quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

Lilian, a "padroeira" deste blog e das sessões de terapia

 Eu sou rebelde porque o mundo quis assim

Porque nunca me trataram com amor
E as pessoas se fecharam para mim
Eu sou rebelde porque sempre sem razão
Me negaram tudo aquilo que sonhei
E me deram tão somente incompreensão

[Refrão]
Eu queria ser como uma criança
Cheia de esperança e feliz
E queria dar tudo que há em mim
Tudo em troca de uma amizade
E sonhar e sorrir
E esquecer o rancor
E cantar e sorrir
E sentir só amor

[Verso]
Eu sou rebelde porque o mundo quis assim
Porque nunca me trataram com amor
E as pessoas se fecharam para mim
Eu sou rebelde porque sempre sem razão
Me negaram tudo aquilo que sonhei
E me deram tão somente incompreensão

Ô música pra ter versões...

E Deus conserve minha capacidade de rir de mim mesma sempre. 😎

O copo meio vazio

O ser humano consegue ser estreito a despeito de todos os recursos que têm.

Eu hoje dei um exemplo disso, que é um exemplo tão corriqueiro que é possível vivê-lo todos os dias. Várias vezes ao dia. 

Um exemplo bobo, mas veja bem... Um produto ficou 25% mais barato do que quando eu o comprei na Black Friday. Fiquei puta e me senti perdendo dinheiro. Logo, fui pensando em quanto dinheiro poderia ter economizado este mês, mas por situações como essa, perdi. E uns minutos depois afastei esse pensamento porque eu não só perdi, eu também ganhei dinheiro inesperado. Mais até do que perdi. Mas por que a gente só foca no ruim, no copo meio vazio? Eu sei que isso tem a ver com processos evolutivos, mas tá na hora de atualizar ou mesmo trocar esse programa. Já! 

sábado, 30 de dezembro de 2023

"O que é que eu vou fazer com essa tal liberdade?"

 Quem canta essa música de Alexandre Pires, nos dias de hoje, está de falsidade. Só digo isso. 

Porque o que a gente não sabe mesmo é estar acompanhado. A liberdade tá fácil. Todo mundo morando sozinho, anos e anos sem compromisso, ganhando o próprio dinheiro... E é muito confortável fazer o que der na telha sem precisar consultar ninguém. Difícil, depois disso, é negociar as concessões necessárias para estar juntos. 

terça-feira, 26 de dezembro de 2023

Eu não acredito em Ivete Sangalo


Se eu disser o que eu vou escrever aqui, o povo me mata. Ivete já se tornou uma ideia, e do tipo incontestável. Não sei se ela já sacou isso e se sacou, se isso a afeta, mas ela já deixou de ser ela pra virar uma projeção nacional da pessoa gente boa, a imagem do brasileiro suingue sangue bom. 

Ninguém vai ler isso, mas caso leia, que fique claro: esse texto não é depreciativo. Eu gosto dela no geral, mas algumas coisas não descem redondas, não. Eu tenho uma casa 8 muito lotada pra não desconfiar do que tem debaixo das aparências... 

Acho Ivete uma pessoa sensata, como pouco se vê no meio artístico. E simples. Mas não acredito nessa alegria desmedida. Por um lado, ela teve muita sorte na vida e sabe reconhecer e aproveitar isso, o que é um sinal de sabedoria. Mas não acredito nessa coisa que ela diz que não deixa a tristeza chegar perto. Acho isso impossível. Acredito mais numa vida em que a alegria nunca chega perto do que no contrário. Não tenho certeza se isso, de Ivete, é sabedoria ou se é fuga, já que todo mundo, inclusive ela, quer essa Ivete animadona, super positiva full time. O reforço externo que ela ganha pra ser essa daí há 30 anos, pelo visto, bateu internamente e ela fica nessa de ser a animadona, a super resolvida. 

E uma parte de mim sempre pensa: ok, está tudo correndo bem na vida da pessoa, é até relativamente fácil manter o equilíbrio, o personagem de bem resolvida quando é assim. Mas como vai ser quando essa pessoa fracassar, quando as coisas saírem fora do planejado? Na prática, a teoria é outra. Tem cantos escuros do mundo e da nossa alma que só no movimento de ladeira a baixo pra gente descobrir se consegue lidar e o quanto eles conseguem influir em quem somos e na nossa vida. Sabe aquele slongan do Real World, reality da MTV? "Esta é a história real de sete estranhos escolhidos para viverem juntos numa casa e ver o que acontece quando as pessoas começam a perder a gentileza e a serem de verdade". 

Um segredinho astrológico: toda pessoa com a lua em signo de fogo não sabe sofrer (é o caso dela e também o meu, e nós duas temos a lua em sagitário, o que é pior ainda, porque é pura negação da tristeza). A pessoa quer sair por cima, mostrar "que não doeu". Ivete tem plutão em libra cravado no ascendente em virgem. Plutão no ascendente tem dois vieses: um, negativo, é aquela pessoa que joga o pior dela logo de cara, porque daí só fica quem aguenta; outro, que tem um uso mais positivo, é aquela pessoa que tem um autocontrole  espantoso. Ivete é o segundo caso e com os signos envolvidos, ela vai querer mostrar perfeição, bom senso e diplomacia. Ela se exibe muito, mas não se mostra demais - repare nisso.

Outra coisa dela que não me desce (e é tipicamente geminiana) e que eu acho que é instintiva, que ela não faz por mal, é que Ivete é amiga de todo mundo. Ou seja, não é amiga de ninguém. E isso você vê na prática. Chama todo mundo de "zamuri", mas raramente aparece fazendo um social com as amigas. Sempre vejo Ivete com a família. É uma energia gasta em ser popular e aceita por todos, mas não no aprofundando de vínculos. O famoso "só sobe na vida quem nunca se ofende", como dizia o personagem de Nelson Rodrigues.

Todos nós somos instigados a ter uma persona pública, a performar, e no caso das mulheres, a mostrar muita feminilidade, o que quer dizer doçura, submissão, fragilidade, etc. Mas eu não como esse reggae porque sou ser humano e sei como a cozinha da alma funciona, ora. 

No caso dos famosos, essa interpelação é maior ainda. Afinal, a vizinhança se amplia, você está sendo observado por quem você não vê. É uma ansiedade que eu não conseguiria imaginar. 

Eu acho, por exemplo, que Britney Spears e Michael Jackson são pessoas muito doces, carentes e tal (no caso dele, que já faleceu, era). É assim que o público percebe esses dois pop stars. Mas até pelo nível de sucesso e que vem desde criança, dá pra perceber que há traços de autoritarismo, que gostam que os outros façam o que eles querem e se enfurecem quando contrariados. Britney mesmo deixa vários vestígios desse comportamento, mas ninguém presta atenção nisso, pois ela está sempre performando feminilidade, doçura, fala fino, é pequena, tem ar de carente, etc.  

A pessoa performa até pra se proteger, é claro, mas não sou obrigada a acreditar.


sábado, 23 de dezembro de 2023

Out of Africa







Juju no Senegal!... Nunca pensei em pisar na África, não nesta parte da África, a parte colonizada pela França. A careta na foto é pelo calor úmido e pelo vento do Saara. Perrengue chique de turista!... hehe

Eu posso resumir minha experiência a um choque térmico e o mais bizarro é que meu estranhamento tinha a cara da minha casa.

Explico: é um mundo totalmente diferente. É como se você estivesse no Brasil dos anos 70. Só que nem tudo é pobreza. A África tem duas coisas, fruto da resistência deles, que a gente perdeu: senso de comunidade e simplicidade. Não é mera fatalidade, é também escolha. Eles não querem ir ao shopping, eles querem fazer a roupa com o alfaiate da feira, que, aliás, frequenta a mesma mesquita.

É outro mundo, minha gente. Você de repente se surpreende, numa sexta-feira de tarde, com todo mundo segurando um tapetinho de oração e indo rumo à mesquita, como se fosse a galera descendo pra Barra na sexta de Carnaval. Tudo pára. Por outro lado, você se depara com uma feira ou mesmo um pedaço de praia que te faz sentir em Salvador. Eu fico pensando como deve ter sido confuso pros escravizados quando chegaram ao Nordeste. É o outro lado do Atlântico, mas são irmãos mesmo, há semelhanças que chegam a ser bizarras. 

Ah, sim, as crianças são lindas. 

Mas tem o lado B também, e isso é inegável. 

A África me pareceu a América Latina, mas com os problemas mais acentuados. Logo que cheguei no aeroporto, uma faixa enorme contra a corrupção. O funcionário da alfândega me soou àquele tipo de gente que gosta de abusar do pequeno poder que tem. Na ida pra casa, uma blitz nos parou e o policial cobrou propina. A desigualdade, então, é muito mais gritante que aqui - daí você já imagina o drama social. 

É aquela coisa: o estereótipo pega não só porque é interessante pra quem o difunde (e está no poder), mas porque quase sempre tem um fundo de verdade. A questão é que se toma uma parte pelo todo. A África tem muito mais que problemas sociais e políticos, inclusive tem coisas interessantíssimas a nos ensinar. 
 

sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

Mas, gente...

Anália joga cartas e na seleção desta vez, escolhi a carta 3. Esse mundo é cheio de bruxarias, definitivamente. Espero que em 2024 eu finalmente consiga renascer e recuperar a minha qualidade de vida. 🔥🙏🏼



Sobre nomes

Fazendo minha pesquisa genealógica, que há muito não avança pra lugar algum, aprendi coisas interessantes sobre a história das minhas famílias, sobre até a história do Brasil. Uma das coisas que mais me emocionou, de verdade, foi descobrir as mulheres da minha família materna. Os sobrenomes "Rosa", "De Jesus", "Cortes" que eu nem sabia que me pertenciam. Por uma questão de tradição, no meu ramo materno, os homens passavam seus sobrenomes pros filhos, sem incluir os das esposas. Somos Lopes de Menezes (em certa época, "de Meneses") há algumas gerações. Minha mãe que cortou isso radicalmente e além de não ter aderido ao Lopes de Menezes, ainda cortou o último sobrenome. Somos os únicos a usar Lopes na família de lá. Aliás, abrindo parênteses aqui, que bagunça o meu lado paterno, um contraste absoluto com o materno: ninguém passou essa zorra de sobrenome corretamente. Todos os meus primos por parte de pai são Oliveira, uma só ficou com o Turíbio (que no original era "Toribio"), novamente só a gente usa Brito, mas o nosso sobrenome correto seria Aguiar, que vem lá do patriarca, José Turíbio de Aguiar. 

Sobrenome não é qualquer coisa, assim como não são os nomes. Nunca havia me atentado ao "Brito", que coube a gente, ovelhas desgarradas que saímos do Centro-Oeste pro Nordeste, indo até pra Europa. Nunca até ontem. Lopes vem de "lobo". Brito é de "britar". Uma britada se dá em algo sólido (pedra) pra que se fragmente, vire pedaços. Eu vim aqui pra britar. Ou será que estou sendo britada? A seguir cenas dos próximos capítulos...

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

Meia boca

 Eu já gostei mais de gente. Não sei se digo isso com pesar ou indiferença. Não sei. 

Inclusive minha vontade de fazer Psicologia, de ser terapeuta, vinha muito disso. Eu me interessava pelas pessoas, gostava de ouvir mesmo quando ninguém mais tinha paciência. Gostava de ajudar, de aconselhar. Não quero mais. É, se a minha primeira vida é uma morta viva, a minha segunda vida nasceu natimorta. Acho todos os meus (poucos) pacientes chatos. As neuroses são nada interessantes (risos). Descobri que eu gostava de mim nas minhas próprias sessões, conversando com um terapeuta sagaz (sim, é como uma dança, não adianta só um lado botar pra quebrar). Modéstia à parte, eu sei desenvolver a conversa. Descobri que um bocado de gente é péssima nisso, mesmo quando o assunto é a própria vida. Eu me interesso por quem sabe conversar. Ponto. Aliás, eu tenho mil coisas pra falar mal do povo da Comunicação, mas, neste quesito do papo, é um meio que te acostuma mal, pois geralmente as pessoas sabem conversar (o nível anda caindo, mas ainda é superior à média da sociedade). A única coisa que salva é conhecer as histórias de vida, isso é sempre interessante de fato. 

Eu antes não era assim.

Acho que foi a pandemia. Explico: a gente foi mais pra dentro, não necessariamente num sentido mais profundo, mas a gente teve que se dar mais relevo, já que os outros estavam longe. Fizemos isso através das redes sociais, o que tornou esse show do eu mais agudo. 

E eu acho que também tomei uns vááários baculejos sucessivos da vida, que me fizeram ficar mais amiga de mim mesma e menos disponível pros outros. Mais interessada em resolver as minhas coisas, até porque hoje tenho mais passado que futuro. Até porque não tem ninguém me dando contrapartida, interessado assim em mim. E eu tenho feito muita coisa e tô andando muito ocupada com isso, porque preciso agilizar certas áreas da vida, e então não tem sobrado muito tempo e o que tem, eu quero gastar com qualidade. Preciso inclusive desacelerar, descansar... 

Influi nisso meu desgaste com Salvador (na verdade, com o Brasil). Definitivamente esse não é meu lugar no mundo, embora eu tenha afeição pela cidade. Mas aqui nada frutifica pra mim (há lugares, pessoas e situações que definitivamente não são pra gente). Eu não curto os tipos da cidade, acho todo mundo meio personagem, até gente boa, mas quase todo mundo faz tipo, uma coisa meio falsa, todo mundo fingindo que está sendo super espontâneo mas jogando na retranca, uns tipos meio batidos, até porque o povo não é nada criativo (eu poderia separá-los em gavetas de acordo com o tema do personagem). Eu não consigo me desenvolver nessas bases. Eu gosto de intimidade e aqui é o antilugar pra essas coisas. Salvador e seus códigos dúbios me fizeram uma sujeita desconfiada das pessoas. Eu não era assim. Cheguei aqui criança, levando bolo de aniversario pra vizinha que mal conhecia, mas hoje não quero mais conhecer ninguém nessa cidade. Não tem novidade, é como se eu sempre estivesse lidando com o mesmo tipo de pessoa que eu já conheço à exaustão e não tenho muita admiração, não. 

E o mais triste pra mim é que eu sou meio Tom Cruise. Se animada, eu sou do time de quem sobe no sofá de Oprah. E eu sou reativa, esse lado só aparece se acionado por outra pessoa com quem consigo desenvolver uma ligação, assim como também acontece com o meu pior lado. Mas a realidade foi e tem sido tão meia boca, que eu me sinto uma bola murcha quase todo o tempo. Tô vendo umas paradas aí pra ver se melhora a coisa, mesmo que parcialmente, mas não depende só de mim. Gostaria muito de encontrar quem jogue comigo antes de sair desse jogo da vida. Qualquer um, pode ser até um cachorro. All I want is a little reaction... 

quarta-feira, 13 de dezembro de 2023

Raiva loves u

Hoje eu li, num desses memes de internet, que a raiva é a parte de você que se indigna quando você está sendo injustiçado, que te ama.

Faz sentido se a raiva é justificada. Digo isso porque vejo muita gente, geralmente privilegiada, com raivas indevidas. 

É quando você aguentou mais do que devia e os demais não querem reconhecer isso que é legítimo ela entrar. É o seu amor próprio e senso de justiça quebrando tudo.  

sábado, 9 de dezembro de 2023

Acreditando

 Hoje acordei de um sonho com esse trecho de música: "Acredite no final feliz". Em minha defesa, digo que nem de Jorge Vercilo eu gosto. Vou levar como premonição. Pode ser golpe do meu inconsciente, mas vou me apegar à melhor versão.

sexta-feira, 24 de novembro de 2023

No seu lugar

Outro dia fui me despedir da minha ex turma de Teoria Junguiana indo ao ultimo dia de aula deles. Uma das colegas, comentando sobre a dedicação de uma outra colega que trabalha no CAPS, disse que era "lindo ver alguém encontrando seu lugar no mundo". É lindo mesmo e em alguns casos, misterioso. 

É impressionante como os caminhos se abrem quando ele é o seu. A força que as coisas têm quando precisam acontecer. Não basta você escolher; precisa ser escolhido. E não precisa ter talento. Algumas pessoas são escolhidas, quer tenham isso ou não, mas melhor ainda se vier esse plus, pra embelezar o cenário. 

domingo, 12 de novembro de 2023

Feridas e perseverança

 


Eu adoro documentários e adoro biografias. Nessa semana que passou, assisti três na Netflix, dois muito parecidos, já que foram sobre contemporâneos de Hollywood: Sylvester Stalone e Arnold Schwarzenneger. Os dois tiveram um início de vida sofrido, Sly muito mais que Schw Schw. O doc de Stallone é melancólico. Ele veio de um lar muito fodido, a busca dele pela fama foi na base do desespero (me identifiquei! hehe), foi marcado por mais altos e baixos, inclusive muitos dos sentimentos dele só tiveram vazão nas telas. Seus personagens falavam o que ele não tinha coragem de dizer às pessoas. O que me chamou atenção é que o doc cheira a testosterona. O pai importa, a mãe sequer é citada por ele. As mulheres e filhas não são mencionadas, mas o filho que morreu sim. O homem é um suco da masculinidade clássica. Não à toa, sente o fim como algo melancólico. Envelhecer é sobre perder o poder do macho alfa e se tornar o velho leão da montanha. Pra quem veio de um início de vida de extrema desvalorização, deve doer um pouco mais.  

Schw Schw é uma figura. Um cara de pau carismático, muito focado (embora ele se ache americano, foi a mente germânica que fez ele ser quem se tornou). Teve três vidas: a de atleta, a de ator e a de político. Se lançava nas coisas mais improváveis, mas com muita energia e carisma, e se dava bem. Sente o peso da idade, a perda do poder de quem já foi macho alfa, mas continua otimista. 

Os dois são mais inteligentes do que se pode presumir. Eu não me surpreendi. Por mais que a pessoa não viva do intelecto, não se chega e se sustenta num nível de poder desse sem ter algo na cabeça, sem ser inteligente. Mas admirei muito a motivação, a energia de fazer acontecer. Queria metade disso, e estaria feita. Se bem que ambiciono muito, muito, muito menos que eles na vida... Pra começar, não quero fama. 

Corta pra Feira da Fraternidade. O namorado de uma colega, professor de colégio público, conta que três ou quatro alunos de cada turma se animam a fazer o Enem. Fiquei incrédula. Óbvio que vim de uma condição social melhor do que a desses alunos, mas também frequentei escola pública, nunca tive quem me estimulasse nos estudos e só recebi o dinheiro da inscrição da UFBA (o da Uneb, depois de muita pressão da minha irmã, minha mãe me deu por conta dela), mas eu sempre tive a ambição de um futuro melhor. Estou lascada e quase velha, ainda não cheguei aonde queria, mas não deixo de tentar. E continuo sem torcida a favor, só na base da resiliência mesmo, e às vezes acho até que é loucura. Se tivesse mais energia, faria mais, não tenha dúvida. Uma das coisas das quais me ressinto é não ter a energia física e mental que eu gostaria. O carro até que é bom, mas faltou combustível... Enfim, aceitar é também uma das tarefas da vida. 

Então, mesmo entendendo em parte o desânimo dessa turma, eu nunca compreendi muito bem quem desiste da vida aos 10, 15, 20 anos. Porque por mais que você não tenha as condições favoráveis, você tem tempo pra trabalhar nelas, você pode ao menos melhorar um pouco a sua situação, você no mínimo vai se desenvolver. 

Mas aí é que tá. Corta de novo pra mesma Feira da Fraternidade, só que em outra conversa. Minha amiga disse que preferia que o sobrinho fosse extrovertido. Eu respondi que discordava. Os extrovertidos ganham muitas coisas, ainda mais num país que valoriza isso numa autoimagem, como vimos, enganosa de si como um povo alto-astral. Mas os extrovertidos perdem muito também. A começar que são dependentes num alto grau do feedback dos outros, da companhia alheia. São mais carentes e com menos recursos internos, na minha opinião. Isso ficou muito desenhado na pandemia, quando os introvertidos lidaram bem melhor com a situação, se arriscaram menos, ficaram menos intranquilos, etc. Lógico que há extrovertidos com profundidade, mas todo extrovertido que conheço passa por uma série de situações desagradáveis que os introvertidos não passam porque precisam bem menos dos outros pra se sentirem bem, pra se autorregularem. Acho que ela ficou chocada porque nunca havia pensando por esse lado. Lembrando aqui que introversão e timidez são coisas diferentes. Mas numa cultura extrovertida, que cada vez mais, por causa da internet, valoriza a extroversão, somos exacerbadamente estimulados a nos pensar dependendo da opinião dos outros sobre nós, como o produto a ser aceito pelo público consumidor - e cada vez mais exigente. Viver em sociedade é fazer propaganda de si, não tem jeito, mas estamos deixando 98% pra esse mercado e 2% pro espírito. E precisa ter espírito pra aspirar mais, pra se desenvolver, pra se aguentar, pra aprender a cair em cima de si mesmo, pra se aceitar. Pra transformar o limão em algo mais gostosinho. Note que nesses dois docs que eu citei, os personagens deles são pessoas que não só chegaram lá, como se mantiveram, se reinventaram em outras posições e continuam a se reinventar. Se fosse só sobre dinheiro e fama, não teriam chegado tão longe.   

quarta-feira, 25 de outubro de 2023

Aquela dos 40

Sandy disse em uma entrevista a Bial que ao longo dos anos experimentou outros tipos de felicidade, mas que por outro lado se tornou mais calejada. Tinha um sorriso melancólico, quase triste, ao dizer isso, e eu entendo. Experiência é coisa boa, ensina, é preventiva, mas geralmente leva muita coisa linda da gente também. Isso ninguém conta.

No meu caso, gosto menos de gente hoje do que aos 15 e aos 20. É como quando eu andava entre uma piscina e outra de água quentíssima em Caldas Novas: eu passava por ali, mas com cautela pra não cair e me queimar. Pra quem gosta de se expandir, é terrível ter que pisar em ovos. Tá no meu top 3 coisas que mais odeio na vida. 

sábado, 14 de outubro de 2023

O futuro pertence a quem?

Quando eu tinha cinco pra seis anos, num dia de verão na casa da família de consideração de minha mãe, no bairro de Itacaranha, eu ouvi dizer que a filha de tia Nicinha estava pra morrer de câncer, que eu acho que foi de ovário. Ela tinha 40 e poucos anos, mais ou menos a idade da minha mãe. Eu nem tinha idade pra entender a profundidade da coisa, mas tenho a nítida lembrança de ter me arrepiado toda ouvindo aquilo, como se aquele fosse ser o meu destino também. 

Meu mapa astral fala em morte súbita, rápida, por coração, circulação ou pulmão (ou intestino, se considerarmos mercúrio em virgem) e que eu vou morrer em casa. Prefiro essa versão da minha morte.

Mas eu tô achando que eu me preparei, inconscientemente, pra viver só 40 e poucos anos. Na verdade, nunca achei que fosse chegar tão longe. E desde que fiz essa idade, tô preenchendo meu tempo como nunca porque simplesmente estou sem ideia do que fazer. Na verdade, há um tempão que eu estou, mas antes sentia que tinha tempo e agora não. Sem qualquer ideia de futuro e temendo o futuro ao mesmo tempo, por vários motivos que não cabe aqui dizer.

Há uns dois meses, recebi um e-mail de Fernanda Miranda via sonho. No assunto só Dia D, no corpo o nome de uma música de Marisa Monte que eu não consegui ver. 

Não sei quanto tempo viverei, mas não sinto que tenho futuro. Preciso mais uma vez me reinventar, mas os anos já pesam e tenho preguiça. 

A seguir cenas dos próximos capítulos...

quarta-feira, 11 de outubro de 2023

Acolher? A colher!, não à colher

 "Se eu estivesse comendo cocô, pela pedagogia, a senhora deveria acolher o meu cocô".

Essa frase, dita pela aluna que partiu pra cima da professora da Facom, diz bem o que se tornou a deturpação do verbo "acolher" na nossa sociedade. É impressionante a capacidade de algumas pessoas da esquerda de deturparem completamente os termos que nascem com uma boa inclinação. Dos mesmos criadores/deturpadores do verbo "empoderar"... RIP.

Sinceramente, bicho, eu acolho incondicionalmente criança de até 4 anos, bebê, que tá chegando ao mundo e não se governa. Acima disso, as pessoas já entendem um pouco das regras sociais, já têm alguma capacidade de autoregulação, então eu vou "acolher" na medida em que a pessoa mesma se ajuda. Já vivi tempo suficiente pra saber que é jogar pérolas aos porcos gastar tempo com quem não quer se ajudar. 

E cá pra nós, quem aqui tá com esse tempo, essa energia vital, essa saúde mental pra ficar "acolhendo" todo mundo, inclusive gente mimada que gosta de largar o corpo em cima dos outros em vez de procurar se cuidar? Eu não tenho. Não tô conseguindo nem ver filme tenso na televisão, que dirá ser fofa com quem não tá nem aí pra ferrar o meu babado e da geral. Citando a "grande filósofa" Jô, defunto, quando encontra quem o carregue, fica pesado. Um monte de gente querendo ser o centro da atenção "causa" em cima dos outros pra se sentir bem, se sentir vítima, pra receber apoio e tapinhas nas costas 0800, e você "têm que acolher"?! Ah, vá se catar e comer o seu próprio cocô. Amadurecer ninguém quer, né?


segunda-feira, 31 de julho de 2023

Em crise com a criança interior


Este final de semana serviu para me mostrar que definitivamente não superei a minha infância. Dois tapas na cara no mesmo dia. Primeiro vendo "Barbie". Velho, só aquele cenário de brinquedo já valeu o ingresso. As piadas com o patriarcado e o feminismo foram boas, mas eu achei Ryan Gosling bonito como nunca. Apaixonei no boneco - e o meu Ken nem era o loiro...

De noite, fui pro show de Fabio Jr., meu primeiro crush famoso. Reza a lenda que eu bebê me agarrei ao compacto de "O que é que há?" (pelo visto, minha pergunta desde sempre) no Carrefour, e o jeito foi meu pai - que detesta Fabio Jr.! - comprar o LP pra poder ir pra casa. Fui ver o show dele despretensiosamente, pedi o ingresso a um amigo, e além de ver que sabia cantar todas, ainda não parei de ver os vídeos desde então. Não superei Fabão!...

sábado, 22 de julho de 2023

Frances Ha


 

Ontem assisti "Frances Ha" pela primeira vez. Me lembro de ter tentado assistir faz alguns anos, mas alguma coisa me irritou e eu desisti - sim, eu desisto mesmo, tenho zero problema em não ir até o fim.

Me impressiona a opinião geral de que Frances anda pelos percalços da vida adulta de forma otimista. Não acho que ela tava bem ali não. A falta de disciplina e de energia pra mudar, a insistência numas situações degradantes e a impulsividade são bem de quem tá na merda. Aquela cena no banheiro da casa dos pais é bem típica de quem está com um pezinho na depressão. E depressão é o oposto de otimismo.

A questão é que há formas e formas de manifestar a bad, a depressão. Nem todo mundo é tipo Maísa. No final do filme é que ela começa a se recuperar e a inclusive tomar atitudes pra sair dessa.

Confundiram doçura com otimismo. Ela é doce, e é isso que dá pena, faz você se afeiçoar a ela. Um labrador humano, que foi ficando mal a medida que foi experimentando rejeições (porque é muito difícil mesmo), a começar a da amiga-irmã. Aliás, achei aquela cena de Sophie comunicando que ia morar com outra colega tão vida real. Como ouvi uma vez, não é que as pessoas, aquelas que te magoam, estão contra você; elas estão a favor delas mesmas. E Sophie até engoliu alguém que ela não tolerava em nome de realizar um desejo. Mais típico que isso, impossível.

Pelo menos, pra aquecer o coração da gente, essa milenium teve um final feliz.

Sem olhos para você

Por mais que a gente queira o reconhecimento de determinadas pessoas (geralmente aquelas da família ou de uma convivência bem antiga ou próxima), uma hora é preciso ACEITAR que certas pessoas NÃO TÊM olhos para a gente, e nunca vão reconhecer nossas qualidades, nos olhar de modo justo, atualizado e generoso, simplesmente porque elas estão projetando coisas delas em nós. Projeção é foda, babe. Pra quebrar esse feitiço, nêgo precisa olhar pra dentro, se refazer, coisa que dificilmente vai rolar da criatura bancar porque é bem mais gostoso e menos oneroso despejar em alguém próximo. 

Olha só quanta energia a gente não poupa deixando de correr atrás do impossivel. Queira não. 

quinta-feira, 13 de julho de 2023

Um homem só

Outro dia vi uma postagem, daquelas bem intencionadas, que dizia mais ou menos assim: independente do que acontecer, você escolhe como reagir. É bem intencionada, mas é cretina. É como aquele tipo de frase pseudo animadora: "tenha fé, que você vai se curar". Ou seja, se eu não me curar é porque não tive fé o suficiente. 

Eu acredito naquela frase de Gasset y Ortega, de que o homem é o homem e suas circunstâncias. Genéticas, ambientais, temporais e econômicas. O próprio Freud disse em um de seus livros que algumas pessoas são mais talhadas pra lidar com a vida do que outras. E alguns tiveram muito apoio e orientação durante a vida e outros não; outros estão em grupo, outros sozinhos da vida. E por aí vai. Não temos os mesmos recursos. Às vezes aquele resultado que parece pouco, dependendo de onde a pessoa partiu, é vitória pura. 

Enfim, acho perigoso e desumano falar de um homem só, como se todos nós tivessemos os mesmos recursos na vida. 

sábado, 8 de abril de 2023

Está faltando espiritualidade


Outro dia estava conversando com um amigo sobre a relação entre violência e desigualdades sociais. Não acredito que a pobreza seja definidora. Há países mais pobres que o Brasil e menos violentos. E há países ricos, como os EUA, violentos pra caramba. 

Faz tempo que acho que o problema é o materialismo. A pessoa pode até conviver com um certo nível de privação material contanto que ela tenha sentido de existir, tenha uma certa espiritualidade. Mas nesta nossa cultura das Américas, em que você é o que você consome, se você não tem dinheiro, vira quase invisível. E é isso que, a meu ver, impulsiona a violência. Ninguém suporta ser invisível e ignorado.  

E este materialismo reflete-se nos "relacionamentos". O povo está achando que like é afeto, validação, vínculo, e não é. 

E essas informações e discussões sobre minorias... A galera está perdendo o foco. Tem uma turma crescendo com a equivocada ideia de que sofreram muito e são especiais e que por isso a vida lhes deve alguma coisa (spoiler: a vida é altamente aleatória, não funciona assim), confundindo reparação e equidade com "privilégio reverso". O que eu vejo de gente querendo ocupar o lugar e reproduzindo o opressor... 

Estamos muito materialistas. Está faltando espiritualidade. E até as nossas tentativas de espiritualidade são materialistas hoje em dia. A religião que mais cresce no Brasil liga o amor de Deus à benção material. Não há salvação desse jeito. E, olha, a espiritualidade não precisa nem estar numa religião. A natureza é altamente espiritual.