"Ter um amigo, na vida é tão bom ter amigos...", já cantava Didi. A vida é, sobretudo, uma jornada absolutamente solitária, mas os encontros, quando acontecem, fazem toda a diferença e são uma delícia. São a cereja em cima do bolo.
Quando era criança sonhava em ter amigos que nem em filme americano. Sabe aqueles que nascem e crescem juntos? Mas eu não sou filha de uma cidadezinha do interior. Logo cedo, peguei estrada, meus amigos de infância se espalharam pelo Brasil (como quase todas as famílias de Brasília, naquela época). Os amigos de adolescência se foram também, outros idem, e de repente eu percebi que as pessoas passam. Vale o momento. Nada é garantido. As pessoas às vezes precisam ir. Às vezes elas se vão de corpo presente, geralmente quando a gente confunde gentileza com amizade e se decepciona ao sacar que nos sorriam por simpatia (com o tempo vc aprende que amigo é quem muda o "lead" da sua vida e se interessa pelo seu bem-estar).
Às vezes a gente coloca expectativa em cima de alguém e essa pessoa, apesar de realmente nos estimar, é menor do que a gente imaginava. E há casos - esses são os meus preferidos - em que você não dava nada por aquela criatura - até meio que antipatizava - e ela cresce no seu conceito em um momento de adversidade.
O mais bacana é quando alguém te estima tão profundamente que conhece o seu tempo e o respeita. Isso é massa! A pessoa não te julga porque sabe que, naquele momento, você precisa passar por aquilo, não tem condições de fazer melhor, mas um dia vai acertar.
Mas melhor mesmo é quando a gente se transforma em amigo de si mesmo. Não há amizade mais necessária na vida. E mais gostosa. E mais produtiva. E mais árdua de conquistar. É essa a amizade que, espero, todos os meus um dia conquistem.
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