Acho que não, mas essa história é boa.
Eu sempre tive dúvidas com essa carreira de jornalista, desde a faculdade. Um dia, soube através de amigos de uma mulher que jogava búzios e acertava tudo. Por uma coincidência, uns cinco anos depois, em 2008, soube dela de novo e desta vez consegui o contato. Aliás, antes de qualquer coisa, conversa vai, conversa vem e ela fez um desabafo sobre a afilhada dela, uma certa dançarina muito famosa, que deixou de falar com ela depois que virou celebridade e neo evangélica. Puro suco de Bahia: você vai pra saber da sua vida e sai sabendo mais do que intencionava sobre a de quelé.
Fui lá e entre outras coisas perguntei da profissão. Ela olhou assim assim, com cara de quem tá vendo algo meia boca - uma das marcas dela era a grande expressividade -, fez "hummm...", e me disse que o Jornalismo era só pra comprar os meus alfinetes mesmo, mas que não ia me dar futuro. Deu match com a minha "bola de cristal" interna.
Naquela época, eu já flertava com a Psicologia. Na verdade, desde quando eu peguei Impresso e fui cobrir um congresso de Psicologia. Perguntei a ela. "Hummmm..." e a cara de coisa meia boca de novo. "Isso vai servir pra você se entender, mas não é seu caminho, não". Pausa e uma esticada de olho pra conferir se é isso mesmo. "Eu lhe vejo de toga!" (ouça com aquela exclamação ao estilo "Eureca!", que foi o tom que ela usou).
"É o quê?!"
Eu achei absurdo. Até poderia ter feito Direito, minha nota dava pra ingressar no segundo semestre, mas eu achava tão chato. Fui lá mais algumas vezes depois disso e ela repetia a previsão.
Um ano depois, eu comecei a trabalhar num curso para concurso, e fiz um curso de noite com várias disciplinas de Direito. Pensei que talvez ela tivesse confundido.
Em 2015, eu já estava enchendo o saco de trabalhar em jornal e queria outra coisa. Fiz o Enem pensando em Psicologia, mas não obtive índice. Mas sem entender até hoje, no meio do ano a nota serviu pra Uneb, pro curso de Direito. Fui e gostei, mas era muito longe. Decidi que só continuaria se passasse na UFba, que fica no pé de casa. Sem estudar, passei. E tô aí, com as coisas fluindo. Até umas disciplinas que eu achava que não ia conseguir aproveitar, aproveitei. E ela acertou: a Psicologia serviu mesmo pra eu me entender, mas não quero seguir não. Só não sei se vou usar toga, mas se for da vontade de Deus eu ganhar o que esse povo ganha, Senhor, sua serva está pronta! hahaha






