Não sei se vocês tomaram conhecimento (a imprensa noticiou bastante o caso na semana passada, mas confesso que só soube da história porque me deram a pauta), mas há uma polêmica envolvendo a Construtora Fator, de origem fluminense, e um grupo de compradores do edifício Ícone, na Pituba. A empresa, que deveria entregar os apartamentos em maio de 2008 até agora não o fez e nem deu satisfação aos clientes. Por último, o prédio está penhorado por dívidas trabalhistas (o pessoal da construtora não separou as escrituras por unidade, então é como se o prédio todo fosse de um dono somente). A construtora ainda argumenta que não entregou os apartamentos porque essas pessoas estão inadimplentes. Mentira. O que a Fator chama de inadimplência é a recusa dos compradores em fazer o financiamento por meio do banco indicado pela empresa. O pessoal já está com os créditos aprovados, mas cadê a documentação da construtora necessária ao financiamento?!
Apartamento não é só um bem que vc compra; é um projeto de vida. Então dá para imaginar o impacto que isso tudo teve na vida de quem comprou. O único momento em que realmente me emocionei foi quando falei com um dos compradores, o Humberto, que me contou que no primeiro dia morando no apartamento (eles conseguiram liminar na segunda retrasada), após ter subido 17 lances de escada com saco de supermercado nas mãos, começou a chorar ao entrar no imóvel. Ele disse, com a voz embargada pela emoção: "Foi a luta de Davi contra Golias. Chorei de felicidade, de raiva, foi tudo junto". O cara juntou dinheiro um tempão pra comprar o imóvel, teve que desmarcar o casamento duas vezes, enfim, sofreu à beça. No final, disse que não esperava que a justiça baiana fosse ser sensível ao caso e me deu o conselho, que ouvi de dois dos quatro compradores com quem falei: "Nunca compre imóvel na planta".
Mas sabe de quem é a culpa? Do brasileiro, omisso e frouxo. Veja este caso. De 100 apartamentos, 83 já foram vendidos. Desses, 20 quitaram o apê e receberam as chaves. Ou seja, sobraram 63 nessa história. Só 11 deles entraram na justiça. E olha que os preços dos apartamentos variam entre R$500 mil e R$2,5 milhões, não se trata de pouca grana, não.
Os empresários fazem essas coisas já contando com a omissão. Por mais que eles tenham prejuízo com esse grupo de 10, 52 estão deixando a coisa pra lá. Ó que dinheiro fácil!... Nasci no país errado. Isso aqui é terra pra quem tem veia de picareta - e tenho dito!
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