quarta-feira, 24 de junho de 2009

Misterious Ways

Eu acredito bastante em sinais - já falei isso aqui. Aliás, não teria como desacreditá-los: eles surgem na minha vida a toda hora e desde sempre. Às vezes de uma forma tão escancarada e enviando uma mensagem tão precisa que fico até espantada. Já perdi as contas, por exemplo, das vezes em que uma dúvida martelava a minha cabeça e de repente, do nada, duas pessoas no ônibus começaram uma conversa que respondia a minha questão. No dia em que fui assaltada na Lucaia, passaram quatro ônibus para a minha casa, em menos de 30 minutos. Era ou não era a vida me mandando não ir para onde eu queria e voltar para casa? Ignorei o aviso e me dei mal. Eu não gosto da Cláudia Leitte, e entre outras coisas porque ela mente demais, mas acredito quando diz que Deus fala com ela através da televisão. Já aconteceu comigo. Claro, Deus não aparece, mas manda recado através de quem trabalha na telinha. Outro dia, estava ouvindo o programa do Medrado e ele recebeu uma mensagem de um sujeito contando que estava com o chumbinho na mão, pronto para se suicidar, quando ouviu algo no programa que o fez desistir. Viu só? A vida sempre sinaliza, é só prestar atenção!

A linguagem das coincidências
Compreenda como perceber as repetições e use-as a seu favor

Uma imagem, uma palavra, um número que aparece para você repetidamente em um mesmo dia. Numa conversa sem importância, alguém desconhecido lhe traz a informações que você estava tanto buscando. Você se faz uma pergunta e, no instante seguinte, toca uma música que parece lhe responder.
Diversas situações em nossas vidas trazem interessantes coincidências que nos ajudam de alguma maneira. Elas podem nos auxiliar a tomar decisões, enxergar padrões e crenças negativas. Mas como isso acontece?
Tudo em nosso universo é formado por energia. A matéria física, os pensamentos, os sentimentos, a eletricidade, os microorganismos, o calor. Absolutamente tudo é energia, em diferentes estados vibracionais. Sendo assim, tudo representa uma gotinha do oceano de energia. Uma gota individual, ainda assim é parte do oceano, ligada e mesclada a todas as outras gotas que também dele fazem parte, assim como as células que formam nosso corpo.
Estamos todos interligados nesse oceano de energia, mas não estamos acostumados com a sua "linguagem". Através da natureza, de acontecimentos, de situações, de pessoas, ou seja, através de tudo que faz parte do universo essa linguagem se manifesta. Aquilo que consideramos aleatório representa nossa incompreensão diante dessa linguagem tão ampla. Ao estar mais atento à sua vida, a essas coincidências e sinais, é possivel utilizar esses conhecimentos para viver de maneira mais leve, fluida e harmoniosa. O universo sinaliza de diversas maneiras o fluxo de nossa vida. Alguns sinais são mais visíveis e perceptíveis, outros mais sutis e mais difíceis de serem captados.
O céu "fala" quando vai chover mostrando-se mais escuro. O mar "comunica" ao surfista experiente através das ondas, ventos e correntes. Apenas olhando para o mar ele é capaz de coletar uma série de informações, enquanto aqueles que não conhecem sua linguagem não conseguem perceber. Nossa vida também nos dá diversas dicas sobre tendências, questões, lições, e até mesmo presentes de encorajamento.
Quando nosso corpo tem febre sabemos que há algum distúrbio, como alguma invasão por bactérias, vírus, alguma inflamação em nosso corpo. Esse sinal é bem nítido e perceptível. Outras vezes, em uma fração de segundos, temos um leve mal estar, em uma intuição para não sair de casa, ao qual não damos atenção e ao chegar na esquina acontece um acidente. Esse sinal pode ser tão sutil que não damos atenção, e muitas vezes nem percebemos ou lembramos que ele existiu.
Como compreeender, então, o significado por trás dessas coincidências? Saber interpretá-las depende do exercício de nossa percepção para isso. Você vai usar mais a sua habilidade de sentir do que a de pensar. É preciso deixar o significado vir de dentro de você através do sentir. Por isso é preciso acalmar os pensamentos para que possamos identificar esses sentimentos.
O primeiro passo é estar aberto aos sinais, utilizando sua intenção. Isso não significa ficar buscando significado em absolutamente tudo que acontece, mas estar aberto para perceber as coincidências. O segundo passo é criar as condições para alcançar o significado dessas situações, treinando sua percepção. Uma boa maneira de permitir que essa linguagem se torne mais clara é meditar. Existem muitas maneiras de se meditar. Uma delas é focar sua atenção em sua respiração. Colocando-se em um local tranquilo e que não seja incomodado, respire sem força, apenas sentindo e observando o ritmo natural de sua respiração, relaxando. Caso não se sinta bem com essa meditação, busque outros tipos até encontrar aquele com o qual mais se identifique. O importante é desenvolver essa capacidade de perceber e interpretar a linguagem do universo e da vida. Com prática e treino teremos em mãos mais um recurso para a nossa saúde, bem-viver e harmonia!

terça-feira, 23 de junho de 2009

Despindo a alma (Martha Medeiros)

Em tempos de tantas mulheres posando nuas, talvez a verdadeira excitação esteja, hoje, em ver uma mulher se despir de verdade - emocionalmente. Nudez pode ter um significado diferente. Muito mais intenso é assistir a uma mulher desabotoar suas fantasias, suas dores, sua história.
É erótico ver uma mulher que sorri, que chora, que vacila, que fica linda sendo sincera, que fica uma delícia sendo divertida, que deixa qualquer um maluco sendo inteligente. Uma mulher que diz o que pensa, o que sente e o que pretende, sem meias-verdades, sem esconder seus pequenos defeitos - aliás, deveríamos nos orgulhar de nossas falhas; é o que nos torna humanos, e não bonecas de porcelana.
Arrebatador é assistir ao desnudamento de uma mulher em quem sempre se poderá confiar, mesmo que vire ex, mesmo que saiba demais. Não é fácil tirar a roupa e ficar pendurada numa banca de jornal, mas, difícil por difícil, também é complicado abrir mão de pudores verbais, expor nossos segredos e insanidades, revelar nosso interior. Mas é o que devemos continuar fazendo.
Despir nossa alma e mostrar pra valer quem somos e o que trazemos por dentro. Não conheço strip-tease mais sedutor.

domingo, 21 de junho de 2009

Cai, cai...


"Balão,
Cai, cai,
Balão,
Aqui na minha mão

Não cai, não,
Não cai, não,
Cai aqui na minha mão"


Nossos diplomas, por esses dias, caíram das nossas mãos. Como dizia um certo personagem de novela, foram parar na chon. Culpa do STF.
Necessidade de formação superior à parte, fica o gosto amargo de perder uma conquista de classe, de ver um retrocesso. Queda do diploma, queda da nossa auto-estima profissional, do nosso poder enquanto categoria. Antes nunca houvesse sido obrigatório.
Interessada em debater o "rojão" lançado pelo Supremo, liguei para Ingrid White Fibe (ou Frite Bife, para quem tiver dificuldade de pronunciar). O. Ingrid Simpson matou a charada, como sempre, e disse que o problema da resolução é que vai dar a oportunidade para os patrões explorarem ainda mais a nossa já exploradíssima força de trabalho. Aposto, nem Lucélia Santos gostaria de estar no nosso tronco, agora. A seguir, cenas dos próximos capítulos.
Não creio que a queda do diploma vá atingir os veículos, mas acho que vai ser a brecha para aumentar a esculhambação nas empresas, nos órgãos do governo, nos chamados "cargos de confiança".

Escolhemos uma profissão que está, ao mesmo tempo, entre as piores e as melhores do mundo. Nos demos mal porque nos formamos na época de crise das empresas jornalísticas. Algo está podre no reino da Dinamarca quando até o NY Times se encontra com a corda no pescoço. Por outro lado, temos um mundo de opções para explorar, e até nem precisamos de patrão, a bem da verdade.
A escrita é um ofício lindo porque quem escreve tende a melhorar seu talento com o tempo (e o seu valor profissional); a velhice não significa perda da capacidade laboral. Além do mais, é uma atividade possível mesmo a quem não está no mercado. Carlos Drummond de Andrade foi funcionário público e isso não o impediu de construir uma das mais importantes trajetórias da literatura nacional. Nelson Rodrigues produziu muita coisa boa dentro e principalmente fora da redação de jornal. Martha Medeiros é uma das mais conhecidas cronistas da atualidade e escreve da sala de casa. Seu Carlos, mais conhecido entre nosotros como o santo que agüenta Nandy em casa há mais de duas décadas, trabalhou por anos e anos como bancário e hoje publica seus romances. Davi é um poeta dos bons mesmo sem nunca ter publicado um livro de poemas. Julia escreve roteiros mesmo trabalhando com idiomas para sobreviver. Ingrid faz algumas das melhores críticas sobre o mundo pop mas nunca teve nada disso publicado. Conheço muita gente que está no mercado de comunicação e não anda produzindo, "de carteira assinada", nada de muito relevante. E aí, quem está melhor na fita? Essas coisas são muiiiito relativas.
Vivemos na era dos blogs. Assim como acontece com a música (um exemplo é o fenômeno Calypso), hoje é possível ganhar fama nacional sem estar vinculado a uma grande empresa do ramo. Noblat é um exemplo. Ok, você vai dizer que ele já era conhecido. E o que dizer do "Te dou um dado?"? Começou como uma brincadeira de três amigos blogueiros e virou um hit do jornalismo de fofocas, e até já ganhou um espaço no UOL.
Quem tem competência, se estabelece, como diz o ditado. Quem tem um ideal cravado na alma não precisa de "circunstâncias apropriadas" para fazer acontecer o seu sonho. Vivemos numa época "líquida", inconsistente - fazer o quê? Temos que nos acostumar com a nossa condição de descartáveis. Não faço aqui um convite ao cinismo ou ao pessimismo. Apenas não é aconselhável esperar um movimento "de fora". Século 21 começa nos exigindo atitude. So here we go!... É difícil mas não impossível.

Sim, tenhamos fé e iremos "pular esta fogueira". Como diz aquela "filósofa", Mariah Carey, "they can try, but they can´t take that way from me". Nascemos e viveremos para contar, quaisquer que sejam as circunstâncias!

PS.: Caro engravatado do Supremo, mamãe realmente faz uma das melhores comidas que já provei (a opinião de quem já filou o almoço daqui de casa endossa tal parecer), mas um diploma do SENAC, de comida mexicana ou algo do tipo, faz falta às vezes, sabia? Olha lá o que o senhor está ajudando a produzir! Depois não reclame de jornalismo arroz-com-feijão nesse país, viu?

sexta-feira, 19 de junho de 2009

No limite

Está interessante esta história do Tarso (Bruno Gagliasso) em Caminho das Índias.
As pessoas estão criticando a atitude da mãe do rapaz, Melissa (Christiane Torloni), por ela ser fútil, mas isso é apenas um detalhe. Muitos pais - até médicos, psicólogos, aposto! - fariam o mesmo e negariam a gravidade do problema. Já vi isso acontecer. A questão é que o povo é muito bom para exigir atitudes enérgicas e realistas quando se trata do filho de outro, mas quando é o seu, humm!, tentam tapar o sol com a peneira.
Fiquei um pouco desconcertada com a atuação do Bruno Gagliasso. Dá para perceber que o cara está no máximo do seu pontencial, e apesar de não entender bulhufas de atuação, creio que ele está tecnicamente bem. Mas não convence. Tenho com ele a mesma frustração que tenho com Débora Secco. São atores competentes, mas falta algo. Não convencem!... Apesar de gostarem da profissão e se empenharem muito, Secco e Gagliasso são limitados, tadinhos...

Outro que é limitado é o Wagner Moura, porém num nível bem diferente. Comparo-o com José Wilker: é aquele ator que tem uma presença e tanto, mas que só sabe interpretar todo e qualquer personagem de um mesmo jeito. É o oposto de, por exemplo, um Toni Ramos, que sempre está diferente mesmo quando o papel não é lá muito criativo. Você consegue ver semelhança entre Opash, Boanerges e Téo? (Moooooooooooonstrooooo!... Perfeeeeeeeeeeitooo!... Amo!!!)
Lima Duarte também era assim, como Wilker, mas depois de Da Cor do Pecado parece que acordou pra vida. Lima está muito bem na novela das oito! Comentário fútil: adooooro a cor da pele dele! Que tom bonito, né?

sábado, 13 de junho de 2009

Sintomático

Não querendo ser pessimista mas apenas realista, o que vai ser desse mundo? O que esperar de uma humanidade que desconfia justamente de quem ainda acredita no bem e no auxílio desinteressado ao próximo? O lado bom dessa distorção é que hoje em dia, com a bondade fora de moda, só faz o bem quem é realmente sincero neste propósito.
Ô Ingrid, venha nos dar o seu depoimento, irmã! hahaha

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Namorados de Papel



O amor está no ar nesse mês de Santo Antônio e de São João! Como acontece todo ano desde que esse blog existe, a data não vai passar em branco por aqui. Como poderia, não é? Esse espaço é totalmente feito com amor, por amor e para o amor, ora bolas!O tema de 2009 é nada menos que “Namorados de Papel”. A idéia é realizar uma homenagem aos heróis românticos da ficção que fazem ou fizeram a mulherada suspirar profundo, sonhando com um “genérico” na vida real. A seleção não foi nada fácil. Foi duríssimo ter que cortar alguns guapos da lista, mas só cabiam 12 nesse ranking. :( A participação do “produto nacional” é pequena, como vocês poderão notar. Mas que se pode fazer se os brasileiros carecem de charme? – ao menos nas telas. Poderiam se espelhar um pouco nos gringos.

That´s all, folks!! Segue o ranking.

12º Keanu Reeves
Essa escolha foi absolutamente baseada em “critérios carnais” – a única desse tipo em todo o ranking. Apesar do ar demasiadamente zen – que beira o sem graça -, Keanu tem uma das melhores aparências de Hollywood. Que olhinhos puxados!... Dois momentos são inesquecíveis na filmografia do bonitão: o papel em “Velocidade Máxima” e a cena da piscina em “Caçadores de Emoção”. Essa Sandra Bullock (foto) é uma sortuuuudaaa! Imagine Keanu, assim, coladinho, hein!... Acho que eu partiria para a chantagem descarada, no lugar da personagem de Sandra: “Não se levante, não se mova! Eu posso me mover por causa disso e ter algum problema fatal na minha coluna! Quer ser o culpado disso?”. Acham que Jack/Keanu cairia na minha malandragem? hahaha...

11º Christopher Reeve
O eterno Super-Homem tinha uma das aparências mais clássicas do cinema. Reeve foi o dono de um dos rostos mais belos da telona, em todos os tempos! Além da beleza, o galã ainda concedeu ao mundo um exemplo de coragem e determinação após a fatídica queda do cavalo que o deixou tetraplégico e culminou no seu falecimento aos 52 anos. Reeve era, de fato, todo lindo, por dentro e por fora!... A viúva dele, Dana, merece uma menção aqui. A esposa foi de uma fidelidade canina ao marido, após o acidente. Isso é que é amor, isso é que é casal!...
E foi justamente por causa do papel mais famoso de Christopher Reeve, na pele do “homem de aço”, que ele figura na 11ª posição. Se há um super-herói que se pode chamar de gentleman, este é o Super-Homem. A melhor faceta dele, porém, está na sua personalidade civil de Clark Kent. O jornalista do Planeta Diário é o que se pode chamar de príncipe. Vejam que classe, que generosidade: quase sempre entrega de mãos beijadas as matérias que levantam o ibope da intrépida repórter Lois Lane, e ainda acha graça quando a moça se gaba dos “seus” furos de reportagem. Achou pouco? Clark ainda tem a maior paciência em ouvir dona Lois quando essa resolve tecer dois metros de elogios ao sujeito que passeia com ela no céu, o “rival” do seu colega de jornal e admirador (quase) secreto, ele mesmo, o Clark Kent.
Está certo que o tímido jornalista sabe, claro, que os elogios de qualquer forma são para ele, mas um homem menos humilde ficaria com alguma ponta de ciúme desse deslumbramento um tanto quanto explícito da sua amada por “outro” cara. Definitivamente, esse sujeito só poderia ser mesmo de outro planeta!

10º Patrick Swayze
Todas nós “tivemos o momento” com esse bonitão. Dois, pelo menos, são comuns a 99% das mulheres que conheço: em “Dirty Dance” e em “Ghost”. Sejamos justas, o segundo filme não precisava tanto assim da presença dele, embora Swayze tenha se encaixado perfeitamente no que imagino que  foi o conceito do personagem Sam. Mas em “Dirty Dance” sua presença no elenco foi providencial! Digo mais: de-ci-si-va! Quem se importa com Jennifer Grey? Ela é apenas aquela menina chata que queria acabar com a diversão do irmão, Ferris, em “Curtindo a Vida Adoidado”! Ninguém gosta dela! :P...
Várias mulheres, certamente, já se imaginaram no lugar de Baby, dançando com Patrick ao som de “I had the time of my life”. Isso ajudaria a explicar a explosão de classes de dança de salão na época do lançamento do filme.
Uma das frases mais conhecidas do cinema americano, aliás, é a breguíssima “Ninguém deixa Baby no canto!” - a senha para o início do show de dança da seqüência final. Olha, não perguntem o porquê, pois não tenho a mínima idéia, mas até hoje me emociona a lembrança de vê-lo de roupa colante, se equilibrando em cima de um tronco de árvore, em “Dirty Dance”! hahaha... Detalhe essencialíssimo: além de ser lindo e bailar muchísimo, o moço ainda soltou a voz em “She´s like the Wind”, canção de sua autoria que integrou a trilha desse clássico dos anos 80! Uauuuuuuuu!... Tinha que ser, mesmo, o nº 10 desse ranking! ;)

9º Michael Schoeffling
Vou pagar esse mico e confessar: o moço, popular astro dos filmes adolescentes dos anos 80, foi o meu sonho de consumo quando eu era adolescente. Noooooossa!... Quem consegue esquecer dele em “Sixteen Candles”? Lembram da seqüência final, quando Sam (Molly Ringwald) volta arrasada do casamento da irmã, que foi uma baixaria só, cabisbaixa porque ninguém na família se lembrou justo do seu 16º aniversário (o correspondente aos 15 anos no Brasil)? Mas tudo vira café pequeno quando, no final do processo, Jake Ryan está lá, lindo e com as madeixas a la James Dean, encostado em um carrão vermelho e só à espera dela!
Sobra fôlego para assoprar alguma velinha depois dessa?

8º Mel Gibson
“Tivemos que repetir o beijo umas 30 vezes e eu não achei nada ruim”. A frase pra lá de assanhada saiu da boca da musa de Woody Allen, a respeitada Diane Keaton, sobre o seu partner em “Mrs. Soffel”, Mel Gibson. Ela não foi a única a elogiar os beijos do australiano (que na verdade é nova-iorquino). Jodie Foster também disse que acordava feliz quando sabia que filmaria beijando o colega de “Maverick”. Dizem as más línguas que a estrela mirim de “Taxi Driver” é lésbica... Ou seja, o sujeito não é fraco, não!
Eu nem deveria estar falando aqui do astro de “Eternamente Jovem” e "Coração Valente", já que Gibson morreu para mim depois da palhaçada com aquela “cantora” russa, mas temos que prezar nossa honestidade intelectual acima de tudo. Sorry, companheira Robyn, mas fazer o quê se o bofe fecha fácil e contundentemente no quesito masculinidade?!...
É exatamente isso, aliás, que encanta nos australianos (ou melhor, caras da Oceania): a masculinidade. De Mel ao falecido Heath Ledger todos possuem isso em comum. É incrível como eles, mesmo quando bem novos, nunca aparentam que são tão jovens. Parecem que já nasceram com barba e aquelas marcas de expressão na cara que os deixam lindos. A humildade calculada também é um charme! Sabe aquela coisa de estar na crista da fama, se achando completamente por dentro, mas fazer questão de posar de indiferente só para a turma lá de casa saber que é durão o suficiente para não amolecer diante do dinheiro e da bajulação? Russel Crowe tem tudo a ver com isso, não?... Essa turma do Novo Continente é o que há!...
Mel é o nosso oitavo. Aliás, nada mais apropriado para quem vai ser pai pela 8ª vez!

7º Cigano Igor
“A cada novela das oito, a mesma pergunta se repete: ‘Será ele o novo Cigano Igor?’. Muitos tentaram imitá-lo; todos fracassaram. Não adianta, o Cigano Igor é o REI, não tem pra ninguém. Difamado, perseguido por aqueles que invejam o seu talento, Cigano Igor soube dar a volta por cima. Ele precisou apenas de UMA novela das oito para atingir a imortalidade, um lugar de honra no panteão dos deuses da teledramaturgia brasileira. Um canastrão? Claro que não! Cigano Igor é O Canastrão. Ele soube elevar a Canastrice ao status de Arte Maior”.

Deboche à parte, o autor do texto da comunidade “Eu venero o cigano Igor” tem toda a razão. Aliás, essa é a tragédia da escolha de Macchi para o papel do cigano de “Explode Coração”: o personagem era bom e poderia ter roubado a cena na novela, caso seu interprete tivesse ao menos mais de uma expressão facial.
A razão dessa opinião é a mesma da presença de Macchi nesse ranking: Que homem é esse que ama tanto uma mulher ao ponto de casar com ela mesmo após ter sido recusado anteriormente, mesmo sabendo que ela está grávida de outro, mesmo sabendo que ela ainda ama esse outro, e isso sendo um líder numa comunidade que valoriza à beça a virgindade, ao ponto de punir a mulher que não chegue virgem ao casamento? O ponto alto do romantismo do Cigano Igor foi ter cortado o próprio pulso e manchado de sangue o lençol da noite de núpcias só para garantir que ninguém desconfiasse de Dara (depois dessa, não há espaço para dúvidas na relação, do tipo Dara ou não Dara, não é? hahaha...).
Se isso não for amor incondicional, como diz Martha Medeiros, garanto que é da mesma família. “Que estoy enamorado y tu amor me hace grandeeeeee”... Buááá! Eu quero um par modelo cigano Igor pra mim! “Ligeiro, ligeiro, ligeiro!...” :P

6º Paul Newman
O homem perfeito existiu e faleceu no ano passado; atendia pelo nome de Paul Newman e tinha um par de olhos que pareciam duas safiras. O marido de Joanne Woodward conseguiu a façanha de reunir várias qualidades num ser só: lindo, inteligente, humilde, solidário, amigo, competente, bem-humorado, fiel, etc, etc, etc. A quem lhe elogiava, ponderava que nada disso havia caído de mãos beijadas em sua vida, que não foi o tipo de sujeito que nasceu com o dom para o que quer que fosse. Newman gostava de ressaltar que todas as suas qualidades e conquistas foram fruto de muito trabalho árduo seu.
Sem sombra de dúvidas, tratava-se de um americano à moda antiga, o tipo durão que fazia tremendo sucesso nas telas da primeira metade do século 20.
A primeira vez que o vi foi no conhecido “A cor do dinheiro”, no qual contracenou com Tom Cruise. Apesar de ter odiado seu papel no filme, chamou minha atenção os olhos azuis - muito brilhantes até o fim da vida. Anos depois comecei a pesquisar mais sobre ele e fiquei deslumbrada com a sua imagem em “Gata em Teto de Zinco Quente”. Nada mais americano: porte atlético, de ombros largos, alto, rosto de traços clássicos, olhar de soslaio e um ar rebelde sem causa. Dispensável mencionar outra vez seus magníficos olhos azuis, mas eles impressionavam, realmente, em qualquer época.
Dizem as línguas de Hollywood, nunca foi infiel a esposa, embora tivesse sido um dos atores mais desejados de todos os tempos. Newman brincava que não via graça em comer hamburguer na rua se tinha filé em casa. Ademais, o ator dizia não se deslumbrar com o assédio feminino, que sua empolgação com isso foi muito breve e durou apenas o tempo dele perceber que era algo relacionado aos personagens e não a ele como homem. Joanne Woodward, com quem viveu por mais de meio século, não foi sua primeira esposa. Separar-se foi, a propósito, uma das decisões que mais lhe custou na vida. Homem de valores muito sólidos, Newman relutou em deixar a primeira esposa quando se viu apaixonado por Joanne.
Sofreu muito com a morte de Scott, décadas mais tarde, seu filho do primeiro casamento, que se envolvera com drogas. Dedicou parte dos lucros de sua fábrica de molhos em favor da causa e das corridas de carro, sua paixão.Uma declaração de Newman resume bem o espírito da sua longa e produtiva vida:
Eu gostaria de ser lembrado como o sujeito que tentou - tentou ser parte da sua época, tentou ajudar as pessoas a se comunicarem, tentou encontrar alguma decência na sua própria vida e tentou expandir-se como ser humano. Alguém que não é complacente, que não abandona o barco.

Que homem fantástico!... Paul, levanta dessa cova e remoça uns 50 anos, aí, para eu poder casar com você, vai!

5º Hugh Grant
Quando o eterno namorado de miss Elizabeth Hurley anunciou que cortaria suas madeixas, deixou a Inglaterra de coração partido. Para os ingleses, a idéia de ver Hugh Grant sem a sua farta cabeleira era um sacrilégio quase tão grande quanto imaginar a rainha penhorando alguma das jóias da Coroa.
E foi com esse badalado hair style, o jeitinho irônico-desajeitado e um encantamento acanhado pela personagem de Andie MacDowell que Hugh conquistou 11 entre 10 mulheres após o lançamento de “Quatro Casamentos e Um Funeral”, em 1994.
Charles, o personagem principal dessa comédia romântica, era uma gracinha até quando perdia a graça, como quando chamou uma ex-namorada de “cara de pato” e a moça escutou, ficando magoada.
Grant é um charme dentro e fora da tela. Mesmo não sendo muito caloroso e cultivando a famosa impessoalidade britânica, é capaz de comentários fofos, como quando falou a um programa de TV sobre o seu início de namoro com Liz Hurley: “Eu poderia ser um ator de respeito hoje em dia caso nunca tivesse me apaixonado por ela. Quando a vi, aceitei imediatamente um papel em um filme de segunda categoria, filmado na Espanha, só para tê-la por perto”, riu-se o ator.
“I feel it in my fingers, I feel it in my toes. Love is all around, and so this feeling grows…”. Quem liga para o comprimento do cabelo, não é mesmo?

4º Robert Redford
Quando vejo um filme antigo de Robert Redford, não consigo me conter e logo exclamo: “É um Redford!”. É mais ou menos por aí: em se tratando de galã, Redford é quase como se fosse uma grife para mim.
Amiga, se você suspira fundo quando vê Brad, sugiro uma viagem pela filmografia do sujeito que inventou Sundance! Aliás, Brad e Robert poderiam regravar aquele bordão do “Eu sou você amanhã”. É impressionante a semelhança!...
Dois filmes dele, em particular, me tocam muito: “Entre Dois Amores” e “O Nosso Amor de Ontem”.
Se você me perguntasse como seria meu homem ideal, eu lhe responderia que seria como Dennis de “Entre Dois Amores”. Bem, é certo que sou uma grande entusiasta do sujeito que figura na primeira posição desse ranking, mas Dennis/Redford é, digamos, mais abrangente. Nossa, lembro que fiquei passada na primeira vez em que vi o filme, durante a cena em que Redford lava os cabelos da personagem de Meryl Streep enquanto recita um trecho da Bíblia. Vemos mulheres até lavando os pés do amado, mas nunca o contrário. Exclamei: “Meu Deus, que homem seria tão dedicado ao ponto de lavar os cabelos de sua mulher (ou melhor, paquera, pois nem juntos ainda estavam)?!”. Resignei-me ao fato de que isso só aconteceria em minha vida caso pagasse cinco contos ao cabeleireiro – supostamente gay – do salão da esquina! hahaha... (Se bem que tem marmanjo que pinta até a unha da namorada de francesinha, que já fiquei sabendo!... Esse negócio de homem sensível não vai dar em boa coisa, viu!... Por essas e outras, vou tomar precauções com meu filho, que se chamará propositalmente Janjão! :P)
“O Nosso Amor de Ontem” é um filme que não pode ser visto por todo mundo. Não, a meu ver, por quem anda amargo, desiludido com o amor, ou por quem é demasiado idealista neste assunto. O filme é um balde de água fria na idéia de que o amor por si só é capaz de vencer tudo. De quebra, tem um dos finais mais melancólicos entre os filmes românticos. Mas só por Robert já vale o ingresso.

3º Richard Gere
A eleição de Richard foi ponto de angústia nessa lista. Isso porque ele rivaliza com outros dois contemporâneos seus que não são nada, nada desprezíveis: Denzel Washington e Kevin Costner. Apesar de Kevin ter enlouquecido a mulherada em “O Guarda-Costas”, ele pulou fora pela brevidade da sua filmografia – ao menos da banda A, digamos, dela. Denzel é de derreter o asfalto, mas a ele nunca foram dadas muitas oportunidades de ser o galã romântico.
O que livrou a cara de Gere por aqui foram, na verdade, duas cositas: ter protagonizado – e tre bien! – um dos maiores hits do gênero romance, “Uma Linda Mulher”, e ter feito um filme inteirinho vestido com o uniforme da Marinha (“A Força de Um Destino”), no auge da beleza e da juventude. Ô, meu Deussss!... Homem de uniforme tem total preferência nesse ranking!!!! Quer dizer, contanto que o uniforme não seja da Limpurb, nem de empresa de ônibus, nem de frentista e nem de guarda de trânsito, né! hahaha

2º Brad Pitt
Quando comentei com uma amiga sobre a idéia desse texto, ela quase imediatamente me alertou: “Não vá esquecer de Brad Pitt em ‘Encontro Marcado’, viu?”. Calma, pessoa, que falou em sex appeal, falou em Brad Pitt, ora! Como não? Além do mais, morro de medo da problemática da Jolie. Vai que ela fica sabendo que ele não marcou presença aqui e resolve encarnar a Lara Croft! :D
Brad é como aquele trecho da canção do Leo Jaime (“tenho tudo programado pra te conquistar”). Ele sabe como se mover, ele tem O olhar. E o melhor: sabe como fazer parecer natural. Nem precisa ir muito longe na filmografia do sujeito, não. Basta prestar atenção na cena de sexo dele com Geena Davis em “Telma & Louise”. Incrível! Um charme certificado pelo INMETRO!!! Depois de “Lendas da Paixão” era impossível imaginá-lo mais sedutor (aliás, eis uma nota desinteressante: eu, ferrenha opositora dos homens com cabelo comprido, adorei ver Brad com o cabelão nesse filme, e até levei em conta tal fato para considerá-lo um fenômeno do gênero galã!).
Mas Brad é Brad. No referido filme lembrado por minha amiga, ele mostra o porquê de ser o 2º lugar: na cena da cafeteria, ele simplesmente está o charme em pessoa! Depois desses primeiros vinte minutos com Brad, os outros 120 minutos restantes do filme se tornam absolutamente desnecessários. Melhor gastá-los voltando o dvd umas seis vezes a essa parte – vão por mim!

1º Mr. Darcy
Não, não é do George Clooney o primeiro lugar. Ok, o melhor amigo de Brad Pitt é a personificação do charme masculino (na minha modesta opinião, Clooney é o herdeiro de Clark Gable), mas não inspira muito romantismo, não, nem dentro nem fora da telona. Veja o título deste post e diga se tem a ver com um sujeito cujo relacionamento mais estável é com um porco de estimação. Não dá!
O primeirão desse ranking não é nem de carne e osso, para início de conversa. Trata-se de Mr. Fitzwilliam Darcy, o mocinho da obra-prima da inglesa Jane Austen, “Orgulho e Preconceito”. Li esse livro em 2003 e o terminei em menos de 24 horas (só não entrei no banho com ele pra não detonar com o papel, claro! hehe)!... O título se refere a uma das mais famosas histórias de amor da literatura, que quase não se concretiza por conta do orgulho de Mr. Darcy e o preconceito de sua amada, Elizabeth, em relação a ele, como indica o título da obra.
Os dois personagens, aliás, dão uma aula de integridade pessoal. Nora Ephron, que é fã confessa do livro de Austen, fez uma análise afiadíssima de Elizabeth, num programa de tv, e pontuou bem esse aspecto do caráter da heroína do romance – seus filmes, a propósito, bebem muito nessa fonte.
Aliás, é fascinante pensar que numa época na qual as posições e os papéis sociais eram tão rígidos, uma autora pudesse pensar tão à frente do seu tempo, criando personagens de conduta subversiva ainda que sob a capa de romances água com açúcar. Jane foi uma transgressora, sem dúvida.
Mas voltemos a Mr. Darcy, a razão desse texto. Nas primeiras páginas, o rapaz é apresentado como um sujeito, digamos, sincero demais para o gosto de qualquer mulher, ou melhor, ser humano. Levante a mão quem leu o livro e não teve vontade de dar-lhe com o rolo de macarrão na cabeça depois dele ter dito que Elizabeth não era bonita mas apenas “tolerável” – o que seria equivalente a dizer, hoje, que um homem, na cama, é “tolerável”, por exemplo. Até Elizabeth, que por acidente ouviu tudo, teve essa vontade, aposto!
Mas eis que, aos poucos, Darcy se apaixona perdidamente pela tal “moça tolerável”. Só que a essa altura ela pensa que ele é o diabo em forma de gente e distorce negativamente toda ação vinda dele, ainda que, a partir de um determinado ponto da narrativa, elas sejam direcionadas a moça e com a intenção de conquistá-la.
Lá pro meio da história, Darcy finalmente se declara à amada. Só que do pior jeito possível. Franco e sem tato que só ele, o ricaço pondera, antes de entrar no mérito do seu amor por Elizabeth, que a ama muito apesar da família dela ser um horror e de não terem dinheiro, e ele ainda confessa a Liz que, por tudo isso, vinha lutando bastante consigo mesmo contra esse sentimento (olha, nessa hora, se Liz tivesse um rolo de macarrão por perto, aposto, não teria pensado duas vezes!). Que "romântico", né!...
Uma chocada Elizabeth diz algumas verdades a Darcy e bota o desajeitado apaixonado para correr. O sujeito fica bastante abatido, pois além da rejeição, ainda descobre que a sua amada pensa que ele é um tipo arrogante e sem coração, que, inclusive, foi o responsável pelo rompimento entre a sua irmã mais velha e o melhor amigo de Darcy, Mr. Bing. Um detalhe fundamental junta-se a dor do fora: Liz está completamente fascinada pelo único e maior desafeto de Darcy. De doer, não? Como dizem os americanos, “aaaaalt!”.
Daí para frente – acho que até um pouco anterior a isso -, o leitor fica sabendo que por trás dessa fachada de esnobismo, existe um cara e tanto. A rejeição de Elizabeth começa a quebrar o único defeito do herói do romance, que é justamente o orgulho do seu título. A certa altura, fica impossível não se apaixonar por Darcy e até, pasmem!, começar a se irritar com a implicância de Elizabeth com o rapaz. O grande truque da história, a meu ver, é justamente esse: fazer o leitor saber como Darcy é incrível um pouco antes de Elizabeth ter consciência disso. Ai, que suspense!...
Darcy é o número 1, aqui, porque além de ser um sujeito de um caráter impecável, teve a integridade de vergar-se ao amor – o que não é pouco para um ser pragmático como ele - e em nome disso teve a coragem de quebrar as convenções de sua classe que tanto lhe importavam, a humildade de mudar a si mesmo e a generosidade de agir pelo bem da mulher que o rejeitou, ainda que com a certeza de que Liz nunca saberia o quanto ele já fez por ela nos “bastidores” e estando ciente de que ela pensa as piores coisas a seu respeito. Ohhhhh!... Obama, excuse me, mas Darcy sim é O cara!


Menções de Honra

O Marido Ideal
Gerard Butler – “P.S. Eu te amo”
O filme de Richard LaGravanese é uma sucessão de equívocos de escalação, de roteiro, etc. Mas numa coisa “P.S. Eu te Amo” acertou em cheio: na aposta em Gerry (Gerard Butler) como a tradução, para as telas, do ideal de herói romântico.
Casado há dez anos com uma americana, o irlandês Gerry continua apaixonadíssimo pela esposa, Holly, mesmo ela sendo uma reclamona de primeira. E ainda encontra humor para fazer graça depois de uma briga de casal daquelas. Como se não bastasse, o maridão ainda deixa preparado todo um esquema de “resgate” para tirar a esposa da fossa após a sua morte por câncer. É ou não é o fofo dos fofos esse sujeito?
Se o amor é devoção ao ser amado, Holly experimentou o ápice desse sentimento. Nesse caso, seria melhor fazer como as indianas e queimar na pira? Ou será que dá para conviver com a idéia de que nunca mais achará alguém à altura? Hummm... Resolvam aí esse Teorema de Cher ("Do you believe in life after love?") e me contem, depois, o resultado! :P

O Cafajeste Mais Adorável
Clark Gable - "... E o vento levou"
“Errol fazia meu coração bater mais rápido, mas a primeira vez em que vi Gable, meu coração parou de bater”. A atriz Joan Blondel compartilhava dessa mesma impressão da colega Ann Sheridan: “Só as mortas não se sentem atraídas por Gable”, sentenciou Joan.
O mais charmoso dos atores teve seu ponto alto com a estréia de “... E o vento levou”.
A propósito, eis aí uma exceção à regra: a atriz Vivien Leigh, interprete da mimada Scarlett O´Hara, tinha verdadeira aversão pelo seu parceiro de filme. Gable não fazia por menos: comia cebolas propositalmente antes de filmar cenas de beijo com a atriz. Mas Vivien, apesar da antipatia mútua, não conseguiu ficar tão imune assim ao charme do ator. Na época da filmagem, comentava-se sobre a química explosiva dos dois diante das câmeras – qualquer dúvida, é só passar na locadora.
Na história, Gable é Rhett Butler, um cafajeste charmoso e deveras cínico que tem uma relação pra lá de conturbada com a riquinha (e depois falidíssima) Scarlett O´Hara. Seu “carinho” pela amada tem a máxima tradução numa fala que é, aliás, famosíssima até hoje: “Francamente, querida, eu quero é que você se dane!”.
Quando um sujeito fala isso para uma mulher e ainda assim faz platéias femininas do mundo inteiro quererem estar no lugar da fulana, é porque possui um magnetismo realmente a toda prova!

Amor, Estranho Amor
Harvey Keitel - "O piano"
Keitel não é bonito nem charmoso e nem grande conhecido do público, mas conseguiu ser atraente de um jeito muito rude e estranho em "O piano".
Em resumo, a história do filme é a seguinte: uma jovem viúva se muda, com a sua filha pequena, para a casa do novo marido, que fica nas proximidades de uma floresta. A mulher, que é muda, tem no seu piano a única ferramenta de expressão. E é justamente o dito cujo que seu atual marido se recusa a levar ao novo lar. O instrumento fica em posse de um vizinho, um lenhador solitário e bastante rude que faz com a pianista o seguinte acordo: a cada visita particular dela, ele lhe devolve uma tecla do piano. O que começou despretensiosamente (só da parte dela, claro) se transforma aos poucos numa bela história de amor, que, contada assim, pode soar grosseira, mas na tela é de uma sensualidade de derrubar uma floresta inteira - sem auxílio de machado!

Maluco Beleza
Johnny Depp – “Don Juan De Marco”
Depp é uma obra-de-arte da natureza. Lindo em qualquer papel, em suas várias fases, de todos os ângulos. Aliás, eis um dos seus pontos fortes: o rosto extremamente anguloso, que fica uma coiiisa, ainda por cima, quando ele resolve pegar sol. Como se não bastasse ser lindíssimo, eis um sujeito estiloso e versátil como ator – ele ainda arrisca uns acordes na guitarra. Ô, meu Pai!... Por último, mostrou ao mundo sua faceta de chefe de família dedicado quando tornou-se pública a doença de sua filha mais velha, Lily Rose.
Em "Don Juan", Depp interpreta um amante latino, versão contemporânea do Casanova, que após ter sido rejeitado pela mulher amada, por vergonha do seu passado, resolve cobrir os olhos com uma máscara. Verdadeira ou não, o caso é que a história de amor do moço acaba reacendendo o romantismo no psiquiatra que cuida do seu caso, um senhor entediado, casado há anos e que se encontra às portas da aposentadoria.
O tema do filme, “Have you ever really loved a woman?”, também marcou época. Meninos, se quiserem saber se já amaram uma mulher, eis a dica de Tio Brian Adams para descobrir: “E quando você vê seus futuros filhos nos olhos dela, você sabe que realmente ama uma mulher”.

Performance Vocal
Heath Ledger cantando “Can´t Take My Eyes Off Of You” - “10 Coisas Que Eu Odeio em Você”
Uma vez, conversando com um colega cinéfilo, ouvi dele que nunca imaginara, antes de "Brokeback Mountain", que Heath Ledger pudesse ser tão bom ator, muito menos quando o viu pela primeira vez nessa comédia adolescente. Eu disse que tinha percebido, sim, qualidade tanto nele quanto em Julia Stiles. Tem gente que tem “it”. Mr. Ledger tinha de sobra!
Heath estava longe dos traços finos de um Tom Cruise e nem tinha modos delicados, como Ryan Phillipe. Fazia a alegria de quem gosta do estilo macho clássico (eu! eu! eu!... hahaha). O contraste entre rudeza na aparência e sensibilidade no ser fez a felicidade das adolescentes dos anos 90 que assistiram “10 Coisas...”. Numa das cenas, para se redimir com a namorada, o personagem de Heath arrisca um cover do clássico “Can´t Take My Eyes Off Of You” (“Não consigo tirar meus olhos de você”) na frente da escola inteira... Lamentei, dentro do cinema, nunca ter visto uma cena tão fantástica assim na minha época!... :D

Amante Latino
Fernando Colunga - “Amor Real”
Deus é testemunha dos tremeliques, arrepios e taquicardias que sinto cada vez que vejo o mexicano Luis Miguel cantando, da minha admiração pelos rapazes de Almodóvar, Javier Bardem e Antonio Banderas, e do meu entusiasmo por Gael García Bernal. Entretanto, nenhum desses amantes latinos merece mais essa menção de honra do que o ator de novelas mexicanas Fernando Colunga. Eu sei o que estou dizendo!...
Em um “Amor Real”, Colunga está a quintessência do herói romântico de novela: másculo, um grande coração e muito, mas muiiito apaixonado pela mocinha da história. Aliás, na época em que a novela passava no SBT, por volta da hora do almoço, fiquei sabendo de muita gente que se atrasava na volta para o serviço. Tenho uma amiga que até hoje suspira quando lembra dos passeios pela fazenda e dos banhos de banheira de Manuel e Matilde. ;)

Voz da Sensualidade
Antonio Fagundes – “Bossa Nova”
Fagundes nunca foi o mais bonito, mas sempre que aparecia na telinha, causava taquicardia na mulherada – que o digam minhas tias, minha mãe, as vizinhas (Roberto Carlos e as baleias!). Eu ficava me questionando: “Será o sorriso?”, “Será o olhar?”.
Um dia, assistindo a “Bossa Nova”, tive a resposta dessa minha questão existencial: o magnetismo de Fagundes vem, sobretudo, da voz! Em uma das cenas, ouve-se apenas um off do ator, e isso é mais que o suficiente. Fiquei impressionadíssima com o seu "borogodó vocal". "É uma cilada, Bino". Bem, depende do ângulo pelo qual se quer ver a questão. (risos)
Não fui a única. Anette Bening ficou das mais empolgadas com Fagundes e fez perguntas sobre o brasileiro a Amy Irving, o par dele no filme. Para quem não sabe, dona Anette é nada menos do que a mulher que fez o lendário conquistador de Hollywood e ex-parceiro de farra de Jack Nicholson, Warren Beatty, aquietar o facho.

Olhar Matador
Ralph Fiennes – “O Paciente Inglês”
“De tanto levar frechada do teu olhar, meu peito até parece sabe o quê? Táubuaaa de tiro ao Állllvaro. Não tem mais onde furar...”
Nada mais anti-inglês que um samba, mas essa é exatamente a sensação após uma olhada poderosa de Ralph Fiennes. Ninguém tem um olhar mais matador que esse ator britânico.
Em “Fim de Caso” e “O Paciente Inglês”, ele é de uma intensidade de causar dor de estômago na mulherada. Gosto muito desse filme do Minghella. Adoro quando Almásy toma posse do “bósforo” de Katherine!
Gostei mais ainda do livro, que só tem um defeitinho: não contém a descrição da mirada de Ralph Fiennes. Mas tenho certeza que o autor a teria incluído caso pudesse imaginar que o ator seria o protagonista da versão cinematográfica.

Eu Reservaria Cota Para…
Denzel Washington – “Dossiê Pelicano”
Apesar de ser um grande intérprete e ainda por cima um homem muito atraente, Denzel nunca foi dado a cenas e filmes românticos. Quer dizer, Hollywood nunca deu essas chances a ele. Puro racismo – o próprio ator já cansou de reclamar publicamente disso. O blog protesta: se Halle Berry pode beijar os atores brancos, o que há de sujo em Denzel beijar as atrizes brancas? Hollywood nos deve uma explicação.
Nunca entendi, por exemplo, por que não rolou umas bitocas com Julia Roberts em “Dossiê Pelicano”. Coitada da moça, ficou só na vontade!... E olha que ela deu altos abraços no negão durante as coletivas de lançamento do filme. Ui!...

Alosa, eu tenho uma proposta irrecusável para a Secretaria de Reparação: bora se juntar a Gilberto Gil e fazer um protesto em Hollywood, baseado no caso de Denzel? Imagina que chique a gente lá na Sunset Boulevard, ao som de "E aí? Chupa todas!", pedindo o "beijaço casadinho" no cinema americano, hein!...


I Vote For ...
Barack Obama - Presidente dos EUA
Em mais de 25 anos de vida, nunca vi um presidente tão charmoso nas Américas. Ok, eu gostava de Bill, porém mais pela malandragem que por qualquer outra coisa.
Obama trouxe uma cara nova à Casa Branca. E, de quebra, levou ao sisudo Q.G. da política americana seu sorriso de parar o trânsito e uma informalidade confiante que nos faz acreditar que com um homem como ele no comando, “Yes! We can!”.
Quer coisa mais simpática que um presidente que vai pessoalmente à lanchonete comprar a comida da equipe inteira?
Dona Michelle, com todo o respeito, o seu marido é O cara!!! ;)

segunda-feira, 1 de junho de 2009

A má educação

Meu trabalho é mais ou menos relacionado com educação. Querendo ou não, estou em constante contato com os "educadores". Coloco a palavra entre aspas porque, a meu ver, o que temos hoje em dia, no Brasil, não é educação mas "educação" mesmo. É uma educação de brincadeira, de uma qualidade mais frágil que papel e que está anos luz do que deveria ser uma educação ao menos razoável (nem quero entrar, aqui, no sonho da educação de excelência!...). Olha, justiça seja feita, a culpa nem sempre é do governo. Conheço professores bem pagos que são uma lástima, uma vergonha para o sistema educacional! Bem ou mal remunerados, arrisco chutar que uns 80% dos professores brasileiros são muito mal formados. Nosso problema é sobretudo de formação individual e não exatamente de má vontade do governo ou dos próprios docentes com o seu trabalho. Do que adianta o sujeito ser bem pago ou bem intencionado se ele não tem autocrítica e não investe no auto-aperfeiçoamento?!
Já vi gente que inclusive ensina em universidade pública, é mestre, com uma dicção péssima, erros de português gritantes (inclusive de pontuação) e o raciocínio mais raso do que uma piscina de formiga. Sabe aquele tipo de criatura que galgou cargos, títulos universitários (essa é a parte da história que me agride!) e ganhos financeiros mas que não se melhorou em nada?! Pois é, isso existe e não é raridade, infelizmente. Pagar bem a essa gente, esperando retorno para a sala de aula, é jogar dinheiro no lixo!
A vaidade impera - e esvazia! - por todo canto. Ok, esse é o espírito da nossa época - creio que mais do que em qualquer outra anterior -, mas certas áreas da atividade humana não podem prescindir do idealismo e de mentes desenvolvidas, ora! A educação é uma delas, assim como o jornalismo, a medicina e o direito.
A partir disso, desenvolvi a crença de que antes de qualquer investimento financeiro pesado em "material humano", precisamos - e com urgência - de uma reforma de valores Brasil afora. Não sei como isso poderia se dar, mas é o passo fundamental para a revolução dessa nação, a meu ver.
Mais do que de dinheiro, precisamos desenvolver a consciência!! "Ligeiro, ligeiro, ligeiro!..."

***

A primeira metade do meu ensino foi em escola pública. Quando digo isso, o povo já grita "Ah, mas isso foi em Brasília", como se estivesse falando de Beverly Hills. Escola pública é escola pública, ora bolas. A minha sorte é que, até aquela época, a classe média freqüentava as escolas públicas brasilienses (uma década depois, essa mesma classe média se afastaria do ensino público irritada com as constantes greves de professores que atrapalhavam as férias do verão). A minha escola, em particular, teve um bom insight: criou algo chamado APM (Associação de Pais e Mestres), uma contribuição à parte, paga pelos pais, para que a direção não dependesse do governo para fazer as melhorias necessárias.
Mesmo assim, quando cheguei em Salvador, tive que correr um pouco atrás para alcançar o nível da turma - e olha que estudei em cooperativa, em colegiozinho de bairro!
Essa cooperativa nasceu para ser uma alternativa mais acessível aos bons colégios da época, mas o projeto se desvirtuou feio pelo caminho. Era uma estrutura tão mambembe, que até para construir o alambrado da quadra de esportes, tivemos que bolar e trabalhar num evento para arrecadar dinheiro. Tudo ali, dos ventiladores à quadra de esportes, foi esforço coletivo dos alunos. Apesar do aprendizado humano que tive nessa escola, me arrependo de ter feito o segundo grau lá. Gostaria de ter tido mais informação naquela época e ter feito meu segundo grau no Cefet. Dormi no ponto...
O que faz a diferença, mesmo, é o interesse individual. Minha irmã do meio, por exemplo, fez até a 8ª série em colégio público e um segundo grau de segunda categoria e se formou em Engenharia pela Federal. Mamãe tem um ditado ridículo mas altamente verdadeiro: a necessidade ensina o sapo a pular.
Eu ainda não consegui nada materialmente relevante com o meu estudo, mas diga se eu parei de estudar?! Continuo rata de sala de aula (nem que seja de um mero curso de espanhol), torrando dinheiro com livros (para a tristeza de minha mãe que acha que eles só servem para entulhar a casa). Antes de ser uma ferramenta de ascensão, a educação sempre foi um VALOR pessoal. No meu caso, foi, acima de tudo, uma tábua de salvação. Sem isso, a vida não teria tido muita graça para mim, certamente já teria morrido de tédio.

Como diz Mãe Stella de Oxóssi, a cabeça de uma pessoa faz dela um rei. Acreditar é parte fundamental da equação - e tenho dito! Ainda que a vontade de desistir seja uma tentação por vezes, não acreditar diminui mais ainda as nossas chances na vida - palavra de quem já fez a experiência.

Salvador, a cidade que ainda está lá

Salvador é uma cidade estranha. É o lugar das contradições, o pior e o melhor pra se morar neste país.
Muita gente vai contestar, dizer que isso aqui é uma porcaria, mas, na boa, eu não acho, não. Quer dizer, se estamos falando da classe alta, talvez haja lugares mais interessantes no Brasil para morar quando se tem muito dinheiro. Mas, cá aqui entre nós, em nenhum outro lugar do país o pobre é tão feliz quanto em Salvador. Não, ao menos, em comparação às capitais que já visitei.
Goiânia, por exemplo, é uma cidade na qual o pobre come e se veste melhor, mas o lazer lá é zero. E o desemprego, então, nem se fala... Belo Horizonte idem. A vizinha, Brasília, foi planejada para excluir o pobre, inclusive geograficamente. E segundo andam me dizendo, até alimentação, que era uma coisa relativamente barata por aquelas bandas, tem encarecido espantosamente.
O Rio é lindo e tal, mas não é tão simpaticozinho quanto achamos quando estamos de férias por lá. A violência é absurda. É difícil à beça se enturmar com o carioca (que não é um povo tão dado quanto se divulga por aí). E é tudo absurdamente distante. Ai deles se não houvesse metrô por aquelas bandas!... Um amigo voltou de lá após uma temporada de oito meses. Perguntei o que havia achado da cidade. Ele respondeu: "Decadente".
Recife-Olinda dão um show de cultura popular, mas do que adianta isso, com uma orla toda cheia de placas com avisos de presença de tubarão e um sistema de transporte urbano ridículo daqueles?! É impossível ir a qualquer canto sem ter que pegar no mínimo dois ônibus. Pô, aqui em Salvador as pessoas vão de uma distância como Vilas do Atlântico a Praça da Sé com uma passagem só!
São Paulo é uma cidade estressante, com muitas opções de lazer, "mas nada tanto assim", a menos que você tenha bambá para torrar. Se for um duro, vai ter que repetir domingo após domingo os mesmos programas de sempre. Não tem jeito: o mar faz a diferença e salva o dia! A grande vantagem de São Paulo, a meu ver, é o mercado de trabalho, que apesar de ser o mais selvagem, é também o mais estruturado e faz o trabalhador se sentir mais profissional do que em qualquer outro lugar do Brasil.
Pois é, cheguei no ponto no qual queria. É impressionante como SalCity reúne dois pontos negativos que são praticamente incontestáveis: 1) a falta de educação do povo, apesar da conhecida simpatia do soteropolitano e 2) a mágoa geral, que une gregos e troianos, com os patrões, com o ridículo mercado de trabalho da cidade.
A mim, pelo menos, duas coisas deprimem (não vou entrar no mérito do segundo mandato de João Henrique aqui. Falo de "depressões perenes" com a cidade... Se Deus quiser, esse traste vai desocupar a moita daqui a 4 anos!): a extrema falta de educação dos comerciários desta cidade e a falta de aproveitamento dos talentos jovens.
Quanto aos comerciários, já não tenho muita esperança; confesso que me resignei a ser tratada que nem cachorro nesses comércios de Salvador. A parte que realmente me dói é ver tanta gente talentosa sem espaço. Eu queria 1 Real por cada pessoa talentosa que conheço que anda subaproveitada... De dentistas a cabeleireiros, todo mundo trabalha triste em Salvador. Quase sempre, precisam passar por alguma experiência off-Bahia para recuperarem o vigor. É engraçado como o povo volta com outra cara, mesmo tendo feito lá a mesma coisa que sempre fez aqui. É o tal do "xarope do reconhecimento", coisa que não se vê muito por essas bandas.
Eu brinco que aquela música "New York, New York" deveria se chamar "Salvador, Salvador" por causa daquele trecho: "Se eu consigo fazer isso aqui, eu consigo fazer isso em qualquer lugar". Se você consegue ser bom nas condições desumanas do mercado soteropolitano, vai mandar bem em qualquer canto - menos no Alasca, que baiano tem horror a frio! :P
Já faz quase dez anos, mas nunca esqueci da primeira obra fora que minha irmã fez (ela trabalhava com engenharia mecânica) no tão festejado Rio de Janeiro. Ela voltou indignada de lá, pois teve uma dificuldade tremenda de arranjar peões de algumas das especialidades que a obra precisava, coisa que nunca havia lhe ocorrido aqui. Ela voltou em clima de lua-de-mel com a peãozada soteropolitana, depois do banho de água fria que recebeu da mão-de-obra fluminense!
Talento não nos falta! Às vezes eu fico provocando a parentada de Brasília, que acha que isso aqui não tem potencial só por ser Nordeste, desafiando a pensarem em qualquer área da atividade brasileira na qual não exista pelo menos um baiano de destaque. Isso quando não roubamos a cena, a exemplo de Glauber Rocha, ícone máximo do cinema brasileiro.
O que nos falta - e o sistema escolar de jeito algum nos ensina/estimula - é a capacidade de empreender. Enquanto a gente não conseguir tomar as rédeas da coisa, vamos sempre ficar na dependência de um convite do "Sul Maravilha" para mostrar a nossa capacidade. Eu totalmente me encaixo, infelizmente, nessa juventude que não sabe ser patrão e que se resigna a ser empregado. Mea culpa!... Mas eu torço e rezo, muito mesmo, para que num futuro não muito distante, o cenário mude, e que a gente possa, a exemplo do que acontece com a música, fazer cinema aqui, jornalismo aqui, moda aqui, esporte aqui, publicidade aqui e que possamos reter na nossa própria terra a inspiração e os ensinamentos que ela mesma nos dá.
É triste mas a impressão que tenho é a de que Salvador é uma cidade que está por todo canto, menos aqui. Nossa cidade é ainda um lugar que não aconteceu, que ainda está lá, em qualquer canto distante da gente geograficamente. Com isso, ganha o Brasil, perde o baiano.
Ê, Bahia, que sina: sempre saqueada em suas riquezas para construir esse Brasil! Teta de mulher escrava que serve de alimento pros filhos da Casa Grande!... Peço que não, mas parece que esse é o nosso carma, a nossa missão na História.
(Será que um dia receberemos pelo menos metade do crédito que merecemos?)

domingo, 31 de maio de 2009

Ponto de luz

E, graças a Deus, nem tudo embaixo do sol é só vaidade e aflição. Vejam que iniciativa interessante!

Doença Mental

O poeta Ferreira Gullar deu uma entrevista interessante sobre doença mental à revista Época. O escritor teve dois filhos esquizofrênicos, um deles já é falecido.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

O Vôo da Canarinha


A bonita da foto é a minha amiga Mariana (biritando num Carnaval qualquer).
A amarelinha nos deixou na última sexta-feira. Calma! Graças a Deus, ela está vivíssima, de corpo e espírito, como sempre! Apenas trocou SalCity pela Cidade Maravilhosa - que vidinha chata, hein, pessoa? Local mais apropriado para uma malandra não há (quem conhece a figura, sabe! hahaha).
Vou sentir muita saudade, mas tô muito feliz por minha amiga. Inteligentíssima, gente boa pacas, ela vem cumprindo a profecia que fez para si mesma quando botou, há anos, na sua descrição em um site de relacionamentos, o Poeminha do Contra, de Mário Quintana:

"Todos esses que aí estão
Atravancando o meu caminho
Eles passarão
Eu passarinho"


E ela voou. Só não sei quem teria o espírito de porco de atravancar o caminho dela. Desconheço quem não goste de Mariana.
Mari me lembra um tempo bom, lá por volta de 2002-2003, no qual a gente fazia coisas divertidas de adultos mas sem a pressão da vida adulta. Coisas de criança, também, como a ida à Igreja Universal do Reino de Deus, que só podia ser invenção, mesmo, de dona Mariana! hahaha... Oh, ainda lembro da amarelinha, sentada na cadeira do auditório de Biologia, que nem criança pequena, esperando ansiosamente o resultado de um prêmio PIBIC ao qual ela concorria. "Ô, Brito, se acha que rola d´eu ganhar esse computador?". The sweetest thing.

O Rio de Janeiro tá com sorte! ;)

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Amicizia

A reunião aconteceu há 3 meses, quando Samantha (de cinza) veio da Itália para alguns dias de férias. Entretanto, seguindo a nossa tradição terceiro mundista, a foto só veio a baila agora (risos). Pois é, doutora Samantha está com a moral e não está sabendo. Até que a ragazza conseguiu agregar uma boa parte da galera, isto é, se considerarmos que ela nos convidou às vesperas do Carnaval. Claudinho e eu tivemos presenças virtuais, comparecemos via Embratel.
PS.: Ô Ingrid, abre esses olhos, pô! rsrs

segunda-feira, 11 de maio de 2009

O.B. servações

"Eu tenho tanto pra te falar, mas com palavras não sei dizer...". Ah, o Rei!... Na verdade, eu não tenho nada para falar. Nada substancial, ao menos. Mas eu vou falar, pois tenho observações a fazer. Besteira, viu? Se não tá com paciência para papo abobrinha, gire à esquerda.


Radicalismo
Às vezes as pessoas nem estão de todo erradas, mas o radicalismo do ponto de vista acaba botando todo o discurso a perder. Vejam a entrevista dessa feminista. Um amontoado de opiniões extremistas!
Nelson tinha razão: elas querem transformar a mulher num macho mal-acabado.

Por que não eu?!
Gostaria que meu pai tivesse tido o mesmo insight do pai da Bundchen, há 15 anos:
"Gisele, quem tem personalidade tem nariz grande. Você tem muita personalidade.”

Por que não eu?! [2]
Alosa foi para Washington DC e New York, de graça, diz ele que a trabalho. Nem Cláudio, o mais bem-sucedido entre nosotros hasta o momento, teve tal regalia - Claudinho, tô mentindo? Alguém lá no TM já te pagou passagem para qualquer lugar desses?
Hoje à noite, terei um cara a cara com Alá. Perguntarei, na lata: "O que Alosa tem que não tenho, poooxa!"
Mas, pra variar, apesar da minha indignação com a sorte da fraude, botei o sorriso de mãe de miss na cara assim que vi a fotinho dele em frente a Estátua da Liberdade, todo empacotadinho, que nem um charuto cubano... "Se me acaba el argumento y la metodología, cada vez que se aparece frente a mí tu anatomía...". Shakira me entende!... :P

Pró-Atividade
Estava dando uma olhada nos classificados sexuais, enquanto fazia hora, e me deparei com o seguinte anúncio: "Maurício, dou de graça, só para homens". Achei isso o cúmulo da pró-atividade e, por que não?, da caridade. Baixo-astral, sem dúvida, mas audacioso. Agora ficou faltando um dado essencialíssimo aí, que não é o telefone. Mentes poluídas, podem matutar à vontade a respeito.
PS.: Há meses fiz a pergunta e até hoje ninguém me esclareceu o que quer dizer "abafadinha"! Humpf!...

Bompreço, más línguas
Outro dia, na fila do Bompreço, uma senhora muito simpática [que, inclusive, me cedeu o lugar na fila] comentou o seguinte, ao ler a chamada para a matéria da gravidez da namorada de Dado Dolabella: "É ter muita coragem, é pedir para ser mãe solteira! Onde essa moça está com a cabeça?!". Gente, Dado tá queimadíssimo!! E sabe o que é pior: ele está tão queimado, que até anda ofuscando a má fama da ex, Luana Piovani. Caramba, quando sua fama é tão ruim que ninguém nem se lembra mais de esculhambar uma barraqueira como a Piovani, quer dizer que o treco tá feio mesmo! Fim de feira, como diria Leão Lobo!
Por falar nisso, inicio, aqui, uma campanha pela mudança do nome "Bompreço". É muita baixaria de uma vez só: aquele mercado já é um roubo, tem uma fila que é quilométrica e nonstop, não tem empacotador, o saco é mega vagabundo e ainda por cima se chama "Bompreço"! Eu saio de lá moralmente arrasada. Saudade do tempo em que ia ao Carrefour, viu!

Uma questão de talento
Tenho uma teoria sobre a prostituição ["tenho uma teoria" sempre me remete a cara de desespero de Guto quando começo uma conversa com essa frase! hahaha], ou melhor, sobre ser prostituta. Eu nunca acreditei que alguém pudesse viver nessa condição sem querer isso. Você pode até entrar involuntariamente no ramo e no caso de ter sido seqüestrada por alguma rede de tráfico de mulheres, justifica-se permanecer ali, afinal encontra-se sob pressão. Mas a maioria, na boa!, fica porque gosta - não entendo muito bem como é possível gostar disso, mas há quem curta. Suspeito, por causa de alguns casos sobre os quais já escutei, que tenha a ver com um certo descolamento entre a personalidade e o próprio corpo, como se alma e matéria funcionassem de forma independente uma da outra.
Esse era o caso de Marilyn Monroe, pelo que já li. Dizem que, numa determinada época antes da fama, passou a ganhar a vida fazendo strip-tease. Um cliente, então, pediu para que ela fizesse uma performance particular num quarto de hotel. Chegando lá, o sujeito quis o "show" completo, claro, e ela topou. Disse que aquilo - sexo - não significava nada para ela e que por isso não viu motivos para não fazer o programa com o sujeito e pegar a grana.
Ainda assim, mesmo teorizando sobre a questão, continuo não entendendo; fico maravilhada e intrigada com o desprendimento dessa mulherada... Tem gente para tudo neste mundo... Mais surpreendente do que quem é indiferente ao próprio corpo, é quem gosta que estranhos se utilizem dele. É o caso de Gabriela Leite, a líder da grife Daspu, que hoje em dia é prostituta aposentada. Ela, ao que parece, curtia muito ser puta. Seu caso não foi de necessidade. Not at all!... "Eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim... Gabrieeela...".
Acho que nunca vou entender essa galera... Mas há algo de bom nisso: tenho agora mais um elemento para continuar implicando com a Capitu escrita por Manoel Carlos, em "Laços de Família". :D

É, tô vendo que o meu mal é querer ser indivíduo demais nesse mundo louco, de sentimentos frouxos e condutas banalizadas!... :(

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Caeiro

Fazia tempo que não via esse poema de Fernando Pessoa - o único, aliás, que decorei na época da escola.

O meu olhar é nítido como um girassol
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda
E de, vez em quando olhando para trás
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto
E eu sei dar por isso muito bem
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer
Reparasse que nascera deveras
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo

Creio no mundo como num mal-me-quer
Porque o vejo
Mas não penso nele

O mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos
Se falo na natureza não é porque saiba o que ela é
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar
Amar é a eterna inocência
E a única inocência é não pensar

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Omissão e Aceitação

"Senhor, dai-me coragem para mudar o que pode ser mudado, serenidade para aceitar o que não pode ser mudado e sabedoria para distinguir uma coisa da outra."

Uma das situações mais difíceis da vida adulta é se deparar com uma injustiça e não poder fazer nada a respeito. Infelizmente, essas situações não são raras. E o pior, até que a punição chegue ao vilão da história, demora-se muito tempo, às vezes mais que o tempo de uma vida. Até lá, é preciso aceitar, por mais que a impunidade [momentânea] nos doa.
Mas muita atenção na diferença entre aceitar e ser omisso. Aceitar pressupõe deixar o fato se desenvolver por si só, na falta de condições de resolvê-lo sozinho; ser omisso é ser covarde, é ser indiferente diante de uma situação na qual cabia perfeitamente uma intromissão sua.
A aceitação é um processo muito difícil para a esmagadora maioria dos seres humanos. Talvez porque mais do que nunca vivemos numa sociedade cujo pilar é a crença de que somos responsáveis por tudo o que nos acontece e que estimula a fantasia do controle. Dos BBBs aos celulares com GPS, tudo leva a crer que estamos no comando, de modo absoluto. Que ilusão. Ilusão essa, aliás, que serve muito bem a uma sociedade de consumo como a nossa.
Uma boa parte da humanidade ocidental passa por crises em relação a essa idéia de controle, em algum ponto da vida, geralmente em torno dos 50 ou dos 60 anos de idade. A chegada da velhice, com as primeiras grandes limitações físicas e a proximidade da morte, nos faz perceber que não somos tão potentes e que temos, sim, limites de ação. A minha crise veio muito mais cedo, aos 20 anos, e culminou na minha ida, no início deste ano, a um centro religioso indiano para aprender sobre meditação. Falei sobre isso com uma amiga que, para a minha surpresa, topou a aventura. O curso foi bem interessante e fazê-lo com a tal amiga foi bom para estreitar laços. Não consegui exatamente o que queria, mas ganhei algo de que precisava.
Chego agora no ponto que desejava: numa das aulas, o professor falou sobre a importância de sermos um observador desapegado. O tema, que a princípio parece simples, gerou a maior polêmica dentre todos os ensinamentos do curso.
Claro, só poderia! É que ser um observador desapegado vai de encontro com a nossa cultura do "make it happen" e a nossa moral cristã. As pessoas questionavam o professor: "Quer dizer que se uma velha com uma criança estão mendigando na rua, devo fingir que não é comigo?". Minha amiga ficou confusa com a idéia. Ela dizia: "Juli, isso é impossível para mim! Se alguém te sacaneia ou se você está sofrendo, eu, como amiga, tenho que fazer alguma coisa. Acho que sou mundana demais", resmungava.
O professor cortou um dobrado para explicar seu ponto de vista, e eu sentia que a resistência do povo era tão forte que eles simplesmente não queriam entender [porque a explicação foi bem clara]. Aliás, nem deveria me surpreender com isso. É incrível a resistência que as pessoas têm em absorver ensinamentos que divirjam dos seus conceitos. Tem gente que é tão cabeça dura, que a idéia vem, bate com toda força mas cai pro lado, coitadinha!...
Por "observador desapegado" entenda-se o comportamento de aceitar o mundo como ele é, de fluir com a corrente da vida. Num estágio mais avançado, você simplesmente não sofre nem se apega porque não mais deseja. Essas religiões orientais, assim como o kardecismo, pelo pouco que conheço, entendem o sofrimento como uma oportunidade, ou de pagar um mal feito no passado e se livrar do carma ou de desenvolver uma habilidade que o fará um ser humano mais preparado para a vida. Por esse motivo o professor insistia nesse ponto. O pessoal não entendeu que não havia ali uma apologia a permissividade ou a indiferença, mas um convite à mudança de visão a respeito do sofrimento - algo difícil nesse momento de ode ao hedonismo em que vivemos, no qual, mais que em qualquer outra época, sofrer virou coisa de otário, como se uma vida sem sofrimento fosse possível. Ai, ai... Como bem disse Pessoa, "quem quiser passar além do Bojador, tem que passar além da dor".
Por último, já vencido pelo cansaço, apenas aconselhou: "Siga seu coração".
Se pensarmos bem, o coração é um juiz de grande valia. Não é fácil decidir racionalmente. As pessoas têm medo de seguir seus sentimentos, mas na minha opinião, somos muito mais passíveis de engano agindo através da mente. Separar aceitação de omissão não é bolinho! Ouvir o coração é fundamental nessas horas.
Eu venho de uma família passional, neste sentido. Cresci sendo ensinada a ajudar, a não ser indiferente ao sofrimento alheio. Minha mãe, por exemplo, uma vez deixou de fazer a minha roupa da apresentação anual da academia de dança para fazer a da vizinha, amiguinha de minha irmã, que tinha uma mãe alcoólatra e estava passando por uma fase conturbada em casa.
Para mim, esse tipo de dilema é sempre custoso, desgastante. Odeio passar por isso! Pior, odeio não poder corrigir uma injustiça! Mas c´est la vie. O sofrimento é sempre uma oportunidade, e eu tenho aproveitado os casos do tipo, que vem me ocorrendo nos últimos tempos, para desenvolver na prática aquilo que defendo na teoria.
Há uns dois anos e pouco, estive numa saia-justa ética. Tudo começou quando fui checar meu resultado num concurso público federal. Estava eu passando as páginas do pdf, quando meu olho bateu em cima do nome de um conhecido dos tempos da escola. Olhei para cima e vi o que não queria ter visto [não ao menos para ficar na condição que fiquei, entre a cruz e a espada]: o fulano havia se classificado nas vagas para deficientes!!
A indignação subiu na hora. Os pensamentos começaram a surgir como raios. Tentei dar o benefício da dúvida, tentei não pensar mal do sujeito [para o meu próprio bem, inclusive], mas esse tipo de atitude casava muito bem com o comportamento do fulaninho nos tempos do colégio. Desde aquela época, ele já dava mostras do seu egoísmo e da sua elasticidade de caráter. Tentei acreditar que talvez ele tivesse sofrido um acidente e tivesse sendo verdadeiro. Cheguei a checar a história com três amigas em comum e nenhuma sabia dizer algo a respeito [elas sabiam que não havia acidente, deficiência, mas não quiseram se comprometer]. Isso só me fez ter certeza do óbvio: ele estava tentando pegar a vaga através de uma fraude. A mãe dele é médica. Meu pensamento foi de que talvez ela conhecesse o médico do tal órgão e já estivesse com tudo arranjado. Se isso fosse verdade, ficaria duplamente triste, pois sempre tive simpatia pela mãe desse rapaz.
O sangue foi todo pra cabeça. O fulano é um mauricinho, filho da classe média alta, que teve e tem todas as oportunidades de estudo; era só se esforçar que conseguiria o mesmo resultado através do próprio esforço. É aquela coisa: o brasileiro não dá um pingo de valor ao mérito, ao trabalho duro; "ser foda" é conseguir as coisas na malandragem, na base da "esperteza". Será que algum dia as pessoas, neste País, vão se tocar que o "ser ou não ser foda" está nos meios que se usa e não nos fins alcançados?!... E é como digo, três listas, para mim, são sagradas: a de transplante, a de vestibular e a de concurso. Tem gente que vende até o carro e larga o emprego para investir nisso, poxa!...
Os dias foram passando, a história foi crescendo na minha cabeça e a minha raiva foi subindo cada vez que pensava no assunto. Eu queria denunciar o caso, mas isso me causaria problemas pessoais, pois arrumaria uma meia dúzia de inimizades com gente que foi meu amigo de infância, praticamente. Que fazer?
No auge da ansiedade, escrevi a um amigo advogado e foi ele quem conseguiu me acalmar. Acho que meu amigo percebeu o tamanho da minha indignação e, num pensamento inspirado, me tranqüilizou com o seguinte argumento: "Mesmo que ele ou a mãe conheça alguém lá, vai ser difícil ele ser admitido não sendo deficiente de verdade. Diria que quase impossível. Se ele entrar, alguém, uma hora, vai descobrir e ele vai ser posto para fora de lá".
Foi assim que consegui largar o osso, finalmente. Eu nem sei que fim levou essa história e nem quero saber. Aliás, para que saber tanto? Só para passar raiva? Sempre me pergunto o que Deus quer de mim nessas situações. Só pode ser testar meu autocontrole, minha paciência. Tarefa nada fácil para a minha pessoa. Como diz a letra daquela canção do Coldplay, "a parte mais difícil é deixar rolar e não tomar partido". "It really breaks my hearrrt...".
Às vezes bancar o justiceiro é um risco incalculado e que tem um alcance que a gente nem imagina, a princípio. Mas em certas ocasiões nada paga a sensação de dever cumprido, apesar dos riscos.
Minha irmã que está morando no exterior quase se deu mal desmascarando uma criatura perigosa que estava pegando o dinheiro de uma turma de brasileiros. Ela poderia estar até morta agora, mas como a pessoa não tem um pingo de juízo na cabeça, não contou até três e, assim que descobriu a vigarice, pôs a boca no mundo. De quebra, acabou ajudando um monte de gente a se livrar de uma criatura dissimulada, desonesta, sanguessuga [o termo anda banalizado, mas essa criatura é uma psicopata, definitivamente!]. Depois disso, essa turma de brasileiros ficou muito amiga da minha irmã, que havia acabado de chegar naquele país; sabiam que muita gente boa se omitiria numa situação dessas, por medo. Nunca disse isso a minha irmã para não botar lenha na fogueira, já que a criatura não tem muita noção do perigo [risos], mas fiquei com um orgulho retado dela por conta disso.
Na época do colégio, eu me dava bem com todo mundo, mas não ia nem um pouco com a cara de um certo professor [não vou dizer de que matéria, pois ele virou estrela da área dele, então...]. Desde o 1º ano, eu falava ao pessoal da minha turma: "Ei, prestem atenção que esse professor é um falso e, além disso, uma fraude". Tirando uma amiga nada impressionável e a minha melhor amiga na época, ninguém mais botava fé na minha opinião. As pessoas não costumam ver além das aparências e como o fulano era do tipo brincalhão, a galerinha se deixava levar por isso, apostava que o sujeito era gente boa. Com o tempo, cansei de "pregar sozinha no deserto" e lavei as mãos.
Meus olhos são pequenininhos mas são atentos. Sou da teoria de que as entrelinhas, os pequenos gestos, revelam a verdadeira personalidade. Eu só ficava observando o movimento. Eu percebi que esse professor vigarista estava causando intriga entre dois professores que eram compadres, quase irmãos. Um deles, deslumbrado com a ascensão desse fulano, começou a debandar para o outro lado, abandonando o ex-grande amigo e virando o melhor amigo do outro. Até o jeito de dar aula da criatura chucky ele começou a copiar. Era patético! O cachorro e o dono. Gostava dele, até porque é uma pessoa de bom coração, mas me matava ver a sua absoluta falta de personalidade. E também a ingratidão para com o outro amigo [e se tem uma coisa que dói na alma é traição de amigo!]. Como sabiamente disse Cláudio, uma vez, "é muita falta de referência".
Uma coisa que havia reparado no jeito desse professor antipático lecionar é que ele não ensinava zorra nenhuma. Ele não sabia explicar, era péssimo de esquema, mas era brincalhão e elaborava provas difíceis. Daí vinha a falsa fama de que era um professor retado, muito competente: o aluno aprendia não por causa dele, mas por causa do livro e do conhecimento prévio de que a prova seria difícil, o que forçava quem quisesse passar a estudar muito. O que passei a fazer? Simplesmente pensava na morte da bezerra à vontade, enquanto ele falava, e "tomava aulas particulares" com o livro, que era ótimo.
Numa das provas, fui a única a tirar uma nota azul. Ele quis argumentar que não falhara mas sim a turma, me usando como argumento, tipo, "se Juliana conseguiu tirar a nota, vocês também poderiam; a aula foi a mesma para todos". Eu pedi a palavra. Acho que ele pensou que eu iria agradecer a menção elogiosa e criticar a turma, mas aconteceu o contrário. Desmascarei o método dele na frente de todo mundo - com educação, claro, mas essas coisas não contam muito para o ser criticado. Ele ficou vermelho e parou de falar. Seguiu a aula.
Uns dois anos depois, na aula final desse professor bonzinho que perdeu a amizade do outro professor, estávamos somente duas colegas, o professor e eu, e o nosso mestre nos fez uma confidência: essa minha crítica foi assunto de todo conselho de classe daquele dia em diante. O tal professor vigarista sempre tocava no assunto, com amargura: "Porque tem aluno nessa escola que diz que eu não dou aula direito!...". Detalhe: o sujeito nem sabia que eu existia antes desse episódio, mas daquele dia em diante, passou a me tratar com uma simpatiaaa, embora quisesse afogar minha cabeça num tanque de água, isso sim!... O professor injustiçado e eu já rimos disso. Muito! Não só daquela vez, mas em outras ocasiões nas quais nos encontramos [a última vez foi em 2004, mais de cinco anos depois do fim da escola]. Os olhinhos dele brilhavam de satisfação. O professor nunca me agradeceu formalmente por isso - e nem precisava -, mas eu sentia no jeito dele o "obrigado" implícito. Não só fiz justiça para os meus colegas, naquele dia, como havia feito para ele também - e, olhe, corria risco e nem sabia, pois se precisasse da criatura chucky para alguma situação de conselho de classe, estaria superferrada! Fiz, sem nem ter a intenção, aquilo que esse professor queria fazer, mas por questões éticas não podia. Bem, minha mania de meter o bedelho onde não fui chamada, dessa vez, serviu para lavar a alma de alguém. Uma vez na vida não me queimei em vão! :D
No final do terceiro ano, a máscara daquele cidadão "de bem" caiu. Ele aprontou uma com a turma, de modo que os alunos que ele calculava que não passariam no vestibular perdessem de ano (para não sujar a boa reputação dele, pode?). Só que a galera descobriu a tempo. Hoje a minha turma sabe que aquele sujeito não é massa, o tiozinho legal, como queria nos fazer crer... Acho que preciso criar uma coreografia do "Eu não te disse?".
Quando a gente é novinho faz dessas coisas, mas depois de uma determinada fase, a idade não mais nos protege, e você tem que escolher suas causas como um adulto. Fica até ruim para a nossa cara ficar comprando briga a torto e a direito, fala a verdade!
Situações como a da colega de trabalho que "dá" para o chefe e sobe na hierarquia vão ser corriqueiras, e não é possível nem justo perder o emprego que custou tanto - e foi mérito! - para posar de paladina da justiça e da verdade, toda vez que se deparar com uma injustiça como essa. Não se trata de cinismo ou de culto à indiferença. É questão de confiar na vida e eleger as brigas que realmente valem a pena. As máscaras, um dia, caem. Sempre caem. Como dizem por aí, "a justiça tarda mas não falha". Essa pessoa, que a princípio é "a esperta", está cavando sua própria cova. Nem todo chefe vai querer "comê-la", o cargo de chefia costuma ser rotativo e a juventude não dura para sempre. O que essa criatura vai fazer quando não puder mais se utilizar da "arma secreta"? Esse menino que fraudou no concurso, mesmo, é um exemplo disso. Sempre passou de ano, no colégio, colando. Quando fez vestibular, nem na primeira fase da Federal passou. Quando saiu da faculdade, bem, essa fase dispensa descrições. Que esperteza a dele, né? Como ele se deu bem na vida!... :P
Enfim, é tão bom ver o destino dando o troco sem a gente ter que sujar as próprias mãos!... Não é questão de jogar praga ou de desejar o mal do próximo, não. É a lei da vida, ou como gosta de dizer a minha mãe, é a lei do retorno. Djalma Argollo - se não me engano, ouvi isso dele - tem uma frase que é supimpa: "O mal é como uma compra de cartão de crédito: você faz hoje, mas pode esperar que um dia a fatura disso chega".

Ser um observador desapegado é um exercício de fé, esforço de compreensão e paciência.
Na dúvida, como disse o professor, siga seu coração. Ele sempre sabe o que é melhor para gente, por mais bobo que isso possa soar. Tudo que precisa saber já está dentro de você.
Ou melhor, aproveitando que estamos próximos do Dia das Mães, se encare como se fosse seu próprio filho. Se você fosse mãe de você mesmo(a), puxaria sua orelha por ter agido assim? Ficaria orgulhoso de você por ter agido assado? Pense nisso.

sábado, 2 de maio de 2009

Liga dos Injustiçados

Sabem qual é o verdadeiro nome de Gretchen? Maria Odete Brito de Miranda. Pois é, nome de bibliotecária. Quem diria... Uma vez, comentei tal dado com meu pai [detalhe: ele não suporta Gretchen!], e ressaltei a presença do "Brito" na certidão de nascimento da "cantora". O velho, que não vale 1 centavo, disparou, na lata: "Minha filha, abafe o caso! A família já não dá o que preste e você ainda quer anexar essa criatura à nossa árvore genealógica?!". Ô, pai, Gretchen é também um ser humano, poxa! Embaixo do silicone bate um coração. Pega leve...

Gretchen é uma artista deveras injustiçada. Assim como Magal. Assim como Ronnie Von. Assim como Xuxa.
Foram visionários. Incompreendidos, isso sim!, por estarem à frente do seu tempo.
Gretchen, por exemplo, antecipou o fenômeno da globalização. Quando todo mundo cantava ou em inglês ou em português, Gretchen fazia a Torre de Babel em suas letras. Era um tal de misturar francês com português com espanhol com inglês... Sem dúvida, a primeira artista poliglota do Brasil - e com amortecedores!
Magal foi o primeiro metrossexual que vi na vida. Feminino, sim, mas nem um pouco gay, como o Ney Matogrosso. Para começar, ele nunca cantou nada como "Telma, eu não sou gay". Metrossexual: homem que é mais enfeitado que 90% das mulheres, mas, ainda assim, jura que dá no couro com elas. Ninguém deu valor a Magal. Precisou aparecer o Beckham pra todo mundo respeitar o movimento. Tsc, tsc... Alosa, terá sido racismo?
E o que dizer do Ronnie? Anos antes da guarda compartilhada virar algo habitual e dos homens invadirem a cozinha, o Bonitinho já estava lá, na jovem e van guarda [Ronnie é de "Von" guarda]! Ai, Ronnie!... Tava até comentando com as meninas, ontem: só compro a "G Magazine" em duas ocasiões: se Leão Lobo ou Ronnie Von for a capa.
Xuxa é uma guru de short curto, né? Veja ou leia "O segredo" e verás que tudo se resume a uma frase muy famosa da lôra: "Querer, poder e conseguir", ou como diz a letra de "Lua de Cristal": "Tudo que eu quiser, o cara lá de cima vai me dar". Enfim, você, fã de "O Segredo", poderia ter poupado seu tempo e o seu real ouvindo os conselhos da Rainha. Ninguém quis escutar a moça... É nisso que dá a falta de humildade!

Mas, pra mim, top of the tops é Wando. Nunca saberei ao certo porque a fórmula ainda não existe, mas tenho certeza de que o Viagra feminino, quando existir, vai ser, por assim dizer, a tradução química para toda a extensa e sedutora discografia de Wando [Uando ou Vando? Dilema!...]. Não, peraí, Wando é o precursor das campanhas de lingerie, apimentadíssimas nos anos 90! Antes de "Duloren" sonhar em fazer anúncios mega provocantes, Wando já cutucava a libido da mulherada e incendiou as paradas com "Fogo e Paixão". Wando é "o" cara - e tenho dito!

Fiel!!!


É por isso que eu amo essa menina: quer maior fidelidade ao Macaco que isso? Nem eu fui tão fiel assim. hahaha... LINDONA!!!
[e ela também tinha que ter, claro!, nome de imperador! "Ave Adriana!":D]

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Frase(s) da Semana

Como o tema é a fantástica Mae West, não daria para escolher só uma, não é?

"Uma mulher só precisa de quatro animais na vida: uma raposa no armário, um tigre na cama, um Jaguar na garagem e um burro para pagar tudo isso."

"Ama o teu proximo - e se ele for alto, moreno e bonitão será muito mais fácil."

"Eu mesma escrevi a história. É sobre uma menina que perdeu a reputação e jamais sentiu falta dela."

"O que conta não são os homens em minha vida, mas a vida em meus homens."

"Claro que meu amante pode confiar em mim. Eu disse a ele que centenas já confiaram."

"O casamento é uma grande instituição, mas eu não estou preparada para as instituições."

"Quando sou boa, sou muito boa, mas quando sou má, sou melhor ainda."

"Entre dois males, escolho sempre aquele que nunca experimentei."

"Quando as mulheres erram, os homens vão atrás."

“Nunca amei ninguém do jeito que amo a mim mesma.”

"Mulher é como um chá: nunca se sabe o quão forte ela é até colocá-la na água quente."

"Sua mãe devia tê-lo jogado fora e ficado com a cegonha."

"Os homens não conseguem olhar para um par de seios e, ao mesmo tempo, pensar."

A importância de saber cativar

Sim, "a vida é a arte dos encontros, embora haja tantos desencontros pela vida". Mas um ou outro relacionamento vai vir assim, "de graça", configurando um encontro de almas. Para todas as outras coisas, nem MasterCard resolve; é esforço de conquista mesmo. Pena que estamos tão imersos nessa cultura da imagem, iconizada pelo mundo da celebridade, que acabamos incorporando o "celebrity behavior" no dia-a-dia. Achamos que o nosso simples aceno é o suficiente para arrebatar a multidão [quem já não se sentiu "platéia" de algum amigo, parente?]; a maioria de nós se sente especial demais para fazer o "trabalho braçal" do cuidado e do companheirismo, na convivência diária. Ledo e Ivo engano. Aviso aos navegantes: nem o seu dente vai permanecer na sua boca se você não cuidar direito dele! [risos] Não é à toa que os relacionamentos, quando não terminam, são frágeis demais, superficiais ou conturbados. É um querendo tirar do outro o que esse tem de melhor; pouca gente anda interessada em trocar, e menos ainda, em dar algo desinteressadamente.
Segue um trecho de "O pequeno príncipe", que achei muito oportuno postar aqui. Olha, as misses podem até serem leitoras de um livro só, mas elas sabem escolher!

Então a raposa apareceu. "Bom dia", disse a raposa. "Bom dia", o Pequeno Príncipe respondeu educadamente. "Quem é você? Você é tão bonita de se olhar." "Eu sou uma raposa", disse a raposa. "Venha brincar comigo", propôs o Pequeno Príncipe. "Eu estou tão triste". "Eu não posso brincar com você", a raposa disse. "Eu não estou cativada". "O que significada isso – cativar?" "É uma coisa que as pessoas freqüentemente negligenciam", disse a raposa. "Significa estabelecer laços". "Sim", disse a raposa. "Para mim você é apenas um menininho e eu não tenho necessidade de você. E você por sua vez, não tem nenhuma necessidade de mim. Para você eu não sou nada mais do que uma raposa, mas sem você me cativar então nós não precisaremos um do outro". A raposa olhou fixamente para o Pequeno Príncipe durante muito tempo e disse: "Por favor cativa-me." "O que eu devo fazer para cativar você?" perguntou o Pequeno Príncipe. Você deve ser muito paciente". disse a raposa. "Primeiro você vai sentar a uma pequena distância de mim e não vai dizer nada. Palavras são as fontes de desentendimento. Mas você se sentará um pouco mais perto de mim todo dia." Então o Pequeno Príncipe cativou a raposa e depois chegou a hora da partida dele – "Oh!" disse a raposa. "Eu vou chorar". "A culpa é sua", disse o Pequeno Príncipe, "mas você mesma quis que eu a cativasse". "Adeus", disse o Pequeno Príncipe. "Adeus", disse a raposa. "E agora eu vou contar a você um segredo: nós só podemos ver perfeitamente com o coração; o que é essencial é invisível aos olhos. Os homens têm esquecido esta verdade. Mas você não deve esquecê-la. Você se torna eternamente responsável por aquilo que cativa".