que trazemos no sangue a vocação para o subdesenvolvimento, temos esse instinto primitivo que é a intensidade no sangue, não há remédio. Na melhor das hipóteses, creio, levaremos mais 500 anos para, a exemplo dos europeus, adestrar o bárbaro que existe dentro de nós.
É impossível não ser sentimental ao cubo sendo hispano hablante. Uma língua que usa a exclamação no início e no final da frase e tem termos fortes como "Te quiero" (ou seja, não é só um sentimento, como "Te amo", mas uma posse, um desejo imbutido), só poderia dar nisso. A falta de senso de humor também contribui para essa passionalidade (mas o excesso disso, como vemos em nosso próprio país, também não ajuda muito). hehehe

Pegando os famosos como amostras, vemos que definitivamente não estamos sós. Luciano Pavarotti, cantor de ópera da elegante Itália, era a personificação do termo "bonachão". A própria Ingrid já havia comentado que a mexicana Thalia é doidinha (realmente é, segundo o que vi num vídeo que peguei na internet). Acho que os hermanos são mais formais, à primeira vista, porém mais calorosos e dramáticos, num segundo momento, que os brasileiros.
Chato, a propósito, esse negócio de sermos um país a parte na América Latina. A colonização portuguesa foi péssima também sob esse aspecto, estamos ilhados, mesmo na América do Sul. Bem, tento me consolar com o fato de falarmos a língua mais bonita do mundo, "a última flor do lácio", e de sermos o pedaço de terra mais original dos últimos 500 anos.

Esbarrei com um vídeo do cantor Luis Miguel, outro dia, no You Tube. O que vi foi totalmente de encontro à primeira (e única) impressão que tive dele. LM, para mim, era aquele cara sério, vestido de smoking, que canta boleros, entre eles "La Barca", tema que uniu Edson Celulari e Claudia Raia. Achava a voz dele sensacional (tanto é que, se não me engano, foi o único latino a gravar em Duets, de Frank Sinatra, com direito a elogio de "a voz"), mas não gostava de ouvir seus cds: as interpretações me soavam engessadas e sem alma. (Nossa, a minha irmã do meio adora esse cd "Romance", ela era obcecada por "La barca"; eu sei letra desse bolero por osmose, aprendi muito antes até de aprender o verbo "ser" em espanhol!)
De formal, "El Rey Sol" não tem é nada, pelo contrário: o cara é muito extrovertido, interage com a platéia nas apresentações e dança todo desengonçado no palco, o que me fez simpatizar de cara com a pessoa ("jejeje"). Não é um artista para se ouvir o disco, é o tipo que mostra a que veio no palco quando reage ao público.
Descobri que Luis Miguel, ou Micky, é, na verdade, cantor pop (a série de boleros, "Romance", é exceção em seu repertório, acho que foi algo para marcar a entrada na fase adulta); que é bem mais novo do que eu pensava (tem só 37 anos); que não surgiu no meio artístico já adulto mas com 12 anos; que não é mexicano de nascimento mas portoriquenho.
Ah, não poderia deixar de citar: Luismi - outro apelido dele entre os fãs - é mais um a confirmar a minha teoria de que o sucesso estrondoso tem relação com uma origem familiar problemática. O cantor tem uma das histórias mais misteriosas e turbulentas do showbiz da AL: a mãe foi alcoólatra e desapareceu em meados dos anos 80; ele destituiu o pai do cargo de empresário, na adolescência, e parece que foi pela obsessão dele que o filho é o que é; demorou quase 17 anos para reconhecer uma filha que teve aos 19 anos com uma namorada; e tem uns tios que, vira e mexe, falam besteiras (mentiras, provavelmente) sobre ele na mídia.
Já namorou, ainda, meio mundo, de Salma Hayek a princesa Stephanie, passando por Thalia e Gabriela Sabatini, até Mariah Carey. Disseram que essa teve aquele colapso de 2001 por causa do término do namoro com ele, o que MC nega - quem daria o gosto? mas eu, no lugar dela, entraria também em crise (risos).
O sujeito é conhecido como um dos artistas mais generosos da música latina. Entretanto foge do comprometimento mais que o diabo da cruz. Teve filho só agora mas não casou com a namorada - típico de quem cresceu por conta própria e detesta perder o controle sobre si mesmo.
Ser latino é, mesmo pertencendo à nata, le gustar la bagacera!
Luismi curte uma esculhambação, e fiquei fã! Se bem que:

"Yo para querer
No necesito una razón
Me sobra mucho,
Pero mucho corazón..."

(Né não, Alosa?... Tem que ser, pois você nem tchum pra mim. Olha, "no llames corazón lo que tú tienes"... Alosa é a minha Sibéria!)

Com vocês, alguns vídeos do "Sol do México":

1 - Aos 12 anos, cantando "Dos enamorados". Muy fofo (olha a roupa de Power Ranger e os movimentos de quadril! hahaha)! LM confirma mais duas das minhas teorias: quem é muito bonito quando pequeno, dificilmente mantém o nível de beleza na idade adulta, e algo acontece aos 12 anos (pelo menos comigo, Xuxa, Mel Gibson, Britney e Luismi).

2 - LM começa a cantar "La Barca", se surpreende com o público, que canta mais alto que ele, resolve se divertir com a gafe e improvisa um karaokê.

3 - As origens pop. Quem diria que o vozeirão se pôs a serviço de canções como "Ahora te puedes marchar", "Isabel", "La chica del bikini azul", "Sol, arena y mar" e "Cuando calienta el sol"?! A classe é uma característica anti-humana, definitivamente. A qualidade da filmagem é ruinzinha, mas dá pra levar. O cabelo tá esquisito, né? Mais uma das minhas teorias comprovada por Luismi: cabelo bonito e fama são conflituosos - ou um, ou outro. Luismi apareceu nos concertos em Las Vegas com um visual a la Nelson da Capetinga, que vôtecontá!... Él es lo más!...

4 - Em Viña Del Mar, em 1994, cantando um dos seus sucessos pop - "Será que no me amas?". Pela maluca que "cantou" com Brian Adams e pelo vídeo a seguir, concluo que o festival deve ser interessante. Vou dar um pulo lá qualquer ano desses.

5 - Durante a turnê "Romance", com vinte e poucos anos e guapíssimo, cantando "La media vuelta". Será o visual Zorro um elemento de reforço da pegada de cabrón latino?! No lo sé, pero Nandy Bragaboysomovimentoésexy deu o seguinte parecer após ter assistido o vídeo: "Realmente, devo incluir Luis Miguel no time de Rick Martin and Diego Torres. Que pegada!". Fernandinha, o seu mal é que você nunca vai por mim! tsc tsc... Em homenagem a usted e a Cacau Baixaria, a letra do bolero:

"Te vas porque yo quiero que te vayas
A la hora que yo quiera te detengo,
Yo sé que mi cariño te hace falta
Porque quieras o no
Yo soy tu dueno"

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

E os meus cabelos... Quanta diferença!




Se alguém tinha dúvidas de que o dinheiro traz felicidade, mire-se no exemplo desta mulher de A TARDE! A de cima, que a de baixo é da era pré-prosperidade (humm, esse verde da roupa é bem sugestivo, não? vou incorporá-lo na minha mandinga de fim de ano).
Não dá pra visualizar bem? Sorry, é que a felicidade alheia dói, e como este é um blog que preza pelos sentimentos humanos, até os mais mesquinhos, ampliamos o registro da fase "barril".
Naquela época, companheira comia a gororoba do 3.0, esperava o Cabula VI na Estação da Lapa, não tinha máquina digital e nem porta-caneta na mesa. Era mais uma operária padrão do Brasil, só não usava macacão azul ("bad, bad life, no presidence for you").
É só você querer êêê - Mas eis que de repente, não mais que de repente, tudo mudou na vida da camarada, e sem nenhum artifício Tabajara nem "talentos" à mostra ("rátátá..."), tudo na mais perfeita legalidade e mérito: ela entrou pro A Tarde, agüentou firme meia dúzia de malucos fixos, assinou carteira, comprou automóvel zero km e virou repórter de Política.
Eu posso dizer com orgulho: esse blog foi o primeiro a apontar a virada da companheira, com o tal almoço de dois dígitos, e eu fui a primeira a dizer que ela passaria no teste de A Tarde. Lembro como se fosse ontem: estávamos as duas no ônibus e eu lhe garanti: "Companheira, eu estou sentindo a vibração a favor e quando é assim, é batata!" (Ingrid sabe muito bem disso, pois já levei muita questão de concurso na base do "terceiro olho", só não tem funcionado muito bem com os números da loteria, mas é uma questão de ajuste).

Falando no assunto, recebi uma mensagem de Pereira no Orkut. Apesar da seca em Brasília (e da derrota do Vitória no último final de semana - o espantalho dormiu no ponto e eu estava sentindo a vibração de que isso ia ocorrer), ele era só alegria. Justificou a boa adaptação a Brasília com as experiências prévias em Itabuna e São Paulo.
Mas a gente sabe a resposta verdadeira a essa inusitada felicidade no Planalto Central: ela vem do contra-cheque Falamansa ("hahaha, mas eu tô rindo à toa"). Brasília é que nem jogador de futebol: tem que ter espírito de piriguete pra encarar e precisa rolar muita grana no meio pra poder durar - a mentira só confirmou a adequação do nosso futuro diplomata ao ambiente palaciano! Bravo, Pê! By the way, Ronaldo, o "felômeno", continua na capital? Freud explica: menino que cresce no interior, cresce com o recalque de nunca ter achado o seu fim de mundo no mapa, na aula de geografia. Óóó!... Sorry, periferia, mas nem todo mundo nasce numa cidade tão destacada que foi até resposta do quiz de "Eu sei o que vocês fizeram no verão passado".


Mas voltando ao assunto, como dizia o meu mestre, Nelson Rodrigues, "O dinheiro compra tudo, até amor verdadeiro". E eu cumpro a minha missão cármica de completar as frases de Nelsão: "... e é o ponto de interseção dos sorrisos da esquerda e da direita na política". Crianças, vale a pena escovar bem os dentes, o click da vitória pode ser seu!... PS: Alosa nunca foi ao dentista. Será sinal de predestinação?! Aliás, a fraude faz jus ao apelido: é o único que causa inveja nos colegas sem ter arredado o pé de Salvador! Ingrid é que é a santa e é Alosa quem recebe as bençãos?! CPI no céu, urgente!

Alosa, vou interromper a "greve" pra te perguntar: cadê aquela bicha maravilhosa que fazia curso com a gente no XVIII? Tô pensando nele há um tempão.
Aliás, o senhor vem atrapalhando diretamente e indiretamente o meu sono há semanas: primeiro me conta que uma conhecida largou o emprego (e eu fiquei 3 noites sem dormir: a primeira imaginando uma bolsa na Europa, a segunda imaginando um emprego no eixo Rio-São Paulo e a terceira pensando que talvez tivesse conquistado um salário fenomenal. isso não se faz! da próxima vez que for falar do sucesso de um conhecido, favor não deixar espaço para conjecturas - e crises de insônia); depois não adivinha que eu quero notícias da biba e me deixa no vácuo.
Alosa, desculpe aí, mas eu tenho que ser sincera: não se engane que você tem alma de capataz, meu amigo! Eu vou ser sua personal Castro Alves, e quando você estiver saindo do trabalho, vou gritar pra todo mundo ouvir:

"Albatroz! Albatroz! águia do oceano,
Tu que dormes das nuvens entre as gazas,
Sacode as penas, Leviathan do espaço, Albatroz!
Albatroz! dá-me estas asas"

Droga! Nem assim eu consigo prejudicar Alosa! Ele pode alegar que eu vim do teatro...

domingo, 21 de outubro de 2007

Eu quero uma assinatura!




Ah, eu fiquei fã da Caras argentina! Olha como o texto é bem feitinho. E os hermanos adoram uma história de coração partido, ao contrário dos brazucas que curtem uma boa ostentação. A Caras do vizinho é quase um diário oficial do casa-separa dos famosos.
E é incrível como todo mundo que importa sai de Santa Fé. Esse estado é uma espécie de Bahia da Argentina (cof! cof!).
Separei dois perfis. Vejam só:


"Mi matrimonio está en crisis"
Dady Brieva se confiesa

Había corrido durante más de una hora. “Siempre es bueno hacer un alto”, dijo agitado. Interesante paralelismo entre la necesidad de su ritmo cardíaco y el de su vida emocional. “Ando con una crisis matrimonial —confiesa Rubén Enrique Brieva (51), y el humor, que es su esencia, se cuela irreverente—. Tenemos la relación en el sanatorio, pero no hay muerte todavía.” Dady y Guadalupe Evelia Duarte (49) se conocieron a principios de los años 70, cuando compartían el mismo banco en el aula de la escuela secundaria de María Selva, en Santa Fe. Largos fueron los años de insistencia hasta que la muchacha dijo que sí. Después de cinco años de noviazgo, la pareja contrajo nupcias el 9 de noviembre de 1979. Por ese entonces, Dady anunciaba: “Evelia es la mujer de mi vida”.Luego de 28 años, la afirmación es otra: “Es muy difícil sostener un amor durante toda la vida”. Sin duda, más aun si es la vida de un hombre mediático. “El matrimonio es un trabajo de 24 horas. Cuando el éxito toca la puerta, uno comienza a poner energías en otras cosas. Jugar en las grandes ligas tiene un precio, porque el tiempo siempre termina pasando la factura. Las exigencias obligan a establecer pactos: ‘Vos cuidá de los chicos, yo traigo la plata a casa’. Pero eso no es suficiente.” Dady habla del doble filo de la fama en plena situación de incertidumbre. “El hombre mediático consigue las entradas para los espectáculos, vacaciones de canje, visitas a la isla de CARAS, y otras tantas cosas que anestesian cualquier problema. Pero cuando eso se acaba y llega el momento de la intimidad, esa misma fama que endulza es la culpable de todos los problemas.”Fue durante 1998, cuando Dady -subido al suceso de Los Midachi- debió abandonar Santa Fe, para radicarse en Buenos Aires. “Esa distancia generó varios conflictos. En estos diez años atravesamos varias idas y vueltas, crisis de las que siempre volvimos –afirma-. Hace diez años que la estamos remando. Uno hace lo que puede para salvar la situación, comprás una casa en un country, hacés un viaje, pero...”.En el proceso de “acomodar” las piezas, Dady prioriza el cuidado de sus hijos, testigos cercanos de esta historia: Bruno (18) y Franco (14). “No me genera culpa ni preocupación. La separación entre los padres es una realidad constante en los colegios. En la situación que sea, Evelia y yo tratamos de tener presencia. Jamás me dejaría influenciar o aconsejar, porque somos muy respetuosos de los espacios personales en mi familia. Pese a todo, los protejo, porque entiendo que la paternidad es mucho más que una relación conyugal.”Haber salido de tantas crisis supone cierta sabiduría para sortearlas. Pero, ¿qué pasa esta vez? “Hace como cien años que hago terapia, y hubo tiempos en los que tuve dos psicólogos. Pero en este caso la solución no tiene que ver con eso. Mas allá que no creo en la terapia de pareja, la cuestión tiene raíz en otro tema: el existencial. Tengo 51 años y siento que estoy viviendo una época de balance, de búsqueda constante de saber qué es lo que realmente quiero. Ante tantos años juntos, uno se va poniendo más viejo, más ‘choto’ y algo pelotudo. Me cuestiono muchas cosas, y sé que a ella también le ocurre lo mismo. Tal vez tenga necesidad de crecer, los chicos ya están grandes y quiera expandirse a otros caminos. Sentimos la necesidad de ir más allá del lugar en el que estábamos.”Una terapia personalizada. Dady se levanta a las 06:30. A las 07:15 ya está leyendo los diarios, antes de salir al aire con “Dady 790”, por Radio Mitre. Durante el resto del día, diagrama actividades que lo alejen del mundo. “Corro 40 kilómetros como entrenamiento para la próxima maratón de Buenos Aires. Trabajo en el guión de mi próxima película y me doy una vuelta por el stud, donde tengo dos caballos de carrera –enumera-. El trabajo siempre me ayudó a despejarme, es lo único que me produce orgasmos.”Cuánto queda del amor es el interrogante obligado. “Debemos redefinir qué es el amor, porque hay situaciones de afecto en una pareja que no necesariamente tienen que ver con lo que uno conoce como amor. Es algo así como lo que pasa con Midachi. Podemos separarnos, putearnos, pero cada vez que nos juntamos sale magia. Mi historia con Evelia ha sido muy fuerte y aguerrida, sostenida desde siempre por la lucha, sobreviviendo codo a codo. Evelia ha sido mi soporte en la vida, sin ella a mi lado no sé si hubiera podido desarrollar mi carrera. Pero luego de casi treinta años llegamos a un punto de análisis: “Qué es amor?, ¿qué es pasión?”. El afecto entre los dos no va a desaparecer. Nunca hemos sido una pareja estilo ‘Love Story’, ni tampoco fuimos Susan y Jeremy, pero fuimos buenos socios en la vida, y ella siempre supo cuidarme el arco.”




"En el amor, me gusta que me manden"
Flavia Palmiero, decidida a seducir

A simple vista, un interrogante de cuatro palabras: ¿Por qué está sola? “Por estar en las revistas no encuentro al hombre que se enamore de mi y no de una fotografía” -es su contundente respuesta-. Al final hará una confesión que abrirá el juego a la entrevista. “Me siento sola, porque la soledad va más allá de una situación. Algo que experimenté muchas veces, aun estando en pareja.” Flavia Palmiero (41) recorre los cinco sentidos de una mujer, “muy mujer” que, entregada a la conquista, asegura: “No me enamoro fácilmente, pero en esta materia, la esperanza es lo último que pierdo”.Y la vida le cantó los 40. “Hace muchísimo que deseo encontrar mi alma gemela. A esta edad cuesta mucho más entregarse, pero mantengo la ilusión de dar con el hombre que comparta mi estado de madurez, que valore como yo el hecho de formar una familia, enamorarse con todo y perder el temor al compromiso afectivo. Mi ex marido y Franco (Macri) han sido los únicos hombres fuertes en mi vida. Después, reconozco haber sido querida, pero ahora tengo la necesidad de ser yo misma la que ame fuerte. Los años me enseñaron a ser fiel a una pareja y a mis propios sentimientos. En el amor soy apasionada, y me hace feliz halagar a mi compañero, quitarme el orgullo y decirle cuánto necesito estar con él. Después de los cuarenta, deseo recobrar algo de inocencia, de credulidad afectiva.”Quiere retruco.“Recién hoy transito el camino de la conquista, porque siempre fui muy pasiva en el amor y tan sólo me he dejado seducir, conquistar, querer. Ahora, tengo ganas de desear.” Y es precisamente en el terreno del deseo donde Flavia reconoce su “lado salvaje”. “Puertas afuera, puedo llegar a ser manejadora y obsesiva, pero en el ámbito de la pasión suelo perder la conciencia. Ojo, no hablo del sexo por el sexo mismo, porque eso me aburre demasiado. Para llegar a esa instancia de intimidad, hoy debo registrar un sentimiento hacia la otra persona: amor, admiración, algo. Cuando es así, suelo no tener límites, y nada me cuesta perder la conciencia.”Dice encarar la conquista desarmada, y es entonces cuando sabe intelectualizar el momento con alguna frase espontánea que rara vez falla en el intento. No se anima a dar señales sin un ápice de seguridad, pero cuando siente esa vibración sus sentidos se despiertan y despuntan las certezas, o los tips para los interesados más sagaces.Oír. “Alguna vez me dijeron que yo reunía fortaleza y fragilidad, y me pareció un buen piropo. De un hombre me encanta escuchar la promesa que va a protegerme. Y para `esos momentos`, me gusta el jazz de fondo y algo de baile.” Oler. “Como en el hombre no me gustan los perfumes fuertes, prefiero el aroma natural de la piel, es mucho más sugerente y estimulante. La piel en crudo, el aroma a hombre al natural.” Degustar. “Puedo acompañar la pasión con un buen vino tinto, pero con la dosis justa, para no debilitar la libido.” Tocar. “Nada de texturas que no sean las del cuerpo. La piel es lo mejor que se puede llevar puesto.” Ver. “Inmediatamente cuando conozco a un hombre hago foco en su sonrisa, pero lo que más me agrada son los gestos típicos de un auténtico caballero. Con respecto a lo netamente físico, priorizo el aspecto básico y normal, porque detesto la metrosexualidad. ¡Por favor!, no se cuiden tanto que para eso estamos nosotras...”.Aunque la producción en exceso también es perjudicial para el público femenino en relación con los planes de conquista, según el manual de tácticas de Palmiero. “Los hombres están pendientes de otra cosa. Cuando creemos que se fijan en el vestido, el maquillaje y el peinado, se mueren por una mina en jeans y musculosa. Ellos son más básicos y directos de lo que suponemos. Otra cosa que me mata de los hombres: Me gusta que me pidan cosas como que me ponga una mini. Yo lo hago contenta. Si hoy tuviese una primera cita, no perdería ni un minuto en fijarme qué usar. Suelo seducir con la antiseducción. Al fin y al cabo, la naturalidad es más inteligente que la pose.”Y un ideal que guarda con claridad. “No me arrepiento de nada de lo que viví. Ahora que mis hijos están grandes, quisiera retomar una vida en pareja, volver a casarme y ser madre nuevamente. Claro –advirte– con alguien que me ayude, porque ya no estoy para levantarme por las noches.”Más que madre, una amiga. “Quiero que los chicos crezcan sabiendo que su madre es una mujer que ama, siente, es deseada y tiene vida sexual, algo que deben entender como natural. Por lo general, mi hija Juliana (18), que es muy sabia, me dice lo que debo hacer con respecto al amor. Por mi parte, sólo le aconsejo que viva el amor con libertad, eligiendo y exigiendo respeto. Pero ella es más segura que yo en la vida, nos reímos mucho cuando me carga: Jamás me casaría a los 20, como hiciste vos. Bueno, al menos sé que por el momento no seré abuela.”En su vida hubo grandes y más chicos, los hombres y el prejuicio de la edad. “Sólo quiero encontrar a un par, alguien que vibre en la misma frecuencia que yo. Y sobre cuántos años tenga no es tema de relevancia mientras ejerza el mando en la pareja. Porque debo admitir que soy una mujer machista. Como siempre me las arreglé sola en la vida, necesito un momento de relax, para apoyarme y descansar en alguien. El hombre que me gusta debe saber plantarse frente a la mujer, tomar las riendas y decidir con seguridad. Si tengo al lado a un tipo que mira ir y venir, hacer y deshacer, y dice: `¿Y yo qué hago?`, me muero. Nada me seduce menos que tener que manejar a un hombre, porque si, además de todo, debo hacer eso, mi vida se vuelve ingobernable.”

http://www.caras.uol.com.ar/edicion_1344/nota_02.htm

Os muito ricos não gargalham

Os ricos podem até chorar, mas segundo Danuzinha, os muito ricos não gargalham - será o excesso de botox?
Eu, como pobre vocacional que sou (apesar de gostar de conforto, me ofendo até os cílios com qualquer quatro portas acima de R$ 50 mil), fico vaidosa em ver que o maior sonho de consumo da nata-da-nata é brincar de ser como eu, como você. Pois é, lascados do meu Brasil, não temos dinheiro mas estamos na moda! hahaha
Confiram a matéria abaixo:

Eles não têm dinheiro no bolso nem chave da porta; não freqüentam lugares da moda nem usam roupas com grifes à mostra; não carregam malas nem passaporte. Eles não são ricos: são muito ricos
DANUZA LEÃO
COLUNISTA DA FOLHA

Os muito ricos adoram brincar de pobres. Para as férias, costumam ter uma casa simples, mas muito confortável, numa praia ainda não descoberta do Nordeste, e por nada deste mundo deixariam uma revista fotografar este paraíso.
Lá, usam bermudas velhas, camisetas desbotadas, andam descalços e só recebem os muito íntimos. Quando isso acontece, oferecem uma cachacinha local e nada lhes dá mais prazer do que uma comida muito simples, especialidade da mulher do caseiro. O casal trabalha com eles há 30 anos, usa bermuda, camiseta, anda descalço mesmo para servir a mesa e tem uma familiaridade com os patrões que só o tempo permite.
Os carros dos muito ricos costumam ser pretos, de marca indefinida e nunca do ano.

NÃO FREQUENTAM FAMOSOS TEMPLOS DE LUXO E NUNCA USAM CHAVES
Os muito ricos não ostentam; os homens mandam fazer suas gravatas e lenços sob medida no Charvet, que fica num segundo andar na Place Vendôme, endereço em Paris que só poucos conhecem, e suas mulheres têm jóias maravilhosas mas guardadas no cofre de um banco -na Suíça, de preferência-, que são usadas apenas em jantares muito privados, só entre eles. E não usam uma só roupa ou acessório que seja "identificável". Têm seus costureiros exclusivos, que só elas conhecem, e que não fazem a menor questão de aparecer nas revistas de moda, para que suas criações não sejam usadas por estrelas de cinema na noite do Oscar ou manequins e assim não sejam vulgarizadas.
Só quem faz parte desse seletíssimo mundo é capaz de identificar a origem daquele vestido, daquela bolsa ou daquele sapato. Afinal, qual a graça de usar um vestido com a grife de St. Laurent, se esse vestido não foi desenhado pelo próprio e, desde que a marca foi vendida, no ano 2000, a cada estação muda o designer?
O porta-voz da luxuosíssima Bottega Veneta declarou recentemente: "Nós nos rendemos ao prazer da nossa fantástica qualidade e mão-de-obra, e isso diz mais do que qualquer grife". Detalhe: em seus artigos não há um só sinal sugerindo de onde eles vêm.
Jamais um logotipo, jamais uma letrinha que identifique de onde saíram aquelas preciosidades. Mas quem sabe -e só quem sabe- sabe.
Os muito ricos, até por cansaço de serem ricos há tanto tempo, viajam -e vivem- à maneira deles; em altíssimo padrão, mas na maior das discrições. Não é um problema de dinheiro, claro, mas os famosos templos de luxo e riqueza não são freqüentados por quem é rico de verdade.
Um amigo meu, quando vai a Londres, fica em um hotel que é uma casa; uma casa normal, tipicamente inglesa, com poucos quartos, onde só se hospedam pessoas altamente recomendadas. Nesse hotel-casa, cada hóspede tem a chave da porta da rua; não existe portaria, conseqüentemente também não existem porteiros, e, no living -confortável, charmoso e bem inglês-, um bar com todas as bebidas, os copos apropriados, e um balde de gelo. O hóspede se serve do que quer, e anota num bloquinho o que consumiu, que será cobrado quando for pagar a conta. Ah, e nessa hotel/casa tem um gato, que está sempre passeando pela casa. Pode ser mais chique?
Outra coisa invejável dos muito ricos é que eles não usam chave; a qualquer hora que cheguem, o motorista telefona do carro, discretamente, avisando que o patrão está chegando, e um empregado estará esperando, com a porta já aberta. A arrumadeira ajudará madame a se despir, perguntará se ela deseja alguma coisa -talvez um chá-, o mordomo fará o mesmo com seu marido, eles dormirão em lençóis que, se não são trocados todo dia, serão pelo menos passados todo dia, para não marcar o rosto, e o quarto ficará na mais perfeita ordem, sem uma só peça de roupa em cima de uma cadeira.

NUNCA SÃO VISTOS NAS RUAS OU LOJAS E ADORAM DIZER QUE NÃO GASTAM
Eles nunca são vistos nas ruas, nas lojas, nas joalherias. São elas que vão até eles, muito mais prático. Vendedores levam os itens mais novos e exclusivos das coleções e, nas raras vezes em que saem -afinal, às vezes é preciso respirar um pouco de ar puro-, se entram num estabelecimento comercial são logo reconhecidos pelos vendedores; a conta vai diretamente para o escritório, e o(s) pacote(s) é(são) entregue(s) em casa, pois rico não carrega embrulho. E cuidado: se acontecer de você sair com alguém muito rico, é capaz da conta sobrar para você, pois rico não costuma levar dinheiro no bolso, nunca.
Os muito ricos adoram dizer que não gastam; aquele vestido maravilhoso é um Chanel antigo de 30 anos atrás, o outro foi comprado há 15 numa lojinha exclusivíssima no interior da Espanha, e os lençóis, discretíssimos e sempre brancos, são bordados por freiras de um convento em Portugal.
Eles não falam de moda nem de consumo, e o vinho que servem em casa é tão garantidamente o melhor que é servido em garrafas de cristal -e não se fala na origem nem de que ano é, porque não precisa. Têm vários celulares, sendo um do motorista; quando saem, de onde estiverem, telefonam para que o carro já esteja na porta e eles não precisem esperar.
Viajar, para os que são ricos há muito tempo, é simples; para isto existe a femme de chambre -arrumadeira, para os mais simples. Cada peça de roupa é embrulhada em papel de seda, cada pé de cada par de sapatos vai embalado num saquinho de flanela. As malas nunca vão cheias demais, para que nada amarrote.
A secretária vai para o aeroporto três horas antes, levando a bagagem, os bilhetes de avião e os passaportes. Despacham as malas, fazem o check-in, e o casal sai de casa, ela com uma bolsinha pequena, e o marido, sem nada nas mãos.

NÃO LEVAM MALAS CHEIAS E NÃO COMEM NADA DURANTE A VIAGEM
Chegando ao aeroporto -dependendo da distância, vão de helicóptero-, são levados não para a sala vip, com aquele amontoado de gente aproveitando para beber de graça, falando aos berros, crianças correndo e gente dormindo pelas cadeiras. A sala vip dos muito ricos é exclusiva, e nela eles desfrutam de uma paz celestial até a hora de entrar no avião, quando são os últimos a embarcar. Só viajam em classe executiva, e durante a viagem não comem nada, só bebem água.
Estou falando dos que não tem um avião particular, é claro. Aliás, avião, a não ser particular, hoje em dia só é praticamente usado pelos pobres.
Mas, se necessário, quando se instalam em suas poltronas, as mulheres costumam recusar o cobertor que a comissária de bordo oferece; tiram da bolsa uma manta de pashmina, comprada no Hermès de Paris - US$ 3.000, pelo menos-, e que dobrada é do tamanho de um lenço. Qual a mulher que se cobriria com uma manta que já foi usada por outra pessoa, mesmo que tenha sido esterilizada?
Aliás, quando você quiser saber se uma manta é mesmo de pashmina, tire seu anel e procure passá-la por dentro dele. Se não passar, é falsa.
Essas pessoas não usam dinheiro, só cartão de crédito. Para dinheiro de bolso, é só telefonar para o banco onde têm conta -na Suíça ou em Luxemburgo- e um portador levará o dinheiro ao hotel, em qualquer lugar do mundo.
Em Paris costumam se hospedar no Ritz ou no Meurice; a femme de chambre que os acompanha nas viagens desfaz a mala, põe nas gavetas as peças menores e pendura as roupas -depois de passadas, é claro. Mas quem se hospeda nesses hotéis, se não quiser, nem precisa levar sua camareira, pois nesses hotéis as coisas funcionam automaticamente; e na hora de ir embora, as malas são tão bem feitas como quando chegaram.
Eles não freqüentam os restaurantes da moda e preferem almoçar no terraço da Closerie des Lilas, onde não correm o risco de encontrar uma só pessoa que pertença ao chamado jet set; talvez cruzem com um banqueiro que conhecem há anos, que chegou de Genève naquela manhã, a negócios, e vai voltar na mesma tarde. De trem, é claro.

DORMEM EM QUARTOS SEPARADOS E NÃO TÊM AMIGOS ÍNTIMOS
Curiosamente, os muito ricos dormem em quartos separados; não saem do quarto sem estarem formalmente vestidos, e o casal se trata com a maior cerimônia. Nem sei como conseguem procriar. Não têm a menor intimidade com os empregados e não costumam ter amigos íntimos, por isso quando têm seus problemas existenciais não têm com quem se abrir, pois não costumam freqüentar analistas. Imagine, um muito rico ser visto saindo do consultório de um psi.
Não foi à toa que a imperatriz do Japão, devido ao rigor do protocolo, teve uma depressão e ficou sem aparecer nem nas cerimônias oficiais, por longos anos.
E os muito ricos, muito ricos mesmo, homens e mulheres, têm uma coisa em comum: nunca ninguém ouviu, e jamais ouvirá, um deles dando uma gargalhada.
No máximo, eles sorriem.

Muito ricos escondem renda em pesquisa

Só 14 pessoas declararam ganhar mais de R$ 50 mil/mês nas últimas entrevistas por amostra de domicílios do IBGE

Entrevistados costumam declarar somente ganhos do trabalho formal e esquecer ou até omitir os recursos vindos de outras fontes

ANTÔNIO GOIS
DA SUCURSAL DO RIO

Os muito ricos, no Brasil, escondem tão bem sua riqueza que nem aparecem nas estatísticas oficiais. Na última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, feita anualmente pelo IBGE, por exemplo, só 14 entrevistados -numa amostra de 410.241 pessoas- declararam ter rendimentos mensais superiores a R$ 50 mil.
Para ter uma idéia do quanto isso é muito pouco, ou quase nada, esses 14 entrevistados representariam um universo de 7.215 pessoas, ou 0,005% da população com mais de dez anos. Trata-se, porém, de uma amostra tão insignificante que é impossível fazer inferência estatística a partir dela.
Na mesma Pnad, o maior valor declarado entre os entrevistados foi o de um rendimento médio mensal de R$ 131,9 mil (somando todas as fontes de renda). É, sem dúvida, bastante dinheiro para um país cuja média não passa de R$ 873, mas não é, certamente, o maior rendimento verificado no Brasil.
Basta lembrar de alguns técnicos e jogadores de futebol ou artistas de televisão para ter certeza de que há bastante gente ganhando acima desse teto.

Dificuldade
Pesquisar com precisão a renda dos muitos ricos é uma dificuldade vivenciada não apenas pelo IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mas também por todos os demais institutos congêneres, mesmo dos países que são mais desenvolvidos.
Como a maioria das pesquisas de renda são feitas a partir de entrevistas, é comum os entrevistados declararem somente a renda do trabalho formal, esquecendo -ou então, até mesmo omitindo- os recursos vindos de outras fontes.
Isso vale tanto para os mais ricos -segmento em que os rendimentos do aluguel e de aplicações financeiras são significativos- quanto para os mais pobres -segmento em que os índices de informalidade são maiores e, até por esse motivo, a renda tende a apresentar variações muito significativas mensalmente.

Livro
Uma das tentativas recentes de pesquisar a riqueza dos mais ricos entre os ricos foi feita pelo economista Marcio Pochmann, que hoje ocupa o cargo de presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
Ao organizar o livro "Atlas da Exclusão Social - Os Ricos no Brasil", Pochmann revelou que 5.000 famílias consideradas muito ricas -ou 0,01% do total de famílias do país- reuniriam um patrimônio que representa 46% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, o equivalente a R$ 691 bilhões em valores de setembro de 2003.
No mesmo trabalho, o pesquisador conclui também que, entre os muito ricos, 40% estão nessa confortável situação graças a heranças e que, cada vez menos, a origem de suas fortunas vem de atividades produtivas -que perdem espaço como a principal fonte de renda para os recursos vindos de aplicações financeiras, especialmente em títulos públicos.

Cansei VII

Sete é um número cabalístico. E esse recado final vai pra quem não dá valor ao afeto dos outros.

Cansei VI

Ó, vida, desculpe, mas...

Cansei V

Às vezes, até de mim mesma!

Cansei IV

De sofrer com a Bahia e com o Brasil!

Cansei III

De algumas mulheres que ainda insistem em não amadurecer, mesmo estando quase "caindo do pé"!

Cansei II

Este blog se recusa a falar de Alosa enquanto ele não der um alô.

Da série "músicas que falam por mim", meu recado via Ivete Sangalo!
E tenho dito!

E o pior é que herdei o espírito de corno goiano: quanto mais Alosa me despreza e me trai, mais ele me inspira.

Cansei

Não. Eu não aderi a essa campanha da moda. A corrupção no Brasil? Simplesmente "passei", faço a minha parte e pronto. Não vou ser eu quem vai "evangelizar" alguém - pra começar, o brasileiro é pouco chegado a uma crítica, ou melhor, a uma auto-crítica, pois pra criticar os outros!...

Eu cansei foi de ser tolerante. Porque às vezes eu sinto que ninguém reconhece meus esforços para conviver com as diferenças, mas muito pouca gente tem boa vontade com as minhas particularidades. Nesse caso, as coisas se tornam um esforço duplo pra mim: aceitar os outros e aceitar não ser aceita por eles. Isso não é justo, a longo prazo mata qualquer boa vontade.
Viver com gente diferente até um certo ponto nos enriquece, mas é muiiito tedioso e às vezes até penoso. Outro dia estava pensando que o meu expert no mundo das novelas vem em grande parte da minha falta de oportunidade de travar uma conversa consistente com 90% das pessoas que passa(ra)m na minha vida (e olha que eu tô sendo generosa nessa minha "estatística").
Com a esmagadora maioria delas eu não posso falar de literatura, de cinema, de música, de relacionamentos, do sentido da vida, fazer o meu tipo de humor ou comentar aforismos. Sobra-me, não tem jeito, a novela ou algo que valha. Ultimamente a coisa anda feia pro meu lado, nesse sentido, pois nem novela eu tenho visto. Porém pior do que lidar com gente sem conteúdo, é lidar com gente impertubável. Sabe aquele tipo que tem até cacife para travar uma conversa mais pensante e verdadeira, mas não gosta disso, não quer pensar "em problemas"? Com esses eu falo de cinema ou de seriados...
Então acaba que você passa quase o tempo todo gastando saliva com o que lhe diz pouco e não tem a oportunidade de falar do que realmente te interessa. Você até gosta da esmagadora massa de gente superficial que te cerca, mas, no fundo, isso traz uma bruta frustração pessoal, como disse acima, e como essas pessoas não te instigam muito, não há o impulso de dar atenção a elas, o que gera muita culpa pois há afeto no meio, então há também um certo "dever" de querê-las mais do que realmente quer. E aí quando gasta o seu tempo com essas pessoas, vem uma pontada de culpa de estar desperdiçando-o, de algum modo, e não estar utilizando esse precioso recurso da existência com quem realmente interessa ou com você mesmo.
Lógico que falar besteira de vez em quando é bom e tem a sua função. Mas quando isso é a sua única ponte com a maioria dos que te cercam, é de lascar. No meu caso, esse tipo de deslocamento se torna duplo. Explico: do mesmo modo que o "povão" me deixa o vazio de não poder travar uma conversa de verdade, a elite e a intelectualidade também me trazem o mesmo problema, com a diferença que a superficialidade deles vêm de um excesso de informação. Então tudo vira o que Lacan disse, o que Bergman fez, o que Rilke escreveu e a pessoa parece que perde a capacidade de elaborar um conjunto de saberes e sentidos próprios. É como ser subnutrido tendo comida à vontade. Um grande balde de água fria...
Decidi que não vou fazer mais isso comigo, não. Meu ponto de corte vai ser a fluência na conversa, a convergência de valores e de nível mental. As diferenças pesam com o passar do tempo. É bobagem negar.
Vai ser uma briga das boas. De um lado, a minha educação doméstica, de "dar atenção a gente simples". Do outro, minha falta de gosto por relacionamentos, minha pouca disposição para a sociabilidade... Aliás, eu ando meio marrenta nesse sentido. Eu não devo ficar constrangida porque gosto de pensar e da idéia de viver para ser melhor. A esmagadora maioria das pessoas que eu conheço e que não tem conteúdo, que não se aperfeiçoam "por dentro", não o fazem porque não querem. Por que eu tenho que me ajustar? É um deserviço que presto a elas (que se acomodam) e a mim (que alimento culpa injusta).
Quando eu digo que quero largar o Jornalismo, as pessoas não entendem. Eu gosto de criar e tenho o mesmo interesse por gente que eu tenho pelos animais do zoológico, é um treco bom de observar. O Jornalismo não dá muita oportunidade para criar e me faz entrar em contato com o pior lado das pessoas: a vaidade e o orgulho. Ainda por cima, paga muito, muito mal.
Pois é, tô colada nos 30 anos. Meu retorno de Saturno me cobra uma atitude meio Titãs, e eu só quero saber do que pode dar certo. Não tenho tempo a perder.
Gastar nossa vida com o que não nos diz nada é avareza, maldade com a gente mesmo.
Por que é tão difícil arranjar quem fale a mesma língua? Simplesmente não entendo!...
Cansei.

domingo, 7 de outubro de 2007

Proust & Nelson

Noite chata de sexta-feira. Estou sentada na sala, vendo uma novela igualmente tediosa. Toca o telefone. "Piririm, piririm, piririm, alguém ligou pra mim":

- Eu liguei porque preciso compartilhar!... - uma voz abafada me explica.

Hum... "Compartilhar"?! Eu logo penso "Oba, fofoca!", mas a pessoa do outro lado da linha é Ô Ingrid, e, vindo dela, já sei que não é nada ilegal ou imoral - no máximo, algo que engorda. : (
Era ela numa ação tipicamente ingridiana: queria que eu ligasse no programa de culinária de Nigella Lawson, uma inglesa que prepara receitas "com açúcar e com afeto". Muiiito afeto (o programa deveria ser oferecido por Sazón). E se o ingrediente ainda permitir, ela não titubiteia em acrescentar uma pitada de lirismo à ordinária e lenta arte de cozinhar.
Ingrid continua:

- Juliana, é simplesmente fan-tás-ti-co! É como ter Proust na cozinha! - elogia.

Eu não iria tão longe no entusiasmo: as comparações de Nigella não chegam nem perto do chatíssimo José de Alencar e a voz pretensiosamente sensual me lembra o estilo cafona-sexy-rouco de Paulo Ricardo (diga aí, Gri: euzinha, sim, que chego perto das comparações proustianas! :) ). Maravilha, mesmo, na minha opinião, é a capacidade infinita de Ingrid de se encantar com as coisas mais comuns da face da Terra! Não é à toa que a gente se dá tão bem. Ingrid Campos é uma das raríssimas pessoas que compartilham comigo o fascínio pelo ridículo transcendental - a diferença é que ela percebe o ridículo de forma mais racional e se impacta com maior facilidade que eu.
Diria mais: o dom de Ingrid é comparável ao de Nelson Rodrigues, com a diferença que funciona no pólo oposto ao dele. Onde o anjo pornográfico via pecado, a anja do IAPI vê a santidade.
Outro dia li que o dramaturgo carioca começou a simpatizar com Arnaldo Jabor ao vê-lo numa passeata tomando sorvete e gritando "Abaixo a fome! Abaixo a fome!". Nelson ficou encantado com tamanho cinismo e ao mesmo tempo intrigado: será que Jabor, ao segurar a casquinha, propôs o sorvete como solução para a fome no Brasil?
Aposto que Ingrid ficaria igualmente encantada, mas elogiaria: "Nossa, eu não acredito que ele se ocupou de denunciar a maior miséria que atinge o povo enquanto tomava uma casquinha de sorvete! Quem se preocuparia com a fome alheia, enquanto come, ainda mais sendo burguês?! Muito bom! Na boa, Jabor é quase uma Evita Perón!...".

É ou não é "o cããão"?! (risos)

POST nº. 100 DO BLOG!

Barthes

Canso de ir ao Berinjela e comprar livros cujos títulos (ou autores) me interessam, e deixá-los na pratileira. Resolvi "chamar para dançar", essa semana, Fragmentos de um Discurso Amoroso do nosso "saudoso" Roland Barthes. Pois é, decidi dar uma chance a um dos caras que me chatearam no primeiro semestre da FACOM. Geralmente funciona. Gosto muito mais do Umberto Eco off-Semiótica, por exemplo.
A quem possa interessar, adorei o livro, mesmo não estando in love e - pasmém! - apesar dele ser sapecado de trechos de um dos poucos livros que abandonei antes da metade por não agüentar a narrativa: Werther. Uma amiga me emprestou esse livro, há alguns anos, fazendo altas recomendações (por favor, nunca façam isso comigo, meu interesse morre no primeiro elogio, eu gosto de descobrir coisas!). Odiei. Achei bobo, exagerado, meloso... Arrrgh! Queria eu mesma atirá-lo do penhasco!
Mas nada como a sensibilidade de Barthes para desvendar o extraordinário por trás do ordinário. Estou até com vontade de dar uma segunda chance a Goethe...
Eis alguns trechos do livro:

"O horror de estragar (a imagem do objeto amado) é ainda mais forte que a angústia de perder".

"Ao chorar, quero impressionar alguém, pressioná-lo (´Veja o que você faz de mim'). Talvez seja - e geralmente é - o outro que se quer obrigar desse modo a assumir abertamente sua comiseração ou sua insensibilidade; mas talvez seja também eu mesmo: me faço chorar para me provar que minha dor não é uma ilusão: as lágrimas são signos e não expressões. Através das minhas lágrimas, conto uma história, produzo um mito da dor, e a partir de então me acomodo: posso viver com ela, porque, ao chorar, me ofereço um interlocutor empático que recolhe a mais "verdadeira" das mensagens, a do meu corpo e não a da minha língua: ´Que são as palavras? Uma lágrima diz muito mais´". (Schubert)

"Como ciumento sofro quatro vezes: porque sou ciumento, porque me reprovo de sê-lo, porque temo que meu ciúme machuque o outro, porque me deixo dominar por uma banalidade: sofro por ser excluído, por ser agressivo, por ser louco e por ser comum".

"O coração é o órgão do desejo (o coração se dilata, falha, etc., como o sexo), tal como ele é retido, encantado, no campo do Imaginário".

"Ela aprecia mais meu espírito e meus talentos que esse coração, que entretanto é meu único orgulho [...] Ah, o que eu sei, qualquer um pode saber - meu coração só eu o tenho". (Werther)

"A linguagem é uma pele: esfrego minha linguagem no outro. É como se eu tivesse palavras ao invés de dedos, ou dedos na ponta das palavras".

"Te darei mais do que me dás, e assim te dominarei".

"Procuro me fazer mal, expulso a mim mesmo do meu paraíso, me empenhando em procurar em mim imagens (de ciúme, de abandono, de humilhação) que me podem ferir; e, aberta a ferida, eu a sustento, e a alimento com outras imagens, até que uma outra ferida venha desviar a atenção".

"Sou ´uma bola de substância irritável'. Não tenho pele (a não ser para as carícias)". (Freud)

"A resistência da madeira não é a mesma segundo o lugar onde enfio o prego: a madeira não é isotrópica. Nem eu; tenho meus "pontos fracos". Só eu conheço o mapa desses pontos, e é por ele que me guio, evitando, procurando isso ou aquilo, segundo condutas exteriormente enigmáticas; eu gostaria que esse mapa de acupuntura moral fosse distribuído aos meus novos conhecidos (que, de resto, poderiam utilizá-lo também para me fazer sofrer mais ainda)". (R.H.)

"A preocupação amorosa implica num desgaste que força o corpo tanto quanto um trabalho físico". (Werther)

"O mundo está cheio sem mim, como na Naúsea; ele brinca de viver atrás de uma vidraça; o mundo está num aquário; vejo de perto e entretanto separado, feito de uma outra substância; me abandono continuamente fora de mim mesmo, sem vertigem, sem névoa, na exatidão, como se estivesse drogado. 'Oh, quando essa magnífica natureza, aí exposta diante de mim, me parece tão fria quanto uma miniatura envernizada...'" (Sartre)

"Sou demais, mas, duplo luto, aquilo do que estou excluído não me atrai".

"Quando Albert a abraça pela cintura esbelta um arrepio lhe corre por todo o corpo". (essa é em homenagem a Ingrid, que se impressiona com o fascínio dos homens pela cintura feminina)

"Há pessoas que nunca se apaixonariam se nunca tivessem ouvido falar de amor". (La Rochefoucauld)

"O mundo me deve tudo de que preciso. Preciso de beleza, do brilho, da luz, etc.". (Wagner)

Muito bom, não?
O curioso é que me identifiquei com as reflexões de Barthes e seus "convidados". Alguém que sabe da minha hipocondria dirá que é o hábito de relacionar-me a qualquer descrição de sintomas. Mas penso que não. Sou um ser apaixonado, mas o problema é que meu objeto de amor não é palpável: a vida. (mentira, que eu gosto, mesmo, é mais de mim do que dela. haha)

Mas essa releitura fragmentada de Werther me deu um insight: Alosa e eu somos o amor romântico aplicado ao terreno da amizade. Ele é meu Charlotte e eu, sua Werther: eu o idealizo, eu exalto as qualidades dele, ele mal sabe que eu existo, tenho obsessão em expressar essa minha dor de cotovelo... Outro dia ouvi no rádio uma canção que me fez lembrar de nós dois (não, não é "Entre tapas e beijos" do meu conterrâneo Leonardo, mas leiam devagar, que é pra degustar a poesia):

"Diga aonde você vai
Que eu vou varrendo
Vou varrendo
Vou varrendo
Vou varrendo"

Só o Molejão entende os meus profundos sentimentos!... Ai, ai...