Outro dia eu e alguns colegas jornalistas estávamos falando de uma colega que foi morar em São Paulo. Alguém contou que ela está escrevendo para a Folha Universal. Pausa geral, interrompida pelo seguinte comentário:
- É, eu entendo. Ela precisa pagar as contas.
Não era nem para alguém entender coisa nenhuma.
Ela é uma jornalista; ela tem uma habilidade de apuração e escrita que está aí para ser vendida.
Às vezes fico puta com esse personalismo da profissão. Ninguém critica um engenheiro sobre o uso que será feito da usina que ele construiu. Nem o contador pela empresa a qual presta serviço. Eu acho que falta uma visão objetiva e profissional sobre a própria atividade. Claro, tudo tem limite. A meu ver, os limites do jornalista são o bom gosto e a verdade. Um bom profissional, mesmo na Folha Universal, vai saber cumprir com essas duas exigências. Mas, de resto, você é um profissional, bicho. E as pessoas têm que respeitar isso. Jornalista se acha tão intelectual, tão herói de sei lá o quê, que nem se organiza enquanto classe. Já viu jornalista em greve? Pois é.
Sei lá, essa cobrança ideológica é um saco. E tenho dito!
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