Há alguns meses, comentei com Ô Ingrid que vi uma transmissão do Festival de Viña Del Mar, e que uma chilena (provavelmente) pagou um micaço com Brian Adams: disse que sabia cantar "When you´re gone" (critério para que a pessoa subisse ao palco), mas não sabia uma só frase da canção e ainda berrou no microfone e começou a agir que nem doida, por fim tentou agarrar o cantor, enquanto ele se limitou a dar risada (fazer o que, né?). Gri ficou aliviada de não sermos, os brasileiros, os únicos sem-noção da América Latina. Eu nunca pensei isso, sempre achei que o latino traz o ridículo no sangue - graças a Deus! É a nossa patente cultural. Aliás, falando a sério e indo mais longe nesse parecer, somos ridículos porque somos apaixonados. Há algo de extremamente romântico na América Latina, e que se perdeu há muito no resto do mundo. O desenvolvimento pressupõe um império da racionalidade. Sob esse ponto de vista, acho que trazemos no sangue a vocação para o subdesenvolvimento, temos esse instinto primitivo que é a intensidade no sangue, não há remédio. Na melhor das hipóteses, creio, levaremos mais 500 anos para, a exemplo dos europeus, adestrar o bárbaro que existe dentro de nós.
É impossível não ser sentimental ao cubo sendo hispano hablante. Uma língua que usa a exclamação no início e no final da frase e tem termos fortes como "Te quiero" (ou seja, não é só um sentimento, como "Te amo", mas uma posse, um desejo imbutido), só poderia dar nisso. A falta de senso de humor também contribui para essa passionalidade (mas o excesso disso, como vemos em nosso próprio país, também não ajuda muito). hehehe
Pegando os famosos como amostras, vemos que definitivamente não estamos sós. Luciano Pavarotti, cantor de ópera da elegante Itália, era a personificação do termo "bonachão". A própria Ingrid já havia comentado que a mexicana Thalia é doidinha (realmente é, segundo o que vi num vídeo que peguei na internet). Acho que os hermanos são mais formais, à primeira vista, porém mais calorosos e dramáticos, num segundo momento, que os brasileiros.
Chato, a propósito, esse negócio de sermos um país a parte na América Latina. A colonização portuguesa foi péssima também sob esse aspecto, estamos ilhados, mesmo na América do Sul. Bem, tento me consolar com o fato de falarmos a língua mais bonita do mundo, "a última flor do lácio", e de sermos o pedaço de terra mais original dos últimos 500 anos.
Esbarrei com um vídeo do cantor Luis Miguel, outro dia, no You Tube. O que vi foi totalmente de encontro à primeira (e única) impressão que tive dele. LM, para mim, era aquele cara sério, vestido de smoking, que canta boleros, entre eles "La Barca", tema que uniu Edson Celulari e Claudia Raia. Achava a voz dele sensacional (tanto é que, se não me engano, foi o único latino a gravar em Duets, de Frank Sinatra, com direito a elogio de "a voz"), mas não gostava de ouvir seus cds: as interpretações me soavam engessadas e sem alma. (Nossa, a minha irmã do meio adora esse cd "Romance", ela era obcecada por "La barca"; eu sei letra desse bolero por osmose, aprendi muito antes até de aprender o verbo "ser" em espanhol!)
De formal, "El Rey Sol" não tem é nada, pelo contrário: o cara é muito extrovertido, interage com a platéia nas apresentações e dança todo desengonçado no palco, o que me fez simpatizar de cara com a pessoa ("jejeje"). Não é um artista para se ouvir o disco, é o tipo que mostra a que veio no palco quando reage ao público.
Descobri que Luis Miguel, ou Micky, é, na verdade, cantor pop (a série de boleros, "Romance", é exceção em seu repertório, acho que foi algo para marcar a entrada na fase adulta); que é bem mais novo do que eu pensava (tem só 37 anos); que não surgiu no meio artístico já adulto mas com 12 anos; que não é mexicano de nascimento mas portoriquenho.
Ah, não poderia deixar de citar: Luismi - outro apelido dele entre os fãs - é mais um a confirmar a minha teoria de que o sucesso estrondoso tem relação com uma origem familiar problemática. O cantor tem uma das histórias mais misteriosas e turbulentas do showbiz da AL: a mãe foi alcoólatra e desapareceu em meados dos anos 80; ele destituiu o pai do cargo de empresário, na adolescência, e parece que foi pela obsessão dele que o filho é o que é; demorou quase 17 anos para reconhecer uma filha que teve aos 19 anos com uma namorada; e tem uns tios que, vira e mexe, falam besteiras (mentiras, provavelmente) sobre ele na mídia.
Já namorou, ainda, meio mundo, de Salma Hayek a princesa Stephanie, passando por Thalia e Gabriela Sabatini, até Mariah Carey. Disseram que essa teve aquele colapso de 2001 por causa do término do namoro com ele, o que MC nega - quem daria o gosto? mas eu, no lugar dela, entraria também em crise (risos).
O sujeito é conhecido como um dos artistas mais generosos da música latina. Entretanto foge do comprometimento mais que o diabo da cruz. Teve filho só agora mas não casou com a namorada - típico de quem cresceu por conta própria e detesta perder o controle sobre si mesmo.
Ser latino é, mesmo pertencendo à nata, le gustar la bagacera!
Luismi curte uma esculhambação, e fiquei fã! Se bem que:
"Yo para querer
No necesito una razón
Me sobra mucho,
Pero mucho corazón..."
(Né não, Alosa?... Tem que ser, pois você nem tchum pra mim. Olha, "no llames corazón lo que tú tienes"... Alosa é a minha Sibéria!)
Com vocês, alguns vídeos do "Sol do México":
1 - Aos 12 anos, cantando "Dos enamorados". Muy fofo (olha a roupa de Power Ranger e os movimentos de quadril! hahaha)! LM confirma mais duas das minhas teorias: quem é muito bonito quando pequeno, dificilmente mantém o nível de beleza na idade adulta, e algo acontece aos 12 anos (pelo menos comigo, Xuxa, Mel Gibson, Britney e Luismi).
2 - LM começa a cantar "La Barca", se surpreende com o público, que canta mais alto que ele, resolve se divertir com a gafe e improvisa um karaokê.
3 - As origens pop. Quem diria que o vozeirão se pôs a serviço de canções como "Ahora te puedes marchar", "Isabel", "La chica del bikini azul", "Sol, arena y mar" e "Cuando calienta el sol"?! A classe é uma característica anti-humana, definitivamente. A qualidade da filmagem é ruinzinha, mas dá pra levar. O cabelo tá esquisito, né? Mais uma das minhas teorias comprovada por Luismi: cabelo bonito e fama são conflituosos - ou um, ou outro. Luismi apareceu nos concertos em Las Vegas com um visual a la Nelson da Capetinga, que vôtecontá!... Él es lo más!...
4 - Em Viña Del Mar, em 1994, cantando um dos seus sucessos pop - "Será que no me amas?". Pela maluca que "cantou" com Brian Adams e pelo vídeo a seguir, concluo que o festival deve ser interessante. Vou dar um pulo lá qualquer ano desses.
5 - Durante a turnê "Romance", com vinte e poucos anos e guapíssimo, cantando "La media vuelta". Será o visual Zorro um elemento de reforço da pegada de cabrón latino?! No lo sé, pero Nandy Bragaboysomovimentoésexy deu o seguinte parecer após ter assistido o vídeo: "Realmente, devo incluir Luis Miguel no time de Rick Martin and Diego Torres. Que pegada!". Fernandinha, o seu mal é que você nunca vai por mim! tsc tsc... Em homenagem a usted e a Cacau Baixaria, a letra do bolero:
"Te vas porque yo quiero que te vayas
A la hora que yo quiera te detengo,
Yo sé que mi cariño te hace falta
Porque quieras o no
Yo soy tu dueno"
É impossível não ser sentimental ao cubo sendo hispano hablante. Uma língua que usa a exclamação no início e no final da frase e tem termos fortes como "Te quiero" (ou seja, não é só um sentimento, como "Te amo", mas uma posse, um desejo imbutido), só poderia dar nisso. A falta de senso de humor também contribui para essa passionalidade (mas o excesso disso, como vemos em nosso próprio país, também não ajuda muito). hehehe
Pegando os famosos como amostras, vemos que definitivamente não estamos sós. Luciano Pavarotti, cantor de ópera da elegante Itália, era a personificação do termo "bonachão". A própria Ingrid já havia comentado que a mexicana Thalia é doidinha (realmente é, segundo o que vi num vídeo que peguei na internet). Acho que os hermanos são mais formais, à primeira vista, porém mais calorosos e dramáticos, num segundo momento, que os brasileiros.
Chato, a propósito, esse negócio de sermos um país a parte na América Latina. A colonização portuguesa foi péssima também sob esse aspecto, estamos ilhados, mesmo na América do Sul. Bem, tento me consolar com o fato de falarmos a língua mais bonita do mundo, "a última flor do lácio", e de sermos o pedaço de terra mais original dos últimos 500 anos.
Esbarrei com um vídeo do cantor Luis Miguel, outro dia, no You Tube. O que vi foi totalmente de encontro à primeira (e única) impressão que tive dele. LM, para mim, era aquele cara sério, vestido de smoking, que canta boleros, entre eles "La Barca", tema que uniu Edson Celulari e Claudia Raia. Achava a voz dele sensacional (tanto é que, se não me engano, foi o único latino a gravar em Duets, de Frank Sinatra, com direito a elogio de "a voz"), mas não gostava de ouvir seus cds: as interpretações me soavam engessadas e sem alma. (Nossa, a minha irmã do meio adora esse cd "Romance", ela era obcecada por "La barca"; eu sei letra desse bolero por osmose, aprendi muito antes até de aprender o verbo "ser" em espanhol!)
De formal, "El Rey Sol" não tem é nada, pelo contrário: o cara é muito extrovertido, interage com a platéia nas apresentações e dança todo desengonçado no palco, o que me fez simpatizar de cara com a pessoa ("jejeje"). Não é um artista para se ouvir o disco, é o tipo que mostra a que veio no palco quando reage ao público.
Descobri que Luis Miguel, ou Micky, é, na verdade, cantor pop (a série de boleros, "Romance", é exceção em seu repertório, acho que foi algo para marcar a entrada na fase adulta); que é bem mais novo do que eu pensava (tem só 37 anos); que não surgiu no meio artístico já adulto mas com 12 anos; que não é mexicano de nascimento mas portoriquenho.
Ah, não poderia deixar de citar: Luismi - outro apelido dele entre os fãs - é mais um a confirmar a minha teoria de que o sucesso estrondoso tem relação com uma origem familiar problemática. O cantor tem uma das histórias mais misteriosas e turbulentas do showbiz da AL: a mãe foi alcoólatra e desapareceu em meados dos anos 80; ele destituiu o pai do cargo de empresário, na adolescência, e parece que foi pela obsessão dele que o filho é o que é; demorou quase 17 anos para reconhecer uma filha que teve aos 19 anos com uma namorada; e tem uns tios que, vira e mexe, falam besteiras (mentiras, provavelmente) sobre ele na mídia.
Já namorou, ainda, meio mundo, de Salma Hayek a princesa Stephanie, passando por Thalia e Gabriela Sabatini, até Mariah Carey. Disseram que essa teve aquele colapso de 2001 por causa do término do namoro com ele, o que MC nega - quem daria o gosto? mas eu, no lugar dela, entraria também em crise (risos).
O sujeito é conhecido como um dos artistas mais generosos da música latina. Entretanto foge do comprometimento mais que o diabo da cruz. Teve filho só agora mas não casou com a namorada - típico de quem cresceu por conta própria e detesta perder o controle sobre si mesmo.
Ser latino é, mesmo pertencendo à nata, le gustar la bagacera!
Luismi curte uma esculhambação, e fiquei fã! Se bem que:
"Yo para querer
No necesito una razón
Me sobra mucho,
Pero mucho corazón..."
(Né não, Alosa?... Tem que ser, pois você nem tchum pra mim. Olha, "no llames corazón lo que tú tienes"... Alosa é a minha Sibéria!)
Com vocês, alguns vídeos do "Sol do México":
1 - Aos 12 anos, cantando "Dos enamorados". Muy fofo (olha a roupa de Power Ranger e os movimentos de quadril! hahaha)! LM confirma mais duas das minhas teorias: quem é muito bonito quando pequeno, dificilmente mantém o nível de beleza na idade adulta, e algo acontece aos 12 anos (pelo menos comigo, Xuxa, Mel Gibson, Britney e Luismi).
2 - LM começa a cantar "La Barca", se surpreende com o público, que canta mais alto que ele, resolve se divertir com a gafe e improvisa um karaokê.
3 - As origens pop. Quem diria que o vozeirão se pôs a serviço de canções como "Ahora te puedes marchar", "Isabel", "La chica del bikini azul", "Sol, arena y mar" e "Cuando calienta el sol"?! A classe é uma característica anti-humana, definitivamente. A qualidade da filmagem é ruinzinha, mas dá pra levar. O cabelo tá esquisito, né? Mais uma das minhas teorias comprovada por Luismi: cabelo bonito e fama são conflituosos - ou um, ou outro. Luismi apareceu nos concertos em Las Vegas com um visual a la Nelson da Capetinga, que vôtecontá!... Él es lo más!...
4 - Em Viña Del Mar, em 1994, cantando um dos seus sucessos pop - "Será que no me amas?". Pela maluca que "cantou" com Brian Adams e pelo vídeo a seguir, concluo que o festival deve ser interessante. Vou dar um pulo lá qualquer ano desses.
5 - Durante a turnê "Romance", com vinte e poucos anos e guapíssimo, cantando "La media vuelta". Será o visual Zorro um elemento de reforço da pegada de cabrón latino?! No lo sé, pero Nandy Bragaboysomovimentoésexy deu o seguinte parecer após ter assistido o vídeo: "Realmente, devo incluir Luis Miguel no time de Rick Martin and Diego Torres. Que pegada!". Fernandinha, o seu mal é que você nunca vai por mim! tsc tsc... Em homenagem a usted e a Cacau Baixaria, a letra do bolero:
"Te vas porque yo quiero que te vayas
A la hora que yo quiera te detengo,
Yo sé que mi cariño te hace falta
Porque quieras o no
Yo soy tu dueno"
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