quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

As Piriguetes

Nem Daniela, nem Ivete. Nas ruas, só se fala, só se pede a “piriguete”. É assim que ficaram conhecidas as latinhas de 269 ml de cerveja vendidas desde o Carnaval passado ao preço módico de R$ 5 o trio e em alguns casos R$ 1 a unidade. A entrada de uma prestigiada marca de cerveja neste mercado é a novidade deste ano. “É uma piriguete de valor. É facinha, mas é da boa!”, explica a ambulante Fátima Sacramento.
Mas porque a latinha leva o nome de piriguete? São muitas as teorias. A ambulante Luciene Gonçalves destaca a relação custo/benefício. “Ela é que nem mulher piriguete: com R$ 5 você pega três”, compara. A explicação da estudante Hilma Santos é mais comportada. “Porque ela é pequena e toda arrumadinha”, define. Comportamento é o que o folião não vai ter com a piriguete, na opinião da ambulante Débora Alves. “Olha, se beber com vontade, ela arregaça. Com 20 contos de piriguete, você fica louca”, garante.
Na versão cerveja, a “piriguetagem” não é exclusividade da mulherada. “É coisa de homem também”, afirma o técnico de telecomunicações Adelino Júnior. Ele acredita que a similaridade com as piriguetes vem do fato de serem ambas “atrevidas”. “Ah, quanto mais a gente bebe, mais a gente quer”. O historiador José Libânio aposta numa explicação parecida, e afirma que o apelido da latinha tem a ver com o poder de fazer a libido aumentar. “Essa cerveja é boa e dá um fogo danado, que nem a piriguete”, teoriza. Já o taxista Jaime Evangelista acredita que as duas se aproximam na “temperatura”. “Ela é pequenininha e por isso é difícil que perca a temperatura. Está sempre no ponto, geladinha, que nem as piriguetes”, observa Jaime.
Diretamente dos mares do Caribe, o pirata Jack Sparrow ficou confuso ao responder a questão. “Quando as piriguetes chegarem por lá, eu te explico”, esquiva-se o pirata.
Mas, ao contrário das piriguetes de carne e osso, as latinhas estão ajudando uma turma de trabalhadores da folia a faturar mais. “Elas têm aumentado um bocado o número de latinhas que pego nas ruas”, conta o catador de latas Rafael da Silva.

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