É mais corajoso ser uma Sandy da vida do que uma falsa liberada. Não sei se tem a ver ou se é coisa minha, mas forçar a barra para parecer ser o que não é sempre me soou a humilhação, a perda de dignidade. Eu evito, embora - não vou mentir - a tentação de cair nessa esparrela seja grande, por vezes (todo mundo prefere ser aceito. a questão é: quanto você tá disposto sacrificar em nome disso?).
Esse negócio de pureza... Eu conheço umas aí que são que nem as latas de leite condensado que as mães escondem da gente (não é porque não foram abertas que ninguém tirou as suas lasquinhas... Cê conhece algum caso assim, Nandy?). Veja Ingrid. Santa, santa, santa, mas em pleno Carnaval (a festa da carne!), se mandou com um bando de gente pro Vale do Capão - e todos amontoados no mesmo quarto! Se uma moça que se diz "inocente" me conta que já foi pro Capão, eu já não coloco mais a minha mão no fogo por ela!...
Falta especialmente para a mulherada a habilidade ThunderCats, a tal "visão além do alcance", porque essa miopia dos relacionamentos humanos tá f***!
Qualquer especial sobre o tema, e lá vem a mesma ladainha da mulherada: "Eu tenho "x" anos e nunca tive um orgasmo. Não é triste?!" ou "Chego lá de vez quando". Não, madame, nunca é realmente esquisito, mas não tê-lo às vezes, isso é normal. Até porque os hormônios femininos são "de lua" e não somos abundantes em testosterona, que é a mola do desejo.
Bem, deixemos as conjecturas. Segue a matéria.
(Hummm... Pelo tom caliente da matéria, acho que a repórter deve ter vindo do teatro!...)
Sexo casual - Elas só querem diversão
O número de mulheres que buscam o prazer pelo prazer só aumenta. cada vez menos, elas querem estabelecer compromisso. aqui elas contam suas experiências mais excitantes
por CAMILA DOURADO
A história é deliciosa. Sandra Germano (o nome é real), uma publicitária de São Paulo, 35 anos, charmosa e bonita, conta a seguinte história: “Ele não era tão bonito, mas tinha ‘pegada’ e beijava bem. Não perguntava, fazia. Transamos na cama, no chuveiro e até na varanda da pousada. Foi ótimo. Gozei muito, intenso, como há muito tempo não acontecia. Quando acordei, ele tinha ido embora. Não deu nem nome. Adorei. Prefiro mesmo não saber o nome do cara, nem ele o meu.” Hoje é assim. Amor rápido, paixão sem o menor compromisso. Há muito que as mulheres não ficam tão loucas assim em pedir telefone, endereço, CIC, RG, comprovante de residência. Nada de amarras e muito menos de sentimentos que limitem. Paixão, agora, só se for por algumas horas. É o que muitas mulheres querem. Elas estão experimentando cada vez mais aquilo que os homens sempre conheceram: o prazer pelo prazer. E elas contam, sem qualquer pudor, suas aventuras despretensiosas.
RÁPIDA, FORTE E SUADA
“Eu costumava ficar com homens por apenas uma noite. Minhas amigas achavam absurdo. Eu não ligava. Até que comecei a namorar. No começo, era especial: ele era carinhoso, experiente, beijava bem, e tinha um fôlego, um fogo... fazia de tudo pra eu gozar. Para resumir, namorei, fiquei noiva e quase casamos. A história acabou porque ele passou a transar meio que por obrigação. Descobri, também, que ele ficava com outras. Ele chegou ao extremo de flertar com a minha irmã. Separei. Um tempo depois, voltei à minha vida de antes. Transei bêbada, fiz sexo com mulher e homem ao mesmo tempo, saí até com um amigo do meu ex. A melhor foi no quarto de uma festa, num apartamento. Eu estava na varanda, sozinha, bebendo. Um cara se aproximou. Disse que era um pecado ele e eu ficarmos a sós daquele jeito. Então, ele me beijou e me levou para o quarto dos donos da festa. Loucura. Transa rapidinha, mas forte, suada. A gente nem tirou a roupa direito. Ele só abaixou meus jeans. Transamos duas vezes, uma de pé e outra na cama. No final, ele saiu, disse que tinha sido maravilhoso e voltou pra festa, sem dar maiores explicações. O melhor de transa assim é a falta de regra, a despretensão, uma coisa meio adolescente. Dá tesão só de pensar. Um dia caso, mas antes vou transar muitas vezes desse jeito – como se fosse a última vez que vou ver a pessoa. Sou uma mulher realizada desse jeito.”Valeska, 25 anos, jornalista
“O MELHOR DE TRANSA ASSIM É A FALTA DE REGRA, A DESPRETENSÃO, UMA COISA MEIO ADOLESCENTE”
VALESKA, 25 ANOS, JORNALISTA
SEM NOME
“Eu fui casada por oito anos. Só traí quando descobri que ele começou a sair com uma amiga minha. Fiquei triste, mas era meio que previsível: a gente não se gostava mais, nem tinha aquele fogo de quando começamos a namorar. Como eu não transava, vivia mal-humorada. Me separei. Resolvi mudar a postura. Um dia, fui pra Florianópolis, fiquei com um garoto de uns 20 anos. Ele me levou de madrugada para a pousada dele. Não era tão bonito, mas tinha ‘pegada’ e beijava bem. Não perguntava, fazia. Transamos na cama, no chuveiro e até na varanda. Acordamos a pousada toda. Foi ótimo. Gozei muito, intenso, como há muito tempo não acontecia. Quando acordei, ele tinha ido embora. Não deu nem nome. Depois pensei: foi exatamente a falta de compromisso que deu tesão na história. Tive várias transas assim. A maioria não pergunto nem o nome. Fiz sexo em motel, no capô do carro, na praia, escondido em cantos de uma festa num sítio. É uma delícia. Não sou do tipo que não quer se apaixonar mais. Até já namorei um cara nos últimos meses. Mas quero curtir sem ter obrigações. Pra que saber nome se o que busco é ter prazer, aproveitar?” Sandra Germano, 35 anos, publicitária
"GOZEI MUITO, INTENSO, COMO HÁ MUITO TEMPO NÃO ACONTECIA. QUANDO ACORDEI, ELE TINHA IDO EMBORA. NÃO DEU NEM NOME”
SANDRA, 35 ANOS, PUBLICITÁRIA
SÓ QUEREM GOZAR MAS NÃO PENSE QUE A MULHER ESTÁ ADOTANDO UMA POSTURA MASCULINA E NEM QUE ELA ESTÁ PERDENDO O ROMANTISMO E A SENSIBILIDADE
Mulheres que transam sem compromisso parecem (ou pensam) agir como homens. Não é bem assim. “As mulheres não deveriam achar que adotam a mesma postura do homem no que diz respeito a sexo casual inconseqüente”, diz J. A. Gaiarsa, psicoterapeuta. “Mulher e homem são biologicamente diferentes. A mulher precisa inventar um novo orgasmo. Não adianta ela querer gozar como ele. O homem ejacula para a fertilização. A mulher, não”, completa. Não quer dizer que ela perdeu sua capacidade de se envolver emocionalmente. A mulher ainda é romântica e sensível, mesmo no sexo casual. Só está mais livre. Elas só querem gozar. Que gozem e sejam felizes.
NADA DE CULPA
“Há uns dois anos, disse para um amigo que invejava os homens, porque transam por transar e não estão nem aí para o que vão dizer. Ele falou que bastava fazer sem culpa. Demorei algum tempo para levar isso a sério. Numa noite em São Paulo, num pub, fiquei muito a fim de um cara que estava na minha mesa. Ele se sentou ao meu lado. Passou a mão na minha perna. Depois enfiou a mão por baixo da minha blusa. Aí saí da mesa com ele, para um canto do bar. Depois do amasso meio adolescente, fomos para o apartamento dele. Fizemos a loucura de transar antes de chegar lá – na garagem, dentro do carro. Depois, rolou na casa do cara. Dormi lá. Acordei, ele tinha feito até café da manhã. Mas eu não estava mais a fim dele. Agradeci, dei um telefone falso e fui embora. Lembro dessa noite como uma das melhores da minha vida. Já repeti isso, de sair, transar e nunca mais ver. Experimentei umas fantasias – tipo sair com amigo de ex-namorado. Agora, falta transar com dois caras de uma vez. Vou conseguir. Quero me divertir muito.” Renata, 29 anos, advogada
“AGORA QUERO TRANSAR COM DOIS CARAS DE UMA VEZ”
RENATA, 29 ANOS, ADVOGADA
DE TIRAR O FÔLEGO
“Ninguém me ensinou a transar sem compromisso. Aprendi numa escapada do meu casamento. Era apaixonada. Mas o ciúme dele aumentou tanto que passei a fazer o que ele desconfiava – sair com outros. A primeira vez foi numa ocasião em que meu marido – hoje ex – viajou. Tinha ido jantar num restaurante perto do meu trabalho. Estava esperando uma amiga. Antes de ela chegar, um cara da mesa ao lado veio até mim. Disse uma besteira do tipo: ‘como uma mulher tão bonita está sozinha’. Fiz cara de descaso. E ele: ‘Posso melhorar a cantada conversando com você ?’ Deixei. Ele era charmoso, bom de papo. E logo eu já estava abraçada ao cara. Depois, fui com ele pra um motel. Estava excitadíssima. No motel, ele nem falava – só me puxava, me agarrava com tesão. Transas longas, de tirar fôlego. Gozei muitas vezes. Depois ele me deixou num ponto de táxi. Não me pediu pra ligar no dia seguinte. Só falou um ‘a gente se vê’. Não nos vimos. Fiquei apaixonada naquela noite – umas quatro horas, acho. Hoje, prefiro essas paixões rápidas. Uma hora vou amar alguém. Não é prioridade.” Alessandra, 31 anos, analista financeira
“ME APAIXONO POR QUATRO HORAS – É O LIMITE”
ALESSANDRA, 31 ANOS, ANALISTA FINANCEIRA
OS LADOS DA QUESTÃO
Vantagens e desvantagens dos relacionamentos descompromissados
• As relações descompromissadas não incentivam o ciúme e a posse.
PAGUE PRA VER FILMES COM MULHERES QUE FAZEM
Instinto Selvagem (1992): Sharon Stone interpreta a escritora Catherine Tramell, suspeita de assassinato e que deixa investigadores sem ar na célebre cena da cruzada de pernas sem calcinha. Catherine tem a vida sexual movimentada, com homens e mulheres, e enlouquece o detetive Nick Curran (Michael Douglas), que se vê seduzido pela escritora meio ninfomaníaca.
A Útlima Ceia (2001): Leticia (Halle Berry) faz uma cena tórrida, com detalhes que parecem reais, com Hank (Billy Bob Thorton), o guarda de prisão que executou o marido condenado dela. Leticia transa sem amor, sem compromisso, só para se satisfazer.
O Último Tango em Paris (1972): no filme de Bernardo Bertolucci, Maria Schneider procura um apartamento para alugar em Paris. Pede a chave pro síndico, encontra outro cara (Marlon Brando) e transa enlouquecidamente com ele. Sem romance. Sexo pelo sexo.
Rainha Margot (1994): Isabelle Adjani faz a monarca que sai alucinada pelas ruas de uma cidade na França, na época das guerras religiosas (século 16), e transa com um desconhecido até numa estrebaria.
Uma Relação Pornográfica (1999): Uma mulher transa e não quer nem saber o nome. Nem se falam. Quando se apaixona, ela vai embora.
ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE
COM MUITA AUTORIDADE
“NÃO HOUVE PREÂMBULOS; NÃO DISSEMOS NOSSOS NOMES NEM CONTAMOS NOSSAS VIDAS. ACONTECEU O QUE ERA PARA ACONTECER, E ÀS SETE DA MANHÃ, QUANDO SAÍ, ELE DORMIA”
“VOCÊ PODE MUITO BEM AMAR UMA PESSOA E IR PARA CAMA COM OUTRA. JÁ ACONTECEU COMIGO.”
“TRANSO COM MUITOS HOMENS, MAS NÃO É COM QUALQUER UM”.
“O QUE É VERDADEIRAMENTE IMORAL É TER DESISTIDO DE SI MESMA”
“EU APENAS QUERIA VER COMO É ESTAR COM PESSOAS DIFERENTES. NÃO PENSE QUE UMA GAROTA É UMA VAGABUNDA SÓ PORQUE GOSTA DE SEXO”
“PASSEI A VIDA TODA PROCURANDO OS HOMENS CERTOS. MAS ME DIVERTI MUITO COM OS ERRADOS”
“GOSTARIA DE NAMORAR TAMBÉM O PRÍNCIPE WILLIAM. SERÁ QUE ALGUÉM PODE PROVIDENCIAR?”
“FICO FELIZ PELAS PESSOAS QUE QUEREM SE CASAR, MAS ISSO NÃO É PARA MIM”
Consultoria: Carmita Abdo, psiquiatra e coordenadora do Projeto de Sexualidade da USP (ProSex), autora do livro Descobrimento Sexual do Brasil. (ed. Summus), e José Ângelo Gaiarsa, psicoterapeuta e autor de Meio Século de Psicoterapia Verbal e Corporal (ed. Summus).
EVOLUÇÃO
Mulher não está adaptada para o sexo casual, diz estudo
DO "INDEPENDENT"
A ciência -pelo menos um estudo divulgado pela revista "Human Nature"- poderá ser usada a partir de agora como álibi pelos homens praticantes do sexo casual.É tudo culpa da evolução. Ela não preparou a mulher para se sentir contente após uma única noite com um parceiro inédito, dizem os autores do trabalho.
A pesquisa conduzida por Anne Campbell, da Universidade de Durham (Reino Unido), ouviu 1.743 pessoas. Todas tiveram relacionamentos de uma única noite.
Entre os homens, 80% afirmaram felizes com a experiência. Entre as mulheres, apenas 54% afirmaram a mesma coisa. As demais entrevistadas confessaram um sentimento de terem sido usadas pelos homens.
"A evolução oferece comportamentos por meio dos quais temos sentimentos positivos e negativos. A partir disso é que desenvolvemos certas adaptações", diz Campbell. "Se os nossos ancestrais do sexo feminino estivessem adaptados para os relacionamentos curtos, eles iriam desfrutar disso assim como o sexo masculino."
Os homens, diz a pesquisadora, são biologicamente capazes de se reproduzir com várias mulheres, o que pode explicar sua aparente felicidade com as relações casuais. "Mas para as mulheres a qualidade, e não a quantidade, que é realmente importante", diz Campbell.
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