Eu sempre achei que os lugares conservam o espírito da sua fundação. Olhe só Minas Gerais. Dizem que mineiro é desconfiado e "solidário só no câncer". Mas o que esperar de um povo que nasceu em clima de caça ao tesouro? Dizem que carioca se acha e pensa que o Rio é a melhor coisa do mundo. Síndrome de corte, que um dia foi. São Paulo nasceu isolada do resto do país, era a única cidade que não estava no litoral. Era a mais pobre da colônia e atraía bandeirantes, que caçavam índios - na falta de grana para comprar escravos - e riquezas. Esse espírito de estranho no ninho, de self made impera até hoje. E Salvador? Eterno porto, que adora receber e se mostrar a quem vem de fora. A ladainha de eterna abandonada é secular, vem desde quando fomos trocados pelo Rio de Janeiro. O Brasil nasceu explorado e colonizado por um povo de moral bastante flexível, e não conseguiu superar essas características até hoje.
Eu tive um professor de Psicologia das Relações Humanas na UFBA que nos aconselhava a investigar o nosso passado pré-útero, ou melhor, o contexto dos nossos nascimentos, pois a vida da gente começa muito antes de estarmos no ventre de nossas mães. Concordo. O destino das pessoas e dos povos está na origem.
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