Hoje saiu o Caderno da Consciência Negra. O tema deste ano é a capoeira.
Ficou muito bacana o resultado!
Embora continue baiana não-praticante (não tenho vocação para tribos, definitivamente), a cultura desse estado é realmente linda. A Bahia é sui generis. Ponto.
Eu continuo nada atraída em jogar capoeira, mas foi muito enriquecedor aprender um pouco sobre ela. Ouvir as histórias dos capoeiristas, ver como as pessoas se envolvem de corpo e alma com essa atividade, conhecer os códigos dessa comunidade... E, claro, é sempre bom ouvir o povo das ciências sociais falando sobre qualquer tema. Adoro pautas históricas!
O interessante deste caderno, numa visão interna digamos, foi que, a exceção de Juracy, os textos foram feitos por mulheres - e sabemos que a capoeira ainda é uma prática mais masculina mesmo.
A parte que mais gostei foi ver os pequenos jogando. Muito fofo! Encontrei uma pecinha chamada Bob, de 4 anos (mas tão pequeno que aparentava ter 2 ou 3), que fez uma coisa que não esperava (aliás, é esse o barato de lidar com criança: elas sempre nos surpreendem). Virei pra ele e perguntei se gostava de capoeira. Ele fez uma expressão travessa pra mim e deu um aú (uma espécie de ponte com as pernas abertas). Melhor resposta que essa não existe, né?
(Vou tentar conseguir a foto dele pra pôr aqui)
O acolhimento que a capoeira dá às pessoas, em especial às crianças, é muito bacana. "Capoeira é liberdade" realmente, como me disse um dos entrevistados. Ninguém é forçado a jogar. Se não quiser, pode cantar ou tocar algum instrumento. Mas nem por isso há esculhambação, muito pelo contrário. Apesar da capoeira ser "a arte da enganação", as relações são sérias, as pessoas se respeitam muito e hierarquia é coisa sagrada na roda.
Por falar nisso, vou aproveitar para agradecer e elogiar a "mestra" e editora dessa publicação, Cleidiana Ramos, que além de inteligentíssima, sabe como acolher uma equipe de repórteres. "Contramestre" Meire também deu uma colaboração preciosa ao trabalho (que vigor para o trabalho braçal de edição. Benzadeus!)
Saudações,
"Fala Mansa"
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