terça-feira, 2 de novembro de 2010

Ela é o cara?

Pois é, enfim Dilma Doucheff é president(uç)a!
Eu até me emocionei, ontem, com a emoção dela no palanque, após o anúncio da vitória. E olha que emocionar alguém tendo o Temer do lado não é para qualquer um - será que ela teve um "media trainning" sobre isso com Companheira Débora?...

Eu tenho minhas reservas com o PT. O Mensalão, por exemplo, não me desce até hoje. Na verdade, embora não seja justificável, essa prática corrupta eu até consigo, no fim das contas, compreender. O comportamento de Lula foi o que me matou nesse episódio: cínico e presunçoso, ele mostrou ser um belo de um malandro, no mau sentido. Desde então, não suporto as "frases espontâneas" do presidente. Saio da sala. Criei com ele a mesma agonia que tenho com Agostinho Carrara (sim, aquele de A Grande Família. É tanta mentira, tanta esperteza que prejudica os outros, que não consigo me divertir com o personagem de Pedro Cardoso. E não é nem moralismo meu, pois adoro Mendonça, que ao menos é um malandro mais sentimental, digamos).

Se você me perguntar se eu gosto de Lula, vou dizer que não, mas só sendo muito do contra para não reconhecer os méritos dele. 

O primeiro, claro, foi ter deixado de ser um sujeito que praticamente só grunhia (era esse o Lula sindicalista: fera acuada) para um homem articulado, bem informado e leve. Esse é o meu critério para avaliar as pessoas: de onde saíram e onde chegaram. Não tem muita graça nascer em "berço esplêndido" e ser mais um na linhagem de advogados, médicos, políticos, o que seja, da sua família. É o mínimo, a obrigação. Lula é um exemplo de superação. Ademais, ele tem um tipo de inteligência que admiro, "pedra bruta" por assim dizer, no caso dele esculpida na rua, no dia a dia, através do saber dos outros.

Por último, mas não menos, o que ele fez pelo Brasil é inestimável. Lula lançou 25 milhões à classe média. E isso tem revolucionado a economia. Essa explosão imobiliária, por exemplo, é fruto, sobretudo, do aumento do volume de financiamento para imóveis até R$300 mil (lógico que corremos o risco de ver uma rebordosa disso, mas por enquanto tá tudo lindo!). Veja esse programa do Sebrae do microempreendedor individual. Milhares de pessoas vão sair da informalidade e passar a contribuir com a Previdência. E o Luz para Todos? Não tenho dúvida de que foi isso que alavancou, por exemplo, Jaques Wagner ao governo do estado em 2006. Luz em casa é algo tão básico, mas nem FHC nem Itamar se ligaram (com o perdão do trocadilho) nisso.

Lógico que não se trata de bondade pura. Tudo isso traz benefícios financeiros, pra começar. Sobretudo, há ganho de imagem. Pobre é bicho fiel. Lula, assim como Getúlio, vai ser (bem) praguejado durante 5 gerações dessas pessoas que ascenderam. Por falar em Getúlio, apesar de Lula sonhar em ser JK, é impressionante como as trajetórias do torneiro mecânico e do militar gaúcho se parecem (e, de um certo modo, a oposição tem uma certa razão com a paranoia: governos ditadores não raro são populistas, dados a agradinhos para o povão - mas, por favor, se você lê isso aqui, nunca dê ousadia a um tucano, pelo contrário: ressalte a paranoia. Aliás, eles deveriam trocar o bicho símbolo, de tucano para caranguejo: são tão paranoicos, desconfiados dos petistas que chegam a andar de lado, de olho esbugalhado quando falam do futuro do Brasil na mão dos adversários). Como bem lembrou o comentário do Noblat, na edição de ontem de A Tarde, até a dobradinha Getúlio-Dutra é bastante similar a Lula-Dilma.

Noblat também ressaltou algo que já vinha pensando faz algum tempo. Até o momento, sou só elogios para Dilma - tirando a expressão de maluca que ela às vezes assume, ao estilo Collor. Além de oito anos de atuação competente no governo petista, ela foi de uma determinação férrea durante a campanha e se superou, inclusive, pessoalmente, e isso sem contar que, como disse no início, Dilma é de uma gratidão comovente ao Lula. Mas será que ela vai segurar a onda do Palácio? Digo, será que o poder não vai subir à cabeça? Pergunto-me se essa lealdade a Lula vai sobreviver quando ela provar o gosto de mandar e não mais ser subordinada?
Brasileiros, sinceramente oremos!
(E seja tudo que Deus - ou a "energia" que rege o universo ou o nada dos ateus - quiser!)


Pois, apesar de ter sido eleita no Dia das Bruxas e na antevéspera de Finados, desejo que os 4 anos de Dilma não sejam um terror ou mesmo mortos. Muito pelo contrário! ;)

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