sábado, 14 de outubro de 2023

O futuro pertence a quem?

Quando eu tinha cinco pra seis anos, num dia de verão na casa da família de consideração de minha mãe, no bairro de Itacaranha, eu ouvi dizer que a filha de tia Nicinha estava pra morrer de câncer, que eu acho que foi de ovário. Ela tinha 40 e poucos anos, mais ou menos a idade da minha mãe. Eu nem tinha idade pra entender a profundidade da coisa, mas tenho a nítida lembrança de ter me arrepiado toda ouvindo aquilo, como se aquele fosse ser o meu destino também. 

Meu mapa astral fala em morte súbita, rápida, por coração, circulação ou pulmão (ou intestino, se considerarmos mercúrio em virgem) e que eu vou morrer em casa. Prefiro essa versão da minha morte.

Mas eu tô achando que eu me preparei, inconscientemente, pra viver só 40 e poucos anos. Na verdade, nunca achei que fosse chegar tão longe. E desde que fiz essa idade, tô preenchendo meu tempo como nunca porque simplesmente estou sem ideia do que fazer. Na verdade, há um tempão que eu estou, mas antes sentia que tinha tempo e agora não. Sem qualquer ideia de futuro e temendo o futuro ao mesmo tempo, por vários motivos que não cabe aqui dizer.

Há uns dois meses, recebi um e-mail de Fernanda Miranda via sonho. No assunto só Dia D, no corpo o nome de uma música de Marisa Monte que eu não consegui ver. 

Não sei quanto tempo viverei, mas não sinto que tenho futuro. Preciso mais uma vez me reinventar, mas os anos já pesam e tenho preguiça. 

A seguir cenas dos próximos capítulos...

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