Ando muito cansada. Evito dizer isso em voz alta porque dizem que quanto mais a gente fala em algo, mais esse algo cresce. Mas é um tipo de cansaço estranho, um cansaço mental em um nível que eu nunca tinha experimentado: ando tão cansada que os problemas chegam e eu não consigo me estressar com eles por pura falta de energia.
Eu fico pensando que seria mais feliz se abandonasse o ritmo da vida na cidade. É evidente que não fui feita pra isso: trânsito, fila, empurra empurra. Mas quando penso em ir para um interior, aquele lugar sem nada para fazer, sinto que não tenho opção. Fico pensando em que tipo de alternativa tem alguém como eu, que não é urbanóide nem faz o estilo bicho do mato? Já com 30 e poucos anos, não me interessa só ter conquistas mas viver com qualidade de vida. Digo, por exemplo, que não me basta ter um emprego; ele tem que me proporcionar alguma condição de viver a minha vida.
Quem foi que criou essa necessidade de viver freneticamente que nos impuseram? É muito louco o ser humano viver assim, bicho! Olha, eu até amo ser produtiva, mas eu amo mais ainda poder escolher, coisa que eu não posso fazer. Como se faz pra ter saúde numa situação dessa?
Bem, eu penso em tudo isso, mas a verdade é que, por enquanto, eu tô sem energia para tentar algo diferente.
Textos semi-verídicos sobre temas quase desinteressantes [e raramente revisados - sorry!].
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Felipelindo
E às 7h58 de 07/02 chegou o meu sobrinho e afilhado Felipe, no Hospital Aliança. Um meninão: 3,480 kg, 51 cm! A coisa mais linda, já nasceu com cara de homenzinho. :)
Mas o bichinho promete ser genioso, viu (como já indicavam os chutes que ele dava na barriga de Renata)? Abriu o berreiro assim que nasceu e foi o que mais se mexia no berçário. Também foi o primeiro a abrir os olhos, para o orgulho da madrinha. :P
Na verdade, não sei se genioso seria a melhor definição. Às vezes ele me parece carente. Lembro de uma das primeiras trocas de fralda do meu sobrinho. Chorava como se estivessem arrancando um pedaço do seu corpo. Assim que dei o meu dedo indicador para ele segurar, ficou quietinho, a coisa mais fofa do mundo - que é como ele se parece quando está quieto, com aquela boca de coração dele sugando o peito ou o bico ou dormindo com a mãozinha embaixo da cabeça e as perninhas cruzadas. Felipe teve dificuldade para dormir mesmo em casa. Houve uma noite em que o pai resolveu colocá-lo apoiado sobre a barriga, e ele dormiu por cinco horas seguidas e nem sendo chamado para mamar quis despertar. Ele também fica quietinho quando minha mãe, que conversa até com poste, dana a tagarelar com ele. Felipe prefere dormir no carrinho, onde ele tem encaixe, do que no bercinho que é grande demais pra ele.
Eu sinceramente fiquei surpresa com isso tudo. Não sabia que a gente já nascia tão gente, tão carente, tão necessitado de aconchego. Pensava que isso tudo era coisa que a cultura enfiava na mente das pessoas. Mas pelo visto não é: assim como Lipe, em seus 22 dias de vida, vivemos procurando o quentinho, o encaixe perfeito de dois corpos da época da barriga, chorando pelo aconchego primário e perfeito perdido.
Mas o bichinho promete ser genioso, viu (como já indicavam os chutes que ele dava na barriga de Renata)? Abriu o berreiro assim que nasceu e foi o que mais se mexia no berçário. Também foi o primeiro a abrir os olhos, para o orgulho da madrinha. :P
Na verdade, não sei se genioso seria a melhor definição. Às vezes ele me parece carente. Lembro de uma das primeiras trocas de fralda do meu sobrinho. Chorava como se estivessem arrancando um pedaço do seu corpo. Assim que dei o meu dedo indicador para ele segurar, ficou quietinho, a coisa mais fofa do mundo - que é como ele se parece quando está quieto, com aquela boca de coração dele sugando o peito ou o bico ou dormindo com a mãozinha embaixo da cabeça e as perninhas cruzadas. Felipe teve dificuldade para dormir mesmo em casa. Houve uma noite em que o pai resolveu colocá-lo apoiado sobre a barriga, e ele dormiu por cinco horas seguidas e nem sendo chamado para mamar quis despertar. Ele também fica quietinho quando minha mãe, que conversa até com poste, dana a tagarelar com ele. Felipe prefere dormir no carrinho, onde ele tem encaixe, do que no bercinho que é grande demais pra ele.
Eu sinceramente fiquei surpresa com isso tudo. Não sabia que a gente já nascia tão gente, tão carente, tão necessitado de aconchego. Pensava que isso tudo era coisa que a cultura enfiava na mente das pessoas. Mas pelo visto não é: assim como Lipe, em seus 22 dias de vida, vivemos procurando o quentinho, o encaixe perfeito de dois corpos da época da barriga, chorando pelo aconchego primário e perfeito perdido.
As Piriguetes
Nem Daniela, nem Ivete. Nas ruas, só se fala, só se pede a “piriguete”. É assim que ficaram conhecidas as latinhas de 269 ml de cerveja vendidas desde o Carnaval passado ao preço módico de R$ 5 o trio e em alguns casos R$ 1 a unidade. A entrada de uma prestigiada marca de cerveja neste mercado é a novidade deste ano. “É uma piriguete de valor. É facinha, mas é da boa!”, explica a ambulante Fátima Sacramento.
Mas porque a latinha leva o nome de piriguete? São muitas as teorias. A ambulante Luciene Gonçalves destaca a relação custo/benefício. “Ela é que nem mulher piriguete: com R$ 5 você pega três”, compara. A explicação da estudante Hilma Santos é mais comportada. “Porque ela é pequena e toda arrumadinha”, define. Comportamento é o que o folião não vai ter com a piriguete, na opinião da ambulante Débora Alves. “Olha, se beber com vontade, ela arregaça. Com 20 contos de piriguete, você fica louca”, garante.
Na versão cerveja, a “piriguetagem” não é exclusividade da mulherada. “É coisa de homem também”, afirma o técnico de telecomunicações Adelino Júnior. Ele acredita que a similaridade com as piriguetes vem do fato de serem ambas “atrevidas”. “Ah, quanto mais a gente bebe, mais a gente quer”. O historiador José Libânio aposta numa explicação parecida, e afirma que o apelido da latinha tem a ver com o poder de fazer a libido aumentar. “Essa cerveja é boa e dá um fogo danado, que nem a piriguete”, teoriza. Já o taxista Jaime Evangelista acredita que as duas se aproximam na “temperatura”. “Ela é pequenininha e por isso é difícil que perca a temperatura. Está sempre no ponto, geladinha, que nem as piriguetes”, observa Jaime.
Diretamente dos mares do Caribe, o pirata Jack Sparrow ficou confuso ao responder a questão. “Quando as piriguetes chegarem por lá, eu te explico”, esquiva-se o pirata.
Mas, ao contrário das piriguetes de carne e osso, as latinhas estão ajudando uma turma de trabalhadores da folia a faturar mais. “Elas têm aumentado um bocado o número de latinhas que pego nas ruas”, conta o catador de latas Rafael da Silva.
Mas porque a latinha leva o nome de piriguete? São muitas as teorias. A ambulante Luciene Gonçalves destaca a relação custo/benefício. “Ela é que nem mulher piriguete: com R$ 5 você pega três”, compara. A explicação da estudante Hilma Santos é mais comportada. “Porque ela é pequena e toda arrumadinha”, define. Comportamento é o que o folião não vai ter com a piriguete, na opinião da ambulante Débora Alves. “Olha, se beber com vontade, ela arregaça. Com 20 contos de piriguete, você fica louca”, garante.
Na versão cerveja, a “piriguetagem” não é exclusividade da mulherada. “É coisa de homem também”, afirma o técnico de telecomunicações Adelino Júnior. Ele acredita que a similaridade com as piriguetes vem do fato de serem ambas “atrevidas”. “Ah, quanto mais a gente bebe, mais a gente quer”. O historiador José Libânio aposta numa explicação parecida, e afirma que o apelido da latinha tem a ver com o poder de fazer a libido aumentar. “Essa cerveja é boa e dá um fogo danado, que nem a piriguete”, teoriza. Já o taxista Jaime Evangelista acredita que as duas se aproximam na “temperatura”. “Ela é pequenininha e por isso é difícil que perca a temperatura. Está sempre no ponto, geladinha, que nem as piriguetes”, observa Jaime.
Diretamente dos mares do Caribe, o pirata Jack Sparrow ficou confuso ao responder a questão. “Quando as piriguetes chegarem por lá, eu te explico”, esquiva-se o pirata.
Mas, ao contrário das piriguetes de carne e osso, as latinhas estão ajudando uma turma de trabalhadores da folia a faturar mais. “Elas têm aumentado um bocado o número de latinhas que pego nas ruas”, conta o catador de latas Rafael da Silva.
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Free Guided Tours
Nessas grandes cidades européias, o turista encontra fácil esses guias turísticos gratuitos. Descobri que existem no curso de francês (ou melhor, no albergue que ficava próximo ao curso). Fiquei enrolando um tempão pra ir, até porque estava esperando as colegas-fraudes do curso realmente fazerem da promessa realidade. Por fim, no último mês na capital francesa, já sem patacas pra gastar, resolvi testar um trecho desses. Lá fui eu pra frente do cavaleiro que fica à direita da entrada de Notre-Dame esperar o guia de colete rosa da Discover Walks Paris.
Foi uma experiência bem legal. Primeiro, porque estive com gente do mundo todo, da Austrália ao Canadá (pela primeira vez, ouvi alguém falando inglês com a língua presa. very interesting experience!). Segundo, você recebe informações sobre os lugares que não seriam fáceis de conseguir, assim (a não ser que você se pendure em guias de turismo, o que tem menos graça). Terceiro, conheci Marie (essa de saia branca e sapatilha amarela), uma francesa que de tão simpática mais parecia americana; quebrei essa imagem de que francês não é extrovertido. (Aliás, ela me deu uma dica de passeio que vou executar quando Ô Ingrid, Lu e eu formos para o nosso mochilão: andar por Paris à meia-noite de bicicleta, naquela área da Champs-Elysees. Me pareceu incrível!)
Por fim, tiramos essa foto em frente a Sorbonne, numa pose que imitava os estudantes de maio de 68. À primeira vista, fiquei confusa sobre o motivo de estar encolhida, quase invisível na foto. Depois lembrei: achei mico demais e me abaixei. Pra vocês verem que os estereótipos não garantem nada. (risos)
sábado, 29 de outubro de 2011
Vassoula
(Paris, em alguma rua próxima a Place do Tertre, por volta das 17h de uma sexta-feira do final de junho)
Rapaz (em francês): Boa tarde. Nós gostaríamos de uma garrafa de água, por favor.
Proprietária do Restaurante Grego: De acordo. Mas só temos da maior, de 1 litro. Custa 1,90 euro.
Moça (cochichando para o rapaz, em português): Até que o preço está bom. No metrô, a de 200 ml tá por 2 euros...
Proprietária (interrompendo, em francês): Ei, não está caro nada; está super barato!
Moça: Mas eu...
Proprietária: Não, eu quero ver você encontrar uma garrafa deste tamanho por esse preço!
Rapaz (em francês): O que ela estava dizendo era exatamente isso, que está barato.
Proprietária (ar desconfiado): Ah tá. Pois é mesmo.
Um minuto que eu já trago a água.
(Rapaz e moça folheiam um caderno de visitantes que está em cima da mesa. A dona do restaurante chega com a garrafa de água)
Prop.: Vocês dois são de onde?
Rapaz: Brasil. A senhora é grega, não é?
Prop.: Siiiiiiim!
Rapaz: Meu avô era grego.
(Ela começa a conversar em grego com ele, que fica sem graça por não entender patavinas do que ela está falando)
Rapaz: Oh, me desculpe, mas eu não falo grego.
Prop.: Humpf... Vê-se que seu avô não lhe ensinou nada.
(Ela volta para detrás do balcão)
Rapaz (cochichando em português com a moça): Na verdade, eu quis dizer meu bisavô, mas eu não sei como dizer isso em francês. (Pausa) Madame, é possível usar o banheiro?
(Neste momento chega um senhor, amigo da proprietária do restaurante)
Prop. (respondendo ao rapaz, enquanto sai do balcão em direção à porta para receber o amigo que a espera): Só um minuto, jovem, que eu preciso te orientar em como usar a descarga.
Rapaz: Ok.
(Cinco minutos depois, ela ainda continua conversando com o amigo, na porta do restaurante, de costas para a dupla de turistas)
Moça: Hum, acho que comprar a água não foi um bom atalho para conseguir um banheiro.
Rapaz: Qual é mesmo o nome dela? Vassélia? Valinda?...
Moça: Vassoula.
Rapaz: Com licença, Vassoula... Posso usar o banheiro?
Prop.: Me dê só um minuto e eu já vou aí.
(Cinco minutos depois, ela vai explicar o uso da descarga ao rapaz, que finalmente consegue usar o banheiro)
Moça: E aí? Fez tudo como ela mandou? Deu tudo certo?
Rapaz (sem graça): Eu acho que acabei fazendo tudo que ela me mandou não fazer.
Moça: Então agradeça logo e vamos nos mandar antes que ela perceba.
Moça e Rapaz: Tchau. Foi um prazer conhecê-la!
Vassoula: Até mais!
(Neste momento, ela saca um perfume spray e dá uma borrifada nos dois jovens, que ficam sem entender a "saudação de despedida")
Moça (cochichando com o rapaz, ambos já de costas para o restaurante, rindo da situação): Por essa eu não esperava: viajar 12 mil km da Bahia até a França para ganhar um banho de cheiro de uma maluca grega!
Rapaz (em francês): Boa tarde. Nós gostaríamos de uma garrafa de água, por favor.
Proprietária do Restaurante Grego: De acordo. Mas só temos da maior, de 1 litro. Custa 1,90 euro.
Moça (cochichando para o rapaz, em português): Até que o preço está bom. No metrô, a de 200 ml tá por 2 euros...
Proprietária (interrompendo, em francês): Ei, não está caro nada; está super barato!
Moça: Mas eu...
Proprietária: Não, eu quero ver você encontrar uma garrafa deste tamanho por esse preço!
Rapaz (em francês): O que ela estava dizendo era exatamente isso, que está barato.
Proprietária (ar desconfiado): Ah tá. Pois é mesmo.
Um minuto que eu já trago a água.
(Rapaz e moça folheiam um caderno de visitantes que está em cima da mesa. A dona do restaurante chega com a garrafa de água)
Prop.: Vocês dois são de onde?
Rapaz: Brasil. A senhora é grega, não é?
Prop.: Siiiiiiim!
Rapaz: Meu avô era grego.
(Ela começa a conversar em grego com ele, que fica sem graça por não entender patavinas do que ela está falando)
Rapaz: Oh, me desculpe, mas eu não falo grego.
Prop.: Humpf... Vê-se que seu avô não lhe ensinou nada.
(Ela volta para detrás do balcão)
Rapaz (cochichando em português com a moça): Na verdade, eu quis dizer meu bisavô, mas eu não sei como dizer isso em francês. (Pausa) Madame, é possível usar o banheiro?
(Neste momento chega um senhor, amigo da proprietária do restaurante)
Prop. (respondendo ao rapaz, enquanto sai do balcão em direção à porta para receber o amigo que a espera): Só um minuto, jovem, que eu preciso te orientar em como usar a descarga.
Rapaz: Ok.
(Cinco minutos depois, ela ainda continua conversando com o amigo, na porta do restaurante, de costas para a dupla de turistas)
Moça: Hum, acho que comprar a água não foi um bom atalho para conseguir um banheiro.
Rapaz: Qual é mesmo o nome dela? Vassélia? Valinda?...
Moça: Vassoula.
Rapaz: Com licença, Vassoula... Posso usar o banheiro?
Prop.: Me dê só um minuto e eu já vou aí.
(Cinco minutos depois, ela vai explicar o uso da descarga ao rapaz, que finalmente consegue usar o banheiro)
Moça: E aí? Fez tudo como ela mandou? Deu tudo certo?
Rapaz (sem graça): Eu acho que acabei fazendo tudo que ela me mandou não fazer.
Moça: Então agradeça logo e vamos nos mandar antes que ela perceba.
Moça e Rapaz: Tchau. Foi um prazer conhecê-la!
Vassoula: Até mais!
(Neste momento, ela saca um perfume spray e dá uma borrifada nos dois jovens, que ficam sem entender a "saudação de despedida")
Moça (cochichando com o rapaz, ambos já de costas para o restaurante, rindo da situação): Por essa eu não esperava: viajar 12 mil km da Bahia até a França para ganhar um banho de cheiro de uma maluca grega!
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Imigrante, profissão coragem
Foi no meu segundo dia em França que fiquei frente a frente com uma das imagens cristalizadas em minha mente sobre a vida dos imigrantes: um apartamento minúsculo, daqueles em que a sala de estar fica embaixo do beliche, sem janelas, com alguns móveis e objetos amontoados. Senti, vindo da cozinha, uma fumaça de comida (boa) que empestiava todo o pequeno apartamento. Confesso que tive pena do casal que morava ali: "Deus do céu, do jeito que eu gosto de ficar em casa, nunca conseguiria viver assim, sem espaço", disse a mim mesma.
Mas para aqueles dois jovens vindos do interior do Brasil, a modesta moradia era um luxo. Residiam em França há quatro anos e ali há menos de um. Antes disso, viveram em um apartamento com mais seis pessoas, onde passaram sete meses dormindo "como irmãos" acanhados em trocar qualquer tipo de carinho na frente dos colegas de quarto.
Ele contava dias piores que a esposa, cuja chegada em terra estrangeira deu-se sete meses após a dele. No início, morava em um apartamento com 20 pessoas. Todas brasileiras. Foi ajudado pelos colegas durante momentos críticos em Paris. "O dinheiro que eu tinha para fazer o mercado eram os 20 euros que o pessoal me dava; cada um me emprestava 1 euro, que eu fazia questão de devolver quando recebia o salário. Alguns não queriam receber a moeda de volta, mas eu insistia: 'Aceita, porque se um dia eu precisar de novo, você vai confiar em me emprestar´", recorda o rapaz. A lembrança de gestos de solidariedade como esses não serviram para apagar a desconfiança gerada nesses anos no exterior, incluindo a dos próprios compatriotas."Quem mais sacaneia o brasileiro fora do Brasil é o próprio brasileiro", disse - eu ouviria essa mesma frase de outros imigrantes.
O primeiro golpe veio em menos de duas horas após a chegada em solo europeu. Os 2 mil euros que trouxera evaporaram-se nas mãos do homem - irmão de uma colega de trabalho de seu último emprego no Brasil - que havia articulado a sua mudança para Paris, com promessas de trabalho fácil e ganhos financeiros abundantes. O sujeito argumentou que precisava da quantia para saldar as despesas iniciais do rapaz, e nunca mais apareceu, deixando-o com apenas um mês de aluguel pago. À esta altura, voltar não era mais opção. "Precisava pagar o empréstimo de R$8 mil que havia pegado no Brasil pra vir pra cá", conta.
Teste de esforço - Geralmente o imigrante sai de seu país intermediado por outro conterrâneo que já mora no exterior, mas há histórias em que a disposição de tentar a sorte dispensou mediadores e, diriam alguns, o bom senso. Um dos casos mais impressionantes que ouvi em Paris foi de uma mineira que há seis anos saiu do Brasil para tentar a sorte na Europa. O destino original era Londres. Como muitos brasileiros, a moça foi barrada na Imigração. Mas não desanimou: desviou a rota e aventurou-se na cidade luz, sem ninguém para ampara-la, sem saber uma palavra de francês ou de qualquer outro idioma. Hoje, casada com um francês, realizou o projeto de uma vida, se não luxuosa, ao menos mais confortável fora de sua terra natal.
Ficar rico não é uma meta fácil de ser alcançada, mesmo quando se é pago em euro. Primeiro porque aos estrangeiros cabem os empregos braçais que os nativos já não querem mais desempenhar, cujas remunerações basicamente propiciam a sobrevivência. Além disso, é comum o uso de parte do salário para saldar débitos no país de origem ou socorrer a família.
Mas é possível fazer uma poupança. Viver no exterior é especialmente gratificante para quem não tem qualificações. Sabe o casal do início desse texto? Eles já possuem dois imóveis em sua cidade, feito difícil de realizar se não houvessem imigrado. Não foi fácil: "Após quase três anos trabalhando aqui, compramos roupa nova pela primeira vez no final do ano passado", conta a esposa.
Os empregos mais comuns são no bâtiment (construção civil), de babá e na limpeza. Os trabalhos exigem fisicamente - especialmente no deslocamento entre um local de trabalho e outro, pois quase ninguém tem apenas um empregador -, mas as condições laborais costumam ser boas. Só se encrenca quem (poucos, felizmente) realmente está desesperado por dinheiro e precisa faturar muito além da média salarial. Nesse caso, a jornada de trabalho torna-se um verdadeiro teste de esforço. O pessoal da limpeza, por exemplo, produz principalmente antes e após o horário comercial. Há quem se sujeita a jornadas que começam às 4h da manhã e terminam às 22h. Com três horas de sono por dia, muitos sucumbem, e quem resiste sabe que esse ritmo intenso de atividade tem "prazo de validade": até o corpo não mais suportar.
Mas para aqueles dois jovens vindos do interior do Brasil, a modesta moradia era um luxo. Residiam em França há quatro anos e ali há menos de um. Antes disso, viveram em um apartamento com mais seis pessoas, onde passaram sete meses dormindo "como irmãos" acanhados em trocar qualquer tipo de carinho na frente dos colegas de quarto.
Ele contava dias piores que a esposa, cuja chegada em terra estrangeira deu-se sete meses após a dele. No início, morava em um apartamento com 20 pessoas. Todas brasileiras. Foi ajudado pelos colegas durante momentos críticos em Paris. "O dinheiro que eu tinha para fazer o mercado eram os 20 euros que o pessoal me dava; cada um me emprestava 1 euro, que eu fazia questão de devolver quando recebia o salário. Alguns não queriam receber a moeda de volta, mas eu insistia: 'Aceita, porque se um dia eu precisar de novo, você vai confiar em me emprestar´", recorda o rapaz. A lembrança de gestos de solidariedade como esses não serviram para apagar a desconfiança gerada nesses anos no exterior, incluindo a dos próprios compatriotas."Quem mais sacaneia o brasileiro fora do Brasil é o próprio brasileiro", disse - eu ouviria essa mesma frase de outros imigrantes.
O primeiro golpe veio em menos de duas horas após a chegada em solo europeu. Os 2 mil euros que trouxera evaporaram-se nas mãos do homem - irmão de uma colega de trabalho de seu último emprego no Brasil - que havia articulado a sua mudança para Paris, com promessas de trabalho fácil e ganhos financeiros abundantes. O sujeito argumentou que precisava da quantia para saldar as despesas iniciais do rapaz, e nunca mais apareceu, deixando-o com apenas um mês de aluguel pago. À esta altura, voltar não era mais opção. "Precisava pagar o empréstimo de R$8 mil que havia pegado no Brasil pra vir pra cá", conta.
Teste de esforço - Geralmente o imigrante sai de seu país intermediado por outro conterrâneo que já mora no exterior, mas há histórias em que a disposição de tentar a sorte dispensou mediadores e, diriam alguns, o bom senso. Um dos casos mais impressionantes que ouvi em Paris foi de uma mineira que há seis anos saiu do Brasil para tentar a sorte na Europa. O destino original era Londres. Como muitos brasileiros, a moça foi barrada na Imigração. Mas não desanimou: desviou a rota e aventurou-se na cidade luz, sem ninguém para ampara-la, sem saber uma palavra de francês ou de qualquer outro idioma. Hoje, casada com um francês, realizou o projeto de uma vida, se não luxuosa, ao menos mais confortável fora de sua terra natal.
Ficar rico não é uma meta fácil de ser alcançada, mesmo quando se é pago em euro. Primeiro porque aos estrangeiros cabem os empregos braçais que os nativos já não querem mais desempenhar, cujas remunerações basicamente propiciam a sobrevivência. Além disso, é comum o uso de parte do salário para saldar débitos no país de origem ou socorrer a família.
Mas é possível fazer uma poupança. Viver no exterior é especialmente gratificante para quem não tem qualificações. Sabe o casal do início desse texto? Eles já possuem dois imóveis em sua cidade, feito difícil de realizar se não houvessem imigrado. Não foi fácil: "Após quase três anos trabalhando aqui, compramos roupa nova pela primeira vez no final do ano passado", conta a esposa.
Os empregos mais comuns são no bâtiment (construção civil), de babá e na limpeza. Os trabalhos exigem fisicamente - especialmente no deslocamento entre um local de trabalho e outro, pois quase ninguém tem apenas um empregador -, mas as condições laborais costumam ser boas. Só se encrenca quem (poucos, felizmente) realmente está desesperado por dinheiro e precisa faturar muito além da média salarial. Nesse caso, a jornada de trabalho torna-se um verdadeiro teste de esforço. O pessoal da limpeza, por exemplo, produz principalmente antes e após o horário comercial. Há quem se sujeita a jornadas que começam às 4h da manhã e terminam às 22h. Com três horas de sono por dia, muitos sucumbem, e quem resiste sabe que esse ritmo intenso de atividade tem "prazo de validade": até o corpo não mais suportar.
Nunca de mochila - Há um código não-verbal e não-escrito que permeia a vivência em terra estrangeira. Uma das regras seguidas, por exemplo, pelos homens imigrantes é não usar mochila. "A polícia fica de olho e as chances de te pararem são maiores", explica um imigrante brasileiro. Evitar estar perto de tumultos e multidões também é um cuidado básico.
Mesmo sustentando aquela expressão sossegada típica de quem é do interior de Minas, o brasileiro Roberto já foi levado quatro vezes pela polícia e deportado uma vez. A última prisão, no inicio deste ano, aconteceu quando o mestre de obras, distraído, se entretinha assistindo a uma briga no meio da rua. O mal-entendido não poderia ter acontecido em hora pior: sua esposa estava no início de uma gravidez delicada de gêmeos. Os amigos mais próximos se mobilizaram para contatar um advogado e tira-lo da detenção. Mas houve, também, quem sequer telefonasse com receio de ser rastreado pela polícia.
Mesmo sustentando aquela expressão sossegada típica de quem é do interior de Minas, o brasileiro Roberto já foi levado quatro vezes pela polícia e deportado uma vez. A última prisão, no inicio deste ano, aconteceu quando o mestre de obras, distraído, se entretinha assistindo a uma briga no meio da rua. O mal-entendido não poderia ter acontecido em hora pior: sua esposa estava no início de uma gravidez delicada de gêmeos. Os amigos mais próximos se mobilizaram para contatar um advogado e tira-lo da detenção. Mas houve, também, quem sequer telefonasse com receio de ser rastreado pela polícia.
Apesar de admitir nunca ter sofrido qualquer tipo de agressão das autoridades francesas, a sequência de apreensões deixou um trauma. Em visita a amiga, também imigrante brasileira, elogiou-lhe o carro, mas se recusou a passear nele. "Ele tem medo de ser reconhecido como brasileiro, pois o carro dela tem um adesivo com a bandeira do Brasil", revela, num cochicho, a esposa.
Exílio afetivo - É comum que os imigrantes, após o período inicial de adaptação, queiram fixar raízes na nova pátria. A organização dos países desenvolvidos e os bons salários - se comparados com os ganhos deles no Brasil - seduzem quem se aventura em terra estrangeira. "Quando a gente chega aqui percebe que o Brasil não é um país tão legal quanto a gente pensa quando mora lá. Só volto se puder ter um negócio próprio, mas a verdade é que gosto daqui, não tenho vontade de ir embora", confessa uma imigrante nordestina. A satisfação com a nova vida esbarra em um obstáculo natural e dificil de driblar, apesar da tecnologia: a saudade da família. Quem tem filhos, então, sofre a frustração de não estar acompanhando momentos fundamentais do crescimento deles: "Outro dia liguei chorando para uma amiga porque não reconheci meu filho mais velho em uma foto que meus pais me enviaram", conta uma rondonense.
Entretanto, é justamente a ausência de estrutura familiar que faz alguns desconsiderarem a volta para casa. "Minha mãe é separada do meu pai e cuida de um irmão meu que usa drogas. Ele já tem outra mulher e só faz beber. Daqui eu tenho condições de ajudar mais ela", diz a moça goiana, para depois revelar o real motivo de não querer voltar para Goiás: "Pra quê vou voltar se ninguém me dá bola? Minha irmã casada tem internet e ninguém nunca entra em contato comigo. Se eu não telefono, eles me esquecem", ressente-se.
Seu marido pensa diferente e aponta outro motivo que não a família para retornar em um futuro próximo: "Tenho saudade de jogar futebol com os amigos", confessa.
Exílio afetivo - É comum que os imigrantes, após o período inicial de adaptação, queiram fixar raízes na nova pátria. A organização dos países desenvolvidos e os bons salários - se comparados com os ganhos deles no Brasil - seduzem quem se aventura em terra estrangeira. "Quando a gente chega aqui percebe que o Brasil não é um país tão legal quanto a gente pensa quando mora lá. Só volto se puder ter um negócio próprio, mas a verdade é que gosto daqui, não tenho vontade de ir embora", confessa uma imigrante nordestina. A satisfação com a nova vida esbarra em um obstáculo natural e dificil de driblar, apesar da tecnologia: a saudade da família. Quem tem filhos, então, sofre a frustração de não estar acompanhando momentos fundamentais do crescimento deles: "Outro dia liguei chorando para uma amiga porque não reconheci meu filho mais velho em uma foto que meus pais me enviaram", conta uma rondonense.
Entretanto, é justamente a ausência de estrutura familiar que faz alguns desconsiderarem a volta para casa. "Minha mãe é separada do meu pai e cuida de um irmão meu que usa drogas. Ele já tem outra mulher e só faz beber. Daqui eu tenho condições de ajudar mais ela", diz a moça goiana, para depois revelar o real motivo de não querer voltar para Goiás: "Pra quê vou voltar se ninguém me dá bola? Minha irmã casada tem internet e ninguém nunca entra em contato comigo. Se eu não telefono, eles me esquecem", ressente-se.
Seu marido pensa diferente e aponta outro motivo que não a família para retornar em um futuro próximo: "Tenho saudade de jogar futebol com os amigos", confessa.
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
Ay, te dejo Salvador!
Eu te digo, Salvador, que após 20 anos já não te amo mais. Nada pessoal - você continua lindíssima -, mas apenas o que é meu não está guardado aqui. Definitivamente. Sinto cada vez mais isso.
Mas qual vai ser dessa separação: amigável ou litigioso?
A seguir cenas dos próximos capítulos.
Mas qual vai ser dessa separação: amigável ou litigioso?
A seguir cenas dos próximos capítulos.
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
6 centímetros
Hoje finalmente vi as primeiras imagens de Felipinho. Fiquei impressionada: como alguém que só tem 6 cm pode já possuir tantos detalhes?! Até o pintinho dele dá pra ver no ultrassom. Ao assistir o vai e vem daquele grão de gente no útero de minha irmã, tive um insight - acredite se quiser: vai ser um cara tranquilo (tomara!). Mas já digo que rolou uma simpatia à primeira vista. :)
O saco é que ainda falta muito tempo pra ele nascer, mais de cinco meses (gravidez não deveria durar mais que 6 meses). Vou estar estourando de curiosidade pra saber como ele é.
Pra quem duvida da minha sensibilidade, saiba que eu não sou fraca, não: acertei todos os 4 palpites dos sexos dos bebês das minhas amigas grávidas. Esse par de tênis mesmo, que vai ficar um espetáculo no meu sobrinho na ocasião das Olimpíadas de Londres, eu comprei bem antes de saber o sexo (levei até bronca de minha irmã, mas, dá licença, eu confio no meu taco! hehe). Na mesma semana em que os comprei, vi um guri de uns 2 anos calçado com um par igual. Interpretei como um sinal.
Aliás, tem coisa mais fofa que sapatinho de criança?!
O saco é que ainda falta muito tempo pra ele nascer, mais de cinco meses (gravidez não deveria durar mais que 6 meses). Vou estar estourando de curiosidade pra saber como ele é.
Pra quem duvida da minha sensibilidade, saiba que eu não sou fraca, não: acertei todos os 4 palpites dos sexos dos bebês das minhas amigas grávidas. Esse par de tênis mesmo, que vai ficar um espetáculo no meu sobrinho na ocasião das Olimpíadas de Londres, eu comprei bem antes de saber o sexo (levei até bronca de minha irmã, mas, dá licença, eu confio no meu taco! hehe). Na mesma semana em que os comprei, vi um guri de uns 2 anos calçado com um par igual. Interpretei como um sinal.
Aliás, tem coisa mais fofa que sapatinho de criança?!
terça-feira, 23 de agosto de 2011
As cinco pessoas que me inspiram (no Facebook)
Às vezes coisas aparentemente idiotas nos fazem pensar na vida. Fui preencher meu perfil no Facebook, e acabei escolhendo, como manda a página, cinco pessoas que me inspiram. Depois, fiquei pensando no por que delas me inspirarem e constatei que, não por acaso, essas pessoas cultivam posturas que prezo bastante.
Lázaro Ramos - Simplicidade
Pessoalmente, sinto muita falta de referências jovens. Quase todo mundo que admiro não é da minha geração. Não concordo com algumas das posturas dos meus contemporâneos. Mas, como sempre existem as exceções, gosto muito de Lázaro Ramos. Primeiro porque foi contra todas as expectativas. Lembro de um comentário de uma colega de faculdade um pouco antes dele ganhar fama nacional: "É um ótimo ator, pena que nunca vai ser escalado pra fazer o galã da novela", foi mais ou menos o que ela disse. Alguns anos depois, esse baiano interpretou um pegador em plena novela das oito. O talento quebra regras, isso é fato.
Geralmente quando uma pessoa não corresponde aos estereótipos de seu meio, acaba sendo criado um rancor, uma espécie de mágoa por conta da rejeição. Sinto que esse ator é bem-resolvido consigo mesmo; ele me transmite simplicidade e dignidade. Creio que ter vindo do Bando de Teatro Olodum tenha a ver com isso. Aliás, a Bahia é um raro reduto da autoestima afro (talvez se Lázaro fosse gaúcho sentisse diferente). Está aí uma coisa que, a propósito, faz mais ainda a diferença no caso dele: apesar de ter orgulho da sua raça, ele não é panfletário e tem a elegância de não encher o saco da audiência com "pregação"; deixa a mensagem fluir na sua própria postura pública.
Susan Sarandon - Integridade
Sempre que digo que admiro essa atriz, o povo me pergunta a razão. Pra mim não tem dúvida, é só olhar para a face dela (embora acredite que "quem vê cara, não vê coração"). Susan faz parte de uma geração de atores (internacionais e nacionais também, claro) que cultiva ideais, estrelas cujas escolhas profissionais são coerentes com o que pregam.
Ela tem um tom firme, que eu aprecio e transmite dignidade. E, sabe, mais do que exatamente defender boas ideias, admiro gente que acredita no que fala e no que faz, que pensa as suas ações e escolhas. Isso demonstra critério na vida e integridade.
Hebe Camargo - Alegria
Nem todo mundo que você admira, admira por inteiro. Estranhamente, quando é assim o caso é mais notável, pois para continuar admirando alguém que te desagrada em parte, é preciso que o motivo de admiração seja maior que o usual.
Assim é a alegria de viver de Hebe. Nunca esqueci de uma declaração de Sílvio de Abreu sobre a Madrinha da Tv Brasileira, em que ele dizia que a coisa que mais o impressionou no tempo em que trabalhou com a loira foi o seu entusiasmo em exercer seu ofício, que não variava - quer o ibope marcasse 100 ou 0 pontos.
Eu acredito que felicidade é um dom (e não muita gente o possui hoje em dia). Hebe é inabalável neste quesito. É a personificação da máxima de uma outra loira, Marilyn Monroe: "Sei que nunca serei feliz, mas sei que posso ser muito alegre". E por que não?
Oprah Winfrey - Confiança
Oprah, como apresentadora, não me fascina. O que me impressiona nela é o exemplo de vida, a postura "para o alto e avante". Pire aí na bio dessa figura: mulher, negra e pobre, em um país preconceituoso como os EUA (lembrando aqui que ela foi jovem nos anos 60/70, época em que as coisas ainda eram muito difíceis para as minorias), veio de uma família desestruturada, e como se não bastasse, foi estuprada na infância e ainda jovenzinha perdeu um filho. Seria normalíssimo que uma mulher dessa não desenvolvesse autoestima e tampouco tivesse futuro. Oprah conseguiu os dois. Contra todas as probabilidades, ela confiou no próprio taco e, de quebra, acabou influenciando um monte de gente por aí.
Pois é, outra tendência que ela pôs por terra foi a de que celebridades são perfeitas, ao se mostrar acessível e vulnerável como qualquer ser humano. Geralmente quem chega ao topo não deseja compartilhar. Mesmo que ela não seja aquilo que demonstra, as confissões de Oprah ajudam a validar a humanidade da audiência.
Bethany Hamilton - Aceitação
Jovem, talentosa, bonita, atlética. Com tais características, essa menina poderia ser incluída no hall dos invejados. Mas eis que um dia, quando ela ainda tinha apenas 13 anos, essa mocinha passou a despertar a piedade de todo EUA ao ter um braço arrancado por um tubarão enquanto surfava no Havaí, na manhã de 31 de outubro de 2003. Mas não durou muito, pois a menina, ao invés de se lamentar, tocou a bola pra frente, tanto que hoje é uma das surfistas mais bem-sucedidas e participa de disputas com adversários sem qualquer deficiência.
Uma forte paixão pelo surfe? Certamente. Uma família que deu suporte? Sem dúvida. Mas, acima de tudo, uma alma forte. Porque não é fácil sustentar uma opinião sobre si mesma ("Eu ainda posso") quando todo mundo pensa o contrário de você ("Coitada dela, que tinha um futuro promissor pela frente"), ainda mais quando se tem 13 anos - isso fora o trauma de ser atacada por um tubarão, que ela logo superou.
A história de Bethany é uma aula de doçura, autoaceitação e, sobretudo, de dignidade. Um tapa na cara de uma sociedade de gente apegada (quase sempre a coisas sem a mínima importância), que adora uma reclamação.
(Quem quiser saber mais sobre a história dela, indico o filme Soul Sister.)
A história de Bethany é uma aula de doçura, autoaceitação e, sobretudo, de dignidade. Um tapa na cara de uma sociedade de gente apegada (quase sempre a coisas sem a mínima importância), que adora uma reclamação.
(Quem quiser saber mais sobre a história dela, indico o filme Soul Sister.)
domingo, 14 de agosto de 2011
Versalhes
Sabe aquele passeio pelo qual você não dá muita coisa mas que te surpreende como um dos melhores?! Assim foi a visita ao Palácio de Versalhes. Eu já conhecia o lugar de filmes como "O homem da máscara de ferro" e sabia que era enormeee, suntuoso, mas, assim como a Torre Eiffel, só dá para saber o quão grande é esse castelo vendo-o de perto.
Meu primeiro pensamento ao entrar no jardim, confesso, não foi nada nobre: "Neste jardim deve ter rolado altas pegações, pois lugar para se perder com alguém por aqui é o que não falta!". (risos)
A entrada do jardim. Veja como o lugar é extenso, de perder de vista mesmo.
Esse passeio de barco é indescritível (e inesquecível), minha gente!
Eu esperava apenas pique-niques no jardim, mas as pessoas utilizam o espaço para muito mais: correr, andar de bicileta, brincar com o patinete (os adultos usam isso como meio de transporte em Paris, acreditem, e até os idosos andam assim pelas ruas) e até brincar de princesa. :)
Ai, que saudade, que dia perfeito e que lugar lindo!!!...
(e foi assim, fragilizada pela beleza de Versalhes, que cometi a tabarelice de comprar, numa lojinha na saída, uma camiseta "I love Paris". hahahaha)
Meu primeiro pensamento ao entrar no jardim, confesso, não foi nada nobre: "Neste jardim deve ter rolado altas pegações, pois lugar para se perder com alguém por aqui é o que não falta!". (risos)
A entrada do jardim. Veja como o lugar é extenso, de perder de vista mesmo.
Esse passeio de barco é indescritível (e inesquecível), minha gente!
Eu esperava apenas pique-niques no jardim, mas as pessoas utilizam o espaço para muito mais: correr, andar de bicileta, brincar com o patinete (os adultos usam isso como meio de transporte em Paris, acreditem, e até os idosos andam assim pelas ruas) e até brincar de princesa. :)
Ai, que saudade, que dia perfeito e que lugar lindo!!!...
(e foi assim, fragilizada pela beleza de Versalhes, que cometi a tabarelice de comprar, numa lojinha na saída, uma camiseta "I love Paris". hahahaha)
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
O estrangeiro
"A França é um país realmente socialista", foi o que pensei a princípio. Na primeira visita ao supermercado, achei fantástica a "ala dos pobres", e um cartaz que dizia assim: "Para quê pagar a mais por uma embalagem que vai parar no lixo, afinal?". "Uau!", pensei, "Ao consumidor é dada a oportunidade de comprar algo com uma embalagem mais 'fuleira' porém de valor menor. Isso é que é democracia (risos)".
Fiquei impressionadíssima, ainda, com a assistência que o governo oferece aos imigrantes, quer estejam legais ou ilegais. Minha irmã, residente aqui há mais de 4 anos, é um exemplo disso: o estado francês há quase um ano paga o tratamento dela para engravidar. Só uma injeção que ela precisa tomar custa mais de mil euros. Quando ela poderia ter uma assistência assim em sua terra natal? Uma amiga do Brasil, que descobriu a gravidez dela um mês após estar em solo francês, está recebendo um considerável amparo do governo, incluindo o pré-natal, o parto e auxílio moradia, etc. Incrível, não?
Mas se há uma coisa para a qual essa viagem serviu, certamente, foi para perceber que gente é tudo a mesma coisa nos quatro cantos do mundo - e assim são também os governos. O povo francês é simpático e educado com os estrangeiros, sejam turistas ou imigrantes. O problema é que nem sempre "simpatia é quase amor". No berço da república, a igualdade não implica de jeito algum em proximidade. O francês, pelo menos em Paris, não se mistura com a leva de árabes, latinos, portugueses, africanos e asiáticos que circulam em grande quantidade por aqui. "Cada macaco no seu galho".
Quando se tratam dos ciganos, então, a distância é o de menos, e entra em cena o preconceito e até uma dose de crueldade.
A princípio, me chamou a atenção o grande número deles mendigando pelas ruas. Pensava que se tratavam de espertalhões, afinal, haviam assim me dito, quem menos tem aqui na França é quem mais se beneficia dos auxílios governamentais. Mas pelo visto não é o caso desse grupo de imigrantes. Sarkozy já tentou se livrar deles dando-lhes dinheiro para que retornassem à Romênia, mas não deu certo. Tentou barrar a vinda pela Itália, e foi alvo de protestos. Pelo visto, a situação já ultrapassa a fase da mera implicância, e estão sendo aplicados a eles os mesmos métodos cruéis usados com os argelinos no início do século 20 (sim, a França tem histórico desse tipo, e recente!).
Sarkozy, um filho de imigrantes, não é bem visto por aqui. Um amigo francês de minha irmã (o único, por sinal, que ela conheceu, aliás, indo para o Brasil de férias), costuma dizer que o francês pensa como esquerda, mas acaba votando na direita. Sarkozy foi eleito assim e com o intuito maior de expulsar os imigrantes (o amigo francês admite que o povo responsabiliza, no fundo, a imigração pela crise em que se encontra o país, embora ela seja, evidentemente, um reflexo da crise mundial).
O problema dos franceses com o atual presidente é de "estatura política", dizem. "Muito aquém de outros presidentes que tivemos", ressalta o amigo francês, confessamente saudoso da era Miterrand.
Podem me chamar de paranóica, mas penso que isso tem a ver, também, com o fato de Sarkozy ser estrangeiro, no final das contas. Eles têm muito orgulho da história, da tradição política e da cultura deles. Assim como o francês nunca vai achar melhor qualquer baguete, croissant, queijo ou vinho que não seja legitimamente da terra, dificilmente vai dar a devida credibilidade para um estadista que não seja "puro sangue". Não é à toa que para os filhos de imigrantes se usa o termo "nascido em França", o que, vamos admitir, já deflagra a diferença entre esses e aqueles de linhagem familiar francesa.
Na antipatia por Sarkozy, aliás, imigrantes e franceses estão juntos. No táxi, assim que cheguei aqui, ouvi de um nigeriano, em tom de irritação: "Sarkozy não cumpre o que fala".
Reza a lenda que ao indicar um nome para o Pantheon, o atual presidente da França quis Albert Camus. A família negou o pedido, explicando claramente o motivo: "Não queremos que ele fique associado ao seu nome". (Scheeeelp!...) Tentou levar Aime Cesare para o rol dos homens ilustres do país, mas a família não quis que o corpo se mudasse da Martinica (colônia francesa) para Paris.
(Tadinho!... :P)
Enfim, a única que dá moral para o Sarkozy é a Carla Bruni. A ela, a propósito, fica a sugestão de gravar o hit de Zeca Baleiro, "Telegrama". Certamente, o marido vai se identificar com os primeiros versos da letra: "Eu tava triste, tristinho/Mas sem graça que a top model magrela da passarela/Eu tava só, sozinho...". (risos)
Enfim, a única que dá moral para o Sarkozy é a Carla Bruni. A ela, a propósito, fica a sugestão de gravar o hit de Zeca Baleiro, "Telegrama". Certamente, o marido vai se identificar com os primeiros versos da letra: "Eu tava triste, tristinho/Mas sem graça que a top model magrela da passarela/Eu tava só, sozinho...". (risos)
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
Les Enfants
Se tem uma coisa que é fantástica nessa cidade são as crianças. Uma mais linda que a outra (o que é legal agora, pois na fase adulta crianças muito bonitas se transformam em adultos de aparência mediana, quase sempre)! E as roupas? Como legítimos filhos da meca da moda, arrasam na produção.
A educação deles também é de impressionar. "Bonjour", "Merci" e "S´il vous plait" estão sempre na ponta da língua. Não fazem escândalo na rua e nem são baderneiros. Além do mais, adoram um programa cultural. Ou melhor, as escolas adoram levá-los para museus, parques e afins. No Museu de Orsay mesmo, tive a companhia de uma turminha do jardim de infância. Todo mundo sentadinho, a professora explicou a obra de arte, e depois deu um kit de lápis de cor pra cada um fazer a sua reprodução. E eles puseram as mãos na massa, concentradíssimos na tarefa. Muito lindo. Senti vontade de roubar um pra mim e pôr na mala.
Não bastasse, ainda são umas figuras! Sabe essa aí da primeira foto? Pois é, meu colega e eu a conhecemos em um passeio de bateau mouche. A figura não deve ter nem dois anos, mas, juro!, nunca vi tanto arsenal de sedução em uma criatura tão jovem! (risos) Ela olhava de soslaio, sorria, encarava, grudava a cara no vidro... Por fim, na hora de ir embora, a mãe disse a ela que se despedisse. Ela encarou o rapaz, mandou um beijo com a ponta dos dedos e emendou, de quebra, um "Bonne journée" (Bom dia). Eu fiquei pasma. Segundo a mãe dela, a filha adora interagir com os jovens (mas suponho que ela não vá se orgulhar tanto disso se essa interação "femme fatale" se prolongar pela pré-adolescência).Me arrependi muito de não ter filmado essa menina. Ela era fantástica e merecia um registro melhor.
A educação deles também é de impressionar. "Bonjour", "Merci" e "S´il vous plait" estão sempre na ponta da língua. Não fazem escândalo na rua e nem são baderneiros. Além do mais, adoram um programa cultural. Ou melhor, as escolas adoram levá-los para museus, parques e afins. No Museu de Orsay mesmo, tive a companhia de uma turminha do jardim de infância. Todo mundo sentadinho, a professora explicou a obra de arte, e depois deu um kit de lápis de cor pra cada um fazer a sua reprodução. E eles puseram as mãos na massa, concentradíssimos na tarefa. Muito lindo. Senti vontade de roubar um pra mim e pôr na mala.
Não bastasse, ainda são umas figuras! Sabe essa aí da primeira foto? Pois é, meu colega e eu a conhecemos em um passeio de bateau mouche. A figura não deve ter nem dois anos, mas, juro!, nunca vi tanto arsenal de sedução em uma criatura tão jovem! (risos) Ela olhava de soslaio, sorria, encarava, grudava a cara no vidro... Por fim, na hora de ir embora, a mãe disse a ela que se despedisse. Ela encarou o rapaz, mandou um beijo com a ponta dos dedos e emendou, de quebra, um "Bonne journée" (Bom dia). Eu fiquei pasma. Segundo a mãe dela, a filha adora interagir com os jovens (mas suponho que ela não vá se orgulhar tanto disso se essa interação "femme fatale" se prolongar pela pré-adolescência).Me arrependi muito de não ter filmado essa menina. Ela era fantástica e merecia um registro melhor.
Orsay
Esse foi um dos melhores museus que visitei, gostei mais dele do que do Louvre. Pra quem curte pintura impressionista é perfeito. Particularmente, adorei a seção com os quadros de Van Gogh.
É curioso como, até recentemente, quando os artistas desejavam falar de temas tabus, esses evocavam imagens da Grécia. Fico pensando se em um futuro breve isso irá cessar na arte ou se os gregos estão de tal forma arraigados que não há chances disso.
É curioso como, até recentemente, quando os artistas desejavam falar de temas tabus, esses evocavam imagens da Grécia. Fico pensando se em um futuro breve isso irá cessar na arte ou se os gregos estão de tal forma arraigados que não há chances disso.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Panthéon e as mulheres
Logo na fachada, o primeiro sinal: "Aos grandes homens, a pátria os reconhece." No templo republicano não há democracia entre os sexos. Só duas mulheres figuram entre os homenageados.
No andar das criptas, por exemplo, só lembro de ter visto Marie Curie. No mais, nos deparamos com os grandes. Isso mesmo: artigo definido masculino no plural.
No andar das criptas, por exemplo, só lembro de ter visto Marie Curie. No mais, nos deparamos com os grandes. Isso mesmo: artigo definido masculino no plural.
Alguém pode alegar machismo da História, mas eu não concordo que este seja o impedimento principal, ainda que se constitua em um fato. Penso como Camille Paglia, para quem a diferença básica de status entre os sexos se dá, a priori, porque as mulheres não têm a mesma predisposição à obsessão que os homens.
Essa ideia da pesquisadora americana me faz lembrar de uma palestra gravada de Contardo Calligaris. Ele pontuou o espírito de aventura dos homens. No meio do encontro, uma psicóloga infantil, na platéia, pediu a palavra, e comentou que só uma menina, dentre as que passaram por seu consultório, se interessou em arrumar o exército de brinquedo que ela tinha lá. E mesmo assim foi pra dar "Bom dia!" aos soldados. Já os meninos... Segundo a psicóloga, quase todos se interessam por esse tipo de entretenimento.
Se é instintivo ou cultural, não há como dizer. Meu palpite é que a cultura conte aí uns 30%. Há mistérios sobre a testosterona que ninguém conhece.
O engraçado é que, se por um lado eles comandam a ação na esfera pública, elas, quando dão pra se meter nesse espaço, parecem valer por 20 homens. E, curiosamente, a história do Panteão começa justamente com uma mulher muito da arretada (ou pelo menos bastante crente), sim, senhor: Santa Genoveva.
Explico: quando os Bárbaros estavam invadindo os quatro cantos da Europa, Paris quase entrou nesta rota. Com medo, vários homens parisienses fugiram, mas Genoveva persistiu e confiou na oração para livrar a cidade-luz dos invasores. Deu certo. Ela virou, anos mais tarde, padroeira da cidade, e ganhou uma igreja enorme, que é o atual prédio do Panteão, transformado em tal após a Revolução Francesa. Irônico, não?
Apesar da pouca inclinação natural a grandes obras públicas, eu penso que, de qualquer forma, falta valorizar mais a participação feminina na História. Joana D´Arc, por exemplo, poderia ser a 3ª a entrar no Panteão. Seria uma homenagem mais que justa.
Maison Balzac
Pode parecer bobo, mas eu gostei de passear no escritório dele, apesar da escuridão do local. Fico pensando em como deveria ser especial (ou não) trabalhar como escritor em uma época em que a grande maioria fazia trabalhos braçais (sabe, eu sonhava com isso quando pequena, mas, no fundo, ainda tenho muita esperança de ver a Máquina do Tempo existir antes de eu morrer. Já pensou que fantástico poder ver o passado em tempo real?).
Balzac vivia endividado, e por isso trabalhava muito. Em uma carta à amante, reclama de trabalhar mais de 15 horas por dia. Veja que pessoa dramática (risos):
Outra coisa bacana no museu são as amostras de alguns trabalhos corrigidos pelo próprio autor. Abaixo, uma das páginas das quais falo. Vi outras muito mais rabiscadas que essa, mas muito mais mesmo. Uma curiosidade: ao que parece, Balzac não tinha muito fôlego como revisor. As primeiras páginas de um manuscrito eram muito corrigidas. Já nas partes finais, poucas correções (me identifiquei totalmente!).
Por fim, a galeria de desenhos dos personagens de suas obras. Até então, deu para aproveitar o museu mesmo sem nunca ter lido o autor, mas nesta seção, confesso que fiquei triste comigo mesma. Deve ser muito mais divertido quando já se leu tudo, porque daí dá pra comparar a sua imaginação com os desenhos revisados pelo próprio autor.
Fizeram algo semelhante com o apartamento de Victor Hugo na Place des Vosges, mas, pessoalmente, achei a casa de Balzac infinitamente mais simpática. Ambas são gratuitas. Bem, só por isso, acho que já vale a pena visitá-las (risos).
De olhos bem abertos
Não é só nos grandes cartões postais de Paris que podemos encontrar beleza. Às vezes, em lugares pelos quais não damos nada, nos deparamos com paisagens belas.
O lugar das fotos abaixo, eu o descobri por acaso, caminhando depois da aula (fica atrás da feíssima rua do meu curso de francês, na 19eme). Mal acreditei.
Outro lugar (pessoalmente) bacana foi a Capela da Medalha Milagrosa, de Catherine Labouré. Fica em uma rua sem graça, um pouco escondida, e a fachada não é muito animadora, mas a capela é uma gracinha (só não tirei foto porque estava acontecendo uma missa no momento da minha visita).
Mesmo nos lugares icônicos de Paris, convém prestar atenção para não perder uma informação interessante. Na Champs Elysees, por exemplo, é fácil passar pela placa-homenagem a Santos Dumont e nem notá-la.
No Panteão há uma plaquinha, que é fácil de passar desapercebida, avisando o horário da visita ao topo do prédio, que é muito legal de fazer.
Enfim, regardez Paris. Vous pourriez être surpris!
O lugar das fotos abaixo, eu o descobri por acaso, caminhando depois da aula (fica atrás da feíssima rua do meu curso de francês, na 19eme). Mal acreditei.
Outro lugar (pessoalmente) bacana foi a Capela da Medalha Milagrosa, de Catherine Labouré. Fica em uma rua sem graça, um pouco escondida, e a fachada não é muito animadora, mas a capela é uma gracinha (só não tirei foto porque estava acontecendo uma missa no momento da minha visita).
Mesmo nos lugares icônicos de Paris, convém prestar atenção para não perder uma informação interessante. Na Champs Elysees, por exemplo, é fácil passar pela placa-homenagem a Santos Dumont e nem notá-la.
No Panteão há uma plaquinha, que é fácil de passar desapercebida, avisando o horário da visita ao topo do prédio, que é muito legal de fazer.
Enfim, regardez Paris. Vous pourriez être surpris!
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Mundo cão
Odeio noticiário que explora a miséria alheia. Odeio mesmo, não gosto de assistir de jeito algum. Além de mórbido, é o tipo de coisa que não acrescenta em nada na vida das pessoas.
Por último, até vídeo no Youtube mostrando uma tal de Kelly Cyclone no necrotério o povo anda divulgando. Fala sério!...
Esse tipo de comentário sempre deixa a gente com aura de chata, eu sei. Mas realmente acho de uma pobreza de espírito tremenda dar atenção a esse tipo " notícia". E o pior é que o povo gosta, e muito.
Por último, até vídeo no Youtube mostrando uma tal de Kelly Cyclone no necrotério o povo anda divulgando. Fala sério!...
Esse tipo de comentário sempre deixa a gente com aura de chata, eu sei. Mas realmente acho de uma pobreza de espírito tremenda dar atenção a esse tipo " notícia". E o pior é que o povo gosta, e muito.
sábado, 30 de julho de 2011
Jardim de Luxemburgo
E por falar em espaços ao ar livre, um dos mais bonitos é o Jardim de Luxemburgo, que fica nos arredores do Panteão.
Quem não tem Porto da Barra caça com "Seine" mesmo...
Bienvenue au "Paris Plage"! Até 21 de agosto vai ser isso aí: a galera esparramada em cadeirinhas, chuveiros e água potável de graça, barraquinhas de sorvete e até serviço de massagem. Como o frio aqui é uma constante, o espaço, a qualquer sol que abre em Paris, fica lo-ta-dooo!
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