Essa é a questão.
Sei lá, eu vejo muita gente ficar mal por causa de desejos que custam a se concretizar. Especialmente na minha idade, 30, quando já não somos tão jovens.
Eu me incluo nisso, mas acho que vou mais além nessa angústia porque tem dias em que duvido do que desejo. Talvez isso seja bom, por um lado. Me ajuda a tirar um pouco do peso que um desejo antigo costuma ter, embora me crie uma suspeita sobre mim mesma por não estar desejando algo de fato. Não dizem que para estar vivo é preciso desejar? Se bem que, desconfio, devemos trocar esse verbo por "experimentar". Como diz o genial Joseph Campbell, não precisamos de um sentido para a vida, mas de experiências que nos façam sentir vivos. Minha questão é que pra mim ainda é difícil experimentar sem que haja junto um sentido. Um dia supero isso, com fé em Jah.
Quem espera sempre cansa?
Um livro que li essa semana discute a questão da esperança, que é um desejo impotente, na visão do autor, já que quem espera pouco tem a fazer para que aquilo se concretize.
Mas o autor reconhece a importância da esperança para a vida humana e, por fim, fala algo que traduz o que penso sobre esse dilema já faz algum tempo: "Você pode ter o sonho, mas o sonho não pode ter você".
Minha terapeuta me diz que o que nos resta é caminhar. É melancólico, mas é verdade. A gente nunca sabe o que nos espera. O que nos resta é caminhar, viver, e até sonhar. Temos que estar aqui independentemente do que nos aconteça, pois se há uma chance, ela só vai surgir se estivermos em movimento. Isso é ter um sonho. Geralmente quando o sonho nos tem, paramos no meio do caminho se ele não se concretiza. E sabe por que nos paralisamos? Porque nos magoamos. (Sentir raiva não é tão ruim se pensarmos que poderíamos estar magoados ao invés disso. Com a mágoa, "sentamos à beira do caminho". A raiva nos ajuda a fazer alguma coisa, e pode ser até construtiva se tivermos um pouco de sabedoria.)
A generosidade salva
Por essas coincidências do dia-a-dia, estava navegando pelo Facebook dois dias antes de começar a ler o livro, e me deparei com um video cujo títudo é "A única coisa que nos magoa é a esperança", de uma lama budista. A teoria dela é que só nos magoamos porque esperamos algo. E, realmente, a esperança sem maturidade pode fazer muito estrago. A solução anti-mágoa que ela oferta é a generosidade. O problema é que essa não é uma possibilidade para todos. Não serei generosa na minha afirmação, mas tem gente que não leva o mínimo talento para ser generoso. E a cultura ainda não ajuda, daí já viu.
Pois é, folks, mais do que viver de sonhos e esperanças, o caminho para uma boa vida passa por gostar de quem se é e do que se tem. Sabe aquela coisa meio Marina Lima, de que "os momentos felizes não estão escondidos nem no passado nem no futuro"? Acho que vou acabar tatuando essa frase para nunca me esquecer dela.
Pois é, folks, mais do que viver de sonhos e esperanças, o caminho para uma boa vida passa por gostar de quem se é e do que se tem. Sabe aquela coisa meio Marina Lima, de que "os momentos felizes não estão escondidos nem no passado nem no futuro"? Acho que vou acabar tatuando essa frase para nunca me esquecer dela.









