A assessoria de imprensa é anti-jornalismo. No começo, essa ideia era apenas uma suspeita; hoje, é certeza. Esse cargo ficaria melhor na mão de publicitários e RPs, enfim, de gente habilidosa em vender (da série "Coisas que nunca diria, assim, para profissionais concorrentes").
Não que o jornalista de redação não faça isso. Jornalismo é imparcialidade e objetividade, certo? Mas quando um jornalista pega uma pauta, geralmente ele constrói a matéria com um dos lados da balança mais baixo que o outro (isso fica bem visível, por exemplo, em alguns pedidos de fontes que vejo no Twitter). Ainda assim é raro ver alguém distorcendo fatos em uma redação. Já na assessoria...
Não quero dizer com isso que jornalistas de redação sejam mais éticos. A questão é a própria natureza do trabalho, mesmo. Se fosse só vender, como disse um pouco atrás, até que estava bom, mas muitas vezes o assessor se vê obrigado a "jogar para ver se cola".
Sim, porque já foi o tempo em que "o cliente tem sempre razão". Estava outro dia almoçando com uma colega advogada e ela falava que, atualmente, algumas empresas não se importam de iludir o consumidor se o custo disso for menor que dizer a verdade. Sobra para o departamento jurídico e também para o de comunicação limpar a sujeirada.
É esse o meu ponto: estão reduzindo o assessor, que é um cargo bacana, a uma espécie de gari(apesar de reconhecer que não levo muito jeito para isso, admiro quem leva. Há que ser um bom estrategista e é preciso ser bem articulado, também, para exercer tal função. Um dos meus ex-chefes é um exímio assessor; eu ficava impressionada vendo-o com a imprensa).
Vai ver foi sempre assim nessa atividade, e agora é mais visível, apenas. E, sim, é óbvio que quanto menor é a empresa/organização menos pressões desse tipo sofre o assessor de imprensa. Fico tão confusa com isso quanto quando penso que promotores de justiça e criminalistas são "servos" da mesma lei.
Acho que deveríamos pensar mais sobre isso, inclusive com a mediação dos sindicatos. O pessoal costuma debater o que se passa na redação e esquece-se do mundo das assessorias.
Acho que deveríamos pensar mais sobre isso, inclusive com a mediação dos sindicatos. O pessoal costuma debater o que se passa na redação e esquece-se do mundo das assessorias.
OBSIMP Acabei de ver a seguinte manchete em Veja: "A Força do Capim Talismo". Será que dá realmente pra brincar um pouco ou o jornalismo deve ser sério mesmo? Um título criativo é mais que bem-vindo, mas tenho minhas dúvidas quanto a esse tipo de trocadilho barato.
DROPS! Num final de expediente desses, resolvi espantar o tédio assistindo "Rent" no Youtube. A peça se passa na Nova Iorque dos anos 80, e os personagens são basicamente gays e drogados. Pensei, cá com os meus botões, que a peça poderia perfeitamente ser ambientada no Pelourinho. Mas daí teríamos que acrescentar um personagem a mais: o ladrão. :P

Objetividade pode até existir, mas imparcialidade... só se for feito um upload na raça humana.
ResponderExcluirPS: Gostei do blog, viu Juli's? Voltarei mais vezes ;)