terça-feira, 9 de janeiro de 2024

Ja contei essa?

 Acho que não, mas essa história é boa. 

Eu sempre tive dúvidas com essa carreira de jornalista, desde a faculdade. Um dia, soube através de amigos de uma mulher que jogava búzios e acertava tudo. Por uma coincidência, uns cinco anos depois, em 2008, soube dela de novo e desta vez consegui o contato. Aliás, antes de qualquer coisa, conversa vai, conversa vem e ela fez um desabafo sobre a afilhada dela, uma certa dançarina muito famosa, que deixou de falar com ela depois que virou celebridade e neo evangélica. Puro suco de Bahia: você vai pra saber da sua vida e sai sabendo mais do que intencionava sobre a de quelé. 

Fui lá e entre outras coisas perguntei da profissão. Ela olhou assim assim, com cara de quem tá vendo algo meia boca - uma das marcas dela era a grande expressividade -, fez "hummm...", e me disse que o Jornalismo era só pra comprar os meus alfinetes mesmo, mas que não ia me dar futuro. Deu match com a minha "bola de cristal" interna. 

Naquela época, eu já flertava com a Psicologia. Na verdade, desde quando eu peguei Impresso e fui cobrir um congresso de Psicologia. Perguntei a ela. "Hummmm..." e a cara de coisa meia boca de novo. "Isso vai servir pra você se entender, mas não é seu caminho, não". Pausa e uma esticada de olho pra conferir se é isso mesmo. "Eu lhe vejo de toga!" (ouça com aquela exclamação ao estilo "Eureca!", que foi o tom que ela usou). 

"É o quê?!"

Eu achei absurdo. Até poderia ter feito Direito, minha nota dava pra ingressar no segundo semestre, mas eu achava tão chato. Fui lá mais algumas vezes depois disso e ela repetia a previsão. 

Um ano depois, eu comecei a trabalhar num curso para concurso, e fiz um curso de noite com várias disciplinas de Direito. Pensei que talvez ela tivesse confundido. 

Em 2015, eu já estava enchendo o saco de trabalhar em jornal e queria outra coisa. Fiz o Enem pensando em Psicologia, mas não obtive índice. Mas sem entender até hoje, no meio do ano a nota serviu pra Uneb, pro curso de Direito. Fui e gostei, mas era muito longe. Decidi que só continuaria se passasse na UFba, que fica no pé de casa. Sem estudar, passei. E tô aí, com as coisas fluindo. Até umas disciplinas que eu achava que não ia conseguir aproveitar, aproveitei. E ela acertou: a Psicologia serviu mesmo pra eu me entender, mas não quero seguir não. Só não sei se vou usar toga, mas se for da vontade de Deus eu ganhar o que esse povo ganha, Senhor, sua serva está pronta! hahaha

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

O calor estragou meus planos de vida

Eu não sei como as pessoas conseguem articular metas e ambições com o calor ininterrupto que faz em Salvador. Eu vou ali e volto morta e derretida. O mundo acima de 24 graus é difícil pra caramba. Por isso que gente rica só vem aqui nas férias.

Não que eu ache a essa altura importante ter metas e ambições. Tenho elas infinitamente em menor quantidade que há 20 anos. Mas também naquela época eu queria muita coisa porque achava que deveria querê-las; hoje tô ligada que não sei o que quero, à exceção de umas três ou quatro coisas triviais. 

Mas eu vim aqui pra reclamar e não pra divagar.  

O corpo importa, minha gente. A alma não empreende carreira solo de jeito nenhum. E no desconforto térmico fica difícil. O que a Bahia tem contra as quatro estações? Eu adoro a animação do verão na mesma proporção que eu odeio o calor. 


domingo, 7 de janeiro de 2024

We gave to "trauma" a bad name

Hoje estava comentando sobre os traumas de uma amiga. Acho que se ela me ouvisse, se sentiria ofendida. Não por minha culpa, mas porque a tal palavra pegou uma conotação negativa, como se alguém traumatizado fosse maluco, fraco ou problemático. Alguém traumatizado apenas está em dor, o que na verdade não é "apenas", mas não é defeito de fábrica da pessoa. Acontece a todos.  

Tudo tem seu preço mesmo

Manter relacionamentos próximos e de longo prazo exige muita paciência e perdão. Inclusive consigo mesmo. Tem que gostar muito do outro pra valer se empenhar. Tem que haver um ótimo motivo/ mandiga pra nos fazer ainda querer. Definitivamente, nada vem de graça mesmo nessa vida. 

Devido ao alto preço e ao pouco que as pessoas estão dispostas hoje a dar, a esmagadora maioria delas pelo menos, cada vez mais vejo que eu era iludida e que na verdade não perco nada estando quieta no meu cantinho. Se relacionar com o outro é bom, mas custa. Tem que valer a pena. 

sábado, 6 de janeiro de 2024

Terceiromundização do primeiro mundo (ou "todo mundo vai descer")

Esqueci de dizer sobre as Olimpíadas de Paris que minha amiga que mora lá me contou que estão tirando os estudantes estrangeiros dos alojamentos para dar lugar às delegações, em troca de míseros cem euros. Pire aí!.. Naquela cidade caríssima?!...

Outro problema do evento é que a vila olímpica foi construída numa cidade pobre e a população está com medo de que haja gentrificação. E essa é uma praga mundial, né? A seguir cenas dos próximos capítulos...

Moradia tem sido um problema geral. Criamos um sistema econômico que beneficia meia dúzia de pessoas e o resto trabalha pra pôr algo no estômago e ter um canto pra se encostar. Ultimamente, esse canto está ficando cada vez mais precário e indigno. Temos chat GPT, mas uma humanidade voltando às condições do século 19. Um oferecimento dos mais ricos que adoram investir (e lavar) dinheiro em imóveis, aumentando o valor do metro quadrado e tornando indisponíveis, ou melhor, inacessíveis as unidades pra quem realmente precisa morar naquele lugar. 

Estava comentando com uma amiga, outro dia, como a humanidade se engana ao achar que o progresso é uma coisa linear. Achávamos que estaríamos melhores que nossos pais, e isso não ocorreu. Achávamos que o chamado terceiro mundo ia progredir até o primeiro, mas o que vemos é o tal primeiro mundo descendo às condições do terceirão. A diferença é que, como já foram muito ricos (ainda são, mas falo da prosperidade da população), eles ainda tem gordura pra gastar e nós não. 

Não sei se já falei aqui, mas eu adorei um livro que eu não dava nada, de uma jornalista americana Anne Helen Petersen, chamado "Não aguento mais não aguentar mais". Ela fala da geração millenium e como nós nos afundamos no burn out, mas como pano de fundo de tudo isso está a crise neoliberal. É angustiante, porque você lê algo que se passa na meca do capitalismo e parece que ela está falando de Brasil. A sensação é que não tem pra onde fugir, não existe nem mais essa tal terra da esperança. 

Olha, se nada for feito, todo mundo vai descer. 

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

A Paris que eu encontrei desta vez

 




Outro dia estava vendo uma matéria na tv sobre as Olimpíadas de Paris, das novidades e dificuldades, entre elas a do transporte público. Uma amiga minha que mora lá tinha se queixado disso horas antes, e tinha comentado que a cidade não está preparada pra receber os jogos. Deixa eu falar sobre isso antes que me esqueça. Sim, visitando outros posts do blog, percebi que já esqueci de muita coisa e gostei de lembrar delas através daqui. Bem, em maio de 2023 voltei a Paris após exatos dez anos. Esta experiência foi diferente não só porque muita coisa mudou, mas porque desta vez fiquei hospedada "en banlieue", ou seja, nos subúrbios da região metropolitana. Fui para Gretz-Armainvilliers, que é quase fim de linha do RER E, um dos dois piores trens que serve aquela região. Sim, não chega metrô lá. Você entra e sai de Paris de trem, que pára em algumas das grandes estações, do tamanho de shoppings centers. A coisa fica muito mais complexa neste sistema. Eu, que sabia andar tão bem de metrô, me senti burra andando de RER. Sério, eu entrei em crise. Fora que o bicho vivia de manutenção e parado por causa dos tais reparos para as Olimpíadas. Eu passei dois finais de semana fazendo malabarismo pra poder sair por causa disso. Minha amiga que me hospedou, um belo dia acordou pra trabalhar, no escuro e no frio, pra dar com a cara na porta porque o trem mais uma vez não estava funcionando e ninguém avisou, só souberam na hora. E é essa a vida de quem mora no subúrbio, que virou um depósito de imigrantes, a maioria de ex-colônias francesas. É mais barato (está impossível pagar aluguéis em Paris. Há mais de dez anos, quando fui pela primeira vez, quase todos os imigrantes que conheci moravam em Paris), é mais tranquilo, dá até pra morar em casa, mas você se lasca sem carro porque o transporte é ruim. A depender da região, é quase como morar na roça. Na boa, eu estaria melhor em Salvador, onde é mais barato chamar um uber (é uma fortuna de lá até Paris). Olha essa estação aí da foto, sem cobertura quase, sem proteção. Isso aí no inverno europeu, às 4h da matina, deve ser uma "maravilha". 
A imigração cresceu demais, demais na última década. Parece que a população cresceu umas cinco vezes. Nas plataformas de trem, você vê um mar de rostos estrangeiros, principalmente negros, árabes e orientais. Não por acaso tudo é difícil nessa zona fora de Paris. Pra quê gastar com o bem-estar de gente que limpa o seu banheiro? O turista não vai lá. Uma das promessas dos jogos era levar o metrô até o subúrbio e melhorar a mobilidade (sub)urbana, mas parece que não vai rolar. Uma pena, até porque essa turma foi muito prejudicada em nome disso. Acho que ao todo, de dias parados em um mês, eu peguei uns sete ou oito. Só em um mês! Eles colocavam uns mini bus gratuitos que davam a volta no mundo, quase um sequestro autorizado e isso ainda na chuva, porque atipicamente choveu pra caramba neste final de primavera em Paris - nunca vi isso. O transporte público da Cidade Luz mesmo agora vive lotado quando antes o perrengue era só nas horas de pico. Além disso, a cidade é ruim demais pra quem é PCD, é pura escada. O turista vai passar muita raiva nas Olimpíadas, pelo visto. E você acha que a França está preocupada com isso? Jamais!
E tem uma coisa que vem ocorrendo com o fluxo de imigrantes e que é muito mais grave porque envolve coisas além daquele espaço urbano: a violência, principalmente a sexual. Eu fiquei besta com os relatos de assédio que as brasileiras me contaram: perseguições em lugares abertos, tentativa de estupro, estupro de fato. Eu mesma desconfio que fui seguida por um árabe na estação no dia em que fui pro Senegal. Obviamente que há assediadores de todas as nacionalidades, incluindo a francesa e a brasileira, mas parece que o maior número de casos envolve os homens arábes. E isso leva a outra fobia europeia, a do islã. O islã tem problemas, mas na verdade essas religiões abraâmicas são uó de um modo geral, não é privativo dos muculmanos isso. Fora o combustível que isso dá pra xenofobia, que nunca foi pequena. Por outro lado, há algo de estranho na atmosfera da França, talvez da Europa toda, que eu já detectava das outras vezes mas agora ficou mais forte: o imigrante é até supostamente aceito, recebido, mas não acolhido, integrado. É chocante ver que até parte das crianças não se sentem pertencentes. A França usa essas pessoas, mas as repele. É estranho porque é velado. Eu sei da confusão que é ter tanta gente vinda de lugares tão distantes e até desconhecidos (e infelizmente o preconceito é uma ferramenta pra que as pessoas tenham uma suposta previsibilidade e proteção nesta Torre de Babel), mas eu adoraria esse caldeirão cultural no Brasil. Até tive um pouco disso quando morei no Farol de Itapuã, com meus vizinhos argentinos, italianos e espanhóis, e depois nunca mais. Adoro!
Bem, a seguir cenas dos próximos capítulos... Oremos pela humanidade. : /

Por falar em espiritualidade, mal paguei as prestações dessas férias e a entidade me mandou pra Machu Picchu. Eu vou mas preciso de um dinheiro caído do céu pra isso, ne? Ou será que ela me "mandou pro Peru" veladamente, e isso foi um código? Mistééério...

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

Lilian, a "padroeira" deste blog e das sessões de terapia

 Eu sou rebelde porque o mundo quis assim

Porque nunca me trataram com amor
E as pessoas se fecharam para mim
Eu sou rebelde porque sempre sem razão
Me negaram tudo aquilo que sonhei
E me deram tão somente incompreensão

[Refrão]
Eu queria ser como uma criança
Cheia de esperança e feliz
E queria dar tudo que há em mim
Tudo em troca de uma amizade
E sonhar e sorrir
E esquecer o rancor
E cantar e sorrir
E sentir só amor

[Verso]
Eu sou rebelde porque o mundo quis assim
Porque nunca me trataram com amor
E as pessoas se fecharam para mim
Eu sou rebelde porque sempre sem razão
Me negaram tudo aquilo que sonhei
E me deram tão somente incompreensão

Ô música pra ter versões...

E Deus conserve minha capacidade de rir de mim mesma sempre. 😎

O copo meio vazio

O ser humano consegue ser estreito a despeito de todos os recursos que têm.

Eu hoje dei um exemplo disso, que é um exemplo tão corriqueiro que é possível vivê-lo todos os dias. Várias vezes ao dia. 

Um exemplo bobo, mas veja bem... Um produto ficou 25% mais barato do que quando eu o comprei na Black Friday. Fiquei puta e me senti perdendo dinheiro. Logo, fui pensando em quanto dinheiro poderia ter economizado este mês, mas por situações como essa, perdi. E uns minutos depois afastei esse pensamento porque eu não só perdi, eu também ganhei dinheiro inesperado. Mais até do que perdi. Mas por que a gente só foca no ruim, no copo meio vazio? Eu sei que isso tem a ver com processos evolutivos, mas tá na hora de atualizar ou mesmo trocar esse programa. Já! 

sábado, 30 de dezembro de 2023

"O que é que eu vou fazer com essa tal liberdade?"

 Quem canta essa música de Alexandre Pires, nos dias de hoje, está de falsidade. Só digo isso. 

Porque o que a gente não sabe mesmo é estar acompanhado. A liberdade tá fácil. Todo mundo morando sozinho, anos e anos sem compromisso, ganhando o próprio dinheiro... E é muito confortável fazer o que der na telha sem precisar consultar ninguém. Difícil, depois disso, é negociar as concessões necessárias para estar juntos. 

terça-feira, 26 de dezembro de 2023

Eu não acredito em Ivete Sangalo


Se eu disser o que eu vou escrever aqui, o povo me mata. Ivete já se tornou uma ideia, e do tipo incontestável. Não sei se ela já sacou isso e se sacou, se isso a afeta, mas ela já deixou de ser ela pra virar uma projeção nacional da pessoa gente boa, a imagem do brasileiro suingue sangue bom. 

Ninguém vai ler isso, mas caso leia, que fique claro: esse texto não é depreciativo. Eu gosto dela no geral, mas algumas coisas não descem redondas, não. Eu tenho uma casa 8 muito lotada pra não desconfiar do que tem debaixo das aparências... 

Acho Ivete uma pessoa sensata, como pouco se vê no meio artístico. E simples. Mas não acredito nessa alegria desmedida. Por um lado, ela teve muita sorte na vida e sabe reconhecer e aproveitar isso, o que é um sinal de sabedoria. Mas não acredito nessa coisa que ela diz que não deixa a tristeza chegar perto. Acho isso impossível. Acredito mais numa vida em que a alegria nunca chega perto do que no contrário. Não tenho certeza se isso, de Ivete, é sabedoria ou se é fuga, já que todo mundo, inclusive ela, quer essa Ivete animadona, super positiva full time. O reforço externo que ela ganha pra ser essa daí há 30 anos, pelo visto, bateu internamente e ela fica nessa de ser a animadona, a super resolvida. 

E uma parte de mim sempre pensa: ok, está tudo correndo bem na vida da pessoa, é até relativamente fácil manter o equilíbrio, o personagem de bem resolvida quando é assim. Mas como vai ser quando essa pessoa fracassar, quando as coisas saírem fora do planejado? Na prática, a teoria é outra. Tem cantos escuros do mundo e da nossa alma que só no movimento de ladeira a baixo pra gente descobrir se consegue lidar e o quanto eles conseguem influir em quem somos e na nossa vida. Sabe aquele slongan do Real World, reality da MTV? "Esta é a história real de sete estranhos escolhidos para viverem juntos numa casa e ver o que acontece quando as pessoas começam a perder a gentileza e a serem de verdade". 

Um segredinho astrológico: toda pessoa com a lua em signo de fogo não sabe sofrer (é o caso dela e também o meu, e nós duas temos a lua em sagitário, o que é pior ainda, porque é pura negação da tristeza). A pessoa quer sair por cima, mostrar "que não doeu". Ivete tem plutão em libra cravado no ascendente em virgem. Plutão no ascendente tem dois vieses: um, negativo, é aquela pessoa que joga o pior dela logo de cara, porque daí só fica quem aguenta; outro, que tem um uso mais positivo, é aquela pessoa que tem um autocontrole  espantoso. Ivete é o segundo caso e com os signos envolvidos, ela vai querer mostrar perfeição, bom senso e diplomacia. Ela se exibe muito, mas não se mostra demais - repare nisso.

Outra coisa dela que não me desce (e é tipicamente geminiana) e que eu acho que é instintiva, que ela não faz por mal, é que Ivete é amiga de todo mundo. Ou seja, não é amiga de ninguém. E isso você vê na prática. Chama todo mundo de "zamuri", mas raramente aparece fazendo um social com as amigas. Sempre vejo Ivete com a família. É uma energia gasta em ser popular e aceita por todos, mas não no aprofundando de vínculos. O famoso "só sobe na vida quem nunca se ofende", como dizia o personagem de Nelson Rodrigues.

Todos nós somos instigados a ter uma persona pública, a performar, e no caso das mulheres, a mostrar muita feminilidade, o que quer dizer doçura, submissão, fragilidade, etc. Mas eu não como esse reggae porque sou ser humano e sei como a cozinha da alma funciona, ora. 

No caso dos famosos, essa interpelação é maior ainda. Afinal, a vizinhança se amplia, você está sendo observado por quem você não vê. É uma ansiedade que eu não conseguiria imaginar. 

Eu acho, por exemplo, que Britney Spears e Michael Jackson são pessoas muito doces, carentes e tal (no caso dele, que já faleceu, era). É assim que o público percebe esses dois pop stars. Mas até pelo nível de sucesso e que vem desde criança, dá pra perceber que há traços de autoritarismo, que gostam que os outros façam o que eles querem e se enfurecem quando contrariados. Britney mesmo deixa vários vestígios desse comportamento, mas ninguém presta atenção nisso, pois ela está sempre performando feminilidade, doçura, fala fino, é pequena, tem ar de carente, etc.  

A pessoa performa até pra se proteger, é claro, mas não sou obrigada a acreditar.


sábado, 23 de dezembro de 2023

Out of Africa







Juju no Senegal!... Nunca pensei em pisar na África, não nesta parte da África, a parte colonizada pela França. A careta na foto é pelo calor úmido e pelo vento do Saara. Perrengue chique de turista!... hehe

Eu posso resumir minha experiência a um choque térmico e o mais bizarro é que meu estranhamento tinha a cara da minha casa.

Explico: é um mundo totalmente diferente. É como se você estivesse no Brasil dos anos 70. Só que nem tudo é pobreza. A África tem duas coisas, fruto da resistência deles, que a gente perdeu: senso de comunidade e simplicidade. Não é mera fatalidade, é também escolha. Eles não querem ir ao shopping, eles querem fazer a roupa com o alfaiate da feira, que, aliás, frequenta a mesma mesquita.

É outro mundo, minha gente. Você de repente se surpreende, numa sexta-feira de tarde, com todo mundo segurando um tapetinho de oração e indo rumo à mesquita, como se fosse a galera descendo pra Barra na sexta de Carnaval. Tudo pára. Por outro lado, você se depara com uma feira ou mesmo um pedaço de praia que te faz sentir em Salvador. Eu fico pensando como deve ter sido confuso pros escravizados quando chegaram ao Nordeste. É o outro lado do Atlântico, mas são irmãos mesmo, há semelhanças que chegam a ser bizarras. 

Ah, sim, as crianças são lindas. 

Mas tem o lado B também, e isso é inegável. 

A África me pareceu a América Latina, mas com os problemas mais acentuados. Logo que cheguei no aeroporto, uma faixa enorme contra a corrupção. O funcionário da alfândega me soou àquele tipo de gente que gosta de abusar do pequeno poder que tem. Na ida pra casa, uma blitz nos parou e o policial cobrou propina. A desigualdade, então, é muito mais gritante que aqui - daí você já imagina o drama social. 

É aquela coisa: o estereótipo pega não só porque é interessante pra quem o difunde (e está no poder), mas porque quase sempre tem um fundo de verdade. A questão é que se toma uma parte pelo todo. A África tem muito mais que problemas sociais e políticos, inclusive tem coisas interessantíssimas a nos ensinar. 
 

sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

Mas, gente...

Anália joga cartas e na seleção desta vez, escolhi a carta 3. Esse mundo é cheio de bruxarias, definitivamente. Espero que em 2024 eu finalmente consiga renascer e recuperar a minha qualidade de vida. 🔥🙏🏼



Sobre nomes

Fazendo minha pesquisa genealógica, que há muito não avança pra lugar algum, aprendi coisas interessantes sobre a história das minhas famílias, sobre até a história do Brasil. Uma das coisas que mais me emocionou, de verdade, foi descobrir as mulheres da minha família materna. Os sobrenomes "Rosa", "De Jesus", "Cortes" que eu nem sabia que me pertenciam. Por uma questão de tradição, no meu ramo materno, os homens passavam seus sobrenomes pros filhos, sem incluir os das esposas. Somos Lopes de Menezes (em certa época, "de Meneses") há algumas gerações. Minha mãe que cortou isso radicalmente e além de não ter aderido ao Lopes de Menezes, ainda cortou o último sobrenome. Somos os únicos a usar Lopes na família de lá. Aliás, abrindo parênteses aqui, que bagunça o meu lado paterno, um contraste absoluto com o materno: ninguém passou essa zorra de sobrenome corretamente. Todos os meus primos por parte de pai são Oliveira, uma só ficou com o Turíbio (que no original era "Toribio"), novamente só a gente usa Brito, mas o nosso sobrenome correto seria Aguiar, que vem lá do patriarca, José Turíbio de Aguiar. 

Sobrenome não é qualquer coisa, assim como não são os nomes. Nunca havia me atentado ao "Brito", que coube a gente, ovelhas desgarradas que saímos do Centro-Oeste pro Nordeste, indo até pra Europa. Nunca até ontem. Lopes vem de "lobo". Brito é de "britar". Uma britada se dá em algo sólido (pedra) pra que se fragmente, vire pedaços. Eu vim aqui pra britar. Ou será que estou sendo britada? A seguir cenas dos próximos capítulos...

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

Meia boca

 Eu já gostei mais de gente. Não sei se digo isso com pesar ou indiferença. Não sei. 

Inclusive minha vontade de fazer Psicologia, de ser terapeuta, vinha muito disso. Eu me interessava pelas pessoas, gostava de ouvir mesmo quando ninguém mais tinha paciência. Gostava de ajudar, de aconselhar. Não quero mais. É, se a minha primeira vida é uma morta viva, a minha segunda vida nasceu natimorta. Acho todos os meus (poucos) pacientes chatos. As neuroses são nada interessantes (risos). Descobri que eu gostava de mim nas minhas próprias sessões, conversando com um terapeuta sagaz (sim, é como uma dança, não adianta só um lado botar pra quebrar). Modéstia à parte, eu sei desenvolver a conversa. Descobri que um bocado de gente é péssima nisso, mesmo quando o assunto é a própria vida. Eu me interesso por quem sabe conversar. Ponto. Aliás, eu tenho mil coisas pra falar mal do povo da Comunicação, mas, neste quesito do papo, é um meio que te acostuma mal, pois geralmente as pessoas sabem conversar (o nível anda caindo, mas ainda é superior à média da sociedade). A única coisa que salva é conhecer as histórias de vida, isso é sempre interessante de fato. 

Eu antes não era assim.

Acho que foi a pandemia. Explico: a gente foi mais pra dentro, não necessariamente num sentido mais profundo, mas a gente teve que se dar mais relevo, já que os outros estavam longe. Fizemos isso através das redes sociais, o que tornou esse show do eu mais agudo. 

E eu acho que também tomei uns vááários baculejos sucessivos da vida, que me fizeram ficar mais amiga de mim mesma e menos disponível pros outros. Mais interessada em resolver as minhas coisas, até porque hoje tenho mais passado que futuro. Até porque não tem ninguém me dando contrapartida, interessado assim em mim. E eu tenho feito muita coisa e tô andando muito ocupada com isso, porque preciso agilizar certas áreas da vida, e então não tem sobrado muito tempo e o que tem, eu quero gastar com qualidade. Preciso inclusive desacelerar, descansar... 

Influi nisso meu desgaste com Salvador (na verdade, com o Brasil). Definitivamente esse não é meu lugar no mundo, embora eu tenha afeição pela cidade. Mas aqui nada frutifica pra mim (há lugares, pessoas e situações que definitivamente não são pra gente). Eu não curto os tipos da cidade, acho todo mundo meio personagem, até gente boa, mas quase todo mundo faz tipo, uma coisa meio falsa, todo mundo fingindo que está sendo super espontâneo mas jogando na retranca, uns tipos meio batidos, até porque o povo não é nada criativo (eu poderia separá-los em gavetas de acordo com o tema do personagem). Eu não consigo me desenvolver nessas bases. Eu gosto de intimidade e aqui é o antilugar pra essas coisas. Salvador e seus códigos dúbios me fizeram uma sujeita desconfiada das pessoas. Eu não era assim. Cheguei aqui criança, levando bolo de aniversario pra vizinha que mal conhecia, mas hoje não quero mais conhecer ninguém nessa cidade. Não tem novidade, é como se eu sempre estivesse lidando com o mesmo tipo de pessoa que eu já conheço à exaustão e não tenho muita admiração, não. 

E o mais triste pra mim é que eu sou meio Tom Cruise. Se animada, eu sou do time de quem sobe no sofá de Oprah. E eu sou reativa, esse lado só aparece se acionado por outra pessoa com quem consigo desenvolver uma ligação, assim como também acontece com o meu pior lado. Mas a realidade foi e tem sido tão meia boca, que eu me sinto uma bola murcha quase todo o tempo. Tô vendo umas paradas aí pra ver se melhora a coisa, mesmo que parcialmente, mas não depende só de mim. Gostaria muito de encontrar quem jogue comigo antes de sair desse jogo da vida. Qualquer um, pode ser até um cachorro. All I want is a little reaction... 

quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

Raiva loves u

Hoje eu li, num desses memes de internet, que a raiva é a parte de você que se indigna quando você está sendo injustiçado, que te ama.

Faz sentido se a raiva é justificada. Digo isso porque vejo muita gente, geralmente privilegiada, com raivas indevidas. 

É quando você aguentou mais do que devia e os demais não querem reconhecer isso que é legítimo ela entrar. É o seu amor próprio e senso de justiça quebrando tudo.  

sábado, 9 de dezembro de 2023

Acreditando

 Hoje acordei de um sonho com esse trecho de música: "Acredite no final feliz". Em minha defesa, digo que nem de Jorge Vercilo eu gosto. Vou levar como premonição. Pode ser golpe do meu inconsciente, mas vou me apegar à melhor versão.

sexta-feira, 24 de novembro de 2023

No seu lugar

Outro dia fui me despedir da minha ex turma de Teoria Junguiana indo ao ultimo dia de aula deles. Uma das colegas, comentando sobre a dedicação de uma outra colega que trabalha no CAPS, disse que era "lindo ver alguém encontrando seu lugar no mundo". É lindo mesmo e em alguns casos, misterioso. 

É impressionante como os caminhos se abrem quando ele é o seu. A força que as coisas têm quando precisam acontecer. Não basta você escolher; precisa ser escolhido. E não precisa ter talento. Algumas pessoas são escolhidas, quer tenham isso ou não, mas melhor ainda se vier esse plus, pra embelezar o cenário. 

domingo, 12 de novembro de 2023

Feridas e perseverança

 


Eu adoro documentários e adoro biografias. Nessa semana que passou, assisti três na Netflix, dois muito parecidos, já que foram sobre contemporâneos de Hollywood: Sylvester Stalone e Arnold Schwarzenneger. Os dois tiveram um início de vida sofrido, Sly muito mais que Schw Schw. O doc de Stallone é melancólico. Ele veio de um lar muito fodido, a busca dele pela fama foi na base do desespero (me identifiquei! hehe), foi marcado por mais altos e baixos, inclusive muitos dos sentimentos dele só tiveram vazão nas telas. Seus personagens falavam o que ele não tinha coragem de dizer às pessoas. O que me chamou atenção é que o doc cheira a testosterona. O pai importa, a mãe sequer é citada por ele. As mulheres e filhas não são mencionadas, mas o filho que morreu sim. O homem é um suco da masculinidade clássica. Não à toa, sente o fim como algo melancólico. Envelhecer é sobre perder o poder do macho alfa e se tornar o velho leão da montanha. Pra quem veio de um início de vida de extrema desvalorização, deve doer um pouco mais.  

Schw Schw é uma figura. Um cara de pau carismático, muito focado (embora ele se ache americano, foi a mente germânica que fez ele ser quem se tornou). Teve três vidas: a de atleta, a de ator e a de político. Se lançava nas coisas mais improváveis, mas com muita energia e carisma, e se dava bem. Sente o peso da idade, a perda do poder de quem já foi macho alfa, mas continua otimista. 

Os dois são mais inteligentes do que se pode presumir. Eu não me surpreendi. Por mais que a pessoa não viva do intelecto, não se chega e se sustenta num nível de poder desse sem ter algo na cabeça, sem ser inteligente. Mas admirei muito a motivação, a energia de fazer acontecer. Queria metade disso, e estaria feita. Se bem que ambiciono muito, muito, muito menos que eles na vida... Pra começar, não quero fama. 

Corta pra Feira da Fraternidade. O namorado de uma colega, professor de colégio público, conta que três ou quatro alunos de cada turma se animam a fazer o Enem. Fiquei incrédula. Óbvio que vim de uma condição social melhor do que a desses alunos, mas também frequentei escola pública, nunca tive quem me estimulasse nos estudos e só recebi o dinheiro da inscrição da UFBA (o da Uneb, depois de muita pressão da minha irmã, minha mãe me deu por conta dela), mas eu sempre tive a ambição de um futuro melhor. Estou lascada e quase velha, ainda não cheguei aonde queria, mas não deixo de tentar. E continuo sem torcida a favor, só na base da resiliência mesmo, e às vezes acho até que é loucura. Se tivesse mais energia, faria mais, não tenha dúvida. Uma das coisas das quais me ressinto é não ter a energia física e mental que eu gostaria. O carro até que é bom, mas faltou combustível... Enfim, aceitar é também uma das tarefas da vida. 

Então, mesmo entendendo em parte o desânimo dessa turma, eu nunca compreendi muito bem quem desiste da vida aos 10, 15, 20 anos. Porque por mais que você não tenha as condições favoráveis, você tem tempo pra trabalhar nelas, você pode ao menos melhorar um pouco a sua situação, você no mínimo vai se desenvolver. 

Mas aí é que tá. Corta de novo pra mesma Feira da Fraternidade, só que em outra conversa. Minha amiga disse que preferia que o sobrinho fosse extrovertido. Eu respondi que discordava. Os extrovertidos ganham muitas coisas, ainda mais num país que valoriza isso numa autoimagem, como vimos, enganosa de si como um povo alto-astral. Mas os extrovertidos perdem muito também. A começar que são dependentes num alto grau do feedback dos outros, da companhia alheia. São mais carentes e com menos recursos internos, na minha opinião. Isso ficou muito desenhado na pandemia, quando os introvertidos lidaram bem melhor com a situação, se arriscaram menos, ficaram menos intranquilos, etc. Lógico que há extrovertidos com profundidade, mas todo extrovertido que conheço passa por uma série de situações desagradáveis que os introvertidos não passam porque precisam bem menos dos outros pra se sentirem bem, pra se autorregularem. Acho que ela ficou chocada porque nunca havia pensando por esse lado. Lembrando aqui que introversão e timidez são coisas diferentes. Mas numa cultura extrovertida, que cada vez mais, por causa da internet, valoriza a extroversão, somos exacerbadamente estimulados a nos pensar dependendo da opinião dos outros sobre nós, como o produto a ser aceito pelo público consumidor - e cada vez mais exigente. Viver em sociedade é fazer propaganda de si, não tem jeito, mas estamos deixando 98% pra esse mercado e 2% pro espírito. E precisa ter espírito pra aspirar mais, pra se desenvolver, pra se aguentar, pra aprender a cair em cima de si mesmo, pra se aceitar. Pra transformar o limão em algo mais gostosinho. Note que nesses dois docs que eu citei, os personagens deles são pessoas que não só chegaram lá, como se mantiveram, se reinventaram em outras posições e continuam a se reinventar. Se fosse só sobre dinheiro e fama, não teriam chegado tão longe.   

quarta-feira, 25 de outubro de 2023

Aquela dos 40

Sandy disse em uma entrevista a Bial que ao longo dos anos experimentou outros tipos de felicidade, mas que por outro lado se tornou mais calejada. Tinha um sorriso melancólico, quase triste, ao dizer isso, e eu entendo. Experiência é coisa boa, ensina, é preventiva, mas geralmente leva muita coisa linda da gente também. Isso ninguém conta.

No meu caso, gosto menos de gente hoje do que aos 15 e aos 20. É como quando eu andava entre uma piscina e outra de água quentíssima em Caldas Novas: eu passava por ali, mas com cautela pra não cair e me queimar. Pra quem gosta de se expandir, é terrível ter que pisar em ovos. Tá no meu top 3 coisas que mais odeio na vida. 

sábado, 14 de outubro de 2023

O futuro pertence a quem?

Quando eu tinha cinco pra seis anos, num dia de verão na casa da família de consideração de minha mãe, no bairro de Itacaranha, eu ouvi dizer que a filha de tia Nicinha estava pra morrer de câncer, que eu acho que foi de ovário. Ela tinha 40 e poucos anos, mais ou menos a idade da minha mãe. Eu nem tinha idade pra entender a profundidade da coisa, mas tenho a nítida lembrança de ter me arrepiado toda ouvindo aquilo, como se aquele fosse ser o meu destino também. 

Meu mapa astral fala em morte súbita, rápida, por coração, circulação ou pulmão (ou intestino, se considerarmos mercúrio em virgem) e que eu vou morrer em casa. Prefiro essa versão da minha morte.

Mas eu tô achando que eu me preparei, inconscientemente, pra viver só 40 e poucos anos. Na verdade, nunca achei que fosse chegar tão longe. E desde que fiz essa idade, tô preenchendo meu tempo como nunca porque simplesmente estou sem ideia do que fazer. Na verdade, há um tempão que eu estou, mas antes sentia que tinha tempo e agora não. Sem qualquer ideia de futuro e temendo o futuro ao mesmo tempo, por vários motivos que não cabe aqui dizer.

Há uns dois meses, recebi um e-mail de Fernanda Miranda via sonho. No assunto só Dia D, no corpo o nome de uma música de Marisa Monte que eu não consegui ver. 

Não sei quanto tempo viverei, mas não sinto que tenho futuro. Preciso mais uma vez me reinventar, mas os anos já pesam e tenho preguiça. 

A seguir cenas dos próximos capítulos...